quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A onda dos clássicos

A republicação de literatura em domínio público nunca esteve tão na moda. Além das proto-ficções científicas de Verne e Sheley, a cada ano mais autores entram na lista daqueles que podem ser publicados sem licenciamento comercial formal. Lovecraft e Howard já estão na lista e muitos outros devem engrossar as fileiras da FC&F em breve, conforme forem completando os 70 anos de suas mortes.
A caprichosa Editora Zahar lançou uma edição especialíssima de 20 mil léguas submarinas, de Jules Verne, clássico da FC de 1870, a qual apresenta como Edição Definitiva, Ilustrada e Comentada. O livro tem 456 páginas, traz notas explicativas e 70 gravuras da época. A apresentação de Rodrigo Lacerda pode ser vista aqui, e a tradução, que não é de domínio público, é de André Telles.
A Hedra é outra editora que tem publicado muitos textos de domínio público. Sempre com ótimas escolhas, lançou três títulos em novo formato, maior e mais vistoso.
O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde é o mais clássico deles, obra do escocês Robert Louis Stevenson, geralmente traduzido como O médico e o monstro. O volume tem 176 páginas e a tradução é do escritor Braulio Tavares.
Outro título importante na história da literatura fantástica é Bola de sebo e outros contos, do francês Guy de Maupassant. Com tradução de Plínio Augusto Coelho, tem 158 páginas e reúne textos publicados entre 1880 e 1887, entre os quais os significativos "O horla" e "Bola de sebo".
Finalmente, mais um título da ótima coleção de H. P. Lovecraft: A sombra vinda do tempo, com 118 páginas e tradução de Guilherme da Silva Braga. A exemplo das outras edições de Lovecraft pela editora, o volume também publica alguns ensaios do autor, inéditos no Brasil.
São todos textos obrigatórios. Quem ainda não leu deve aproveitar esta oportunidade de ouro.


Juvenatrix 131

Renato Rosatti está distribuindo a nova edição de seu fanzine eletrônico Juvenatrix, de número 131. Trata-se do mais regular dos fanzines brasileiros e o último sobrevivente da Segunda Onda do fandom.
Dedicado ao terror e à ficção científica, Juvenatrix 131 traz contos de Matheus Ferraz, Emanuel R. Marques, Dalila Rocha Sousa e Rita Maria Felix da Silva; resenhas dos filmes Premonição 5, por Gabriel Paixão e Marcelo Milici, Romântico defensor (1948), O retorno dos vermes malditos (2010), A casa que pingava sangue (1970), A casa dos sonhos (2011), Super 8 (2011) e Uma noite no museu (2006), por Rosatti, além de notícias e divulgação da cena alternativa. A ótima ilustração da capa, que vem ser tornando uma atração à parte no fanzine, é assinada por Rafael Tavares.
Para obter uma cópia, basta solicitar ao editor através do email renatorosatti@yahoo.com.br

terça-feira, 15 de novembro de 2011

QI 111

Chegou esta semana a cabalística edição 111 do fanzine Quadrinhos Independentes, editado por Edgard Guimarães. Cabalística porque é o número 111, publicado em 11/2011. Dã! Apesar da coincidência esquisita, trata-se da melhor edição do ano, com textos muito interessantes.
O destaque vai para o artigo sobre os livros de História do Brasil de Julierme de Abreu e Castro, ilustrados por mestres da HQB, como Rodolfo Zalla e Eugênio Colonnese, que faziam com que as aulas do ensino secundário nos anos de chumbo ficassem menos pesadas. Eu estudei com esses livros e sinto não tê-los conservado, eram ótimas peças de referências pictográficas.
Os demais artigos também são bacanas, como a homenagem a Joacy Jamys e "Mistérios do colecionismo", ambos do editor, além de textos de A. B. Cassal, Carlos Gonçalves e Worney Almeida de Souza. Compõe ainda a edição, HQs de Paulo Anjos e Guimarães e as seções de cartas e lançamentos do bimestre. Geralmente é Guimarães que ilustra as capas do QI, mas a desta edição traz um desenho de Lancelott com quatro super heróis da HQB. Uma bem vinda novidade.
O QI é distribuído por assinaturas e este é o penúltimo número do pacote deste ano. Informações com o editor pelo email edgard@ita.br

Em busca do templo perdido

Chegou há poucos dias a nova antologia poética do poeta e cronista José Ronaldo Viega Alves, de Sant'Ana do Livramento/RS. Em busca do templo perdido é uma homenagem do autor à sétima arte, especialmente aos espaços onde ela acontece: as salas de cinema. A maior parte dos textos é nostálgica, sobre como eram esses locais de entretenimento no século 20, com grandes teatros, galerias, telas gigantes e detalhes que não fazem mais parte das salas modernas. Também fala sobre filmes, personagens, atores, atrizes e muitas outras coisas ligadas ao cinema.
Diz o autor no prólogo: "Desde a primeira sessão de cinema acontecida em Paris no distante ano de 1895, o encantamento ainda permanece. Dos meus recortes de jornais amarelecidos pelo tempo versando sobre Cinema, das minhas lembranças das tardes edulcoradas das matinês de antigamente, da verdadeira adoração aos ídolos e monstros sagrados da Sétima Arte, e até das pálidas imagens das cópias desgastadas do Cinema Mudo, é que faço verter a minha poesia nesta pequena obra. Na realidade, o Cinema é pura invenção. Na invenção, o Cinema é pura realidade. E magia, sempre".
Sendo o autor um apreciador de FC&F, a fantasia transpira pelos versos, que devem agradar os fãs do gênero.
Publicado pela Editora Opção2, o volume tem 66 páginas e pode ser adquirido com o autor. Mais informações pelo email ronaldoviega@hotmail.com.

sábado, 12 de novembro de 2011

Vá Ler Um Livro

Convidado pela editora Tatiany Leite, estreei há alguns dias como resenhista de quadrinhos no saite de cultura Vá Ler Um Livro, com a resenha de Zeladores, que publiquei também aqui cerca de uma semana depois.
No que se refere aos quadrinhos, vou dar prioridade para o Vá Ler Um Livro, de forma que os posts aparerecerão lá antes do que aqui. Contudo, neste início de trabalho, mandei alguns textos recentes já publicados e essa dinâmica ainda não está inteiramente aplicada, mas chegarei lá.
Como não pretendo que os seguidores do Mensagens do Hiperespaço migrem de mala e cuia para Vá Ler Um Livro, os posts de literatura, brinquedos e tudo mais, continuam aparecendo exclusivamente aqui.
Mas recomendo a visita regular ao Vá Ler Um Livro, pois há muitas coisas bacanas por lá. É, por exemplo, um saite bastante ágil quando se trata de chiclit, sendo minha fonte principal nesse assunto. Divirta-se.

Resenha: Zeladores

Um dos derradeiros recursos dos quadrinhos no Brasil é o financiamento estatal. Já não é de hoje que as Secretarias de Cultura de diversos Estados dedicam recursos públicos para socorrer a cada vez menor publicação de quadrinhos brasileiros. Em São Paulo, o programa mais em voga é o Proac que, a cada ano, seleciona através de um burocrático edital, um punhado de projetos que julga merecedores da verba, que atrai o interesse das editoras.
Foi o caso do álbum Zeladores, publicado em 2010 pela Devir Livraria, baseado numa série publicada na internet, disponível  aqui.
O desenho de Mr. Gouache (Anderson Almeida) é moderno e de cores vibrantes, com uma estilização forte e angulosa. O argumento, do espanhol Nathan Cornes, tem contornos míticos e cosmológicos de textura lovecraftiana, lembrando imediatamente Hellboy, personagem de aventuras tenebrosas do norte americano Mike Mignola, com elementos dramáticos que também remetem aos romances do britânico Neil Gaiman, Os filhos de Anansi (Conrad, 2006) e Deuses americanos (Conrad, 2002).
O herói da história é a entidade sobrenatural Zé Pilintra, protetor da cidade de São Paolo (com "o" mesmo). Pilintra detém uma bengala que lhe dá força espiritual para cuidar da cidade.
Ramalho, um ex-traficante de escravos que adquiriu a imortalidade e, para variar, quer dominar o mundo, pretende libertar o deus Anhagá, aprisionado em um lugar desconhecido. Para localizá-lo e libertá-lo, Ramalho precisa da bengala. Ele já teve a bengala uma vez, quando conseguiu a façanha de matar Zé Pilintra, e agora ambos terão de se confrontar novamente para um tirateima.
Um aspecto que enfraquece a história é que o teoricamente astuto Zé Pilintra demonstra não ter força e habilidade suficientes para enfrentar o medíocre e falastrão Ramalho, e até precisa da ajuda de outras entidades para não morrer outra vez.
A história até começa bem e assim vai até mais ou menos a metade, quando a narrativa perde o fôlego. Falta-lhe o aspecto humano: o leitor não se identifica com qualquer dos personagens, todos entidades sobrenaturais impiedosas, verdadeiros monstros. Também falha na tentativa de fazer humor negro, descambando para a paródia e comprometendo a frágil credibilidade da trama.
O que resgata o trabalho do simples pastiche são as citações à mitologia brasileira de fundo africano e indígena, que deve ser o que garantiu a simpatia da Secretaria da Cultura para aprovar o financiamento da obra. Mas poderia ser melhor.

Papercrafts nas bancas. Ou quase.

Há um bom tempo que não aparecem publicações de modelos de papel nas bancas brasileiras. As últimas delas foram algumas edições da revista Art Attack, que trouxe peças toyarte muito bacanas, comentadas aqui. Mas as coisas parecem estar mudando.
Em setembro, a Editora Abril lançou o álbum de figurinhas Princesas para Sempre que, além do álbum em si e dos cromos colecionáveis, vendidos à parte, entregou como brinde um castelo encantado, como aqueles que costumamos ver nos contos de fadas.
O modelo é parcial e serve como diorama, onde se podem dispor figuras 3D que também fazem parte da coleção. Branca de Neve, Bela Adormecida, Cinderela, Pequena Sereia, Rapunzel são algumas das personagens retratadas. A coleção faz parte da franquia Disney, o que é garantia de qualidade. O álbum com o castelo custa a bagatela de R$6,95, e cada envelope, com quatro figurinhas e um card 3D, custa R$1,00.

Outra editora que está investindo nesse segmento é a On Line, que anunciou duas edições da revista Diversão com Brinquedos de Papel. A primeira delas também é um castelo de contos de fadas, este porém é genérico, sem nenhuma marca associada. O castelo tem 36 peças destacáveis para serem montadas sem cola.
A segunda edição é para os meninos, pois as 70 peças que compõe o kit formam a van do popular personagem dos desenhos animados Ben 10. Cada revista custa R$14,99.
Infelizmente, parece que as editoras brasileiras ainda pensam que papercraft é coisa só para crianças. Mas sejamos otimistas, quem sabe este seja apenas o início de uma coleção de modelos bem mais interessantes.