sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Mais Anuário 2009

A Livraria Moon Shadows, que fica no bairro da Bela Vista, em São Paulo, está promovendo um batepapo com Marcello Simão Branco e Cesar Silva, autores do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, cuja edição referente ao ano de 2009 foi publicada em setembro pela Devir Livraria.
O evento acontece no sábado, dia 4 de dezembro, das 14 às 16 horas.
O dia e o horário foram criteriosamente escolhidos pela gerente da loja, a simpaticíssima Michelle, de forma a favorecer a presença de pessoas que não puderam ir ao lançamento do livro, ocorrido numa noite de sexta-feira em meados de outubro.
Aproveite também para dar uma boa olhada na loja, que é bem servida e está repleta de supresinhas deliciosas para os fãs de FC&F, sempre com um descontinho esperto.
A Moon Shadows fica na Rua Treze de Maio, 966 e, aos sábados, está aberta a partir da 10 horas. Mas muito cuidado para não passar do ponto: a livraria fica ao lado da Luderia Ludus.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Lobato e a eugenia

Ao longo do mês de novembro, uma polêmica esdrúxula inundou as redes de relacionamento, quando o CNE - Conselho Nacional de Educação, decidiu recomendar que Caçadas de Pedrinho, livro do ciclo do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, originalmente publicado em 1933, fosse melhor contextualizado nas escolas públicas devido ao seu conteúdo etnicamente incorreto.
Sem problemas, não é a primeira vez que isso acontece com esse mesmo título, que anteriormente havia sido classificado como ecologicamente incorreto, e o mesmo já aconteceu com muitos outros títulos ao longo do tempo.

Lobato é sabidamente um autor polêmico devido a suas crenças eugenistas, mais declaradas no romance O presidente negro, de 1926. Como naquela época não era crime ser racista, Lobato nunca sentiu qualquer pudor em inserir esses valores - discutíveis é certo - em sua literatura, de forma mais ou menos explícita. Não há dúvida que esse conteúdo deve ser cuidadosamente avaliado pelos educadores nos dias de hoje, e é isso que o CNE sugeriu.
Mas parece que a sociedade brasileira é muito sensível quando se trata de qualquer coisa que lembre censura, por motivos óbvios, ou que envolva Monteiro Lobato, que é uma espécie de herói nacional. Talvez seja por causa das séries de TV, já que a juventude moderna prefere guloseimas mais confeitadas, como Harry Potter e Crepúsculo.
O CNE foi achincalhado de todo lado, acusado de censura - o que é no mínimo um exagero - e de tentar denegrir a memória do autor, o que de forma alguma foi o caso. Foi o próprio Lobato que o fez a si mesmo quando usou a literatura infantil como ferramenta doutrinária.
Ninguém deixa de reconhecer o valor de Lobato como um dos principais incentivadores do hábito da leitura no Brasil, e ele merece todo o mérito por isso. Mas ele não era perfeito. Vamos com calma, pessoal. As vezes, os morcegos tem que ser espantados do sótão.

Na verdade, o CNE elabora um estudo sobre os livros escolares e emite recomendações que servem de parâmetro para o MEC - Ministério da Educação e Cultura, definir os títulos que vai incluir no pacote de compras a ser distribuído às escolas e bibliotecas públicas em todo o país. Muita gente falou que devia ter mais gente nesse pacote, sugeriram nomes etc, mas quase ninguém se incomodou em saber quais são os títulos que o MEC tem efetivamente comprado.
A escritora Ana Cristina Rodrigues, através de um bem vindo email a uma lista de discussão, informou links em que se pode ver as listas de livros do programa Biblioteca da Escola para 2011.

Vejam só, entre clássicos da FC&F como Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, 1984, de George Orwell, Frankenstein, de Mary Shelley, A máquina do tempo, de H. G. Wells e Cidades invisíveis, de Italo Calvino, estão títulos moderninhos, como O ladrão de raios, de Rick Riordan, Ponte para Terabítia, de Leslie Burke e Jesse Aarons, e Para sempre, de Alyson Noel.

E entre os autores brasileiros, ao lado de O pirotécnico Zacarias, de Murilo Rubião, aparecem lançamentos novíssimos como Sangue de lobo, de Rosana Rios e Helena Gomes, Histórias de arrepiar, de Regina Drummond e Babel Hotel, de Luis Brás. Na minha opinião, mesmo sem Lobato, é uma boa seleção para a garotada ler. Todo ano a lista muda, de forma que as bibliotecas podem ser continuamente abastecidas com novidades.
Portanto, pelo menos para mim, parece que toda a discussão foi uma grande bolha de opiniões que sequer aconteceria se elas fossem melhor embasadas. Sinal que a maior parte dos leitores conhece muito mal a obra de Lobato e ainda menos a respeito das estruturas técnicas que regem a pedagogia no Brasil. E nem quer conhecer.

Bruce Sterling em Sampa

Roberto de Sousa Causo informou, em sua coluna semanal no Terra Magazine, que o escritor norteamericano Bruce Sterling, um dos fundadores do movimento cyberpunk, estará em São Paulo entre os dias 2 e 7 de dezembro de 2010, em promoção das editoras Devir e Terracota, e da Universidade Cruzeiro do Sul.
Sterling ministrará oficinas durante o I Encontro Extensão para o Futuro e, no dia 6, entre as 18h30 e 21h30, autografará livros na FNAC (Av. Paulista, 901, São Paulo). O autor cumprirá ainda uma extensa turnê que inclui outras cidades do país.
Não é a primeira vez que Sterling vem ao Brasil. Em 1997, ele participou da V InteriorCon, um simpósio de fãs, escritores e autores de FC&F realizado em Sumaré, cidade do interior de São Paulo. Na época, seu principal romance, Pirata de dados, havia sido recentemente publicado pela editora Aleph. Hoje o título se encontra fora de catálogo e apenas o romance Tempo fechado, publicado em 2008 pela Devir, está nas livrarias. Estes são os únicos títulos do autor publicados no Brasil.
Nos últimos anos, Sterling tem se dedicado a promover a literatura especulativa realizada no terceiro mundo, tema pelo qual ele se interessa bastante. (Foto: divulgação)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Brasil na Locus - parte II

O escritor e pesquisador Roberto de Sousa Causo, que mantém uma coluna na revista americana Locus sobre a FC&F no Brasil, teve publicado na edição de novembro um novo artigo sobre as atividades das editoras e dos fãs brasileiros.
O artigo ocupa pouco mais de uma página e cita uma série de títulos e autores, tais como Finisia Fideli, Jaques Barcia, Gianpaollo Celli, Fabio Fernandes, Alfredo Suppia, Edgar Nolasco, Rodolfo Londero, Paulo Sousa Ramos, Ademir Pascale, Jim Anotsu, além de um amplo e detalhado comentário sobre o Anuário 2009. Thank you, friend!
Quem quiser ver e guardar o recorte, Causo dispôs imagens das duas páginas, que eu fechei num arquivo compactado que pode ser baixado gratuitamente aqui.

O povo da névoa

O povo da névoa, romance originalmente publicado em 1894, de autoria de H. Rider Haggard, autor mais conhecido pelos clássicos As minas do Rei Salomão e Ella, marcou o retorno à FC&F do lendário editor Gumercindo Rocha Dórea, conhecido por ter criado toda uma geração de autores brasileiros de ficção científica, a conhecida Primeira Onda da FCB, que tem nomes como André Carneiro, Fausto Cunha, Gerônymo Monteiro e Dinah Silveira de Queiróz, entre outros.
Publicar O povo da névoa era um sonho antigo do editor, tanto que ele o decidiu realizar numa tiragem muito pequena, pela sua própria editora, a GRD, e dessa forma poucos tiveram a oportunidade de ver e adquirir.
Agora o título chega numa tiragem bem maior e com boa distribuição, numa parceria da GRD com a Devir Editorial. O volume tem 352 páginas e já está disponível na loja virtual da Devir, por R$34,50.

Portal Fahrenheit

A coleção Portal, idealizada e editada por Nelson de Oliveira, divulgou a capa de seu sexto e último volume, que leva o subtítulo de Fahrenheit, em homenagem ao clássico romance da ficção científica de Ray Bradbury, Fahrenheit 451.
O livro, tem 160 páginas - o mais extenso da coleção - e traz um respeitável time de autores brasileiros: Abilio Godoy, Ataíde Tartari, Brontops Baruk, Bruno Cobbi, Claudio Brites, Danny Marks, Georgette Silen, Ozilda Bichara, Laura Fuentes, Luiz Bras, Márcia Olivieri, Marco Antônio de Araújo Bueno, Maria Helena Bandeira, Mayrant Gallo, Mustafá Ali Kanso, Nelson de Oliveira, Petê Rissatti, Ricardo Delfim, Roberto de Sousa Causo, Sid Castro e Tiago Araújo. Um fecho de ouro para este que é um dos mais ousados projetos coletivos da literatura fantástica brasileira.
Ainda não há informação definitiva sobre a data e o local do lançamento, mas deve acontecer ainda em 2010.

O fator caos

O produtivo autor carioca Miguel Carqueija acaba de disponibilizar gratuitamente na internet o seu romance O fator caos, anteriormente publicado em episódios no fanzine Juvenatrix, de Renato Rosatti. O autor define o trabalho como "uma fanfic-crossover assumida que homenageia os universos Star Wars, Star Trek, Necronomicon, Batman e Sailor Moon." Portanto, embarque no espírito da coisa. O e-book tem prefácio de Mariana Albuquerque e pode ser baixado no Portal Cranik.
A capa mostra uma das magníficas imagens de Alvim Correa, ilustrador brasileiro do início do século XX, que fez esses desenhos para uma das primeiras edições de A guerra dos mundos, de H. G. Wells.