quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Terrorzine 22

Está disponível para download gratuito o número 22 do TerrorZine, editado por Ademir Pascale para o Portal Cranik.
A edição destaca uma histórica versão em inglês, feita pelo mestre da FC americana Damon Night, do pequeno conto "Noite de amor na galáxia", de André Carneiro, um dos mais importantes autores do gênero no Brasil.
Também apresenta minicontos dos escritores André Bozzetto Junior, André Carneiro, André Schuck Paim, Braulio Tavares, Edson Rossatto, Felipe Anlandt Simm, Gabriel Burani, Laura Elias, Miriam Santiago, O. A. Secatto, Renato A. Azevedo, Waldick Garrett e do próprio editor, além de entrevistas com o escritor Estevan Lutz, e os quadrinhistas Anderson Almeida e Jonatas Tobias.

Novas coleções em novembro

Mesmo depois da Bienal do Livro de São Paulo, o mercado continua aquecido com o anúncio de muitos lançamentos de interesse para os fãs de ficção fantástica literária. E agora eles veem em bando, dando início a três novas coleções temáticas que vão se juntar a outras iniciativas do gênero, como Ficção de polpa, da Não Editora, Paradigmas, da Tarja Editorial, e Imaginários, da Editora Draco.
A estreante editora Argonautas apresenta ao público o seu primeiro título, Sagas: Espada e magia, volume 1. Como o nome diz, é uma edição dedicada à fantasia heróica e publica trabalhos de Cezar Alcázar, Duda Falcão, Georgette Sillen e Rober Pinheiro.
Também chega ao público o primeiro volume da coleção Extraneus, subtitulado Medieval Sci-Fi, editada por M. D. Amado para o selo Estronho, da editora Literata. A edição propõe uma ficção científica em ambiente medieval — ou viceversa — algo que foi bastante realizado durante a Golden Age da FC americana. O livro tem 120 páginas e apresenta textos de Ana Cristina Rodrigues, Gianpaolo Celli, Leandro Reis, Leonardo Pezzella, Renato A. Azevedo, Simone O. Marques, Rober Pinheiro, Cirilo S. Lemos, Cláudia Zippin Ferri, Davi M. Gonzáles, Gadiego Silvestrini, Larissa Caruso, Rebis Kramrish e Rudá Almeida.
Outra coleção que se inicia é Histórias Fantásticas, organizada por Georgette Silen para o selo Estronho, em parceria coma Cidadela Editorial. O primeiro volume da coleção não tem subtítulo e não definiu nenhum tema em especial, deixando aos autores a recomendação de trabalharem livremente sobre conceitos do imaginário popular e mitológico. O livro publica contos de Flávio de Souza, Marcelo Luiz Bigheti, Leonardo Pezzella, Armin Daniel Reichert, Rubens Alves, Adolph Kliemann, Mário Carneiro Jr., Renato A. Azevedo, Luis Teodósio, Anderson Henrique, Marcelo Augusto, Daniel de Medeiros, Cirilo S. Lemos, Christian David, Willian Riciaridi, Tânia Souza, Larissa Caruso, Jota Marques, Leandro Reis, Ana Lucia Merenge, Marcelo Jacinto Ribeiro e M. D. Amado.
E o editor do selo Estronho, M. D. Amado, também aproveita o embalo para lançar a sua antologia poética À sombra do corvo: Poesias sombrias, publicado pela Editora Literata.
Todos estes lançamentos acontecem dentro da programação da Jedicon, que se realizará no dia 20 de novembro na Rua Major Maragliano, 191, Vila Mariana, em São Paulo.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Fala, Carqueija!


Agora foi a vez do escritor carioca Miguel Carqueija, autor do romance Farei o meu destino (2008, Giz Editorial) ser entrevistado por Oscar D'Ambrósio no programa Perfil Literário, da Rádio UNESP FM.
Carqueija fala de suas origens literárias, influências, seus autores favoritos e sobre sua trajetória como escritor,citando uma série de personalidades ligadas a história da FC&F.
Para escutar a entrevista, basta acessar o arquivo do programa, aqui. Está identificada sob o número 937.
Na foto de divulgação ao lado (obtida no saite Cranik), com Carqueija em primeiro plano, podemos ver ao fundo o legendário editor Gumercindo Rocha Dórea, que já foi entrevistado no mesmo programa. Aproveite e escute também a entrevista dele, é a de número 512.

Destruição em massa ao alcance de todos


Descobri este livro em um catálogo antigo, fiz uma busca na internet para saber mais a respeito e quanto mais eu olhava, mais me surpreendia.
Trata-se de Mini weapons of mass descruction, de John Austin, um manual com esquemas para montar pequenos armamentos de arremesso de bolinhas de papel, que podem ser montados com objetos simples, como prendedores de papel e de roupas, elásticos, réguas, canetas etc. São bestas, bazucas e catapultas divertidíssimas de montar, um exercício de criatividade que garante horas de diversão para aqueles chatos dias de chuva.
E nem precisa estar em português, porque as diagramas são claros e detalhados, perfeitamente auto explicativos. Muito legal!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Morcegos postais

A empresa de Correios do Brasil distribuiu uma interessante série de selos adesivos que devem fazer a cabeça dos fãs de morcegos.
Trata-se da série Morcegos no Brasil, com estampas de quatro espécies brasileiras deste que é o único mamífero voador, recortadas num formato incomum e com valor facial de R$2,00.
O negócio é fazer uma visita ao guichê de filatelia para garantir esse curioso item de coleção. Maiores informações podem ser encontradas no saite dos Correios, aqui.

Aurum Domini: O ouro das Missões


Recebi da escritora Simone Saueressig um exemplar de seu mais recente livro, aurum Domini: O ouro das Missões, romance histórico que se apropria da mitologia gauchesca para contar as aventuras de um casal improvável, Adélia Fonseca, filha de comerciantes de São Leopoldo, e Chico Dias, um índio mestiço criado nas Missões, durante o sonho da República Farroupilha.
Publicado pela Editora Artes e Ofícios, com um acabamento elegante e refinado, o livro foi recentemente apresentado na 56ª Feira do Livro de Porto Alegre.
O romance está dividido em duas partes, a primeira, "Os namorados", e a segunda, "A casa de M'bororé", e vem recomendado pela historiadora Carla Renata Antunes de Souza Gomes nas largas orelhas.
Simone me avisou que não se trata de uma fantasia infanto juvenil. É, portanto, a sua estreia no mainstream, em que ela agora se coloca ao lado de tantos autores brasileiros que trataram dos pampas gaúchos, uma região que naturalmente remete ao mitológico e ao imaginário. Por isso, acredito que quem trafegou tanto no gênero fantástico, deve ter deixado escapar algum mistério para temperar a leitura ao longo das 238 páginas da narrativa.
Vale a pena conferir.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Os melhores romances da FC brasileira - Parte 3

Padrões de contato (1985), de Jorge Luiz Calife, é a nossa melhor hard fiction já publicada. Comentado no Anuário 2005, o romance narra a história de uma jovem que, depois de contatada por uma entidade alienígena, torna-se imortal, e dessa forma, testemunha toda a história do futuro, na qual a humanidade se lança às estrelas. O romance teve duas sequências, Horizonte de eventos e Linha terminal que, em 2009, foram reunidas num único volume pela editora Devir Livraria, uma ótima oportunidade para os leitores experimentarem a totalidade dessa que é a mais vultosa obra da ficção científica brasileira, que muitos especialistas consideram a pedra fundamental da Segunda Onda da Ficção Científica Brasileira.
Blecaute (1986), de Marcelo Rubens Paiva, também é um título que merece estar nesta lista. A prosa naturalista e cheia de estilo de Paiva contribui para o estranhamento da história de três jovens espeleólogos que, ao voltarem de sua última exploração subterrânea, encontram a cidade de São Paulo completamente paralizada, com todas as pessoas congeladas como manequins. Trata-se de um dos maiores sucessos editoriais da ficção científica nacional.
Mais ousado que Paiva, o escritor franco-brasileiro Daniel Fresnot foi extremamente feliz ao escrever A terceira expedição (1987), com toda a certeza, o melhor romance de toda a Segunda Onda da Ficção Científica Brasileira, comentado no Anuário 2007, quando completou vinte anos de publicação. Fresnot conta a aventura de um grupo de moradores do interior de São Paulo, sobreviventes de uma hecatombe mundial, que realizam uma expedição às ruínas da capital do estado. As descrições que Fresnot faz das regiões metropolitanas em total abandono são fortes e emocionantes, especialmente para quem conhece a cidade.
O escritor mineiro Luis Giffoni, que tem sua obra mais vinculada ao mainstream, brindou os leitores com seu intrigante Infinito em pó (2004), uma história sobre uma espaçonave gigante numa jornada de décadas rumo a uma estrela distante. Os tripulantes têm uma relação tensa e complicada, com uma verdadeira espada de Dâmocles sobre suas cabeças: uma mini buraco negro, que é a fonte de energia da espaçonave, mas que também pode destruí-la. Giffoni não faz conceções para uma narrativa fácil: o primeiro diálogo do romance via acontecer apenas por volta da página 100. Mas vale a pena acompanhar a história até o final, pois é um dos raros exemplos de um romance brasileiro sobre uma espaçonave de gerações. O trabalho foi resenhado no Anuário 2004.
Quintessência (2004), de Flávio Medeiros Jr., foi uma grata surpresa e foi resenhado no Anuário daquele ano. Estreia literária do escritor, é um movimentado tecnotriller com elementos de ficção científica muito bem posicionados. Medeiros aproveitou sua origem mineira e instalou a história em uma Belo Horizonte da segunda metade do século XXI. Depois de um atentado fatal num shopping center, o detetive que investiga a ação é arrolado como mandante, e isso vai levá-lo a um torvelinho de situações, com fugas e perseguições dignas de um filme hollywoodiano.
Domingos Pellegrini é outro autor mainstream que se aventurou na ficção científica com ótimos resultados. Não somos humanos (2005), comentado no Anuário 2005, é um romance sobre a escravidão, desta vez a de pessoas geneticamente manipuladas para esse fim. Um jovem casal de escravos foge da fazenda de seus proprietários e, depois de muita luta, encontram uma espécie de quilombo em meio às montanhas. Ainda que a vida ali não fosse fácil, era bem melhor que aquela que eles levavam na fazenda, e eles resolvem ficar por ali. Contudo, como os senhores mantém seus capitães do mato em ação, a comunidade de escravos fugidos vai ter que se envolver mais efetivamente com um movimento de libertação que de desenvolve nos bastidores das grandes cidades.
A ira da águia (2006), do médico carioca Humberto Loureiro, também foi uma boa surpresa. Trata-se de um romance ousado, com vários níveis narrativos, que conta a história de um físico brasileiro que cria uma arma tão poderosa que pode colocar o Brasil na liderança política mundial. Quando um pequeno navio brasileiro põe a pique uma poderosa força-tarefa norte americana, o serviço secreto dos EUA convence-se de que é fundamental conseguir os segredos dessa arma misteriosa, custe o que custar, pois está em jogo o seu predomínio no mundo. O livro foi resenhado no Anuário 2006.
Autor formado durante a Segunda Onda da Ficção Científica Brasileira, Roberto de Sousa Causo exercitou-se um bocado nos fanzines ao longo dos anos 1980 e 1990. Contudo, apesar dessa longa experiência com o gênero, sua literatura tem crescido ainda mais depois que começou a publicar regularmente no mercado editorial. O par: Uma novela amazônica (2008), é um de seus trabalhos mais maduros e intensos, foco de vários de seus temas preferidos, especialmente a vida militar, alienígenas e as profundas matas da Amazônia. Neste romance, um soldado desertor experimenta um contato imediato com um OVNI e a partir disso desenvolve um abscesso na perna esquerda, de onde, depois de algum tempo, surge uma jovem que lembra a sua antiga esposa. Juntos, eles continuam a fuga e vão encontrar um acampamento de contrabandistas que pode ser o final de sua jornada. O romance venceu o concurso Projeto Nascente 11, promovido pela Universidade de São Paulo em 2001.
Encerro aqui este artigo, porém sem fechar a lista. Ainda há muitos livros que eu não li, e que talvez mereçam ser citados, e a cada ano renovo a minha esperança por um novo grande trabalho da ficção científica brasileira. Neste momento, por exemplo, a excelente escritora gaúcha Simone Saueressig está publicando, em forma de folhetim na internet, o interessantíssimo romance NCA 4468, que conta os dramas de um grupo de jovens tripulantes de uma espaçonave encalhada na órbita de um buraco negro, um trabalho detalhado e denso, que tem tudo para figurar nesta lista e vale a pena acompanhar.