quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Inaugurando 2018

A Editora @Link convida os leitores da boa ficção científica para o lançamento de dois livros do gênero: Eros ex machina: Robôs sexuais, antologia organizada por Luiz Bras, e a coletânea Às moscas, armas!, do premiado escritor Nelson de Oliveira que ressurge depois de um longo período sabático no Caribe.
Eros é uma seleta com dezoito contos eróticos com robôs, que traz textos de Alex Xavier, Dani Rosolen, Fabio Mariano, Francis Toyama, Gabriel Felipe Jacomel, Gê Martins, Giovanna Picillo, Gláuber Soares, Luiz Bras, Marco Rigobelli, Maria Esther, Mélani Sant’Ana, Nanete Neves, Nathalie Lourenço, Nathan Elias-Elias, Ricardo Celestino, Sonia Nabarrete e Tobias Vilhena.
Em Às moscas, armas!, Nelson de Oliveira retorna aos contos, formato com o qual já publicou diversos livros. O autor, que sempre trafegou entre o realismo e o fantástico, deve ter voltado com as baterias recarregadas plenamente pois a editora anuncia que este é seu melhor livro – e já valeria a pena mesmo que não fosse.
O evento, que contará com a presença siamesa de Bras e Oliveira, está marcado para o dia 24 de fevereiro, das 16 às 20 horas, na Sensorial Discos, Rua Augusta nº2389, em São Paulo, capital.
Vale todo o esforço para comparecer e matar a saudade do bronzeado Nelson de Oliveira, além de adquirir estes dois livros que decerto estarão entre as publicações essenciais da fcb em 2018.
Mais informações na fanpage do evento, aqui.

Conexão Literatura 32

Está circulando o número 32 da revista eletrônica Conexão Literatura, editada por Ademir Pascale pela Fábrica de Ebooks.
A edição de 97 páginas destaca o suspense e o mistério na literatura em um artigo de Pascale, e o resultado do concurso de contos Helsing, Caçadores de Monstros, anunciado na edição anterior, que selecionou textos dos autores Tito Prates,  Marli Freitas e Juan Daniel Diniz Quintana. Os contos vencedores, bem como entrevistas com os autores, podem ser lidos nesta edição.
Ainda aparecem contos de Míriam Santiago e do editor, entrevistas com os escritores Vanderley Sampaio (Bolerus), Roberto Fiori (Futuro!) e Angela Aguiar (Uma chance a mais), além de resenhas por Marcos Fidêncio, Eudes Cruz e Rafael Botter, e um artigo de José Flávio da Paz.
Conexão Literatura é gratuita e pode ser baixada aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.

Boca do Inferno 17

Está circulando o número 17 da newsletter de cinema de horror Boca do Inferno, editada por Renato Rosatti para os saites Boca do Inferno e Infernotícias, distribuída gratuitamente em eventos no formato impresso. A edição tem duas páginas e traz artigos sobre os filmes Coração satânico (Angel heart, 1987) e O fantasma de Frankenstein (The ghost of Frankenstein, 1942).
Para obter uma cópia eletrônica desta e de outras edições, basta solicitar pelos emails renatorosatti@yahoo.com.br ou marcelomilici@yahoo.com.br.

Up!

No dia 20 de janeiro, fui pela primeira vez ao Up! ABC, evento de cultura pop que acontece anualmente em Santo André, sediado nas dependências da Universidade Anhanguera, que foi completamente ocupada por um público enorme que buscava as atrações da gigantesca programação que incluiu feira de memorabilias, praça de alimentação, palco com shows musicais, palestras, concursos de cosplay, salas temáticas, campeonatos de videogames e muito mais.
O que eu queria visitar era o beco dos artistas, área reservada aos criadores de quadrinhos e literatura, editores independentes e artistas plásticos que ali expõem e comercializam suas criações. Já estava combinado em visitar a mesa dos meus amigos Rynaldo Papoy e Gilberto Queiroz, que me presentearam com quatro fanzines de sua autoria: O sétimo beijo na boca (fantasia), Timeless (fc), Phobia Zine (terror) e Inktober (portfólio de Queiroz), todos muito bem acabados.
Estava lá também o escultor e grafiteiro Rafael Lucena, com que tive o prazer de cursar duas oficinas de toyart alguns anos depois dele ter sido meu aluno numa oficina de quadrinhos. Rafael especializou-se em estátuas de heróis dos quadrinhos e dos games, e é expositor contumaz em eventos dessa natureza. Além deles, muitos outros artistas estavam ali vendendo prints, chaveiros e outros gadgets com seus desenhos, assim como alguns quadrinhistas ofereciam seus álbuns, como Robert Yo, autor do álbum 3.o Mundo – que ainda me presenteou com um exemplar a revista Gibi Quantico –, Eduardo Capelo, autor de Japow!, e os escritores Tiago P. Zanetic (Onze reis: Principia) e Gabriel Davini, que me apresentou a seu futuro romance de fantasia A ruína dourada através de fascículos com trechos da obra.
Deu uma vontade danada de estar ali junto deles, vendendo meus livros e quadrinhos. Talvez eu faça isso mesmo no ano que vem.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Resenha: Dicionário de línguas imaginárias

Dicionário de línguas imaginárias, Olavo Amaral. 128 páginas. Editora Companhia das Letras, selo Alfaguara, São Paulo, 2017.

Ainda que seja conceito comum entre os críticos da literatura brasileira que ela seja uma arte estagnada, recorrente em seus temas, quase sempre ligados à marginália, à pobreza e à violência, repetindo personagens e tramas que tornam a leitura previsível – e isso pode ser mesmo verdade – sempre houve uma corrente que fluiu em outras direções. De Machado de Assis a Guimarães Rosa, de Murilo Rubião a Ignácio de Loyola Brandão, de Monteiro Lobato a José J. Veiga, há dezenas de autores que escapam dessa análise superficial, que levam temas e tramas da literatura brasileira muito além da fronteira. Histórias de horror quase sempre, fantasia e ficção científica eventualmente, aparecem em todas as épocas, desde que foi permitido que os brasileiros publicassem o que escreviam.
Hoje temos um real movimento em busca desses horizontes, iniciado antes de tudo pelos leitores fãs de ficção científica que, na dificuldade de encontrar o que queriam, passaram a compor suas próprias histórias em fanzines, a princípio, e em blogues, mais recentemente. Esse movimento pré-fabricado nos anos 1960 e 1980, cresceu muito na era da internet e eclipsou aquele fluxo natural que continua lá, contudo.
Há quem diga que as obras de autores ligados ao realismo fantástico não são parte desse movimento. E não são mesmo. São autores mais incorporados ao mainstream, nunca identificados como "fãs", que emprestam para si a estética e os mecanismos de uma tradição latinoamericana que vem de muito mais longe. As histórias tem textura de weird fiction (referência à revista americana Weird Tales, publicada entre 1923 e 1954), em que os contornos da literatura de gênero não são claros e seus preciosos protocolos não são respeitados.
Este é o caso dos dez contos que formam esta coletânea de Olavo Amaral, portoalegrense nascido em 1979, médico, neurocientista,  cineasta e autor premiado, que tem em sua bibliografia as coletâneas Estática (2006) e Correnteza e escombros (2012), também relacionadas ao fantástico e ambas disponíveis para leitura na internet.
Dicionário de línguas imaginárias é o primeiro livro do autor pela Companhia das Letras e guarda tributo à Jorge Luis Borges, especialmente por conta do tema. Mas, enquanto Borges tinha no livro o seu objeto de especulação, Amaral volta sua atenção para a oralidade, a língua, e assim sustenta a mesma metalinguagem borgeana.
O conto que abre a seleta é "Uok phlau", estruturado na forma de um artigo sobre o trabalho de campo de um antropólogo junto a tribo nativa dos yualapeng, em cuja língua não existe a noção de "ir" e "vir".
"Travessia" é uma história mais convencional, sobre quatro homens que não falam a mesma língua e, por algum motivo não explicitado, estão presos em um contêiner, e os desdobramentos do estresse, medo e preconceito que surgem entre eles.
"Mixtape" é uma história sincopada, de tons eróticos, sobre um homem obcecado por um vídeo pornográfico.
"Quarto a beira d'água" retoma o estilo fantástico ao contar a tragédia de um casal depois que surge uma poça de água no meio de seu quarto de dormir.
"Iceberg" é uma fantasia com laivos de ficção científica. Um antropólogo passa o inverno observando à distância uma tribo de homens primitivos que vivem próximos ao litoral. O relato não deixa claro o que realmente está acontecendo, mas vamos sentir o estranhamento quando chega o verão.
"Choeung ek" apresenta uma sociedade que tem no turismo uma grande atividade comercial. Ali, os viajantes são encaminhados às "atrações" locais, que contam uma história tétrica e antiga de violência e crueldade, tudo muito profissional, é claro. Mas há um passeio especial, exclusivo para os turistas mais curiosos.
"O ano em que nos tornamos ciborgues" é uma ficção científica distópica, sobre uma revolução proletária fracassada que dá lugar a uma sociedade de coalizão. Sobreviventes mutilados pelo conflito são submetidos a um tratamento a base de implantes, mas ainda há muito com que se revoltar.
Em "Esquecendo Valdéz", o autor se achega ao modelo borgeano ao contar a história de um homem que forjou um intelectual inexistente a partir da produção de um livro no qual baseou seu trabalho acadêmico.
"Última balsa" tem um que de A estrada, de Cormac McCarthy. Conta o drama de um homem e um menino autista tentando sobreviver em uma ilha deserta após um naufrágio.
"Estepe" mostra o drama de um homem que tem uma doença incurável que avança tanto mais rápido quanto ele fala. O jeito é parar de falar e, para isso, ele vai viver com uma tribo nômade nas congeladas estepes russas, que não por acaso é o povo que menos fala no mundo.
Um livro curioso e perturbador, que sustenta a tradição do realismo fantástico brasileiro e latinoamericano com qualidades inegáveis, ótimas ideias e texto fluente. Leitura altamente recomendável que mostra que, ao contrário do que se pensa, há inteligência fora do fandom.

Múltiplo 15

Está circulando o número 15 do fanzine virtual de quadrinhos Múltiplo, editado por André Carim.
Com 72 páginas, destaca o trabalho de Elinaudo Barbosa, da EBComics, entrevistado pelo editor.
Nos quadrinhos, artes de Josi OM, Luiz Iório, Glauco Torres Grayn, Maurício Rosélli Augusto, Francisco Vilachã,  Alex Moletta e Carlos Brandino. A capa traz um desenho de Rom Freire, e ilustrações de Iório, Daiany Lima e Pedro Ponzo enriquecem o conteúdo.
A publicação pode ser lida online ou baixada gratuitamente aqui. Edições anteriores também estão disponíveis. O zine também podem ser encomendado em formato impresso, aqui.

Juvenatrix 192

Está circulando a edição de janeiro do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix editado por Renato Rosatti, que traz, em 20 páginas, conto de Allan Fear, resenhas aos filmes O altar do diabo (The Dunwich horror, 1970), The Earth dies screaming (1964), O grito da caveira (The screaming skull,1958), O mistério do invisível (The unseen, 1980), Mystics in Bali (1981), Zombie Nightmare (1987) e aos episódios "Frankenstein”, “O ovo de cristal”, “Encontro em Marte” e “The evil within” da série de tv Contos da escuridão (Tales of tomorrow, 1951/1953). Divulgação e curiosidades sobre fanzines, livros, filmes e bandas independentes de rock extremo completam, a edição. A capa traz uma ilustração de Márcio Rogério Silva.
Para solicitar uma cópia em formato pdf, envie e-mail para renatorosatti@yahoo.com.br.