Chegou recentemente aos assinantes o número 123 do fanzine Quadrinhos Independentes, editado por Edgard Guimarães. A edição vem com os artigos "Heróis brasileiros: Aba Larga", "Quadrinhos brasileiros bissextos: Tonico e Petrolino" e "Uatisdis?", todos estes por Guimarães, "Quadrinhos brasileiros ganham importância", por Lincoln Nery, "Histórias em quadrinhos e praticas educativas", por Elydio dos Santos Neto e Marta Regina Paulo da Silva, além das colunas "Mantendo contato", por Worney Almeida de Souza, "Mistérios do colecionismo", em que Guimarães destrincha a coleção Diversões Juvenis da Editora Abril, "Fórum", com a correspondência do editor, e "Edições independentes", com a relação de fanzines lançados no bimestre. Nos quadrinhos, mais quatro páginas da longa história da fazenda dos robôs, que já não tem nem fazenda nem robôs há muito tempo, e "Poeta Vital", fechando o exemplar, ambas de autoria do editor.
Mas o QI não fica só nisso. Também entrega mais duas lâminas da coleção Cotidiano alterado, e o primeiro de sete fascículos da novela gráfica de faroeste Buster from Texas Rangers: "Desperadoes", de Gus Peterson e José Pires, este um veterano ilustrador português que apresenta um trabalho belíssimo, valorizado, ainda que em p&b, pela ótima impressão digital do volume.
O QI é distribuído unicamente por assinaturas. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Cyberdinos
A revista infantil Recreio, da Editora Abril, está com uma nova coleção de brinquedos nas bancas. Agora é a magia dos dinossauros que se uniu à ficção científica na coleção Cyberdinos, uma série com doze miniaturas plásticas reproduzindo conhecidas espécies reais desses gigantes do passado em versões robóticas articuladas que também podem virar medalhões.
Por trás da coleção, há a história de como, no ano 2150, os homens recriaram, no planeta Dinor, esses extintos animais a partir de genes encontrados nos fósseis. Quando Dinor é invadido por robôs vindos do planeta Android, os cientistas desenvolvem os cyberdinos, mistura os répteis com robôs, para protegerem o planeta.
O primeiro modelo da coleção é o cyber-espinossauro, que tem o poder de armazenar energia do Sol em sua corcova.
A revista Recreio tem distribuição semanal e a coleção já está nas bancas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste; nas demais regiões, deve chegar a partir de 26 de dezembro. Os brinquedos são brindes da revista e não são vendidos separadamente. Mais informações no saite da Recreio, aqui.
Por trás da coleção, há a história de como, no ano 2150, os homens recriaram, no planeta Dinor, esses extintos animais a partir de genes encontrados nos fósseis. Quando Dinor é invadido por robôs vindos do planeta Android, os cientistas desenvolvem os cyberdinos, mistura os répteis com robôs, para protegerem o planeta.
O primeiro modelo da coleção é o cyber-espinossauro, que tem o poder de armazenar energia do Sol em sua corcova.
A revista Recreio tem distribuição semanal e a coleção já está nas bancas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste; nas demais regiões, deve chegar a partir de 26 de dezembro. Os brinquedos são brindes da revista e não são vendidos separadamente. Mais informações no saite da Recreio, aqui.
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terça-feira, 29 de outubro de 2013
Mausoléu
Tenho acompanhado o trabalho da editora Argonautas e o empenho com que seus editores, Cesar Alcázar e Duda Falcão, têm atuado em favor da ficção fantástica nacional, em especial a fantasia ao estilo Weird. E acho que foram as minhas resenhas a respeito que motivaram Duda Falcão a me convidar para escrever o prefácio de sua primeira coletânea, Mausoléu.
O livro, que tem ilustrações de Fred Macêdo e projeto gráfico de Roberta Scheffer, será lançado durante a Feira do Livro Porto Alegre, no dia 10 de novembro próximo, às 18 horas, no Centro Cultural Erico Veríssimo, como parte do evento Tu Frankenstein. Falcão informa que a atividade vai ser encerrada por uma sessão coletiva de autógrafos, com as presenças de Christopher Kastensmidt, Cesar Alcázar, Felipe Castilho, Marcelo Amado, Celly Borges e outros escritores, além do próprio Duda Falcão, é claro.
E para apresentar o trabalho, nada melhor que adiantar aqui justamente o prefácio, devidamente autorizado pelo autor:
O homem que construiu seu próprio mausoléu
A ficção fantástica brasileira tem na forma curta sua mais bem acabada tradução. Um dos motivos é porque sempre foi difícil ao autor popular chegar a publicação de romances; então a publicação de contos e folhetins em jornais e revistas foi uma possibilidade bem mais viável. Mesmo nos anos recentes, ainda são os contos, reunidos em seletas de diversas temáticas, que têm permitido que um grande número de autores experimentem as dores e as delícias da arte literária.
Que não se enganem os leitores, contudo: escrever um conto não é mais fácil que escrever um romance. Cada formato tem sua linguagem e estrutura, que precisam ser trabalhadas devidamente para atingir a excelência. Só é mais fácil de publicar.
Por isso, é comum que autores novos, antes de se aventurarem na produção de textos longos, trabalhem algum tempo na forma curta. Aos leitores parece também agradar um volume com várias narrativas, pois a publicação de coletâneas tem sido intensa nos últimos anos. E disso se aproveitou Duda Falcão, jovem autor portoalegrense que, desde 2005, tem frequentado as mais diversas coletâneas temáticas organizadas pelas editoras brasileiras.
Duda Falcão é professor, graduado em História com mestrado em Estudos Culturais. Ao lado de César Alcázar, outro escritor gaúcho, fundou a Editora Argonautas, com o firme propósito de contribuir para com o crescimento da literatura fantástica brasileira. Tanto que a dupla foi além da simples atividade editorial e associou-se a outros autores para promover o congresso literário Odisseia de Literatura Fantástica de Porto Alegre, realizado em 2012 e 2013 com grande sucesso.
A paixão declarada de Falcão é pelo período Weird da ficção fantástica, que leva esse nome devido a revista Weird Tales, publicada nos EUA entre 1923 e 1954. O periódico ajudou a estabelecer as fundações da ficção fantástica através da publicação de autores como Robert E. Howard, H. P. Lovecraft, Fritz Leiber, Theodore Sturgeon, Robert Bloch, Clark Ashton Smith, August Derleth e Thomas Ligotti, entre outros, num estilo que navega livremente entre os gêneros, indo da fantasia à ficção científica regadas com doses generosas de horror sobrenatural.
Essa é a textura que também caracteriza a ficção curta de Duda Falcão apresentada nesta coletânea: nada menos que 36 contos, a maior parte deles vistos em antologias de editoras como Andross, Estronho, All Print, Multifoco e Literata, publicadas entre 2009 e 2012, bem como em fanzines e na revista Sagas, principal projeto editorial da Argonautas. A variedade de temas também é grande, passando por zumbis, fantasmas, vampiros, bruxas, faroeste, mitologia indígena, jornada pós-apocalíptica, guerreiros pré-históricos, fantasia medieval e muitas outras.
Podem ser lidos aqui alguns dos textos com os quais o autor se revelou, como "Emplumado" e "Museu do terror", este parte de uma série de histórias publicadas originalmente na internet.
Os contos também revelam a admiração do autor pela obra de Edgar Allan Poe, homenageado em diversos textos, e pela literatura gótica de Mary Shelley e John Polidori, citados textualmente no conto "Humanos, monstros e máquinas". A coletânea conta ainda com uma boa quantidade de textos inéditos.
É este o Mausoléu que Duda Falcão construiu para si mesmo, devidamente povoado por seus próprios pesadelos que, a partir de agora, vão também assombrar as noites dos valentes que se aventurarem em seus meandros.
Recomendo que levem uma lanterna. Boa sorte.
O livro, que tem ilustrações de Fred Macêdo e projeto gráfico de Roberta Scheffer, será lançado durante a Feira do Livro Porto Alegre, no dia 10 de novembro próximo, às 18 horas, no Centro Cultural Erico Veríssimo, como parte do evento Tu Frankenstein. Falcão informa que a atividade vai ser encerrada por uma sessão coletiva de autógrafos, com as presenças de Christopher Kastensmidt, Cesar Alcázar, Felipe Castilho, Marcelo Amado, Celly Borges e outros escritores, além do próprio Duda Falcão, é claro.
E para apresentar o trabalho, nada melhor que adiantar aqui justamente o prefácio, devidamente autorizado pelo autor:
O homem que construiu seu próprio mausoléu
A ficção fantástica brasileira tem na forma curta sua mais bem acabada tradução. Um dos motivos é porque sempre foi difícil ao autor popular chegar a publicação de romances; então a publicação de contos e folhetins em jornais e revistas foi uma possibilidade bem mais viável. Mesmo nos anos recentes, ainda são os contos, reunidos em seletas de diversas temáticas, que têm permitido que um grande número de autores experimentem as dores e as delícias da arte literária.
Que não se enganem os leitores, contudo: escrever um conto não é mais fácil que escrever um romance. Cada formato tem sua linguagem e estrutura, que precisam ser trabalhadas devidamente para atingir a excelência. Só é mais fácil de publicar.
Por isso, é comum que autores novos, antes de se aventurarem na produção de textos longos, trabalhem algum tempo na forma curta. Aos leitores parece também agradar um volume com várias narrativas, pois a publicação de coletâneas tem sido intensa nos últimos anos. E disso se aproveitou Duda Falcão, jovem autor portoalegrense que, desde 2005, tem frequentado as mais diversas coletâneas temáticas organizadas pelas editoras brasileiras.
Duda Falcão é professor, graduado em História com mestrado em Estudos Culturais. Ao lado de César Alcázar, outro escritor gaúcho, fundou a Editora Argonautas, com o firme propósito de contribuir para com o crescimento da literatura fantástica brasileira. Tanto que a dupla foi além da simples atividade editorial e associou-se a outros autores para promover o congresso literário Odisseia de Literatura Fantástica de Porto Alegre, realizado em 2012 e 2013 com grande sucesso.
A paixão declarada de Falcão é pelo período Weird da ficção fantástica, que leva esse nome devido a revista Weird Tales, publicada nos EUA entre 1923 e 1954. O periódico ajudou a estabelecer as fundações da ficção fantástica através da publicação de autores como Robert E. Howard, H. P. Lovecraft, Fritz Leiber, Theodore Sturgeon, Robert Bloch, Clark Ashton Smith, August Derleth e Thomas Ligotti, entre outros, num estilo que navega livremente entre os gêneros, indo da fantasia à ficção científica regadas com doses generosas de horror sobrenatural.
Essa é a textura que também caracteriza a ficção curta de Duda Falcão apresentada nesta coletânea: nada menos que 36 contos, a maior parte deles vistos em antologias de editoras como Andross, Estronho, All Print, Multifoco e Literata, publicadas entre 2009 e 2012, bem como em fanzines e na revista Sagas, principal projeto editorial da Argonautas. A variedade de temas também é grande, passando por zumbis, fantasmas, vampiros, bruxas, faroeste, mitologia indígena, jornada pós-apocalíptica, guerreiros pré-históricos, fantasia medieval e muitas outras.
Podem ser lidos aqui alguns dos textos com os quais o autor se revelou, como "Emplumado" e "Museu do terror", este parte de uma série de histórias publicadas originalmente na internet.
Os contos também revelam a admiração do autor pela obra de Edgar Allan Poe, homenageado em diversos textos, e pela literatura gótica de Mary Shelley e John Polidori, citados textualmente no conto "Humanos, monstros e máquinas". A coletânea conta ainda com uma boa quantidade de textos inéditos.
É este o Mausoléu que Duda Falcão construiu para si mesmo, devidamente povoado por seus próprios pesadelos que, a partir de agora, vão também assombrar as noites dos valentes que se aventurarem em seus meandros.
Recomendo que levem uma lanterna. Boa sorte.
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Aulas de ilustração grátis
É claro que perdi muitas ótimas oportunidades ao longo das duas semanas que durou a Feira, mas no dia 11 consegui assistir algumas, especialmente a de dois colegas ilustradores cujos trabalhos admiro bastante: Jô Oliveira e Thaís Linhares.
Jô Oliveira é um veterano desenhista de quadrinhos, que começou sua carreira profissional desenhando selos para os Correios, com os quais ganhou diversos prêmios e muito prestígio. A influência do cordel manifesta-se fortemente em seu estilo, que remete à xilogravura, embora seja feito diretamente no papel.
Depois de ver dois workshops em que Jô demonstrou à sua jovem audiência como usar figuras geométricas simples para obter desenhos complexos, segui-o a outra palestra, desta vez ao lado dos poetas e pesquisadores de cordel, Marco Haurélio e José Santos, para os quais Jô ilustrou o livro História de combates, amores e aventuras do valoroso cavaleiro Palmeirim de Inglaterra, recontando em poesia cordelista essa tradicional fantasia ibérica de Francisco de Morais (1500-1572). Enquanto Haurélio fazia rimas com os nomes da garotada e das professoras presentes, Jô mostrou todo o seu talento elaborando, num flipchart, lindas ilustrações do cavaleiro medieval que é protagonista do livro.
De Haurélio, recebi o livro Florentino e Mariquinha no tribunal do destino (Ed. Louzeiro, 2012), um cordel de trinta páginas com um trabalho meticuloso sobre alguns componentes importantes da cultura brasileira.
Uma ótima notícia que Jô me passou foi que sua mais significativa obra nos quadrinhos, Hans Staden: Um aventureiro no novo mundo, publicada originalmente em 1989 na revista italiana Corto Maltese, terá uma nova edição brasileira. Adaptada a partir de um livro de Monteiro Lobato, o trabalho já teve uma edição brasileira em 2005 pela Conrad, hoje esgotada.
No período da tarde, acompanhei as palestras da ilustradora carioca Thaís Linhares, que conheço desde os anos 1980 quando ela editava o fanzine de fantasia Grimoire, que continua sendo um dos mais bonitos fanzines brasileiros já publicados. Com mais de 100 livros publicados, Thaís estava lançando o livro Vovó Dragão, escrito por ela mesma, que revelou ser uma história autobiográfica em homenagem a avó materna, que lhe contava histórias quando criança.
A escritora-ilustradora é especialista em desenhos desse gênero, principalmente cavaleiros e dragões; suas apresentações focaram esses elementos e valeram por uma aula. Thaís ainda promoveu um outro livro na Felisb, O mergulho do rei, de Caio Ducca, ilustrado por ela.
Depois das palestras, conversamos longamente sobre a situação profissional dos ilustradores e escritores de ficção fantástica no Brasil, no estande da Aelij – Associação dos Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, agremiação muito bem organizada que está sempre promovendo a apoiando seus associados, entre eles Thais e Jô Oliveira. Um modelo que poderia ser imitado pelos autores e ilustradores de ficção fantástica em geral, se um dia for superada a histórica batalha de egos que assola o fandom.
Ainda podia ser apreciada na Feira uma exposição emocionante sobre os ilustradores brasileiros de livros infanto-juvenis, com destaque especial para saudosos mestres do traço, como André Le Blanc, Jaime Cortez, Luiz Sá, Nico Rosso e tantos outros que já se foram. Uma homenagem justa e merecida.
Agora é esperar pela próxima edição, em 2015. Estarei lá, se Deus quiser.
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Chico Bento Moço
Depois do grande sucesso que se tornou a série em quadrinhos Turma da Mônica Jovem, releitura adolescente para a popular criação de Maurício de Sousa, o autor se convenceu que é possível renovar os personagens sem invalidar as características originais de sua bem sucedida franquia. Dessa forma, muitos produtos novos vindos de seus estúdios têm ganhado às bancas e livrarias, e uma das mais interessantes é, sem dúvida, Chico Bento Moço, que aplica no simpático caipira a mesma fórmula que deu tão certo na outra turminha.
Uma edição promocional, com o subtítulo Uma nova jornada, foi distribuída em agosto último, mas o número um só chegou às bancas em setembro, pela editora Panini.
Chico Bento Moço persegue a apresentação gráfica do quadrinho japonês, com miolo em preto e branco, e muitos elementos plásticos típicos do mangá, com linhas cinéticas expressivas e ricas texturas e retículas. Mas o desenho mesmo, não é tão mangá assim e não deixa a sensação de 'peixe-fora-d'água' que acomete a maior parte dos artistas brasileiros que tentam imitar a estética. Além do mais, a equipe que desenvolve o material, com Flavio T. de Jesus nos roteiros e José Aparecido Cavalcante nos desenhos, fez um belo trabalho de caracterização, tanto na linguagem característica de Chico Bento e seus amigos, quanto na cenografia, com elementos de identidade visual muito bem aplicados: arquitetura, veículos, roupas, vegetação etc, sem cacoetes e exageros.
Este primeiro número traz duas histórias: "Hora de voar" e "Despedidas", que mostram os últimos dias de Chico Bento em sua terra natal, a Vila Abobrinha, antes de ir para a faculdade estudar agronomia. Ao longo da narrativa, Chico vai se despedindo de cada um de seus amigos e conhecidos, com destaque especial para sua família, o primo Zé Lelé, também adolescente, e a eterna namorada Rosinha, em momentos realmente emocionantes.
"Confusões na cidade grande" e "Vida na república" são os temas da segunda edição de Chico Bento Moço, que já está nas bancas.
Uma edição promocional, com o subtítulo Uma nova jornada, foi distribuída em agosto último, mas o número um só chegou às bancas em setembro, pela editora Panini.
Chico Bento Moço persegue a apresentação gráfica do quadrinho japonês, com miolo em preto e branco, e muitos elementos plásticos típicos do mangá, com linhas cinéticas expressivas e ricas texturas e retículas. Mas o desenho mesmo, não é tão mangá assim e não deixa a sensação de 'peixe-fora-d'água' que acomete a maior parte dos artistas brasileiros que tentam imitar a estética. Além do mais, a equipe que desenvolve o material, com Flavio T. de Jesus nos roteiros e José Aparecido Cavalcante nos desenhos, fez um belo trabalho de caracterização, tanto na linguagem característica de Chico Bento e seus amigos, quanto na cenografia, com elementos de identidade visual muito bem aplicados: arquitetura, veículos, roupas, vegetação etc, sem cacoetes e exageros.
Este primeiro número traz duas histórias: "Hora de voar" e "Despedidas", que mostram os últimos dias de Chico Bento em sua terra natal, a Vila Abobrinha, antes de ir para a faculdade estudar agronomia. Ao longo da narrativa, Chico vai se despedindo de cada um de seus amigos e conhecidos, com destaque especial para sua família, o primo Zé Lelé, também adolescente, e a eterna namorada Rosinha, em momentos realmente emocionantes.
"Confusões na cidade grande" e "Vida na república" são os temas da segunda edição de Chico Bento Moço, que já está nas bancas.
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sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Metrópolis
Osamu Tezuka (1928-1989), um dos mais influentes quadrinhistas japoneses, é considerado o pai do mangá moderno. Isso porque ele transformou a arte dos quadrinhos no Japão, dando-lhe identidade cultural e tornando-a um verdadeiro fenômeno de massa.Contudo, Tezuka não atingiu esses objetivos através de uma proposta nacionalista, ao contrário. Ele abraçou com vontade as características do quadrinho ocidental, especialmente o norte-americano, que era extremamente influente no seu país nos anos pós-guerra.
E isso fica muito claro na leitura de um de seus clássicos, Metrópolis, publicado originalmente em 1949, traduzido no Brasil em 2010 pela editora New Pop.
Metrópolis foi confessamente inspirado no filme homônimo de Fritz Lang, de 1927, mas Tezuka conta, no posfácio da edição brasileira, que não tinha visto o filme, mas apenas uma imagem estática da cena em que Maria, a robô, é criada. Tezuka ainda conta que queria realmente mudar o panorama do mangá japonês, então dominado pelo que ele chama de "akahon", a literatura juvenil masculina. Para isso, investiu numa longa saga de ficção científica com uma personagem feminina, ou quase isso: Michi é um androide andrógino, criado a partir de moléculas artificiais de proteína sensibilizadas pela radiação de um raro fenômeno solar. Dr Lawton, o cientista que criou Michi, o fez a mando de uma corporação criminosa internacional controlada pelo mafioso Duque Red, que domina a tecnologia dos robôs e os escraviza em suas fábricas secretas, mas anseia pela criação do super-homem, um passo adiante na tecnologia robótica. Contudo, no último momento, Lawton engana Red incendiando o laboratório e dizendo que o protótipo fora destruído no acidente mas, na verdade, o leva em segredo e passa a cuidar dele como um filho, sem lhe revelar a origem artificial. Anos depois, Red vai descobrir que foi enganado por Lawton e fará de tudo para retomar o controle sobre Michi.
Em meio à história, há referências a outras obras clássicas ocidentais, como a pobre vendedora de flores, inspirada no romance Os miseráveis, de Victor Hugo, a ilha em que Red promove experiências genéticas, que reporta a Ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells, e A ilha misteriosa, de Júlio Verne, assim como a revolta final dos robôs, que vimos primeiro na novela R.U.R, de Karel Capek, e no próprio Metropolis de Fritz Lang.
Além disso, fica patente a forte influência ocidental na estética dos desenhos de Tezuka, especialmente do trabalho de Walt Disney, de quem Tezuka emprestou Mickey Mouse sem a menor cerimônia, numa legítima sequência de antropofagia modernista. É verdade, portanto, o que o mestre falava sobre os grandes olhos dos personagens dos mangás – sua mais importante herança na arte – terem sido inspirados nos estilo da Disney.
No roteiro também percebemos a influência do quadrinho ocidental, desenvolvido em espasmos narrativos, como nas tiras dos jornais. Sem esquecer que Metrópolis adianta alguns dos temas que se tornariam frequentes na arte de Tezuka, como a troca de identidades e da luta pela liberdade.
Metrópolis atinge assim o status de um verdadeiro 'elo-perdido' na história da evolução do mangá e também do quadrinho moderno em todo o mundo, na medida em que o Japão agora realimenta a arte com sua própria estética. É Osamu Tezuka, vivo e influente.
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Megalon 33
Já pode ser baixada gratuitamente, aqui, a versão digital do número 33 do fanzine de ficção científica e horror Megalon, publicado originalmente em novembro/dezembro de 1994.
Trata-se de mais uma edição especial, comemorativa dos seis anos de publicação do periódico. Dessa vez, o editor Marcello Simão Branco preparou uma antologia de 54 páginas com artigos e ensaios sobre ficção fantástica. O tema mais privilegiado foi a literatura de ficção científica, mas o horror e os quadrinhos também foram lembrados: "Uma rota brasileira para a fc", por Roberto de Sousa Causo, "A ficção curta de Harry Turtledove", por Gerson Lodi-Ribeiro, "Fc made in Brazil", por Braulio Tavares, "Os contistas clássicos do horror", por Anna Creuza Zacharias, "A fc e as viagens no tempo", por Jorge Luiz Calife, " O positivismo na fc brasileira", por Fabio Fernandes, "Fc nas hqs de super-heróis", por Cesar Silva, "A nova Geração GRD", por Jeremias Moranu, e " Dinossauromania na fc brasileira", pelo próprio editor.
A edição também publica o quinto capítulo do folhetim de fc "Neblina e a ninja", de Miguel Carqueija, e muitas ilustrações, uma praxe do fanzine. A capa traz uma ilustração do norte americano Steven Fox.
Apesar de ser material produzido há quase duas décadas, é sempre interessante ler ensaios antigos e comparar suas preocupações com as que correm pelo fandom nos nossos dias. Uma verdadeira viagem no tempo.
Trata-se de mais uma edição especial, comemorativa dos seis anos de publicação do periódico. Dessa vez, o editor Marcello Simão Branco preparou uma antologia de 54 páginas com artigos e ensaios sobre ficção fantástica. O tema mais privilegiado foi a literatura de ficção científica, mas o horror e os quadrinhos também foram lembrados: "Uma rota brasileira para a fc", por Roberto de Sousa Causo, "A ficção curta de Harry Turtledove", por Gerson Lodi-Ribeiro, "Fc made in Brazil", por Braulio Tavares, "Os contistas clássicos do horror", por Anna Creuza Zacharias, "A fc e as viagens no tempo", por Jorge Luiz Calife, " O positivismo na fc brasileira", por Fabio Fernandes, "Fc nas hqs de super-heróis", por Cesar Silva, "A nova Geração GRD", por Jeremias Moranu, e " Dinossauromania na fc brasileira", pelo próprio editor.
A edição também publica o quinto capítulo do folhetim de fc "Neblina e a ninja", de Miguel Carqueija, e muitas ilustrações, uma praxe do fanzine. A capa traz uma ilustração do norte americano Steven Fox.
Apesar de ser material produzido há quase duas décadas, é sempre interessante ler ensaios antigos e comparar suas preocupações com as que correm pelo fandom nos nossos dias. Uma verdadeira viagem no tempo.
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