Mostrando postagens com marcador terror. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador terror. Mostrar todas as postagens

sábado, 11 de abril de 2026

Lançamento: Nunca assobie à noite

Está em pré-venda um lançamento em tudo incomum: é a antologia Nunca assobie à noite: Antologia indígena de ficção fantástica ancestral (Never whistle at night: An indigenous dark fiction anthology), organizada pelos escritores e pesquisadores indígenas Shane Hawk e Theodore C. Van Alst Jr., originalmente publicada em 2023 e finalista dos prêmios Locus, Shirley Jackson e Bram Stoker.
Trata-se de uma seleta com 26 contos de autores indígenas da América do Norte, com relatos sobre fenômenos da natureza transcendental indígena. Entre os selecionados estão, por exemplo, "Tommy Orange, autor de Lá não existe lá e Estrelas errantes; Darcie Little Badger, autora de Elatsoe: O segredo ancestral, e Rebeca Roanhorse, autora de Star Wars: A resistência renasce". Diz ainda o texto de apresentação: "Muitos povos indígenas acreditam que nunca se deve assobiar à noite. Essa crença assume diversas formas: por exemplo, os nativos havaianos acreditam que isso invoca os Hukai’po, os espíritos de guerreiros antigos, e os nativos mexicanos dizem que isso atrai a Lechuza, uma bruxa capaz de se transformar em coruja. Mas o que todas essas lendas têm em comum é a certeza de que assobiar à noite pode fazer com que espíritos malignos apareçam – e até mesmo sigam você até sua casa."
O volume tem 416 páginas, tradução de Fernanda Lizardo, Maritsa Kantikas, Ana S. Cunha Vestergaard, Petê Rissatti e Felipe Ficher. A publicação brasileira é da Darkside Books, com lançamento agendado para o dia 28 de maio de 2026.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Lançamento: Os sete pecados canibais

Está em pré-venda a antologia Os sete pecados canibais, organizada pelo escritor Fernando Mantelli para a Editora Avec. Trata-se de uma seleta com sete contos de horror inspirados nos pecados capitais com um toque nada sutil de canibalismo, e não estou falando de um conceito modernista. 
Diz o texto de apresentação: "Gula: Uma mulher grávida desenvolve uma fome incontrolável por carne humana, levando seu marido, movido por amor e desespero, a ultrapassar limites impensáveis para mantê-la viva. Inveja: Após acordar em uma banheira cheia de cubos de gelo e sem os rins, um homem precisa participar de um jantar macabro com dois chefs canibais, enquanto discute receitas, participa de uma discussão de relacionamento e pensa em como escapar vivo antes de ser completamente degustado. Avareza: Um mercador de Veneza revisita sua obsessão por dívidas e carne, narrando como os contratos firmados e os impulsos canibais. Preguiça: Cedendo aos apelos da preguiça, homem evita as atitudes mais simples do cotidiano. Sua paranoia cresce, destrói emprego, família e o leva uma decisão extrema. Luxúria: Fugindo desesperado da polícia, um criminoso se esconde no apartamento de uma mulher que vive sozinha com seu bebê. Com o passar dos dias, ele acaba recorrendo ao canibalismo. Ira: No futuro longínquo, um viajante espacial naufraga num estranho corpo celeste, onde terá de enfrentar seus mais extremos tabus mentais e físicos – os quais são bem diferentes do que se possa imaginar. Vaidade: Em um condomínio de elite à beira do lago, uma jacaretinga filhote surge no deck. À medida que o animal cresce, os condôminos passam a transformá-lo em um grande espetáculo. O que começou como mera curiosidade e fascínio vira palco de desejos difíceis de controlar."
Os autores selecionados para essa perturbadora aventura gastronômica são Amanda Leonardi, Gustavo Czekster, Irka Barros, José Francisco Botelho, Rafael BÁn Jacobsen, Thaís Barros, além do próprio organizador. 
Os sete pecados canibais tem 160 páginas e uma prévia do livro pode ser solicitada no saite da Avec, aqui.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Lançamento: Os piores contos de horror, Fernando Mantelli

"Os piores contos de horror proporcionam uma viagem à linha do tempo do gênero. A viagem nos permite revisitar tanto os medos particulares, conectados a anedotas e experiências infantis, quanto a temores geracionais vivenciados em anos de importantes transformações políticas e sociais. Mantelli faz honras aos mitos que o horror utiliza desde muitas décadas atrás. Trabalha personagens mulheres jovens e sensuais, idosas com a sabedoria das feiticeiras e criminosos encharcados de autopiedade. Descreve demônios como velhos conhecidos e rituais religiosos que fomos ensinados a temer num passado em que tínhamos o espectro de compreensão de mundo bem mais reduzido."
Este é o texto de apresentação da coletânea de contos Os piores contos de horror, do escritor portoalegrense Fernando Mantelli, que também sustenta uma profícua carreira de roteirista e cineasta. 
O volume tem 200 páginas, publicação pela Editora Avec e está em pré-venda aqui.

terça-feira, 31 de março de 2026

Juvenatrix 281

Está disponível a edição de abril do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti. 
Em dez páginas, traz um conto de Caio Alexandre Bezarias, uma história em quadrinhos de Beralto, e resenhas aos episódios “Os homens de cera”, “O monstro incandescente”, “O homem sombra” e “O abominável homem das neves”, da série de tv Viagem ao fundo do mar (1964/1968), assinadas pelo editor, além de uma homenagem ao ator Chuck Norris (1940-2026)
A edição é completada com notícias e divulgação de livros e publicações alternativas, e de bandas de metal extremo. A capa traz uma ilustração de Angelo Junior.
Cópias em formato pdf podem ser obtidas pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

sábado, 7 de março de 2026

Juvenatrix 280

Está disponível a edição de março do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti. 
Em dezoito páginas, traz um conto de Caio Alexandre Bezarias, uma história em quadrinhos de Angelo Junior, e resenhas aos filmes O bebê de Manhattan (1982), The astouding she-monster (1957), Silêncio quebrado (1972), I was a teenage Frankenstein (1957), assinadas pelo editor. 
A edição é completada com notícias e divulgação de livros e publicações alternativas, e de bandas de metal extremo. A capa traz uma ilustração de Beralto.
Cópias em formato pdf podem ser obtidas pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Lançamento: O chamado de Cthulhu

O chamado de Cthulhu
é o quarto volume da série em quadrinhos do expressivo mangaká Gou Tanabe, que adapta os textos do mestre do horror cósmico H. P. Lovecraft. As edições anteriores foram O cão de caça e outras histórias, A cor que caiu do espaço e O habitante da escuridão
Diz o texto de divulgação: "Em O chamado de Cthulhu é revelada a existência de um culto maligno que adora uma criatura que vive além dos confins do espaço e do tempo. Após a morte de seu tio-avô, Francis Thurston assume a investigação dele sobre essa seita misteriosa – o que pode levá-lo a ter a sua sanidade consumida para sempre." 
A edição tem 288 páginas, tradução de Luis Libaneo e é uma publicação da editora Companhia das Letras pelo selo JBC.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Bandeirola para todos

A mulher e o estranho: Narrativas do insólito, antologia com contos de escritoras nacionais e internacionais, organizada e traduzida pelo pesquisador paraibano Braulio Tavares, e a coletânea Mistérios! Crimes de quarto fechado, com contos de mistério do escritor paulista Carlos Orsi, depois de uma bem sucedida campanha de financiamento direto, estão agora em pré-venda. 
A mulher e o estranho tem 144 páginas com textos de Emilia Freitas, Emilia Pardo Bazán, Kate Chopin, Katherine Mansfield, Madeline Yale Wynne, May Sinclair, Vernon Lee e Virginia Woolf, "escritoras geniais que deram voz às mulheres do final do século XIX ao início do século XX. Feministas, ativistas contra a guerra, essas autoras marcaram suas vidas com ousadias e ótimas histórias". 
Mistérios! tem 192 páginas e traz, com tradução é de Baulio Tavares, sete contos originalmente escritos em inglês, verdadeiros quebra-cabeças das histórias de crime, além de uma entrevista com Orsi.
Se você está entre os que não apoiaram a campanha, agora é a sua chance. Ambos os volumes estão disponíveis no saite da Editora Bandeirola, aqui. Trechos das obras podem ser lidos online gratuitamente.

Juvenatrix 279

Está disponível a edição de fevereiro do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti. 
Em dezesseis páginas, traz uma história em quadrinhos de Beralto e Angelo Junior, e resenhas aos filmes Interzone (1989) e O humanoide (1979), assinadas pelo editor. 
A edição é completada com notícias e divulgação de livros e publicações alternativas, e de bandas de metal extremo. A capa traz uma ilustração de Angelo Junior.
Cópias em formato pdf podem ser obtidas pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Histórias Extraordinárias 11

Está disponível aqui o décimo primeiro número da revista literária de ficção científica e horror Histórias Extraordinárias, editada por Paolo Fabrizio Pugno para a Editora UICLAP, pelo selo Dicotomia.
A edição tem 68 páginas com contos de Diego C. Corrêa, Eduardo Akira, George Goldberg, Gerson Lodi-Ribeiro, Pedro Barros e Romy Schinzare, além de uma entrevista com o escritor paraibano Bráulio Tavares. A edição ainda traz resenhas e artigos de interesse. 
E mais: todas as dez edições anteriores também podem ser obtidas na página da Dicotomia, aqui.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Em campanha: Rosário de carne, Puri Matsumoto

Está em ação a segunda fase da campanha de financiamento direto para viabilizar a publicação  da segunda série de romances de terror da Coleção Dragão Negro, da Editora Draco. Já foram garantidas, na primeira fase da campanha, as publicações dos romances Metal e ossos, de Carolina Mancini e Uma baleia ejacula 40 litros, de Jaime Azevedo.
A campanha agora busca recursos especificamente para o romance Rosário de carne, de Puri Matsumoto. 
Diz o texto de divulgação: "Joana está presa num convento carmelita. Mas a clausura não é sua tortura real. O verdadeiro horror pulsa nas vozes que corrompem suas orações e nas visões de uma Deusa que exige carne para renascer. Cada passo pelo claustro é um mergulho no grotesco. Cada reza, uma queda mais profunda na perdição. Enquanto os salmos sangram, Joana entende que seu destino não é a salvação da alma. É dar forma ao horror que dorme no fundo do peito. Para isso, precisa encontrar duas mulheres – a artesã Ariadne e a dançarina Nightmary – e abrir a porta para dentro. Lá onde espera Zara Tustra, a Deusa tecida com pele de mártires e sussurros de loucura.."
O volumes serão entregues entre fevereiro e novembro de 2026, e a campanha permite apoiar os títulos em bloco ou unitariamente. Para mais informações, visite a página da campanha, aqui.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O apocalipse amarelo 2: Os imundos de Shub-Niggurath, Diego Aguiar Vieira

Os imundos de Shub-Niggurath
é o segundo volume da série neolovecraftiana O apocalipse amarelo, do escritor carioca Diego Aguiar Vieira, iniciada com o romance Uma torre para Cthulhu, vencedor do Prêmio ABERST de Melhor Narrativa Longa de Terror, publicado pela editora Avec em 2023.
Diz o texto de apresentação: "Rafa está marcada pelo trauma de um amor perdido e pela dificuldade de lidar com um presente em ruínas. Ícaro, seu irmão, luta para manter a sanidade e o senso de realidade enquanto os dias se tornam mais fluidos e violentos. Lúcia, criada dentro de um culto religioso, tenta sobreviver entre visões, imposições e o que ainda resta de si. Malaquias tenta manter o grupo unido e proteger as pessoas ao seu redor, mesmo sem compreender totalmente o que está acontecendo – guiado não pela certeza, mas pela necessidade de cuidar. Juca enfrenta o horror à sua maneira – com lógica, lucidez e inteligência – num mundo que parece rejeitar tudo isso. E Kamog, uma presença antiga e inquieta, move-se entre corpos e tempos, sempre à espreita."
Os imundos de Shub-Niggurath tem 264 páginas e está em pré-venda no saite da editora Avec, aqui.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Resenha: Seres mágicos & histórias sombrias

Seres mágicos & histórias sombrias
(Stories), Neil Gaiman & Al Sarrantonio, orgs. 448 páginas. Tradução de Regiane Winarski. São Paulo: Darkside, 2019. Publicada originalmente em 2011.

Seres mágicos & histórias sombrias é uma antologia de contos e noveletas dark fantasy organizada pelo escritor britânico Neil Gaiman e o escritor americano Al Sarrantonio, que reúne nada menos que vinte e sete ficções de diversos autores de língua inglesa, sempre ligados ao que se convencionou chamar de ficção fantástica. Mas até isso é difícil de dizer após a leitura da seleta, pois muitos contos escapam de uma classificação inequívoca. Trata-se de um conjunto muito regular, sempre surpreendente, que lembra, em alguns aspectos, a ficção de Julio Cortázar e a de Tomas Ligotti, trafegando pelos gêneros da fantasia e do horror mas nem sempre sendo o que parece a princípio. 
Na lista de créditos, percebe-se que todos os textos selecionados foram publicados no ano de 2010 antes de serem reunidos nesta antologia. São os seguintes os escritores selecionados: Roddy Doyle (Irlanda), Joyce Carol Oates (EUA), Joanne Harris (Reino Unido), Neil Gaiman (Inglaterra), Michael Marsh Smith (EUA), Joe R. Lansdale (EUA), Walter Mosley (EUA), Richard Adams (Inglaterra, 1920-2016), Jodi Picoult (EUA), Michael Swanwick (EUA), Peter Straub (EUA, 1943-2022), Laurence Block (EUA), Jeffery Ford (EUA), Chuck Palahniuk (EUA), Diana Wynne Jones (Reino Unido, 1934-2011), Stewart O'Nan (EUA), Gene Wolfe (EUA, 1931-2019), Carolyn Parkhurst (EUA), Kate Howard (EUA), Jonathan Carroll (EUA), Jeffery Deaver (EUA), Tim Powers (EUA), Al Sarrantonio (EUA, 1952-2025), Kurt Andersen (EUA), Michael Moorcock (Inglaterra), Elizabeth Hand (USA) e Joe Hill (USA). 
Alguns contos já são conhecidos dos leitores brasileiros por terem sido publicados antes em coletâneas dos próprios autores, como "A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras", de Neil Gaiman, que já teve inclusive uma edição própria no Brasil, e "O diabo na escada", de Joe Hill, mas a grande maioria estava inédita no Brasil. 
Não vou comentar cada conto porque seria exaustivo, mas vale registar o "O voo de Belerofonte', de Elizabeth Hand, que conta o projeto emocional de alguns historiadores que tentam repetir o mítico voo realizado por uma máquina mais pesada que o ar no ano de 1901, antes dos irmãos Wright e, é claro, de Santos Dumont (que não é citado no conto). É claro que isso nunca aconteceu pois nunca houve uma máquina chamada Belerofonte. Mas seria incrível se fosse verdade. Eu até queria que fosse.
"O terapeuta", de Jeffrey Deaver, também merece ser citado aqui. Conta a história algo macabra de um psicólogo determinado a curar uma mulher que, ele acredita, é um perigo para si mesma. O que torna a história intrigante é a tese do "neme", ou meme negativo. Real ou uma criação do autor? 
Outro texto curiosíssimo é "Histórias", de Michael Moorcock, festeja autor do clássico da fantasia Elric de Melniboné que, neste conto, faz o depoimento pessoal e íntimo da relação escnadalosa de um certo escritor de ficção fantástica e seus colegas de ofício ao longo de algumas décadas. 
Mas é claro que todos os demais contos têm algo a acrescentar ao conjunto e, apesar de ser um volume de mais de quatrocentas páginas, lê-se com facilidade e prazer. E, para o leitor brasileiro, funciona como um "atualizador" – ainda que os textos sejam de 2010 – para o que se pratica contemporaneamente no campo da ficção fantástica em língua inglesa. Antigos leitores da saudosa Isaac Asimov Magazine certamente sentirão familiaridade com a maneira que ideias tão variadas e incomuns emergem ali sem aviso prévio. 
Se você, por acaso, é um dos que acha que não deve ler mais nada que tenha passado pelas mãos de Neil Gaiman, por qualquer motivo que seja, só posso dizer que estará perdendo um grande livro. 
Leitura altamente recomendada. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Juvenatrix 278

Está disponível a edição de janeiro do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti. 
Em treze páginas, traz conto de Caio Alexandre Bezarias e resenhas aos filmes O dia em que a Terra parou (1951), O monstro que desafiou o mundo (1957), Força diabólica (1959) e Continente perdido (1951), todas assinadas pelo editor. 
A edição é completada com notícias e divulgação de livros e publicações alternativas, e de bandas de metal extremo. A capa traz uma ilustração de Angelo Junior.
Cópias em formato pdf podem ser obtidas pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Resenha: Rei Rato, China Miéville

Rei Rato
(King Rat), China Miéville. 400 páginas. Tradução Alexandre Mandarino; São Paulo, Tarja, 2011.

Saul é um jovem com problemas de relacionamento com o pai, com quem vive em um apartamento na periferia de Londres. Ao voltar de uma viagem, Saul vai direto para o seu quarto sem falar com o pai que, pelo som da tv ligada, estava na sala, provavelmente cochilando. 
Depois de um sono atribulado, Saul é acordado com o barulho de socos na porta da casa: é a polícia. Aturdido, Saul abre a porta e é imediatamente imobilizado pelos policiais, que o levam para a delegacia sob custódia: seu pai está morto no jardim, arremessado da varanda do prédio. O delegado encarregado da investigação acredita que Saul é o culpado, mas o garoto, em estado de choque, não entende nada do que está acontecendo. 
Enquanto aguarda a definição do caso, Saul fica detido em uma cela da delegacia. Mas algo bizarro acontece: um estranho de aparência assustadora, que se apresenta como seu tio, o tira de lá, passando imperceptível pelos policiais. O estranho o apresenta ao submundo de Londres, entre becos, lixo e esgotos. A vida de Saul vai mudar para sempre e as revelações que ele descobrirá serão terríveis não somente para ele, mas também para seus amigos. 
Rei Rato, romance de autoria do escritor britânico China Miéville, é um livro raro hoje em dia no Brasil. Publicado em 2011 pela extinta editora Tarja – de propriedade dos fãs e escritores de literatura fantástica Richad Diegues e Gianpaolo Celli –, teve tiragem pequena e nunca foi reeditado. Miéville, contudo, ganhou notoriedade desde então e o título hoje atrai o interesse de seus muitos leitores. 
Rei Rato foi o romance de estreia de Miéville, que hoje conta com livros premiados como A cidade e a cidade (2009), Estação Perdido (2000) e A cicatriz (2002), todos publicados no Brasil pela editora Boitempo. Por isso, Rei Rato pode soar como um trabalho menor na obra do autor, mas essa é uma percepção anacrônica. De fato, Rei Rato não apresenta o mesmo ritmo frenético, nem a ousadia na construção de mundo dos demais títulos, mas pode-se perceber nele muitas das marcas de estilo do autor, como um alto nível de escatologia e violência,  personagens ambíguos e cativantes, questões políticas evidenciadas, e muita dor. Também há diversos temas dentro da história que ecoam nas obras posteriores. Miéville foi mais ortodoxo na contação da história, que é uma aventura juvenil hard core, regada a música drum and bass e grande quantidade de gírias londrinas explicadas em muitas notas.
A história narra o caminho de descoberta e amadurecimento de um adolescente que se vê envolvido em uma guerra ancestral entre as nações dos ratos, das aranhas e dos pássaros, contra o misterioso e enlouquecido Flautista de Hamellin, que quer exterminar todas elas.
Embora a fantasia do horror estejam muito imbricadas, não é tão óbvio classificar Rei Rato como um romance New Weird (como seus outros livros) porque não há absolutamente nada de ficção científica na história. Mas podemos dizer, sem receio de erro, que se trata de uma fantasia urbana sombria na qual os subterrâneos londrinos são tão importantes quanto os personagens da trama, talvez mais. 
Rei Rato talvez seja mais palatável, apesar da escatologia, para a leitura de quem achou Miéville um escritor difícil de acompanhar, pois trata-se de uma narrativa simples e sem muitas reviravoltas. Contudo, sua leitura prévia não vai ajudar a acompanhar melhor os livros seguintes, porque a velocidade só aumenta e a vertigem é inevitável. Aliás, já dá para sentir um pouco dela aqui, especialmente nas sequências de ação intensa, que beiram o gore
Se for possível obter um exemplar, não deixe de ler Rei Rato, e entenda por que o New Weird causou tanto rebuliço na ficção especulativa mundial, inclusive entre os leitores e escritores brasileiros.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Braulio Tavares e Carlos Orsi falam sobre literatura

 Carol Mancini entrevista Braulio Tavares: Utopia feminista em Emília Freitas:


L.F. Lunardello entrevista Carlos Orsi: Afinidades entre a ficção científica, o horror e histórias de quarto fechado:

Estes e outros vídeos interessantes podem ser vistos no canal da Editora Bandeirola, aqui

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Lançamento: Jardim noturno, Shirley Jackson

A escritora americana Shirley Jackson (1916-1965), conhecida por sua literatura gótica repleta de mistério, que tem no romance A assombração da Casa da Colina seu texto mais conhecido e diversas vezes adaptado para o cinema, também escreveu muitos contos embora não sejam tão conhecidos no Brasil. Até agora, porque a editora Darkside está lançando Jardim noturno, coletânea de contos da autora com um apanhado de sua extensa ficção curta. 
Diz o texto de apresentação: "Um diabo inquieto, uma velha maliciosa e um Jack, o Estripador do pós-guerra; uma perseguição por uma paisagem urbana sinistra e uma cidadezinha onde o mal espreita por trás de roseiras impecáveis. Em cada conto de Jardim noturno, Shirley Jackson atesta por que é considerada uma das grandes mestres da narrativa curta, capaz de extrair o extraordinário da rotina, o absurdo do familiar, o horror do que se apresenta como inofensivo. Publicada postumamente a partir de manuscritos encontrados por seus filhos, Laurence Jackson Hyman e Sarah Hyman DeWitt, esta antologia reúne contos inéditos ou esquecidos da autora. Aqui estão tanto os textos macabros e perturbadores que consagraram Jackson quanto cenas de humor doméstico, sempre com uma dose de ironia que desnuda a natureza humana em seus gestos mais triviais."
O volume tem 576 páginas, tradução de Sonia Moreira, e pode ser adquirido no saite da editora, aqui.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Em campanha: Matadouro, Marcelo Trigueiros

"Porcão – ou Dante Marchetti, quando finge ser gente – é um fazendeiro embrutecido pela carne, pelo álcool e por uma fé torta que lateja como ferida infeccionada. Dez anos após o desaparecimento inexplicável de sua filha, ele presencia o céu de breu absoluto vomitar uma presença que só poderia ter atravessado o abismo entre mundos. O que desce daquela escuridão abrirá novas e velhas feridas no fazendeiro, em seus animais e em qualquer alma que tenha a infelicidade de respirar o ar de Nova Florença, uma cidade antes morna e pacata, que afundará lentamente em um inferno de viscosidades cósmicas, morte e devoções profanas."
Este é o texto de apresentação do livro de horror cósmico de Matadouro, romance de estreia do escritor e advogado paulistano Marcelo Trigueiros, finalista do Prêmio SESC de Inéditos de 2025 sob o título de Evangelho de Dante.
O livro antecipa ter por volta de 300 páginas, está em campanha de financiamento direto pela Editora Diário Macabro e pode ser apoiado aqui até o dia 15 de janeiro de 2026.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Clássicos têm reedição especial

Depois de uma consulta pública, a editora Clock Tower obteve sinal verde para reimprimir dois de seus títulos mais clássicos que estão esgotados há algum tempo. Tratam-se das coletâneas O mundo sombrio: histórias do Cthulhu mythos, e O mestre do oculto: histórias de horror sobrenatural, ambas vinculadas ao período Weird da ficção fantástica. 
O mundo sombrio tem 320 páginas com contos e poesias de Robert E. Howard – o criador de Conan – e ainda conta com a biografia do autor, com tradução de Claudia Doppler, Daniel I. Dutra, Liliane Reis e Pedro H. Toledo, e catorze ilustrações assinadas por Leander Moura.
O mestre do oculto tem 296 páginas e seleciona os melhores contos de horror sobrenatural de Arthur Machen, paratextos, biobibliografia com fotos e muitos extras. A tradução é de Geraldo Campos.
Estes clássicos da fantasia de horror não pode faltar na biblioteca daqueles que apreciam as histórias de horror cósmico. Para as relações completas dos textos de cada edição, visite a página da campanha aqui, que receberá apoios até o dia 11 de janeiro de 2026.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Lançamento: Casas estranhas 2, Uketsu

O estranhismo do misterioso youtuber japonês Uketsu continua dando frutos sombrios nas livrarias brasileiras. Acaba de ser publicado o segundo volume de Casas estranhas: O mistério das onze plantas baixas, que dá sequência às histórias de casas assombradas iniciadas no primeiro volume, publicado em maio de 2025 pela mesma editora Intrínseca. 
Diz o texto de divulgação: "Após finalizar uma investigação sobre uma casa repleta de detalhes bizarros, um autor fascinado por ocultismo passa a receber inúmeros relatos acerca de outras construções 'incomuns'. Em pouco tempo, ele se dá conta não apenas de que existe um enorme número de imóveis do tipo no país, mas também de que, embora a princípio não fique claro que exista qualquer relação entre eles, alguns parecem compartilhar uma estranha ligação. Ele reúne, então, onze histórias em que certas características se repetem e se completam, todas envolvendo propriedades com descrições misteriosas ― desde quartos que desaparecem e corredores sem destino a apartamentos de onde é impossível fugir e casas projetadas para matar. Munido desses documentos, o escritor se junta com o projetista Kurihara, que o ajudou a resolver mistérios anteriores, para tentar descobrir a verdade por trás desses locais. Enquanto os dois personagens analisam plantas baixas, entradas de diário, entrevistas e registros jornalísticos e literários, uma alarmante sensação de desconforto vai se insinuando."
O volume tem 336 páginas, tradução de Jefferson José Teixeira, e pode ser adquirido no saite da Editora Intrínseca, aqui.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Hiperespaço, o fanzine mais rápido que a velocidade da luz


Nesta sexta-feira, 19 de dezembro a partir das 21h, o programa Café Especulativo, dos pesquisadores Edgar Smaniotto e Carlos Relva, em seu  terceiro episódio dedicado aos periódicos brasileiros de ficção fantástica, dará espaço à trajetória do fanzine Hiperespaço, que circulou em formato impresso entre 1983 a 2003 e, ainda hoje, segue atuando através de diversas iniciativas, entre as quais está este blogue. Para contar esta história e responder perguntas dos espectadores, o editor Cesar Silva (euzinho) será entrevistado numa live em tudo imprevisível. Recordar é viver. Após a exibição, o vídeo ficará disponível no mesmo link por tempo indeterminado.