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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Resenha: O Mundo Resplandecente, Margaret Cavendish

O Mundo Resplandecente
(The Blazing World), Margaret Cavendish. Tradução de Milene Cristina da Silva Baldo. 151 páginas. São Paulo: Plutão, 2019. Originalmente publicado em 1666.

Cento e cinquenta anos antes do Frankenstein, de May Shelley, uma outra mulher, também britânica, ousou enveredar pela ficção fantástica em busca de uma utopia. Margaret Cavendish (1623-1673), também conhecida como Duquesa de Newcastle-upon-Tyne, foi uma filósofa e cientista muito respeitada, tendo sido a primeira mulher recebida na Royal Society of London, em 1667. Em sua época, Cavendish travou debates com contemporâneos importantes como Thomas Hobbes e René Descartes. 
Sua contribuição ao desenvolvimento da ficção científica se deu com o romance O Mundo Resplandecente, um texto incomum que reúne ensaio filosófico, feminismo, construção de mundos e aventura de ação a partir da descrição de um mundo ideal, aos moldes da Utopia de Thomas More (publicado em 1516) com contornos mais fantásticos, o que remete ainda a As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, publicado muito depois, em 1726.
A história conta como uma jovem inglesa é raptada por piratas e levada para longe num navio. Atingido por um inverno especialmente rigoroso no Círculo Polar Ártico, apenas ela sobrevive devido ao vigor de sua juventude. À deriva, o navio é arrastado por uma corrente marinha e chega ao Mundo Resplandecente, um lugar habitado por seres híbridos de homens e animais que vivem em paz e riqueza abundantes. 
No Mundo Resplandecente, que leva esse nome devido as estrelas especialmente luminosas que tornam suas noites tão claras quanto o dia, a beleza da jovem atrai a atenção do Imperador daquela terra, com quem acaba por se casar. Dotada de poderes de governança absolutos, a jovem Imperatriz implementa uma administração com resultados ainda mais fabulosos para seu povo. Amada pelo Imperador e por todos os súditos, requisita os conselhos de uma Duquesa de um outro mundo, que vem visitá-la em espírito e com ela empreende longos debates e uma missão de guerra contra o mundo dos homens, no qual as nações se uniram para destruir a Inglaterra. Dotada das tecnologias mais avançadas do Mundo Resplandecente, a Imperatriz subjuga todo o planeta com o uso de uma frota invencível de submarinos de ouro, fazendo do Rei da Inglaterra o governante plenipotenciário do mundo inteiro. 
O livro está dividido em duas partes, mas tem de fato três movimentos principais. Depois de poucas páginas explicando como a jovem dama se tornou a Imperatriz do Mundo Resplandecente, temos um longo trecho no qual a Imperatriz interroga todas as castas de homens-animais do reino a respeito de seus conhecimentos filosóficos, sendo cada uma especialista em uma área do conhecimento. Similar a um ensaio dialógico platônico, o texto expõe as ideias filosóficas de Cavendish, no qual ela defende o platonismo e ridiculariza a lógica aristotélica. A segunda parte conta como a Imperatriz convoca o espírito da Duquesa, que com ela chega a dividir o próprio corpo – bem como o marido da Duquesa – e as muitas viagens que fizeram juntas. A terceira parte narra a bem sucedida campanha militar da Imperatriz contra o mundo dos homens. 
Salta aos olhos a nulidade da ação masculina nas três realidades descritas no enredo. No Mundo Resplandecente, o Imperador é uma figura acessória e despersonalizada, uma vez que todo o poder está depositado nas mãos da Imperatriz. No mundo da Duquesa, o Duque é um homem endividado que só pode ser salvo da ruína com a ajuda da riqueza da Imperatriz. E, no nosso mundo, o Rei da Inglaterra só pode manter-se no poder com a ajuda militar das forças comandadas pela Imperatriz. 
Por conta de suas ideias inusitadas, muitos consideram O Mundo Resplandecente como o primeiro exemplo evidente de ficção científica na literatura, embora não estejam ali ainda as técnicas narrativas do romance moderno que podem ser aprecisadas em Frankenstein de Mary Shelley. Mas temos que reconhecer a primazia de Cavendish em muitos temas caros ao gênero, bem como a evidente proposta feminista muito antes de Mary Wollstonecraft (1759-1797) – mãe de Mary Shelley e filósofa respeitada, que primeiro desenvolveu textos em defesa dos direitos das mulheres. 
A edição da Plutão, em versão digital, é de alta qualidade, como também o é nos demais livros por ela publicados. Traz os prefácios das duas primeiras edições (1666 e 1668) e mantém o texto em sua forma original, sem divisões entre capítulos. As notas da tradutora Milene Cristina da Silva Baldo auxiliam no entendimento das muitas referências históricas do texto, que ficaria hermético sem elas. 
O Mundo Resplandecente recebeu outras edições no Brasil, como a da Rinocerote (2019, com tradução de María Fe González Fernández) e da Novo Século (2021, com tradução de Alcebíades Diniz). Talvez existam outras que não consegui identificar. 
Ainda que não seja uma leitura convencional, O Mundo Resplandecente não é difícil de ler, mesmo em seus trechos mais filosóficos. A autora certamente queria torná-lo um livro popular e obteve relativo sucesso nisso. Tanto que aqui estamos, quase quatrocentos anos depois, ainda a falar dele. Um livro que obriga a refletir nossas certezas a respeito das origens da ficção científica.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Resenha: Seres mágicos & histórias sombrias

Seres mágicos & histórias sombrias
(Stories), Neil Gaiman & Al Sarrantonio, orgs. 448 páginas. Tradução de Regiane Winarski. São Paulo: Darkside, 2019. Publicada originalmente em 2011.

Seres mágicos & histórias sombrias é uma antologia de contos e noveletas dark fantasy organizada pelo escritor britânico Neil Gaiman e o escritor americano Al Sarrantonio, que reúne nada menos que vinte e sete ficções de diversos autores de língua inglesa, sempre ligados ao que se convencionou chamar de ficção fantástica. Mas até isso é difícil de dizer após a leitura da seleta, pois muitos contos escapam de uma classificação inequívoca. Trata-se de um conjunto muito regular, sempre surpreendente, que lembra, em alguns aspectos, a ficção de Julio Cortázar e a de Tomas Ligotti, trafegando pelos gêneros da fantasia e do horror mas nem sempre sendo o que parece a princípio. 
Na lista de créditos, percebe-se que todos os textos selecionados foram publicados no ano de 2010 antes de serem reunidos nesta antologia. São os seguintes os escritores selecionados: Roddy Doyle (Irlanda), Joyce Carol Oates (EUA), Joanne Harris (Reino Unido), Neil Gaiman (Inglaterra), Michael Marsh Smith (EUA), Joe R. Lansdale (EUA), Walter Mosley (EUA), Richard Adams (Inglaterra, 1920-2016), Jodi Picoult (EUA), Michael Swanwick (EUA), Peter Straub (EUA, 1943-2022), Laurence Block (EUA), Jeffery Ford (EUA), Chuck Palahniuk (EUA), Diana Wynne Jones (Reino Unido, 1934-2011), Stewart O'Nan (EUA), Gene Wolfe (EUA, 1931-2019), Carolyn Parkhurst (EUA), Kate Howard (EUA), Jonathan Carroll (EUA), Jeffery Deaver (EUA), Tim Powers (EUA), Al Sarrantonio (EUA, 1952-2025), Kurt Andersen (EUA), Michael Moorcock (Inglaterra), Elizabeth Hand (USA) e Joe Hill (USA). 
Alguns contos já são conhecidos dos leitores brasileiros por terem sido publicados antes em coletâneas dos próprios autores, como "A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras", de Neil Gaiman, que já teve inclusive uma edição própria no Brasil, e "O diabo na escada", de Joe Hill, mas a grande maioria estava inédita no Brasil. 
Não vou comentar cada conto porque seria exaustivo, mas vale registar o "O voo de Belerofonte', de Elizabeth Hand, que conta o projeto emocional de alguns historiadores que tentam repetir o mítico voo realizado por uma máquina mais pesada que o ar no ano de 1901, antes dos irmãos Wright e, é claro, de Santos Dumont (que não é citado no conto). É claro que isso nunca aconteceu pois nunca houve uma máquina chamada Belerofonte. Mas seria incrível se fosse verdade. Eu até queria que fosse.
"O terapeuta", de Jeffrey Deaver, também merece ser citado aqui. Conta a história algo macabra de um psicólogo determinado a curar uma mulher que, ele acredita, é um perigo para si mesma. O que torna a história intrigante é a tese do "neme", ou meme negativo. Real ou uma criação do autor? 
Outro texto curiosíssimo é "Histórias", de Michael Moorcock, festeja autor do clássico da fantasia Elric de Melniboné que, neste conto, faz o depoimento pessoal e íntimo da relação escnadalosa de um certo escritor de ficção fantástica e seus colegas de ofício ao longo de algumas décadas. 
Mas é claro que todos os demais contos têm algo a acrescentar ao conjunto e, apesar de ser um volume de mais de quatrocentas páginas, lê-se com facilidade e prazer. E, para o leitor brasileiro, funciona como um "atualizador" – ainda que os textos sejam de 2010 – para o que se pratica contemporaneamente no campo da ficção fantástica em língua inglesa. Antigos leitores da saudosa Isaac Asimov Magazine certamente sentirão familiaridade com a maneira que ideias tão variadas e incomuns emergem ali sem aviso prévio. 
Se você, por acaso, é um dos que acha que não deve ler mais nada que tenha passado pelas mãos de Neil Gaiman, por qualquer motivo que seja, só posso dizer que estará perdendo um grande livro. 
Leitura altamente recomendada. 

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Relançamento: O dia de Saturno, Diego Mendonça

"Cansada, faminta e solitária, Liliane vaga pelo Norte brasileiro em busca de recursos para sobreviver ao Dia de Saturno. Quando o sábado chega, 'eles' despertam para o mundo. A melhor opção, nesse caso, é se esconder.
Liliane vaga por um mundo devastado pelas bombas-nucleares, poder bélico usado no desespero de conter a 'Praga de Saturno'; armas que aniquilaram a humanidade até quase o pó, criando um novo ecossistema de aves carniceiras e outras criaturas parasitas. Ao lado do fiel amigo, o cachorro Fenrir, usa de toda a tenacidade e teimosia para resistir ao mundo vazio."
Esta é a sinopse de divulgação de O dia de Satuno, romance de estreia do escritor gaúcho Diego Mendonça, primeiro publicado pela Editora Cartola em 2019, que agora chega em versão totalmente reelaborada pelo autor, em um projeto de financiamento direto da Editora O Grifo, que conta com uma série de recompensas para animar os apoiadores. 
A edição original tinha 120 páginas mas, devido a revisão, a nova versão certamente deverá ser diferente. 
Para mais informações e apoios, visite a página do projeto, aqui.

sábado, 24 de fevereiro de 2024

Resenha do Almanaque: Bacurau

Bacurau
, Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles. 132 min. França/Brasil, 2019. 

O cinema é uma arte praticada no Brasil desde seus primeiros tempos. Mas, como todas as demais linguagens artísticas, o cinema brasileiro passou por muitos altos e baixos, com períodos produtivos historicamente localizados entre grandes espaços de menor atividade. Tais flutuações têm vários motivos, desde questões políticas como a censura, dificuldades com a distribuição e, principalmente, problemas financeiros, uma vez que fazer um filme nunca foi barato. A indústria do cinema, na verdade, nunca se instalou solidamente no país e em muitos períodos a produção nacional foi iminentemente diletante, não raro com os cineastas financiando seus filmes com dinheiro do próprio bolso. 
Mas o cinema fantástico sofre ainda mais, pois a todas essas dificuldades estruturais soma-se ainda um grande preconceito dos próprios artistas, pois o gênero acabou associado ao cinemão norte americano, de matizes comerciais e, não raro, proselitistas. Fazer ficção fantástica no Brasil é, em muias esferas, sinônimo de entreguismo cultural. Por isso, a produção cinematográfica nacional de fc&f é pequena e pouco desenvolvida. Mas, ainda assim, têm seus clássicos, como Os cosmonautas (Victor Lima, 1962), Brasil Ano 2000 (Walter Lima Jr., 1969), Quem é Beta? (Nelson Pereira dos Santos, 1972), Parada 88: Limite de alerta (José de Anchieta, 1977) e Abrigo nuclear (Roberto Pires, 1981), entre outros raros exemplos.
Contudo, a radical redução de custos de produção devido ao surgimento das filmadoras digitais, e a possibilidade de exibição dos filmes pela internet contribuiram para o surgimento de uma nova geração de produtores audiovisuais que tem se exercitado nos ambientes não comerciais e ganhado reconhecimento em festivais nacionais e internacionais. A criação da Ancine, em 2001, foi outro grande impulsionador da produção audiovisual no país pois contribuiu valiosamente para uma produção estável que ganhou ainda mais sustentação com o advento da tv a cabo e, mais recentemente, dos serviços de streaming, que resolveram de vez os insolúveis problemas de distribuição. Por contraditório que seja, o fim do cinema como sistema de exibição em salas exclusivas foi justamente o que permitiu a produção nacional finalmente desabrochar. E esse ambiente favorável alcançou também a ficção fantástica. 
Muitos filmes bons começaram a surgir nos últimos vinte anos, e Bacurau, longa de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é o melhor exemplo do que é possível fazer com a ficção científica quando a oportunidade e a qualidade criativa se encontram. A dupla é responsável pelos grandes sucessos recentes, os premiados Um som ao redor (2013) e Aquarius (2016).
O filme conta a história de um pequeno vilarejo localizado em algum lugar no sertão de Pernambuco, habitado por gente simples e endurecida pelas dificuldades da vida e pela natureza áspera. O povo humilde é politicamente dominado pelo prefeito da cidade, que não o valoriza e só se lembra dele quando precisa de votos. Quando uma família de agricultores é chacinada, revela-se um tenebroso projeto comercial promovido pelos gestores da cidade: oferecer os habitantes de Bacurau como alvos para turistas estrangeiros psicopatas, mas cheios de dinheiro, darem vasão aos seus mais baixos instintos. É então que a "docilidade" dos homens e mulheres sertanejos vai se revelar em toda a sua glória. 
O elenco, em sua maioria, é composto de atores pouco conhecidos, como Bárbara Colen, Thomas Aquino, Silvero Pereira, Thardelly Lima, Rubens Santos, Wilson Rabelo, Carlos Francisco, Luciana Souza, Karine Teles e Julia Marie Peterson, entre outros. Mas conta também com dois nomes de peso: a brasileira Sonia Braga, que interpreta a médica Domingas – uma das pessoas mais proeminente da sociedade bacurauense –, e o ator alemão Udo Kier – que interpeta Michael, o líder da legião de assassinos –, cuja fisionomia dura é bastante conhecida dos filmes americanos de terror. 
A cenografia é um dos pontos altos da produção, que retrata com felicidade um panorama muito familiar aos brasileiros: mata de caatinga, casarios antigos e grandes obras de infraestrutura em ruínas, talvez nunca inauguradas, que servem como esconderijo para outsiders; criminosos, talvez, mas, mais que isso, sobreviventes de uma realidade em tudo pós-apocalíptica. As filmagens usaram como locação os municípios de Parelhas e Acari, no estado do Rio Grande do Norte. 
Bacurau teve um custo de R$ 7,7 milhões e arrecadou mais que o dobro disso. E ainda ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes, onde teve sua primeira exibição em 15 de maio de 2019. No Brasil, a fita estreou algumas semanas depois, no dia 29 de agosto. 
Alguns podem argumentar que Bacurau não é um efetivamente um filme de fc, visto que o único detalhe evidente do gênero é um drone em forma de disco voador que é usado pelos assassinos para rastrear suas "presas". Mas é claro que não é só isso. O que faz de Bacurau uma boa e legítima história de ficção científica são seus aspectos sociológicos e antropológicos, algo que nem sempre é percebido como especulação científica porque não se tratam de ciências duras. Muito mais que discos voadores, interessa aqui a exploração de corpos brasileiros como atração turística. Ficção? Nem tanto. Basta lembrar das crianças prostituídas por todo o país. Se ainda não temos caçadas humanas como atrações turísticas no Brasil, não falta muito para isso. Também a maneira debochada e cruel com que o poder público trata o eleitor, algo que não está nada distante da realidade. E, enfim, a maneira natural com que os sertanejos lidam com a tecnologia, todos muito a vontade com seus aparelhos celulares, ainda que um tanto ultrapassados em comparação com os dispositivos futuristas usados pelos estrangeiros. 
Também é preciso reconhecer que não há coitadismo no tratamento dado ao sertanejo. O habitante de Bacurau é – como diria Euclides da Cunha – "antes de tudo, um forte". Como os seguidores de Antônio Conselheiro em Canudos, os bacurauenses podem ser simplórios, mas tolos certamente não são. 

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Resenha do Almanaque: O estranho oeste de Kane Blackmoon, Duda Falcão

O estranho Oeste de Kane Blackmoon
, Duda Falcão, 184 páginas. Porto Alegre: Avec, 2019.

Uma das primeiras manifestações editorialmente articuladas da literatura de gênero foi a Weird Fiction, que levou esse nome por estar associada à revista "pulp" Weird Tales, que circulou entre 1923 e 1954 nos Estados Unidos da América. Weird Tales era basicamente uma revista de contos de horror, mas como naqueles tempos pioneiros ainda não havia protocolos claros que estabelececem as características de cada um dos gêneros, os autores da revista costumavam misturá-los em receitas muito variadas, de modo que é quase impossível classificá-las em um gênero específico. São, portanto, Weird Fiction. Autores como H. P. Lovecraft, Robert E. Howard e Clark Ashton Smith são representantes destacados desse período. E como não havia limite algum, não raro os autores acrescentavam doses generosas de dramas épicos, e um dos período mais recorrentes era faroeste que, mais tarde, tornou-se também um gênero em si.
Para um autor americano do início do século XX, colocar histórias estranhas num ambiente de faroeste não era uma coisa incomum, afinal, em muitos lugares dos EUA, os cenários contuavam sendo os mesmos do século anterior. Contudo, esse tipo de narrativa acabou por ganhar corpo próprio, de forma a se tornar ele mesmo um gênero, que é hoje conhecido como Weird West. 
Pode parecer estranho um autor brasileiro se interessar por esse gênero tão estravagante e distante da cultura local, até porque temos ambientes similares ainda pouco explorados, como o visto na novela de horror O fascínio, de Tabajara Ruas, e o filme longa metragem Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Mas visto de dentro do fandom, é natural que um autor fã apaixonado pela Weird Fiction sinta o impulso de fazer algo nessa linha. Tanto que já tivemos, em anos recentes, as antologias Cursed City (2011, Estronho), Sagas Volume 2:  Estranho Oeste (2012, Argonautas) e os romances Areia nos dentes, de Antonio Xerxenesky (2008, Não) e O peregrino: Em busca das crianças perdidas (2011, Draco), de Tibor Moricz.
Este é também o caso de Duda Falcão, escritor gaúcho que há anos vem desenvolvendo uma robusta carreira como autor de horror sobrenatural. Sua especialidade são as narrativas curtas, que já reuniu em quatro volumes: Protetores (2012, Underworld)), Mausoléu (2013, Argonautas), Treze (2015, Avec) e Comboio de espectros (2017, Avec). Seu trabalho mais recente é justamente um fix-up (romance construído a partir de contos independentes de um mesmo contexto) de Weird West com o pitoresco título O estranho Oeste de Kane Blackmoon, publicado em 2019 pela Avec, editora que nos últimos anos tem executado um trabalho muito consistente no ambiente da ficção fantástica.
O estranho oeste de Kane Blackmoon conta a história de um mestiço de branco e índio que sustenta sua vida como caçador de recompensas. Numa de suas caçadas, Blackmoon conhece Sunset Bison, xamã lakota (sioux, para os inimigos) que pede sua ajuda na missão sagrada de recapturar um demônio e o inicia nos mistérios do xamanismo. Mas, na luta contra o ente sobrenatural que ocupava o corpo de um pistoleiro cruel, o xamã acaba por ser ferido de morte. Nos seus últimos momentos, Sunset Bison passa para Blackmoon a tarefa de encontrar e prender o demônio. Para isso, ele terá de desenvolver suas capacidades místicas ainda incipientes, pois o demônio não é nem de longe o único ente do mal que se arrasta pelos desertos e pradarias do oeste selvagem. 
O romance é composto de oito contos dispostos linearmente na ordem dos acontecimentos: "Homem-urso", Bisão do Sol Poente", "Armadilha", Resgate do mundo inferior", "Procurado", Sob os auspícios do Corvo", "Nevasca", "O trem do inferno". Não há pretenção de situar as histórias de Kane Blackmoon num contexto histórico realista, como acontece, por exemplo, na série italiana de quadrinhos Mágico Vento, na qual circulam personalidades famosas em ambientes e fatos historicamente reconhecíveis, que dão à narrativa um caráter elegante e sofisticado. Neste aspecto, o romance de Falcão tem uma pegada mais similar ao primeiro volume da série A Torre Negra, de Stephen King: o estranho Oeste de Blackmoon é uma ambiente mítico, totalmente descolado do real, no qual anacronismos não são relevantes e podem até ser elementos dramáticos que fazem parte das histórias. 
A leitura do romance é agradável, muito por conta do talento de Falcão em contar histórias. Percebe-se a preocupação do autor em criar um texto que possa ser prazeroso e compreensível para leitores de todas as idades. Não há cenas grotescas e sanguinolentas em exagero, e a violência intrínseca ao gênero tem a estética das histórias em quadrinhos. O resultado é mais para uma aventura de dark fantasy do que de horror gore, embora tenha potencial para isso. Ainda traz, em camadas mais profundas, a questão do preconceito, uma vez que o personagem é um pária tanto entre os brancos quanto entre os indígenas, mas esse tema não foi explorado em profundidade. 
Kane Blackmoon acaba por se tornar um dos personagens de referência da literatura nacional de horror e teve ótima repercussão quando do lançamento do livro, em 2019. Ainda que o romance tenha um desfecho bastante satisfatório, acredito ser possível dar sequência às suas histórias, pois o mal do mundo é inesgotável. Mas isso é lá com Duda Falcão.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Fantástika 451


A revista Fantástika 451 surgiu a partir de um evento realizado em 2018 e noticiado aqui. Do congresso em si não tive mais notícias, mas a revista prosseguiu nos anos seguintes e já conta com quatro edições disponíveis para leitura daqueles que se interessam por artigos, ensaios e resenhas sobre ficção científica, fantasia e horror, com especial atenção para a cena literária brasileira. 
A curadoria editorial é de Ana Rüsche, Drielle Alarcon, George Amaral, Hugo Maciel de Carvalho, Marília Ramos, Renata Oliveira do Prado e Vanessa Guedes.
A  primeira edição, de 2018, tem setenta páginas e traz entrevista com a acadêmica e editora Raquel Parrine, além de doze artigos e quatro resenhas. A segunda, publicada em 2019, tem cinquenta e cinco páginas, uma entrevista com os escritores Claudia Fusco e Fábio Fernandes, mais oito artigos e quatro resenhas. A terceira, de 2020, tem setenta e seis páginas e traz entrevista com o escritor e pesquisador acadêmico Tom Moylan, mais sete artigos e quatro resenhas. 
Além das edições anuais regulares, a Fantástika 451 publicou, em 2019, uma edição especial dedicada ao horror, que apresenta em suas cinquenta e duas páginas entrevistas com a tradutora Cecília Rosas e a acadêmica Ana Cláudia Aymoré Martins, cinco artigos e três resenhas. 
Como se vê, o perfil da publicação é bastante acadêmico, embora não seja patrocinada por nenhuma universidade. Talvez possamos vir a conhecer outras novas edições no futuro mas, enquanto isso, fiquemos com estas que estão todas disponíveis aqui para download gratuito, ótimas leituras para compreender melhor o papel da arte fantástica em nossos dias.

sábado, 3 de abril de 2021

III Prêmio ABERST

No dia 7 de novembro de 2020, a Aberst - Associação Brasileira dos Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror anunciou em cerimônia realizada pela internet (disponível aqui), os vencedores da terceira edição do Prêmio Aberst concedido aos melhores romances e contos policiais e de horror publicados no Brasil entre julho de 2019 e junho de 2020. São eles:
Narrativa curta policial: "O assassinato de Cláudio Manuel da Costa", Jean Pierre Chauvin. Menção Honrosa: "O machado da Casa de Pedra", Larissa Brasil.
Narrativa Longa Policial: Noir carnavalesco, Ian Fraser.
Narrativa Curta Terror: "Um conto sem fim", Alexandre Braoios.
Narrativa Longa Terror: Numezu, Jorge A. Moreira.
Narrativa Curta Suspense: "Pax Domini", Caesar Charone.
Narrativa Longa Suspense:  A garota da casa da colina, Larissa Brasil.
Projeto Gráfico: Apocalipse Segundo Fausto, Giovanna Vaccaro.
Quadrinhos: Found Footage, Marvin Rodrigues. Menção Honrosa: A máscara da morte branca, Isaque Sagara.
Conjunto da obra: Vera Carvalho Assumpção.
Autora revelação: Iza Artagão.
Medalhas Destaque: Assassinato on-line, Jon O’Brien; Entre o skate e o tráfico, Victor Costa; Histórias para não dormir, Rafael Danesin e Mhorgana Alessandra; O esquife haitiano, Fabiano Soares; Paranoia, Márcio Cardoso Pacheco; Ilustrações, Carolina Mancini.
Parabéns aos ganhadores!

terça-feira, 24 de março de 2020

Pasadizo a lo estraño

O escritor e tradutor Fábio Fernandes divulgou nas redes sociais uma interessante oportunidade aosd leitores brasileiros com relação à antologia Pasadizo a lo estraño: Antologia New Weird Iberoamericana, organizada por Teresa Mira de Echeverria e publicada pelo selo Exégesis em 2019. Isso porque a antologia, em forma de arquivo digital pdf, pode ser obtida gratuitamente por tempo limitado, bastando para isso remeter um email a literatura.newweird@gmail.com. Recomendo fortemente.
Diz o texto de divulgação: "La presente es una puesta en común, anárquica y caótica, de cuentos pertenecientes al género New Weird, producidos por excelentes escritores. Un experimento weird desde el inicio hasta el final, que busca reflejar en la práctica lo que el espíritu del género pregona: lo extraño."
A antologia reúne contos em espanhol de autores de diversos países, entre os quais está o próprio Fernandes, que também assina o prefácio da obra. Além dele, traz textos de Israel Alonso, Federico Andrés Caivano, Marcelo Cardo, Tatiana Carsen, Rolando Jorge Condis, Facundo E. Córdoba, Matías Alberto D'Angelo, Guillermo Echeverría, Cristina Jurado, Roxana M. Lozano, Teresa P. Mira de Echeverría, Mariela Pappas, Adrián Marcelo Paredes, Pedro Paunero, Ramiro Sanchiz, Isabel Santos e Verónica Vázquez.
Uma excelente oportunidade para conhecer o que se faz hoje em matéria de New Weird nos países iberoamericanos, além de se familiarizar com a leitura em espanhol, língua na qual há uma surpreendente oferta de títulos nos gêneros fantásticos.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Curtos & Fantásticos

Antologia de contos fantásticos classificados no primeiro concurso de contos do podcast Diário de Escrita, do site Papo de Autor. O livro tem 112 páginas e apresenta textos de Ana Cristina Rodrigues, Carlos Perini, Danilo Sarcinelli, Davide Di Benedetto, Farrel Kautely, Francine Cândido, Gabriel Scarssi Krupp, Iago Ramon Möller, João Lucas Gontijo Fraga, João Victor Teixeira, John Elton, Karen Soarele, Luiz Calmon, Ricardo Kruchinski, Sario Ferreira, Taís Turaça Arantes, Vicente Gomes Pinto, Vinicius Mendes, Waldir Léo Santos e Wesnen Tellurian, com organização de Karen Soarele, Vinicius Mendes e Wesnen Telluria.
A antologia está disponível em formato eletrônico e pode ser baixada gratuitamente em formato pdf, epub e azw3, mas já conta também com a edição impressa publicada ainda em 2019 no selo Odisseias da Editora Jambô.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

O lado sombrio do sítio

Um dos fatos mais esperados para 2019 era que a obra de Monteiro Lobato, escritor que o Brasil perdeu em 1948, caíssem em domínio público pois, pela lei brasileira, a obra de um autor deixa de ser propriedade privada de seus herdeiros a partir do dia 1 de janeiro do ano subsequente aos 70 anos da morte do mesmo. Há muito tempo que autores que cresceram lendo os livros de Lobato tinham intenções em citar, homenagear, reler ou mesmo samplear suas histórias, especialmente aquelas do ciclo do Picapau Amarelo, que se tornou uma franquia de sucesso para várias gerações.
E 2019 não deixou por menos. Por exemplo, Narizinho: A menina mais querida do Brasil, do escritor Pedro Bandeira, oferece uma versão atualizada das histórias do Picapau Amarelo, retirando expressões racistas, empretecendo Narizinho e deliberadamente excluindo Pedrinho das histórias. E nos quadrinhos, tivemos o Rancho do Corvo Dourado, que levou os personagens a uma distopia apocalíptica.
O fandom literário de ficção fantástica também debruçou-se na obra lobatiana com a antologia O lado sombrio do sítio, organizado por Felipe S. Mendes para a editora Lura. Como o título já revela, trata-se de uma releitura de Lobato em tons de horror. O volume de 288 páginas traz 43 textos de autores como Mayara de Godoy, Rômulo Baron, João Peçanha, Wanise Martinez e André Vianco.
Resta saber o que os administradores da propriedade intelectual de Lobato acham disso tudo. Como se pode ver no episódio 56 do podcast Poranduba, "Folclore e direitos autorais", a exploração de obras em domínio público pode não ser tão livre quanto se acredita.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Alcântara

No final de 2019, foi anunciada a publicação do romance de ficção científica Alcântara: A história inspirada na história, de autoria da jornalista e roteirista mineira Miriam Rezende Gonçalves, que tem grande experiência na produção de novelas e outros programas para a televisão.
O livro, publicado pela autora, conta a história de uma cientista brasileira que está decidida a descobrir o que realmente aconteceu em 2003 na base de lançamento de foguetes de Alcântara, no Maranhão, quando 21 técnicos morreram numa explosão. A história aproveita uma detalhada pesquisa da autora sobre as tentativas de lançamento do satélite brasileiro que culminaram na tragédia.
Diz o release de divulgação: "Alcântara foi selecionado para o Laboratório de Roteiro de Longa-Metragem, do dramaturgo Eliseo Altunaga e aprovado para o seminário Histórias de Roteiristas 2012, do Núcleo de Audiovisual da Universidade Mackenzie. Este projeto quer revelar ao público brasileiro que o país tem um adiantado e sério Programa Espacial, que envolve centenas de pessoas, especialistas, técnicos e intelectuais dedicados a desenvolver uma tecnologia própria. Nunca antes tratada pela literatura ou pela cinematografia nacional, considerando o ineditismo do tema, a trama quer desvelar esse universo dos avanços, no Brasil, da ciência e da tecnologia aeroespacial." Um objetivo deveras importante neste momento histórico.
É interessante que tal assunto tenha até agora sido ignorado – ou seria melhor dizer evitado? – pelos autores de fc brasileiros. Mais uma vez, os especialistas no gênero são deixados para trás.
O livro foi lançado num evento em São Paulo no último dia 11 de dezembro, com a presença da autora e de personalidades da área astronáutica brasileira, como o Brigadeiro de Ar Celestino Todesco, o astronauta Marcos Roberto Palhares (autor do livro O céu não é o limite), Lucas Fonseca (CEO do projeto Garatea-L) e Sérgio Sacani (Unicamp). Outros eventos com a autora estão programados para Ribeirão Preto e Curitiba, entre os meses de fevereiro e março de 2020.
Alcântara está disponível na Amazon, em versão impressa e ebook.

domingo, 22 de dezembro de 2019

Mitografias: Trindade

Está disponível para download gratuito o terceiro volume da série Mitografias, subtitulado Mitos de Trindade, com doze contos fantásticos que abordam o tema da trindade sob diversos aspectos, sempre sob o viés mitológico. Trata-se de uma volta ao mundo através de mitos russos, japoneses, indianos, nórdicos, gregos e brasileiros. A organização da seleta é de Andriolli Costa (Colecionador de Sacis), Leonardo Tremeschin e Isa Prospero, que também se responsabilizaram pela publicação do livro. A edição está disponível nos formatos pdf, epub e mobi,e pode ser baixada aqui.
Os volumes anteriores também foram publicados em formato virtual e ainda podem ser baixados gratuitamente no mesmo local, mas o primeiro ganhou edição em papel em 2018. Talvez, no futuro, os mais recentes também tenham esse privilégio.

domingo, 10 de novembro de 2019

Amália atrás de Amália

Terceiro volume da coleção Futuro Infinito, publicada pela editora Patuá, com curadoria de Luiz Brás, Amália atrás de Amália é uma novela de ficção científica escrita pelo professor acadêmico e poeta Marco Aqueiva, autor de Sob os próprios pelos: seres extraordinários (2014), Germes entre dias brancos (2016) e O azul versus o cinza & O cinza versos o azul (2012).
A história acompanha a luta de uma mãe em busca de sua filha, num panorama distópico em que o poder instituído tudo faz para barrar a jornada, numa narrativa fragmentada que exige a participação ativa do leitor.
O volume tem 88 páginas e pode ser encontrado aqui.

Maresia do rock

A maior parte dos artistas que tem esperança de viver de sua arte guarda entre seus tesouros o direito de imagem. Ao longo do séculos 19 e 20, a jurisprudência se voltou para garantir os direitos individuais de autoralidade, que hoje são muito detalhados, tornou conteúdos em marcas reservadas da indústria cultural e até a imagem pessoal se tornou objeto de garantias comerciais.
Mas tudo isso entrou na berlinda com a implementação da rede mundial de computadores, a internet. A facilidade da reprodução não autorizada fomentou uma verdadeira mania, que se intensificou com a popularização das redes sociais. Isso tem causado muita preocupação entre artistas e produtores que tentam garantir seus direitos na justiça, mas essa luta parece inglória a longo prazo.
Por isso, vejo como muito ousada a iniciativa do jornalista cearence Cláudio Portella, autor de mais de duas dezenas de livros de crônicas, poemas e contos, cujo trabalho mais recente é a novela Maresia do rock: Recriada parceria de Raul Seixas & Paulo Coelho, publicado pelo autor no selo Edições CP.
Trata-se de uma recriação ficcional que se apropria sem pudores das imagens dessas duas personalidades famosas para recontar livremente a história da parceria que legou um valioso patrimônio na música popular, porém sem qualquer pretensão historiográfica, quase como em uma realidade alternativa.
O livro tem 92 páginas e é formado por 180 capítulos curtíssimos, muitos deles com não mais que um único parágrafo. A capa, com imagens dos dois artistas, é outra ousadia temerária.
O livro pode ser encomendado diretamente com o autor pelo email claudio.portella@gmail.com. Aproveite antes que o homem reclame!

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Aberst 2019

No último dia 19 de outubro, a Aberst - Associação Brasileira dos Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror anunciou em cerimônia realizada durante a Horror Expo, no Anhembi, em São Paulo, os vencedores da segunda edição do Prêmio Aberst concedido aos melhores romances e contos policiais e de horror publicados no Brasil entre julho de 2018 e junho de 2019. São eles:
Romance policial: Jogo de cena, Andrea Nunes, Editora Cepe;
Romance de Horror: Terra de sonhos e acaso, Felipe de Campos Ribeiro, Editora Martin Claret;
Projeto gráfico: Confinados: Contos de uma noite de terror; Adriana Chaves, org.; Editora Monomito;
Conto policial: "A penúltima morte de Edgar", Cesar Charone, in Simulacro e simulação, Editora Lendari;
Conto de horror: "Sombras no coração", Marcelo Augusto Galvão, in Lovecraftiano Volume 1, edição de autor;
Conjunto da obra: Ruben Fonseca;
Autor revelação: Larissa Prado.
Parabéns aos ganhadores!

domingo, 13 de outubro de 2019

O mundo fantástico de H. P. Lovecraft, Volume 2

Depois do sucesso do primeiro volume da coletânea O mundo fantástico de H. P. Lovecraft que recebeu várias edições desde seu lançamento em 2012, a editora Clock Tower anunciou a publicação de um segundo volume que, desta feita, reúne contos que o autor publicou como escritor fantasma, ou seja, sob o nome de outros autores.
São ao todo dez contos inéditos: "O prado verde", "O homem de pedra", "Até os mares", "O horror no cemitério", "As duas garrafas negras", "A árvore no morro", "A dança da Medusa", "O último teste", "O oceano noturno" e "Trapaceando a morte", com tradução de Guilherme Sant’Anna, Daniel Dutra e Marcos Almeida Jr. A edição traz ainda notas e ilustrações exclusivas, entre outras atrações extras.
O livro está disponível exclusivamente na loja da editora, aqui.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

II Prêmio Aberst

Este pode até não ser o melhor momento da ficção fantástica no Brasil, mas é certo que nunca tivemos tantos prêmios sendo promovidos simultaneamente no fandom. Além do Argos, do LeBlanc e do Odisseia (que estreou em 2019), temos também o Aberst que realiza sua segunda edição em 2019.
Fundada em 2017, a Aberst – Associação Brasileira dos Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror – instituiu o seu prêmio corporativo em 2018, quando foram homenageados as seguintes obras e autores: Romance policial:  O casamento, de Victor Bonini;  Faro Editorial; Romance de horror: Bile negra, de Oscar Nestarez, edição do autor; Novela de horror: O capeta-caolho contra a besta-fera, de Everaldo Rodrigues, edição do autor; Conto policial: "Os crimes das dez pras duas", de Duda Falcão, in Narrativas do medo 2, Copabook, selo Neblina Negra; Projeto Gráfico: O casamento, de Victor Bonini; Conjunto da Obra: Rubens Francisco Lucchetti.
Em 2019, serão seis as categorias apuradas:  Melhor conto/noveleta/novela policial ou de suspense; Melhor conto/noveleta/novela de terror ou horror; Melhor romance policial ou de suspense; Melhor romance de terror ou horror; Melhor projeto gráfico numa obra de terror, horror, suspense ou policial; Melhor autor/autora revelação de terror/horror/suspense/policial; e Prêmio pelo conjunto da obra. Concorrem obras inscritas e publicadas pela primeira vez entre 1 de julho de 2018 e 30 de junho de 2019.
A Aberst promete para o próximo dia 13 de setembro, em suas redes sociais, o anúncio dos finalistas da edição 2019, mas os vencedores serão revelados somente em 19 de outubro, na cerimônia de premiação durante a HorroExpo, em São Paulo.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Back in the USSR

Nos longínquos anos 1980 e 1990, todos os fãs de literatura fantástica tinham a certeza, como diria Stephen King, que o mundo tinha seguido adiante, pois não se publicava mais nada no país. Então, alguns deles se uniram para publicar fanzines literários - no que foram muito bem sucedidos - e, eventualmente, livros. Um deles foi uma antologia cujo tema era a banda britânica The Beatles, mas o livro não vingou. Uma das histórias escritas para essa antologia foi "Back in the USSR", do tradutor e professor Fábio Fernandes, uma história ousada com um ressurreto John Lennon numa realidade alternativa na qual a tecnologia do Dr. Frankenstein se tornou aplicável em larga escala e a guerra fria continua firme e forte.
Publicado em edição virtual em 2012 pela Editora Draco, Back in the USSR: Um thriller surrealista chega agora pela Editora Patuá, como primeiro volume da coleção Futuro Infinito, com curadoria editorial de Luiz Bras.
Esta nova versão foi substancialmente ampliada - tem 224 páginas -, vem com um cenário histórico e tecnológico bem mais intrincado, e está repleta de citações que vão fazer a diversão dos leitores mais experientes. mesmo para aqueles que não encontrarem os ovos de páscoa, a qualidade dos escritos de Fernandes, que já publicou os livros Interface com o vampiro e Os dias da peste,  garante a diversão.
O volume anuncia Matando gigantes, de Claudia Dugim, e Braza 2000, de Roberto de Sousa Causo, como futuros títulos da coleção. O primeiro foi lançado recentemente, apos a publicação de Fanfic, de Braulio Tavares, e Amália atrás de Amália, de Marco Aqueiva. Sem dúvida, uma proposta significativa num mercado em tempo de crise.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica 2019

O prestigioso congresso de ficção fantástica Odisseia, criado em 2011 pelos escritores Duda Falcão, Cesar Alcázar e Christopher Kastensmidt, realizou sua sexta edição nos dias 24 e 25 de agosto de 2019, em Porto Alegre, com a presença de um importante contingente de autores, editores e fãs da ficção fantástica brasileira. Além de ser um evento consagrado, Odisseia agora é também chancela de um prêmio que já começa importante, ombreando a representatividade de seus irmão mais velhos, o Argos e o LeBlanc.
A primeira edição do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica roubou a cena no fandom brasileiro em 2019, distribuindo  troféus em sete categorias aos favoritos de um juri composto pelos escritores Christian David, Duda Falcão e Nikelen Witter, selecionados em uma relação de obras publicadas em 2018 especificamente inscritas para o certame. Os vencedores foram anunciados no dia 25 de agosto, em cerimônia oficial durante o evento. São eles:
Narrativa Longa Literatura Juvenil:
Orlando e o escudo da coragem, Ana Lúcia Merege, Editora Draco.
Narrativa Longa Horror:
Nihil, Carolina Mancini, Editora Estronho.
Narrativa Curta Horror:
"Madres", Isabor Quintiere, A cor humana, Editora Escaleras.
Narrativa Longa Ficção Científica:
Corrosão, Ricardo Labuto Gondim, Editora Caligari.
Narrativa Curta Ficção Científica:
A invasão dos macacos, Saulo Adami, Editora DTX.
Narrativa Longa Fantasia:
O auto da maga Josefa, Paola Siviero, Dame Blanche.
Narrativa Curta Fantasia:
Oceano sorvete de uva, Gabriel Cianeto, Editora Multifoco.
Parabéns aos ganhadores.

domingo, 1 de setembro de 2019

Os vencedores do Argos 2019

No dia 13 de julho, durante a Flip em Paraty, o Clube de Leitores de Ficção Científica-CLFC realizou a cerimônia de entrega da edição 2019 do Prêmio Argos, que apontou, na opinião de seus membros, os melhores trabalhos nacionais publicados no Brasil em 2018 (para todos os finalistas, leia aqui).
Na categoria Romance, o vencedor foi A mão que pune: 1890, de Octavio Aragão, publicado pela Editora Caligari. Na categoria Conto, venceu "Sombras no coração", de Marcelo Galvão, publicado na coletânea Lovecraftiano vol. 1, edição de autor. E na categoria antologia, a escolhida foi Fractais tropicais, organizada por Nelson de Oliveira para a Editora SESI-SP.
Parabéns ao vencedores!