quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Arquétipos de massa: Labirintos

Está aberta a campanha de financiamento coletivo para publicação da coletânea Arquétipos de massa: Labirintos, do escritor, tradutor e professor Fábio Fernandes, pela editora Kafka.  
Diz o texto de divulgação: "Uma das (muitas) funções da ficção, de modo geral, é servir de espelho do cotidiano, através de símiles, comparações, contradições. A vida imita a arte, dizem uns. Outros afirmam que a arte, se não emula necessariamente a vida, lhe fornece inspirações.
Foi pensando nas semelhanças entre arquétipos ficcionais e certos aspectos de nossa realidade que Fábio Fernandes começou a escrever microficções que batizou de Arquétipos de Massa: pequenos fragmentos do cotidiano revistos sob outras luzes. Na fronteira onde o lúdico atravessa o trágico, os Arquétipos de Massa reúnem apocalipses diários, alienígenas que praticam a banalidade do mal, princesas enclausuradas nas próprias fantasias, imperadores da galáxia do próprio quarto, personagens cômicos e sombrios que se cruzam em labirintos, em diversos percursos de leitura oferecidos pela multiplicidade de tramas."
A campanha oferece três modalidades de apoio: na mais básica, o apioador recebe um exemplar do livro, na intermediária, o livro vem acompanhado de um poster e, na avançada, além do livro e do poster, o apoiador também recebe um exemplar do livro Mulher com avestruz, da escritora curitibana Regina Benitez. 
A campanha, que ficará aberta aqui até meados de março, é do estilo fexível, isto é, o livro será publicado e entregue aos apoiadores independentemente de atingir a meta proposta, o que é uma boa garantia neste modelo de produção.

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Lançamento: O mundo dos mil homens, Walter Kateley

O mundos dos mil homens
(Room for the super race) é o 16º volume da coleção Andarilhos, clube de assinaturas da Editora Andarilho dedicado à publicação mensal de livros de bolso de ficção fantástica clássica e inédita, de autores pouco conhecidos. 
A novela, publicada originalmente em 1932, é de autoria do escritor americano Walter Kateley. O ISFDB relaciona apenas dezoito trabalhos publicados entre 1928 e 1934 do autor,  sobre o qual se sabe tão pouco que mesmo publicações especializadas, como o Science-fiction: The Gernsback years, não determinam as datas em que ele nasceu e morreu, e consideram inclusive que o nome seja um psedônimo.
Diz o texto da quarta capa: "Dois pesquisadores de pássaros, Tower e Watson, sofrem um acidente e ficam isolados no ártico até que um objeto semelhante a um asteroide surge no horizonte, prometendo trazer grandes mudanças a todos os seres humanos". 
O livro tem 172 páginas, tradução de Gustavo Terranova Aversa e, junto ao volume, os assinantes recebem um marcador de páginas e um apoio de cartão para copos, ambos personalizados.
Os livros do Clube Andarilhos são comercializados inicialmente por assinaturas, mas após algumas semanas são oferecido para venda no saite da editora, aqui.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Resenha do Almanaque: Ordem Vermelha: Filhos da Degradação, Volume 1, Felipe Castilho

Ordem Vermelha: Filhos da Degradação,
Volume 1, Felipe Castilho. 448 páginas. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2017.

No ano de 2017 já era possível antecer as sombras que se infiltravam no cenário brasileiro. Golpe de estado em 2016, crise econômica, perda de direitos trabalhistas, fake news em profusão nas redes sociais e o crescimento de um discurso de intolerância que sabemos bem para onde nos levou. Associado a tudo isso, desenvolvia-se uma profunda crise editorial que iria abater o mercado de publicações em sua base. Grandes editoras e redes de livrarias internacionais estavam abandonando o país enquanto as locais rolavam dívidas cada vez maiores, afigurando o calote que viria. 
Mas ainda havia fôlego para investir, pois o golpe prometera novos tempos para a economia nacional, combalida por anos de uma campanha de desmoralização política e econômica. Talvez seja o que animou a publicação do ousado romance de fantasia Ordem Vermelha: Filhos da Degradação, numa parceria da editora carioca Intrínseca com o evento midiático ComiCon Experience-CCXP, realizado em São Paulo no final de 2017. Foi promovida uma gigantesca campanha de divulgação do lançamento do volume, com cartazes enormes espalhados pela cidade, e a CCXP daquele ano foi uma grande vitrine para ele. A ousada estratégia, nunca antes vista para um autor nacional de ficção fantástica – arrisco dizer que nem para qualquer outro autor de qualquer gênero – funcionou muito bem, até proque a CCXP é toda projetada para vender, haja vista o entusiasmo consumista de seu público. 
Ordem Vermelha: Filhos da Degradação é assinado pelo escritor paulistano Felipe Castilho (autor da série de fantasia juvenil O legado folclórico). Apesar de não estarem creditados na capa, a autoria é dividida com Rodrigo Bastos Didier e Victor Hugo Sousa, ambos artistas do ambiente de games eletrônicos e RPG. Didier, ilustrador, e Sousa, animador, contribuíram de forma importante para a construção do ambiente e dos personagens do romance, bem como na construção do enredo. De fato, Castilho foi contratado para dar forma textual à história que, ao que tudo indica, é propriedade da própria CCXP. O plano original prevê mais volumes pois a página de rosto estampa a expressão "Volume 1".*
O formato do romance tem cacoetes de um jogo de RPG e talvez seja mesmo resultado de algo do gênero. O ambiente emula o modelo cosmológico de O senhor dos anéis, de J. R. R. Tolkien, e de As crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, no qual a magia é a "tecnologia" corrente e diversas raças míticas convivem em equilíbrio instável de intolerância e violência. No romance de Castilho há humanos e anões, e também sinfos e kaorshs, que são correlatos de duendes e elfos, além de uma miríade de animais fantásticos, como os betouros (amálgama de besouros com touros) e outras feras.
A história se passa em Untherak, cidadela medieval muralhada que se acredita ser o último refúgio da civilização assolada pela Degradação, decadência ambiental que tornou o mundo um lugar desértico e pouco hospitaleiro. Untherak é governada por uma monarquia teocrática de castas, controlada pelo culto à deusa imortal Una, e por uma poderosa polícia estatal cujo comandante supremo é o General Proghon, um tipo que em tudo lembra o personagem Darth Vader, da fanquia Star Wars. A liderança científica é exercida pelo cruel Centípede, feiticeiro cuja consciência se espalha em uma legião de indivíduos. O poder da deusa Una é mantido pelo medo e pela violência, com o povo escravizado por uma elite administrativa chamada de "Autoridades", que vive segregada em bairros nobres enquanto o povo sofre em condições de miséria. 
Nessa situação praticamente sem esperanças acontece o Festival da Morte, competição de artes marciais na qual é prometida a liberdade ao derradeiro sobrevivente. A kaorsh Raazy decide participar dele, para ter a chance de, vitoriosa, aproximar-se de Una na cerimônia de premiação. Seu objetivo é matá-la,  provar que Una não é imortal e levar Untherak a uma insurreição. O plano funciona parcialmente, mas Raazy acaba morta por Proghon e a revolta é abafada. 
Inspirado por um mítico rebelde conhecido como Aparição, um grupo de paladinos formado pela korsh Yanisha, viúva de Raazy, o sinfo Ziggy e o falcoeiro Aelian, um escavo humano que também viu seu pai ser morto na arena do Festival da Morte, tenta o que parece impossível: derrubar a tirania da deusa Una. No processo, eles terão o apoio pouco confiável do anão negro Harun, que é um Autoridade, mas cujo objetivo de vida é localizar e recuperar a armadura sagrada de seu povo, que esté escondida em algum lugar de Untherak. Juntos, eles lutarão pela libertação do povo oprimido pelo governo de Una e seus generais. Contarão ainda com a ajuda da própria Aparição, cuja identidade é o segredo mais bem guardado de Untherak.
O livro é dividido em três partes principais: "O Miolo", que introduz o ambiente de Untherak e os principais atores da trama, "O coração de todo o medo", em que a revolta é planejada, e "O fio da espada", que conta a ação dos rebeldes e a batalha do povo contra as hostes de Proghon. Cada um dos capítulos é antecedido por trechos de um epílogo, impresso em negativo, que narra a volta da Aparição à Untherak após anos de exílio. Ainda que criativo, a estrutura descontextualiza os trechos e confunde o entendimento da história, tornando a leitura truncada e quase incompreensível. Recomendo que o leitor deixe para ler as páginas negras após a leitura do romance inteiro, que funciona muito melhor. 
Há uma grande quantidade de personagens e, apesar de estarem bem integrados à história, alguns deles são bastante esquemáticos. O romance tem bons momentos e a leitura entretém. Temas como o protagonismo feminino e a diversidade de gênero são evidenciados e contribuem para a formação de um conceito mais contemporâneo para ficção fantástica brasileira, quase sempre preconceituosa e misógena. Há um comprometedor "deus ex machina" no confronto entre os rebeldes e o Centípede mas, excluindo-se esse problema, o texto de Castilho é limpo e agradável, com boas cenas de ação e descrições vívidas da topografia e da arquitetura de Untherak. Um mapa impresso em papel diferenciado, encartado no meio do volume, ajuda a visualização geral da cidadela. 
A apresentação do livro é sofisticada, com impressão em papel pólen levemente amarelado; a capa tem laminação fosca com reserva de verniz no título e uma bela ilustração de Rodrigo Bastos Didier. O livro é dedicado ao escritor Max Mallmann (1968-2016) e Lucas S. Souza (este sem maiores referências).
Talvez Ordem Vermelha: Filhos da Degradação tenha sido um romance um tanto superestimado, notadamente pela desproporcional campanha publicitária que se fez, mas não é um trabalho nada desprezível e revela que, desde que exista disposição e capital, é possível levar a literatura fantástica a um patamar mais profissonal e popular. À fc&f brasileira nunca faltou bons autores e boas ideias, temos dúzias deles. O que nos falta mesmo é, e sempre foi, o mercado, que se faz com editoras e pontos de venda. Algo que está a cada dia mais em falta, infelizmente.

*Ordem Vermelha: Crianças do silêncio é o segundo volume da série, lançado em 2023 pela Intrínseca.

sábado, 27 de janeiro de 2024

Lançamento: História e ficção científica

Já está disponível aqui o livro História e ficção científica: locomotivas, androides e outras viagens do metaverso, ensaio acadêmico de Luiz Aloysio Rangel, publicado pela editora Contexto.
O volume de 224 páginas traz, como anuncia o título, um estudo sobre a relação da ficção científica com a História. Diz o texto de apresentação "É possível entender o mundo em que vivemos a partir de obras de ficção científica? Articulando diversas áreas, como Antropologia, Sociologia e Semiótica, além da História, este livro aborda o processo histórico de formação da contemporaneidade a partir de livros e filmes de ficção científica. As obras escolhidas expressam de maneira singular o contexto mental e cultural dos autores que as conceberam e das sociedades que as fruíram. Assim, fornecem pistas de ideias, desejos e anseios manifestados em face do fervor do desenvolvimento científico, bem como das respectivas transformações sociais e políticas que definiram os contornos do mundo atual." 
Luiz Aloysio Rangel é bacharel e mestre em História Social pela PUC-SP. Uma boa entrevista com o autor, conduzida por Tiago Meira, pode ser acompanhada no podcast Viva Sci-Fi, aqui.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Juvenatrix 254

Está circulando a primeira edição de 2024 do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti. 
Em onze páginas, traz mais um capítulo da novela de horror "Os guardiões dos escudos negros e de prata", de Caio Alexandre Bezarias, iniciada na edição 248, resenhas do  editor aos filmes Vingança do túmulo (1943), Corrida silenciosa (1972), Marte precisa de mulheres (1968) e Attack of the mayan mummy (1964), além de uma longa lista com os títulos de todos os filmes dos gêneros fantásticos nos cinemas brasileiros em 2023. A edição é completada com notícias e divulgação de publicações alternativas e bandas de metal extremo, e a capa exibe uma ilustração de Angelo Junior.
Cópias em formato pdf podem ser obtidas pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Literartes 18

Ainda em 2023, foi lançada a edição 18 da revista acadêmica LiterArtes, publicação eletrônica da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, dedicada ao estudo dos diálogos contemporâneos da literatura infantil e juvenil com outras linguagens, sob coordenação editorial das professoras Karin Volobuef, Maria Zilda da Cunha Nathalia Xavier Thomaz. 
Junto à edição anterior, este número compõe um painel amplo sobre a ficção científica contemporânea. Em 265 páginas traz dez artigos e três resenhas, assinadas por Rhuan Felipe Scomacao da Silva, Jucélia de Oliveira Martins, Samuel Renato Siqueira Sant’Ana, Cido Rossi, Fernanda Aquino Sylvestre, Alexander Meireles da Silva, Ana Carolina Lazzari Chiovatto, Gabriele Cristina Borges de Morais, Damásio Marques da Silva, Gabriella Menczel, Raquel Mayne Rodrigues e Amanda Berchez. Ainda apresenta uma entrevista com a escritora e pesquisadora Ana Rüsche, que também assina uma das resenhas. A ilustração da capa é de Raphael Berthoud Oliveira. 
A publicação pode ser lida online ou baixada gratuitamente aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Literatura Fantástica 10

Está disponível a décima edição da revista Literatura Fantástica, editada por Jean Gabriel Álamo, dedicada ao fantástico brasileiro contemporâneo. 
Agora com periodicidade quinzenal, a publicação tem 160 páginas e traz doze textos inéditos de fantasia, ficção científica e horror assinados por Djone Pereira, Gabriel Madalena, JVC Brandão, Bàbá Àkẹ̀renà, Robson Muniz, Paulo Fidelis, Caio Cesar, S. Malizia, Antônio Almeida e Caio Bezarias.
Literatura Fantástica é publicada unicamente em formato digital e está a venda aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.