segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Megalon 68

Está disponível para download gratuito o número 68 do fanzine de ficção científica e horror Megalon, editado por Marcello Simão Branco e publicado originalmente em março de 2003.
Esta edição de 24 páginas traz a primeira publicação do excepcional conto de fc "Estes 15 minutos", de Carlos Orsi – que já vale o download –, mas tem muito mais: artigos de José Carlos Neves e H. Bruce Franklin (EUA), e as seções fixas "Diário do fandom", "Publicações recebidas", "Terras alternativas" e "Arte fantástica brasileira". A capa traz um desenho de Edgar Franco.
Como parte da série série Pulp Brasil, o editor dispõe a capa do Magazine de Ficção Científica nº 16, publicado em julho 1971.
E para que todos completem suas coleções, Branco redisponibilizou em um novo servidor as seis primeiras edições do fanzine e seus respectivos bônus, cujos links estavam indisponíveis há anos:
Megalon 1
Megalon 2
Megalon 3
Megalon 3 (bônus)
Megalon 4
Megalon 4 (bônus)
Megalon 5
Megalon 6
Graças ao Megalon, a leitura do próximo feriadão está garantida.

Juvenatrix 172

Está disponível o número 172 do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti.
A edição tem 15 páginas e traz uma ficção de autoria do próprio editor, resenha de Miguel Carqueija ao livro O mundo fantástico de H.P. Lovecraft, e resenhas de filmes recentes O ataque do tubarão de 3 cabeças (2015), A forca (2015), Guerras na estrada (2015), A queda da Terra (2015), Sobrenatural: A origem (2015), Pânico em Seattle (2012), O Pé Grande (2012), e os clássicos Vinte milhões de léguas a Marte (1956) e Mesa of lost women (1953). Divulgação de fanzines, livros e bandas independentes completam a edição, que traz na capa um desenho de Angelo Junior.
Para obter uma cópia, basta solicitar pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

Bombardeando

A escritora Érica Bombardi, autora do romance de alta fantasia Além do deserto, publicado em 2013 com recursos do Programa de Apoio à Cultura-Proac, não está acomodada nos louros desse cobiçado prêmio. Nos últimos anos, tem submetido seus textos à diversas antologias e recentemente, teve um deles selecionado no Prêmio Miró de Literatura 2014, que lançou uma antologia com os trabalhos classificados, Contos premiados, organizada por Sergio Massucci Calderaro para a Editora Insular. A maior parte dos textos é realista, o que faz destacar o trabalho especulativo de Érica, "Perfeição", que fala sobre a intervenção de um ser sobrenatural no momento crucial de uma revolução política.
O volume tem 194 páginas e, além de Érica, apresenta os autores Andressa Barichello, Celso Antonio Lopes da Silva, Davi Yoshinobu Kikuchi, Fabiane Cristina Guimarães, Julio Jorge Lobo Pimentel, Leonardo Triandopolis Vieira, Lucas Denir Espindola, Luciano Tarcísio Agrizzi Altoé, Luiz Antonio Lianza da Franca Filho, L. A. Tecau, Marcelo da Silva Rocha, Nicolino Novello, Nicollas Sousa Bilatto, Oscar Andrade Lourenção Nestarez, Rafael Luiz Zen, Rebecca Davanso Fernandes Morgado, Roselaine Hahn, Sonia Cristina de Abreu Pestana, Tatti Simões, Tiago Masutti Brasil, Vinícius Lima Figueiredo e Yéssica Klein.
Érica também está com dois ebooks disponíveis nas livrarias virtuais. A caçadora de dragões d'água conta a história de Estessa, que tem de capturar um animal especial para conseguir o posto de líder de sua tribo. E em Dia inteiroum menino questiona os pais sobre quantos dias tem a vida e, como resposta, recebe a história de um monstro chamado Nada. As narrativas de Érica são bastante sombrias, mas repletas de ternura e sensibilidade, uma mistura que sempre cai bem.

Lucchetti renasce

Rubens Ferreira Lucchetti é o mais prolífico autor brasileiro de ficção fantástica. E digo isso sem nenhuma dúvida, porque Lucchetti escreveu mais de 1500 livros: histórias de espionagem, mistério, faroeste, guerra e terror foram seus terrenos mais férteis, mas o que lhe trouxe maior reconhecimento foram mesmo as histórias de terror. Sua parceria com o mestre dos quadrinhos Nico Rosso é memorável e seus roteiros para os filmes do José Mojica Marins e Ivan Cardoso estão entre as mais importantes obras da filmografia brasileira.
Contudo, sua obra literária não recebeu ainda o devido valor pois a maior parte dela foi assinada com pseudônimos, sem esquecer o fato de que as edições eram direcionadas ao mercado de bancas e nunca receberam reedições. Pelo menos até agora.
Depois que, em 2013, a editora Devaneio publicou Fantasmagorias, coletânea de contos de R. F. Lucchetti organizada por seu filho Marco Aurélio, indicada ao prêmio Jabuti na categoria de ilustração (pelos desenhos de Emir Ribeiro), o autor voltou a ribalta. No ano seguinte, o Grupo Editorial ACP, através de seu selo Corvo, deu início a coleção R. F. Lucchetti, também organizada por Marco Aurélio, que consiste numa série de romances e coletâneas do autor, recuperando textos que há muito estavam esquecidos. O primeiro volume, Máscaras do pavor, foi publicado originalmente em 1975, com uma história de mistério com assassinatos inspirados em filmes da Universal. O segundo volume O museu dos horrores, acaba de ser publicado e relata uma onda de crimes que assombra um museu.
A projeto da coleção prevê a publicação de 15 títulos, cada um focalizado num tema clássico do gênero. Eis aqui a lista compçeta dos títulos anunciados:
1 - As máscaras do pavor
2 - O museu dos horrores
3 - O abominável Dr. Zola
4 - Os amantes da Sra. Powers
5 - Os olhos do vampiro
6 - Rachel
7 - O emissário de Satã
8 - Gênesis: Depois do fim
9 - No domínio do mistério
10 - Cherchez la femme! (Procure a mulher!)
11 - Uma loura à janela
12 - Nasce uma lenda
13 - O fantasma da prima Lavínia
14 - A filha das trevas
15 - O fantasma de Greenstock 
Além destes, está proposto ainda um volume extra O lago maldito, com uma história inédita escrita pelo mestre em parceria com Marco Aurélio, também ele escritor. Ótimas notícias, portanto.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Essencial 2014 - Autores estrangeiros

No que se refere a livros de autores estrangeiros, a fantasia ainda é o gênero mais publicado, mas 2014 fica marcado pelo crescimento significativo dos títulos de ficção científica, enquanto a fantasia e o horror estiveram mais ou menos estáveis em relação a 2013. Esse crescimento particular da fc se reveste de importância ainda maior por conta da representatividade dos títulos publicados.
Na fantasia, o destaque vai para Elric de Melniboné: A traição ao imperador (Elric of Melniboné), do escritor britânico Michael Moorcock, publicado no Brasil pela Editora Évora no selo Generale. Trata-se do resgate oportuno de uma obra importante da fantasia mundial, originalmente publicada em 1972, de um dos mais expressivos autores do gênero, que andava esquecido pelas editoras brasileiras: o único livro do autor publicado aqui até então era A espada diabólica (Stormbringer), oitavo e último livro da mesma série, traduzido pela Francisco Alves nos anos 1970. Elric segue a linha da fantasia heróica que fez grande sucesso com Conan, de Robert E. Howard, embora os personagens sejam diametralmente opostos.
Contudo, as similaridades entre os dois universos são tantas que, nos quadrinhos, Elric chegou a contracenar com o bárbaro cimério. Stormbringer, a espada viva de Elric, é provavelmente a mais conhecida arma da literatura fantástica, ao lado de Excalibur. Também vale registrar a publicação de Discworld: Pequenos deuses (Small gods), de Terry Pratchett (1948-2015), pela Editora Bertrand Brasil, 13º volume dessa série de romances cômicos que é bastante conhecida dos leitores brasileiros.
Como já foi dito, 2014 foi o ano do ressurgimento ficção científica no Brasil, e a relação de livros essenciais é grande, a começar do megarromance Graça infinita (Infinite jest), de David Foster Wallace (1962-2008), publicado pela Companhia das Letras, ficção científica de contornos políticos e sociais considerada pela crítica como "o último grande romance do século 20" (ele é de 1996). Sua leitura é uma verdadeira maratona de mais de mil páginas, sem contar as 136 páginas do apêndice de notas, que é uma atração em si.
Graça infinita se insere na estética pós-moderna New Weird, assim como A cidade e a cidade (The city & the city), de China Miéville, que também chegou ao Brasil em 2014 pela Editora Boitempo, outro título reconhecido tanto pela crítica mainstream quanto pela especializada.
Battle royale, de Koushun Takami, pela Globo Livros, é outra publicação surpreendente. Primeiro porque é um dos raros exemplos da ficção científica japonesa traduzida no Brasil, segundo porque trata-se de um trabalho razoavelmente recente (o livro é de 1999) e extremamente violento, ao ponto de ter se tornado polêmico no país de origem. Apesar do brutalismo ser um estilo popular entre os autores brasileiros, o nível da violência em Battle royale extrapola todos os limites dos protocolos do gênero. Apesar disso – ou talvez por isso mesmo –, o romance fez uma bem sucedida carreira, com adaptações para os quadrinhos e para o cinema.
Mais ao gosto do leitor ocidental, a editora Intrínseca trouxe ao país, com tradução de Braulio Tavares, o romance Aniquilação (Annihilation), de Jeff VanderMeer, autor da moderna fc norte americana, publicado aqui meses antes de ganhar o prestigioso Prêmio Nebula. Trata-se do primeiro volume da trilogia Comando Sul, cuja segunda parte, Autoridade (Authority), já foi publicada em 2015 pela mesma editora. A história, repleta de mistérios, remete ao clássico Stalker, dos escritores russos Arkadi e Boris Strugastski, e é igualmente perturbadora.
Também surpreendeu a publicação de O círculo (The circle), de Dave Eggers pela Companhia das Letras, ficção científica na fronteira do mainstream, que discute com incômodo vigor a presença cada vez maior da vigilância tecnológica na sociedade moderna, sugerindo que os extremos denunciados por George Orwell em 1984 talvez não estejam tão longe de se tornarem realidade, se é que já não estão bem diante dos nossos narizes.
Dois clássicos inéditos no país marcaram presença nas livrarias em 2014: A nebulosa de Andrômeda (Andromeda nebula), livro de 1957 do escritor russo Ivan Efremov (1908-1972), pela pequena editora Polo Books, e a coletânea O salmão da dúvida (The salmon of doubt), trabalho póstumo e inacabado do britânico Douglas Adams (1952-2001), pela Arqueiro.
Para quem conhece estes autores, não há necessidade de maiores explicações: são leituras mais que obrigatórias.
No campo do horror, os destaques são pesos pesados: Doutor Sono (Doctor Sleep), de Stephen King – sequência ao clássico absoluto O iluminado (The shinning) –, pela Suma das Letras, e Outros reinos (Other kingdoms), um dos últimos trabalhos do sempre relevante Richard Matheson (1926-2013), pela Civilização Brasileira.
Este ano, um fato incomum revelou que há uma grande tempestade ao longe que pode mudar radicalmente o panorama da publicação de fc&f no Brasil. Nada menos que três editoras publicaram, simultaneamente, a coletânea The king in yellow, de Robert W. Chambers (1865-1933), influente clássico da literatura gótica publicado em 1895.
Pela Intrínseca e pela Clock Tower, o volume levou o nome de O rei de amarelo, e pela Arte & Letra, O sí­mbolo amarelo e outros contos. Isso aconteceu porque a obra de Chambers entrou em domínio público e as atentas editoras logo aproveitaram a oportunidade. Curioso é que todos os editores tenham escolhido justamente o mesmo título, sendo que Chambers, que foi um autor produtivo, tem muito mais para ser aproveitado. O fato é que todos estão esperando ansiosamente pelos grandes títulos estrangeiros caiam em domínio público, enquanto clássicos da ficção especulativa nacional seguem esquecidos. Decerto que há alguma lição para ser aprendida nisso tudo.

sábado, 22 de agosto de 2015

Essencial 2014 - Autores brasileiros

Até 2013, a fc&f no Brasil foi acompanhada de pertinho pelo Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica. Essa missão está agora disseminada num grande número de iniciativas de fãs e acadêmicos, de forma que há muitas interpretações e análises circulando, especialmente na internet. Contudo, minha análise pessoal ainda pode ter algum valor para aqueles que gostam de discutir os lançamentos mais expressivos da literatura especulativa no Brasil. Assim sendo, vou exercitar aqui a minha opinião baseada na lista do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2014 - Lançamentos, recentemente publicado aqui.
Começando pelos autores brasileiros, o gênero da fantasia segue firme e forte como o preferido de autores, editores e leitores, tomando pelo menos metade dos lançamentos de ficção fantástica. É claro que caberia discutir os limites de cada gênero e até mesmo questionar se um determinado título faz parte ou não do rol das obras especulativas – há muitas definições e algumas delas são diametralmente opostas – mas tomo a liberdade de usar a minha: se não é claramente fc ou terror, é fantasia. E entram na definição as histórias de realismo mágico e fantástico.
Dessa forma, destaco, na fantasia, os livros A cabeça do santo, de Socorro Acioli, publicado pela Companhia das Letras, e Os sóis da América, de Simone Saueressig, publicado pela autora em quatro volumes ao longo de 2013 e 2014. Ambas são autoras experientes no gênero, com diversos títulos publicados por grandes editoras. Socorro investiu num romance regionalista moderno que trata de costumes e tradições bem brasileiras, enquanto Simone fez um romance de alta fantasia em um continente americano povoado por seres mitológicos inspirados nas culturas de diversos povos, entre os quais os brasileiros, embora estes não sejam predominantes.
Também destaco o segundo volume da coletânea Hiperconexões: Realidade expandida, organizada por Luiz para a editora Patuá. Trata-se de uma proposta que, se não é de toda original, é bastante rara: uma seleta de poemas de ficção científica de diversos autores, todos explorando o tema do pós-humanismo. O primeiro volume foi publicado em 2013, pela editora Terracota.

Na ficção científica, Luiz Bras também sustentou uma boa posição com Distrito Federal, publicado pela Patuá, romance que o autor prefere chamar de rapsódia, uma fantasia tecnológica sobre a corrupção e suas consequências.
Também vale destacar A lição de anatomia do temível Dr. Louison, de Enéias Tavares, publicação da LeYa Brasil/Casa da Palavra.
O romance foi vencedor da primeira edição do Prêmio Fantasy e inaugurou a coleção Brasiliana Steampunk.
Trata-se de uma ficção alternativa que reúne, numa mesma aventura, diversos personagens da literatura fantástica brasileira.
Entre as coletâneas, é impossível não voltar a Luiz Bras e sua Pequena coleção de grandes horrores, pela editora Circuito, um conjunto de narrativas muito curtas que brincam com ícones da cultura pop e dialogam com várias obras do gênero.

No horror, vale a pena buscar por As máscaras do pavor, do veterano escritor e roteirista R. F. Lucchetti, uma das maiores personalidades do gênero no país, muito conhecido por suas parcerias como o ilustrador Nico Rosso, nos quadrinhos, e com José Mojica Marins, no cinema. O romance é o primeiro de uma coleção do autor – conhecido como o homem dos mil livros – numa parceria das editoras Devaneio e Corvo.
Entre as coletâneas, vale registrar Flores mortais, de Giulia Moon, pela Giz Editorial e Sete monstros brasileiros, de Braulio Tavares, pela Casa da Palavra. A primeira reúne contos com as vampiras criadas pela autora, que é uma das melhores escritoras da Terceira Onda da ficção fantástica brasileira. A segunda é mais uma contribuição valiosa do experiente escritor paraibano Braulio Tavares, desta feita navegando no ainda pouco explorado panteão de criaturas assustadoras da mitologia nacional. 
Boa parte dos títulos citados neste artigo dispõe de resenhas neste blogue, é só buscar no índice de tags.
No próximo post, apontarei os títulos essenciais em 2014 da fc&f estrangeira traduzidos no Brasil.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Anuário 2014 - Lançamentos

Mas o Anuário não acabou?
Como publicação comercial sim, mas continuo a fazer os estudos que antecediam cada edição, para não perder de vista o panorama da fc&f no Brasil que, enfim, foi o que me fez começar  a fazê-lo. Para entender como o gênero caminha e visualizar suas tendências, continua necessário acompanhar o mercado nacional, daí, as listas não pararam. Apesar do Anuário 2014 não estar na pauta de publicações, as listas continuam úteis para quem, como eu, gosta de seguir de perto a evolução editorial do gênero no país.
Dessa forma, está disponível aqui para leitura e download gratuitos, o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2014 - Lançamentos, com uma ampla lista de livros de fantasia, ficção científica e horror publicados no Brasil ao longo do referido ano. Trata-se de uma relação certamente incompleta, visto que é fruto de uma pesquisa algo liberal. Não estão listados, por exemplo, muitos dos lançamentos das editoras por demanda, que inflacionaram bastante algumas das relações de anos anteriores, mas cujos saites são difíceis de navegar e pesquisar.
A edição registra 692 títulos, entre inéditos e relançamentos nacionais e estrangeiros, números que confirmam o crescimento do mercado em relação a 2013, com a redução na quantidade de publicações de autores brasileiros compensada pelo crescimento na edição de livros de autores estrangeiros, como se pode ver no quadro comparativo abaixo:
Observa-se também o acentuado crescimento da publicação de ficção científica de autores estrangeiros, que parece revelar que o gênero pode, enfim, ter rompido com o círculo vicioso de preconceito dos editores pelo gênero, embora isso ainda não tenha reflexo entre a edição de autores brasileiros.
Muito mais pode ser concluído a partir do estudo desta edição, bem como das anteriores, que podem igualmente acessadas nos links abaixo:
Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2013 - Lançamentos
Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2012 - Lançamentos
Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2011 - Lançamentos