Está disponível o número 49 da revista eletrônica Conexão Literatura, editada por Ademir Pascale, que comemora o quarto ano de publicação ininterrupta.
A edição tem 100 páginas e traz contos de Cecília Torres Nogueira, Gilmar Duarte Rocha, Roberto Leon Ponczek, Míriam Santiago e Roberto Schima, poema de Luiza Moura, crônica de Roberto Schima, artigo científico de Marcos Pereira dos Santos e Antonia Pereira dos Santos e entrevistas com as escritoras Cida Simka, Fernanda Camilo e Rosângela Vieira Rocha.
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domingo, 1 de setembro de 2019
Conexão Literatura 49
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quinta-feira, 6 de junho de 2019
Conexão Literatura 48
Está circulando o número 48 da revista eletrônica Conexão Literatura, editada por Ademir Pascale.
A edição tem 75 páginas e traz contos de Cecília Torres Nogueira, Roberto Leon Ponczek, mais três contos de Roberto Schima, poema de Terezinha de Oliveira Nogueira da Costa, crônicas de Luiza Moura, Roberto Schima e Gilmar Duarte da Rocha, artigos de Marcos Pereira dos Santos e André Henrique Mendes Viana de Oliveira. Entrevistas com os escritores José M. S. Freire (Tamara Jong: Caçada cósmica) e Fernando Neves (As louras da minha vida) completam a edição.
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A edição tem 75 páginas e traz contos de Cecília Torres Nogueira, Roberto Leon Ponczek, mais três contos de Roberto Schima, poema de Terezinha de Oliveira Nogueira da Costa, crônicas de Luiza Moura, Roberto Schima e Gilmar Duarte da Rocha, artigos de Marcos Pereira dos Santos e André Henrique Mendes Viana de Oliveira. Entrevistas com os escritores José M. S. Freire (Tamara Jong: Caçada cósmica) e Fernando Neves (As louras da minha vida) completam a edição.
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domingo, 5 de novembro de 2017
Resenha: O bazar dos sonhos ruins
O bazar dos sonhos ruins (The bazaar of bad dreams), Stephen King. 528 páginas. Tradução de Regiane Winarski. Editora Companhia das Letras, selo Suma das Letras, São Paulo, 2017.
Stephen King é provavelmente o autor mais presente na minha vida de leitor. Desde minha juventude tenho acompanhado sua obra e é interessante observar como ele tem se tornado um autor cada vez mais mainstream sem perder o apelo de uma ficção fantástica, mesmo quando não tem nada de fantasiosa. Esse caráter já pode ser claramente percebido no coletânea Escuridão total sem estrelas, resenhada aqui, mas fica ainda mais evidente na nova coletânea O bazar dos sonhos ruins, publicada em 2017 pela editora Companhia das Letras no selo Suma das Letras.
Diferente da coletânea anterior, formada principalmente por novelas, esta é mesmo uma seleção de contos, com vinte textos distribuídos em suas 528 páginas.
Os momentos mais expressivos do autor neste volume são justamente os contos não fantásticos, que demonstram que King tornou-se um sensível cronista da América decadente.
Não comentarei todos eles, pois isso tornaria a leitura desta resenha um tanto enfadonha - uma vez que não tenho, nem de longe, a habilidade do mestre para entreter o leitor. Então, falarei sobre aqueles que mais me empolgaram, embora nenhum texto da seleta possa ser classificado abaixo de bom. De fato, a maior parte está entre muito bom e excelente, com picos de excepcionalidade, que serão aqueles que vou comentar.
"Batman e Robin têm uma discussão" é uma pequena obra prima. Apesar do título, não tem nada a ver com quadrinhos e os personagens do título não aparecem na história, que conta sobre um almoço entre pai e filho num restaurante. Nada muito especial, exceto pelo fato de que o pai sofre de alzheimer, e este pequeno ritual, repetido semanalmente, é um momento de extrema ternura entre ambos. Contudo, ao retornar para a casa de repouso onde o pai vive, algo ruim acontece e a ficção vai assumir um caráter imprevisivelmente realista.
"Ur" conta uma história com a qual qualquer leitor moderno vai se identificar. Um professor de literatura algo tecnofóbico, num momento de indignação extrema depois de uma discussão com a namorada que o acusa de ser quadrado, resolve comprar um kindle, o leitor de ebooks da Amazon. Contudo, o aparelho que é entregue em sua casa algumas horas depois não é exatamente o que nós conhecemos como um kindle. É igual na forma e na operacionalidade, mas além de uma cor rosa absurda, tem um ícone a mais no menu que dá ao seu usuário acesso a livros que nunca foram escritos - pelo menso não na nossa realidade.
"Blockade Billy" tem aquele delicioso formato de alguém que conta um causo. Trata-se de uma história de esporte, sobre beisebol, um jogo com os qual os brasileiros, com raras exceções, não têm nenhuma empatia. Contudo, o que acontece dentro das "quatro linhas" - ou do diamante, com diriam os fãs de beisebol - não é diferente do que acontece em qualquer outro esporte coletivo: vitórias, derrotas, camaradagem, antagonismos, violência acidental ou não, juizes parciais, angústias e alegrias, é isso que faz com que quem gosta de algum esporte, mesmo não sendo o beisebol, curta a história. Trata-se do surgimento de um novo craque que vai levar o time a um patamar inédito de conquistas. Mas, sabendo quem é o autor da história, dá para imaginar que não há apenas glória e ouro no fim do arco-íris.
Em "Mr. Delícia" o elemento fantástico está presente, mas é tão impreciso que poderia ser classificada como uma história realista. Estamos mais uma vez entre gente idosa numa casa de repouso. Entre eles, dois amigos compartilham a montagem de um quebra-cabeças. Um deles conta ao outro sobre Mr. Delícia, alguém que ele conheceu quando era muito jovem e aparentemente está de volta a sua vida.
"Trovão de verão" é o texto que fecha a coletânea, um conto pós-holocausto de extrema delicadeza. Não há zumbis, nem canibais, nem correrias, nem explosões. A frase "o mundo não acaba numa explosão, mas num suspiro", poderia ser usada aqui mas, de fato, o mundo acaba mesmo é com um trovão em pleno verão.
Além dessas excelentes histórias, a coletânea tem muito mais a oferecer, um carro antropófago, uma duna que revela quem vai morrer, o que há depois da morte, um exorcismo bastante assustador, uma desconfortável história sobre obituários, uma corrida armamentista, um demônio em forma de menino, e pelo menos dois poemas, que é uma raridade na obra do mestre do horror.
Cada conto vem precedido de uma contextualização feita pelo autor, que revela detalhes de sua concepção e desenvolvimento, muito interessantes e efetivamente úteis para a leitura.
O bazar dos sonhos ruins é um grande livro que prova que Stephen King continua sendo um ótimo contista. Com e sem fantasia.
Stephen King é provavelmente o autor mais presente na minha vida de leitor. Desde minha juventude tenho acompanhado sua obra e é interessante observar como ele tem se tornado um autor cada vez mais mainstream sem perder o apelo de uma ficção fantástica, mesmo quando não tem nada de fantasiosa. Esse caráter já pode ser claramente percebido no coletânea Escuridão total sem estrelas, resenhada aqui, mas fica ainda mais evidente na nova coletânea O bazar dos sonhos ruins, publicada em 2017 pela editora Companhia das Letras no selo Suma das Letras. Diferente da coletânea anterior, formada principalmente por novelas, esta é mesmo uma seleção de contos, com vinte textos distribuídos em suas 528 páginas.
Os momentos mais expressivos do autor neste volume são justamente os contos não fantásticos, que demonstram que King tornou-se um sensível cronista da América decadente.
Não comentarei todos eles, pois isso tornaria a leitura desta resenha um tanto enfadonha - uma vez que não tenho, nem de longe, a habilidade do mestre para entreter o leitor. Então, falarei sobre aqueles que mais me empolgaram, embora nenhum texto da seleta possa ser classificado abaixo de bom. De fato, a maior parte está entre muito bom e excelente, com picos de excepcionalidade, que serão aqueles que vou comentar.
"Batman e Robin têm uma discussão" é uma pequena obra prima. Apesar do título, não tem nada a ver com quadrinhos e os personagens do título não aparecem na história, que conta sobre um almoço entre pai e filho num restaurante. Nada muito especial, exceto pelo fato de que o pai sofre de alzheimer, e este pequeno ritual, repetido semanalmente, é um momento de extrema ternura entre ambos. Contudo, ao retornar para a casa de repouso onde o pai vive, algo ruim acontece e a ficção vai assumir um caráter imprevisivelmente realista.
"Ur" conta uma história com a qual qualquer leitor moderno vai se identificar. Um professor de literatura algo tecnofóbico, num momento de indignação extrema depois de uma discussão com a namorada que o acusa de ser quadrado, resolve comprar um kindle, o leitor de ebooks da Amazon. Contudo, o aparelho que é entregue em sua casa algumas horas depois não é exatamente o que nós conhecemos como um kindle. É igual na forma e na operacionalidade, mas além de uma cor rosa absurda, tem um ícone a mais no menu que dá ao seu usuário acesso a livros que nunca foram escritos - pelo menso não na nossa realidade.
"Blockade Billy" tem aquele delicioso formato de alguém que conta um causo. Trata-se de uma história de esporte, sobre beisebol, um jogo com os qual os brasileiros, com raras exceções, não têm nenhuma empatia. Contudo, o que acontece dentro das "quatro linhas" - ou do diamante, com diriam os fãs de beisebol - não é diferente do que acontece em qualquer outro esporte coletivo: vitórias, derrotas, camaradagem, antagonismos, violência acidental ou não, juizes parciais, angústias e alegrias, é isso que faz com que quem gosta de algum esporte, mesmo não sendo o beisebol, curta a história. Trata-se do surgimento de um novo craque que vai levar o time a um patamar inédito de conquistas. Mas, sabendo quem é o autor da história, dá para imaginar que não há apenas glória e ouro no fim do arco-íris.
Em "Mr. Delícia" o elemento fantástico está presente, mas é tão impreciso que poderia ser classificada como uma história realista. Estamos mais uma vez entre gente idosa numa casa de repouso. Entre eles, dois amigos compartilham a montagem de um quebra-cabeças. Um deles conta ao outro sobre Mr. Delícia, alguém que ele conheceu quando era muito jovem e aparentemente está de volta a sua vida.
"Trovão de verão" é o texto que fecha a coletânea, um conto pós-holocausto de extrema delicadeza. Não há zumbis, nem canibais, nem correrias, nem explosões. A frase "o mundo não acaba numa explosão, mas num suspiro", poderia ser usada aqui mas, de fato, o mundo acaba mesmo é com um trovão em pleno verão.
Além dessas excelentes histórias, a coletânea tem muito mais a oferecer, um carro antropófago, uma duna que revela quem vai morrer, o que há depois da morte, um exorcismo bastante assustador, uma desconfortável história sobre obituários, uma corrida armamentista, um demônio em forma de menino, e pelo menos dois poemas, que é uma raridade na obra do mestre do horror.
Cada conto vem precedido de uma contextualização feita pelo autor, que revela detalhes de sua concepção e desenvolvimento, muito interessantes e efetivamente úteis para a leitura.
O bazar dos sonhos ruins é um grande livro que prova que Stephen King continua sendo um ótimo contista. Com e sem fantasia.
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quarta-feira, 16 de março de 2016
Reflexões ramalhinas
Carlos Silva, além de ser meu irmão, é um dos maiores especialistas na história do Esporte Clube Santo André, time de futebol do ABC paulista. Em 2006, ao lado de outros autores, Carlos participou o livro 1975: A saga, publicado pela Alpharrabio Edições, que reuniu estudos sobre o primeiro título desse time que é carinhosamente chamado de Ramalhão por sua torcida.
Agora, Carlos investe na coletânea de crônicas Reflexões ramalhinas: Uma coleção de janelas abertas sobre dez anos da história do Ramalhão, ebook publicado através da ferramenta de autoedição da Amazon. Alexandre Bátega assina o prólogo.
Para quem curte futebol e a história do esporte no Grande ABC.
Agora, Carlos investe na coletânea de crônicas Reflexões ramalhinas: Uma coleção de janelas abertas sobre dez anos da história do Ramalhão, ebook publicado através da ferramenta de autoedição da Amazon. Alexandre Bátega assina o prólogo.
Para quem curte futebol e a história do esporte no Grande ABC.
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Crônicas da tela mágica
Todos os anos, sem falta, o escritor gaúcho José Ronaldo Viega Alves lança um livro inédito com poemas e crônicas. Este ano não poderia ser diferente, e recebi dele a antologia de crônicas Da tela mágica: Escritos sobre a Sétima Arte que, de certa forma, dá continuidade ao trabalho iniciado no volume anterior, Em busca do templo perdido (2011), que também falava sobre o cinema, porém na forma de poemas.O livro reúne 19 crônicas sobre as lembranças do autor a respeito do cinema de antigamente. Algumas delas são muito sugestivas e o título parece revelar conteúdos de ficção fantástica, tais como "Exercícios de viagens no tempo disponíveis aos fãs de cinema", "O homem das estrelas", "Os primeiros andróides", "Fay Wray que amava King Kong", mas pode haver surpresas: nem sempre o desenvolvimento do texto segue aquilo que seu título faz supor.
Viega Alves nasceu, vive e trabalha em Santana do Livramento, é bancário aposentado e membro da Academia Santanense de Letras, com mais de 30 livros publicados.
Da tela mágica tem 68 páginas e é uma publicação da Editora Opção2. Mais informações diretamente com o autor, pelo email ronaldoviega@hotmail.com.
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domingo, 8 de julho de 2012
O gosto do cloro
Depois de uma prolongada fase de experimentalismos formais e narrativos, as histórias em quadrinhos demonstram ter chegado à maturidade com o lançamento de O gosto do cloro (Le goût du chlore), uma crônica em quadrinhos do francês Bastien Vivès, originalmente publicado em 2008, quando o autor tinha apenas 22 anos. É o primeiro trabalho de Vivès publicado no Brasil, através do selo Barba Negra da Editora LeYa, numa edição de alto luxo com 144 páginas belamente coloridas.O jovem chega à piscina um tanto inseguro, pois o que ele conhece da natação é suficiente apenas para não morrer afogado. Só sabe boiar e nadar de costas, e muito mal. Mesmo assim, fica elaborando competições imaginárias com os demais freqüentadores, entre os quais está uma garota bonita, que nada muito bem, mas sua timidez galopante impede que se aproxime dela.
Até o dia em que um amigo o acompanha à piscina, um jovem em tudo diferente dele. Animado e extrovertido, logo está de conversa com a garota que ele observava a distância, e essa é a deixa para que, enfim, ele lhe dirija a primeira palavra, um prosaico "oi" na hora de ir embora. Na semana seguinte, a moça toma a iniciativa de falar com ele e começa então uma espécie de amizade de bolso, restrita aquele universo molhado. Todas as semanas, os jovens encontram-se na piscina e a experiente nadadora passa a instruir o rapaz nos fundamentos da arte. Durante um desses treinamentos, ele sugere atravessar a piscina de ponta a ponta, totalmente submerso, e passa então a treinar natação em apnéia. Num desses momentos, a garota fala-lhe alguma coisa sob a água, através de mímica labial, que ele não chega a compreender, muito menos nós, visto que os movimentos são em francês. Isso, somado a um desfecho ambíguo, ao mesmo tempo trágico e anticlimático, conduz o leitor a participar da história decidindo pelo destino das personagens.
O gosto do cloro foi o terceiro trabalho publicado de Vivès e tornou-se sua obra prima ao receber o Prêmio Revelação do Festival de Angoulême, em 2009. O que destaca o trabalho entre o que geralmente se vê nos quadrinhos modernos é a delicadeza narrativa, tanto no roteiro quanto nos desenhos, numa estética minimalista e econômica. O ambiente da piscina, não muito rico em detalhes, transforma-se num universo de tons e texturas, onde a expressão física predomina. Reconhecemos os personagens mais por sua movimentação corporal do que por qualquer outro detalhe. A superfície água, quase sem movimento, marca a fronteira entre dois mundos distintos, cada um com seu próprio tempo e história, e o texto mínimo, sem grandes tensões, favorece um ritmo ágil e agradável na leitura. O efeito sequencial ganha relevância, com angulações e enquadramentos belos e cinematográficos.
Hoje com 28 anos de idade, Vivès continua produtivo, publicando de dois a três títulos por ano. Só em 2012 já lançou em seu país os álbuns Le Jeu Vidéo e La Famille. Aqui está um autor que deve ser observado de perto.
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