sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Interferências

Interferências (Crosstalk), Connie Willis, tradução de Viviane Diniz Lopes. 464 páginas. Editora Companhia das Letras, selo Suma, São Paulo, 2018.

Conheci o texto de Connie Willis no periódico Isaac Asimov Magazine (carinhosamente chamada de IAM), publicação tradicional nos EUA que teve 25 edições no Brasil nos anos 1990, pela editora Record. Ao lado de monstros da ficção científica recente, como Charles Sheffield, Kim Stanley Robinson, James Tiptree Jr., Geoffrey Landis, Bruce Sterling, Judit Moffet, George R. R. Martin e Lucius Sheppard, entre outros, Connie Willis era autora frequente e seus textos sempre interessantes e contundentes, como a novela “O último dos Winnenbagos” – publicado na edição número 11 de abril de 1991 e ganhador dos prêmios Hugo e Nebula –, sobre um casal idoso em viagem nas estranhas estradas do uma América futurista. Willis é uma das autoras mais premiadas de sua geração, com nada menos que sete Nebulas e onze Hugos no currículo (e contando).
Connie Willis é, então, uma paixão do passado. Se alguém diz que há uma nova história dela no mercado, meu coração já começa a bater mais forte. Ler Willis hoje é como voltar no tempo e reviver a emoção de ler uma IAM inédita. Velhos tempos.
Interferências, romance de 2016 traduzido no Brasil em 2018 pela Companhia das Letras no selo Suma, é o segundo romance de Connie Willis no Brasil. O anterior foi O livro do juízo final, publicado pela mesma editora em 2017 e resenhado aqui. Fiquei um pouco receoso de que Connie não tivesse acertado a mão em Interferências, pois ouvi opiniões que davam conta de que esta não seria uma história de ficção científica, a especialidade da autora. Mesmo assim, confiava que o talento literário de Willis não me decepcionaria. Eu estava certo e as opiniões, erradas, é claro.
A história acompanha a confusão que se torna a vida de Briddey Flanningan, jovem executiva de uma indústria de celulares que aceita o pedido de Trent, seu noivo e chefe na empresa, para realizarem com um importante cirurgião da moda o implante de um tipo de chip cerebral que permitirá ao casal compartilhar as emoções um do outro e, dessa forma, ter uma relação mais intensa e transparente. Muitos casais felizes atestam as vantagens do procedimento, que é um tipo de prova de amor nesse futuro próximo, sendo uma operação simples e corriqueira, sem riscos à saúde. Mas essa não é a opinião de um dos colegas de Briddey, o engenheiro de desenvolvimento C.B., mais conhecido nos corredores da empresa como “Corcunda de Notre Dame” devido ao seu aspecto desengonçado e anti-social, sempre isolado em sua oficina no subsolo. C.B. usa todos os seus piores argumentos para demover Briddey de sua decisão pelo implante, apela até para um discurso de terror explícito dando exemplos de cirurgias aparentemente simples que levaram os pacientes a óbito, mas a jovem está convencida do amor de Trent e briga com C.B., pois acredita ele está com ciúmes e tentando sabotar seu sonho de conto de fadas.
Depois de uma verdadeira operação de guerra para evitar as fofocas no trabalho e as invasivas mulheres de sua família irlandesa, Briddey e Trent internam-se secretamente no hospital para receber o implante. Tudo vai bem até que a anestesia passa e Briddey descobre que alguma coisa deu muito errado com a cirurgia: em vez de sentir as ondas de amor emanadas por Trent, começa a ouvir em sua mente a voz de C.B., com quem agora têm um vínculo telepático. E isso é muito mais que um inconveniente, pois o que Trent vai pensar quando souber que sua amada tem com o “Corcunda de Notre Dame” uma ligação mais íntima que com ele próprio? Mas isso é só o início dos problemas de Briddey, pois o seu dom telepático pode colocar em perigo não só a si, mas a toda sua família, que é disfuncional mas a qual ela ama sinceramente.
A história tem, em boa parte, o tom de uma comédia romântica, e em alguns momentos iniciais realmente lembra o enredo do longa-metragem Do que as mulheres gostam (What women want, 2000). Mas é só superficialmente, porque Interferências tem um panorama efetivamente de ficção científica, com muitas teorias voando por todos os lados, com direito a conspirações e cientistas malucos que tornam a narrativa uma verdadeira montanha-russa. O tom humorístico é delicioso e raro tanto no trabalho de Willis – que geralmente é dramático – quanto no gênero da ficção científica de modo geral. Uma peça literária valiosa portanto.
E as epígrafes que abrem cada capítulo são um charme à parte, transcrevendo frases inspiradoras de filmes, seriados de tv e livros como Graça infinita, Artemis Fowl, Alice no País das Maravilhas, O jardim secreto e outros, que fazem o delírio dos fãs de citações.
Por tudo isso, Interferências é um livro que pode ser lido com prazer tanto pelo leitor veterano, fã de ficção científica, como também pelo leitor não especializado no gênero, incluindo aquele que acredita não gostar dele. Porque, no fim das contas, Connie conseguiu com louvor fazer aquilo que muitos perseguem sem sucesso: escreveu uma ficção científica para quem não gosta de ficção científica. E isso é um feito e tanto.

Legendas HQ 1

Está circulando a primeira edição de Legendas HQ, fanzine de quadrinhos brasileiros que surge da associação de quatro editores veteranos: Denílson Reis (Tchê), André Carim (Múltiplo), Clodoaldo Cruz (Cabal) e Marcos Freitas (Quadritos).
A edição de estreia tem 48 páginas e destaca o trabalho do cartunista e caricaturista Bira Dantas, que é entrevistado e participa com uma hq. Também comparecem Emir Ribeiro, Henry Jaepelt, Marck Ferreira, All Silva e Érika Saheki ilustrando hqs roteirizadas pelos editores. Complementam a edição as colunas informativas “Tchê Express”, “Radioatividade” e “Múltiplo’s”, além de artigos e resenhas.
A publicação está disponível exclusivamente em formato impresso, com tiragem de 140 exemplares. Contatos pelo email atomiceditora@gmail.com. Mais informações no blogue da Editora Atomic, aqui.

A assombração da Casa da Colina

A assombração da Casa da Colina (The haunting of Hill House), Shirley Jackson, Tradução de Débora Landsberg. 240 páginas. Editora Companhia das Letras, selo Suma, São Paulo, 2018.

Muitas vezes, conhecemos um clássico não pela obra original, mas por suas inúmeras adaptações. Mas é claro que as adaptações, por não serem obrigatoriamente idênticas ao original, tomam liberdades, mudam contornos e até alteram completamente seu conteúdo. Na maior parte das vezes, as adaptações não fazem justiça ao original e as exceções são raras.
Não foi diferente com relação a este romance de Shirley Jackson (1916-1965), escritora norte-americana que viveu de maneira reclusa e morreu jovem, aos 48 anos, tendo escrito uma porção de contos e uns poucos livros, geralmente associados ao gênero do horror, dentre os quais seu quinto romance, A assombração da Casa da Colina (1959), é o mais destacado. Apesar disso, sua obra é muito respeitada, sendo frequentemente creditada como influência por autores como Richard Matheson (1926-2013), Stephen King e Neil Gaiman. Contudo, foi pouco publicada no Brasil; além deste, somente está disponível o romance Sempre vivemos no castelo (We have always lived in the castle, 1962), publicado pela editora Companhia da Letras em 2017. E isso é bastante sintomático. Jackson trabalha temas incômodos e delicados, entre os quais a condição da mulher na sociedade. Finalmente, a Companhia das Letras decidiu traduzir e publicar esses dois títulos em edições luxuosas de capas duras, a altura de seu significado.
Mas o teor feminista é apenas um dos muitos atributos de sua arte. Jackson é senhora de um estilo limpo e elegante, de descrições vívidas, personagens bem construídos e uma sensibilidade emocional que impacta o leitor.
A história é conhecida dos brasileiros nas adaptações cinematográficas Desafio do além (1963, Robert Wise) e A casa amaldiçoada (1999, Jan de Bont). O filme de Wise tem uma proposta mais cerebral, próxima à ficção científica e com um desfecho que tudo explica de forma mais ou menos satisfatória. O de Bont é um festival de efeitos especiais em que a história é o que menos importa. Nenhuma delas prepara o leitor para a experiência emocional que é mergulhar nas páginas da narrativa literária. A mais recente adaptação do romance é uma série exclusiva do servidor de streaming Netflix, que dizem ser bastante fiel ao romance, mas isso é algo que ainda preciso conferir.
Acompanhamos a história pelos olhos da jovem desempregada Eleanor, que se inscreve para um projeto de pesquisa acadêmica de um tal Montague, doutor em filosofia que pretende estudar uma casa incomum próxima a Hillsdale. Ela vê nisso a oportunidade de encontrar um rumo para sua vida, depois da longa doença e morte da mãe da qual cuidava, o que comprometeu as chances de uma carreira mais precoce. Ao ser selecionada, Eleanor empreende uma corajosa viagem dirigindo seu próprio automóvel, chega ao vilarejo em que se encontra a mansão e, numa breve parada para um café, percebe de imediato a animosidade dos habitantes locais com relação ao lugar. Quando avista a construção pela primeira vez, fica angustiada com a aparência externa da casa. E fica ainda mais alarmada com a recepção feroz que recebe dos empregados do lugar, um casal de zeladores muito rudes e intimidadores. Mas, ao adentrar a mansão, fica impressionada com o luxo das dependências, que beira ao extravagante. Apesar de tudo, a casa é aconchegante e confortável, mas de uma arquitetura que confunde os sentidos.
Suas preocupações reduzem-se com a chegada dos outros membros da equipe de pesquisas: Theodora, garota segura e expansiva com a qual Eleanor se identifica de imediato; Luke, jovem herdeiro da mansão que participa do grupo por insistência dos proprietários, e o próprio dr. Montague, que parece muito mais interessado em curtir o luxo da residência do que realmente realizar uma pesquisa séria.
Depois de alguns dias, período em que os jovens passam a se conhecer e dominar a confusa estrutura da casa, que tem peculiaridades como portas que se fecham sozinhas, armários que se auto-organizam e áreas em que a temperatura é radicalmente contrastante com o ambiente ao redor. Mas o mais assustador são os acontecimentos noturnos, que parecem ameaçar a vida dos hóspedes, mas que não deixam quaisquer rastros: a casa sempre se recompõe depois de cada evento, deixando em todos a impressão de que tudo não passou de alucinação.
As coisas complicam quando chegam dois novos hóspedes: a sra. Montague e seu motorista. Agora percebemos por que o dr. Montague não parecia tão interessado na pesquisa: a verdadeira pesquisadora é a sua autoritária esposa, uma mulher de personalidade forte e dominadora, que acredita piamente em espíritos desencarnados e quer fazer contato com eles para poder “libertá-los” de sua sina. O trabalho, enfim, começa. Mas a casa tem outros planos e Eleanor parece fazer parte deles. E quando uma casa escolhe alguém, é muito difícil negociar com ela.
A assombração da Casa da Colina é uma história apavorante, mas está longe de ser uma história de horror. Não há monstros, nem assassinos psicopatas. Não há perigos maiores do que aqueles que enfrentamos em qualquer outro lugar. O grande terror é mesmo a tensão psicológica de estar vinculado a uma situação da qual sabemos que precisamos nos afastar mas que, ao mesmo tempo, não queremos, por razões muitas vezes justificadas, mas que mesmo assim nos fazem mal. O destino da equipe de pesquisadores importa menos que o de Eleanor. A história que se conta aqui é a dela, e só a dela.
O final é surpreendente, sem ser um “final surpresa”, por contraditório que isso possa parecer. Talvez até escorra uma lágrima, mas não choramos por Eleanor. Choramos por nós mesmos, que ficamos na Casa da Colina.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Velta 45 anos: Tomo III

Está circulando o terceiro número do fanzine Velta, comemorativo aos 45 anos da personagem criada pelo paraibano Emir Ribeiro. A edição recupera uma história antiga, primeiro publicada também na edição comemorativa aos dez anos da personagem em 1983, um dos primeiros fanzines que adquiri. A história publicada é "Invasão", tem roteiro e desenhos de Ribeiro e co-artefinal de Deodato Filho, então um jovem aprendiz que mais tarde se tornaria o superstar Mike Deodato. Também traz a hq "A chegada de Myra", história alternativa do tipo "o que aconteceria se", com uma Velta afrodescendente.
A edição tem 52 páginas, capa em cartão laminado e é uma edição da Atomic Editora.

Conexão Literatura 41

Está circulando o número 41 da revista eletrônica Conexão Literatura, editada por Ademir Pascale.
A edição tem 62 páginas e destaca em entrevista o escritor José M. S. Freire, autor da série Tamara Jong. Também são entrevistados os escritores Daniel Renattini (Herdeiros das estrelas: O filho do sol), Magnólia Gomes (A guardiã Dama da Noite), Raquel Cassiano (Arquidata: A dama da espada  e o segredo do medalhão) e Zacharia Korn (Rabullione: Uma autobiografia não autorizada de Napoleão Bonaparte). Nas seção de ficções, contos de Míriam Santiago e Roberto Schima, além de poemas de Idianara Lira Navarro. Artigos e divulgações de filmes e livros completam a edição.
Conexão Literatura é gratuita e pode ser baixada aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.

O Sacy-Pererê

Está disponível para download gratuito o ebook O Sacy-Pererê: Resultado de uma collab, coletânea de ilustrações organizadas por Andriolli Costa para o saite Colecionador de Sacis.
Diz o texto de divulgação: "Nestas páginas, ilustradores profissionais e amadores se debruçaram sobre o centenário livro lobatiano para dar forma aos depoimentos ali registrados. Acompanha cada arte um trecho que captura a riqueza daquele testemunho."
Participam da edição os ilustradores Alisson Alencar, Azrael de Aguiar, Cristiane Xavier, Daniel Batista, David Dornelles, Fernando PJ, Ícaro Maciel, Luiz Henrique, Marco Goes, Mikael Quites, Pedro Godoy, Rafael Serpentis, Vee Marques, e a capa é de Azrael de Aguiar. A edição tem 29 páginas e pode ser baixada aqui.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

As melhores histórias brasileiras de horror

Este é um convite oficial para o lançamento do livro que ajudei a organizar, As melhores histórias brasileiras de horror, publicado pela Devir Livraria.
As melhores histórias brasileiras de horror tem a intenção de mostrar o quão rica e assustadora é esta trajetória, com uma seleção caprichada que vai de 1870 a 2014, ou seja, cobre 144 anos, quase toda a trajetória independente da vida nacional. Procuramos escolher histórias representativas, em especial as que abordam mais de perto a cultura brasileira, além de se destacar pela qualidade literária. Nesse sentido o conjunto dos autores selecionados é demonstrativo do interesse de parte dos melhores autores brasileiros, de diferentes épocas: Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Inglês de Sousa, Afonso Arinos, João do Rio, Gastão Cruls, Thomaz Lopes, Tabajara Ruas, Braulio Tavares, Márcia Kupstas, Roberto de Sousa Causo, Júlio Emílio Braz, Carlos Orsi, M. Deabreu, Walter Martins e Gustavo Faraon.
Um mosaico do que a ficção de horror brasileira já fez de mais interessante em cada época, permitindo uma experiência de leitura rica e diversificada. Aparecerão temas como canibalismo, feitiçarias e misticismos, catalepsia, erotismo sobrenatural, fantasmas e assombrações, fim dos tempos, epidemia, rituais pagãos, pactos e possessões, paranoias e conspirações. Um variado leque para despertar a imaginação e deixar os sentidos alertas. Pois o horror poderá estar à espreita em cada linha, em cada página. E certamente em todas as histórias.
Ficaremos felizes com a sua presença.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Carruagens de fogo

O escritor carioca Rogério Amaral de Vasconcellos, que na virada do século fez muito rebuliço com a coleção de ebooks SLEV, retoma o selo pela plataforma de autoedição da Amazon com o romance de ficção científica Carruagens de fogo.
A história – que começa em 2073 e avança até o século 23, quando a Terra está superpovoada, as viagens espaciais são rotineiras e a humanidade está pluralizada em diversas espécies – inicia acompanhando as desventuras do cargueiro Aurum Palladium numa viagem ao sistema Ômega do Tigre. O romance tem 256 páginas e está participando do Concurso Literário da Amazon.
Para mais informações, com direito a degustação, viste a página do romance aqui.

Mafagafo 2 - 2 de 4

Está disponível para download o segundo fascículo da segunda edição da revista eletrônica Mafagafo, organizada por Jana Bianchi, com folhetins de ficção fantástica brasileira apresentados em episódios.
A edição tem 145 páginas e traz a sequência dos contos de Lauro Kociuba, Isa Propero, Michel Peres, Sergio Motta, Anna Fagundes Martino, Marcos Berto, Dante Luiz e Ana Rüsche. Também traz ficções-relâmpago assinadas por Maisa Fonseca, Alliah, Ailton Borges, André Colabelli, Geraldo Cebola João Lucas, Rodrigo Silva do Ó, Rúbia Dias, Wilson Faws e Clara Monteiro.
Ilustrações de autores diversos embelezam a publicação, e a capa é de Giovanna Cianelli.
A revista está disponível nos formatos mobi, epub e pdf, pode ser baixada gratuitamente aqui bastando compartilhar um post nas redes sociais. Edições anteriores também estão disponíveis.

sábado, 20 de outubro de 2018

Hiperespaço 3

Prosseguindo com a comemoração aos 35 anos de lançamento do Hiperespaço, está disponível o histórico terceiro número deste fanzine de ficção científica publicado originalmente em 1984.
A edição tem 10 páginas e traz artigos de José Carlos Neves sobre os efeitos especiais da hoje lendária ILM, empresa responsável pelos efeitos especiais da trilogia clássica da franquia Star wars, e sobre a construção de um modelo super-realista da famosa espaçonave da série de tv Battlestar Galactica. A capa traz uma ilustração de Cerito.
Hiperespaço 3 pode ser lido online aqui ou baixado gratuitamente aqui. O número 1 e o número 2 também estão disponíveis.

Múltiplo 23

Está circulando o número 23 do fanzine virtual de quadrinhos Múltiplo, editado por André Carim.
A edição de 76 páginas destaca o trabalho do escritor Ricardo Quartim (Os senhores de Ur), que foi transformado por seus fãs no personagem de quadrinhos Quartzo Dourado e é longamente entrevistado.
A edição publica quadrinhos de Rom Freire, Elinaudo Barbosa, Chagas Lima, Valmar Oliveira e Marcelo Lima. Tiras de Omar Viñole e um artigo de Elinaudo Barbosa completam a edição. A capa traz um desenho Rom Freire.
A publicação pode ser lida online ou baixada gratuitamente aqui, e as edições anteriores também estão disponíveis. O zine podem ser encomendado em formato impresso, aqui.

Juvenatrix 197

Outra publicação que reduziu a periodicidade em 2018 foi o fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix editado por Renato Rosatti, mas neste caso o editor revelou as causas: está exausto das décadas de militância intensiva e decidiu reduzir o ritmo para poder dedicar-se a outras frentes de ação.
A edição 197 (outubro 2018) tem 10 páginas e traz um conto de Allan Fear, e resenhas do editor aos filmes de cinema The war in space/Battle in outer space 2 (1977) e do clássico absoluto Drácula de Tod Browning, de 1931, com o insuperável Bela Lugosi no papel principal. Divulgações de metal extremo e publicações independentes completam a edição, e a capa traz uma ilustração do sempre competente Mário Labate, outro ex-editor de fanzines que faz muita falta no meio independente.
Para solicitar uma cópia em formato pdf, envie email para renatorosatti@yahoo.com.br.

Trasgo 18

2018 tem sido um ano de dificuldades para todo o mercado editorial brasileiro, com o encerramento de muitas editoras, bancas e livrarias, cancelamento de projetos em curso e problemas de periodicidade até com edições eletrônicas como a Trasgo que enfim publica sua segunda edição no ano, cinco meses depois da edição 17 e treze depois da 16. O editor, Rodrigo van Kampen, anuncia mudanças futuras no editorial da edição 18, justamente para superar esses atrasos, e tais mudanças talvez nos revelem as causas do problema. Vamos aguardar.
A revista, que é totalmente dedicada à produção nacional de ficção fantástica, traz 119 páginas na versão pdf,  com contos e novelas de ficção científica, fantasia e terror de autoria de Marlon Ortiz, Guilherme Lopes, Márcio Moreira, Helton Lucinda Ribeiro, Lívia Stocco e Isa Prospero, além de uma galeria com ilustrações de Raitan Ohi, que também assina a capa. Todos os artistas publicados são entrevistados na edição.
Trasgo pode ser lida e baixada aqui, nos formatos epub, mobi e pdf, bastando para isso compartilhar a informação nas redes sociais. Edições anteriores também estão disponíveis.
Trasgo aceita submissões e os trabalhos publicados são remunerados.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Revistinha Pulp

Sem alarde, já está à venda o terceiro número, Aliens, do periódico literário Revistinha Pulp, inteiramente dedicado à ficção científica, com edição do dramaturgo Saulo Sisnando através do grupo Teatro de Apartamento, que desenvolve a produção e apresentação de peças no gênero.
Aliens tem 88 páginas e traz contos de Abdrei Simões, Breno Torres, Clara Gianni, Fábio de Andrade, Flávio Ramos Moreira, Giuliana Murakami e Lenmarck.
A publicação está disponível para leitores Kindle, mas acredito ser possível lê-lo usando o leitor online Kindle Cloud. As edições anteriores, Terror e Assombração, também estão disponíveis.

Conexão Literatura 40

Está circulando o número 40 da revista eletrônica Conexão Literatura, editada por Ademir Pascale.
A edição tem 86 páginas e destaca em entrevista o escritor português Nuno Morais, autor da trilogia Tráfico desumano. Também são entrevistados os escritores Gabriel Ferreira (Espirando e expelindo), Caio Mirabelli (A conscienciologia evolutiva), César Dabus (A liga dos corações puros) e José Michel (Laquê na virilha). Nas seção de ficções, contos de Míriam Santiago e Roberto Schima; artigos e divulgação de filmes e livros completam a edição.
Conexão Literatura é gratuita e pode ser baixada aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.

Prêmio ABERST 2018

Surge um novo prêmio para a literatura fantástica brasileira: o Prêmio ABERST de Literatura, que pretende apurar, através de um corpo de jurados, os melhores nas categorias Conto/noveleta/novela policial ou de suspense; Conto/noveleta/novela de terror ou horror; Romance policial ou de suspense; Romance de terror ou horror; Projeto gráfico numa obra de terror, horror, suspense ou policial; Autor/autora revelação de terror/horror/suspense/policial; e Conjunto da obra.
ABERST é sigla para Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror, entidade idealizada pela escritora Cláudia Lemes que tem como objetivo promover e congregar os autores desses gêneros no país.
A cerimônia de entrega acontece no dia 27 de outubro, às 14 horas, no auditório da Unibes Cultural  (R. Oscar Freire, 2500, São Paulo). Duda Falcão, autor cuja obra está intimamente ligada ao horror, aparece indicado em duas categorias. A lista completa dos indicados pode ser conferida no saite da entidade, aqui.

Múltiplo 19

Enfim, está circulando o número 19 do fanzine virtual de quadrinhos Múltiplo, editado por André Carim. Como foi anunciado, a edição saiu atrasada - a numeração já vai pelo 22 - por conta de alguns contratempos com o conteúdo.
A edição de 112 páginas destaca a hq "Segredos extremos", de Belardino Brabo e Elinaldo Barbosa, reunindo uma enorme quantidade de super heróis do novo quadrinho independente. Também focaliza em entrevista o roteirista Rodrigo Marcondes (criador do personagem Blindado).
A edição ainda traz quadrinhos de Elenílton Freitas, Chris Ciuffi, Marcos Gratão, Jhonas Vieira, Glauco Torres Grayn, Alexandre Cardoso, Fernando César, Luiz Iório, Josi OM e João Carlos Magier. Artigos e resenhas completam a edição. A capa traz um desenho de Fernando César R. Fonseca .
A publicação pode ser lida online ou baixada gratuitamente aqui, e as edições anteriores também estão disponíveis. O zine também pode ser encomendado em formato impresso, aqui.

Mafagafo 2 - 1 de 4

Está disponível para download o primeiro fascículo da segunda edição da revista eletrônica Mafagafo, organizada por Jana Bianchi, com folhetins de ficção fantástica brasileira apresentados em episódios.
A edição tem 160 páginas e traz as primeiras partes de oito contos dos seguintes autores: Sergio Motta, Anna Fagundes Martino, Marcos Berto, Dante Luiz e Ana Rüsche, Isa Propero, Lautro Kociuba e Michel Peres. Também traz nove ficções-relâmpago assinadas por Luiz Miguel Lisboa Machado, Rafael Peregrino, Viviane Maurey, H. Pueyo, Pasola Siviero, Sergio Eduardo Felisbino Jr., Allan Jonhnatha, Lucas David Michels dos Santos e Carol Vidal. Diversas ilustrações ilustram cada trabalho e embelezam a publicação. A capa é de Giovanna Cianelli.
Mafagafo pode ser baixada gratuitamente aqui nos formatos mobi, epub e pdf, bastando compartilhar um post nas redes sociais. As edições anteriores também estão disponíveis.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Parabéns: Hiperespaço 2

Prosseguindo com a comemoração aos 35 anos do Hiperespaço, está disponível o histórico segundo número do fanzine de ficção científica patriarca deste blogue, publicado originalmente  no início do icônico ano de 1984.
A edição tem 10 páginas e destaca os detalhes do longa O retorno de jedi, então recentemente lançado nos cinemas brasileiros, num artigo de José Carlos Neves. Também publica uma entrevista com o ilustrador Rodval Matias – autor do desenho da capa –, quadrinhos de Mário Mastrotti e notícias sobre fatos e eventos da época.
Hiperespaço 2 pode ser lido online aqui ou baixado gratuitamente aqui. O número 1 também está disponível.

Algazarra

Santiago Santos, autor do excelente romance episódico Na eternidade sempre é domingo (2016), retorna às estantes pela Editora Patuá com a coletânea de microcontos Algazarra. São cinquenta textos que vão de trezentas a mil palavras e trafegam por diversos temas e formatos, passando inclusive pela fantasia, o terror, a ficção científica e o realismo fantástico, entre outros gêneros. O volume é ainda valorizado pela belíssima capa de Ericka Lugo.
Organizada pelo próprio autor, esta é a primeira seleta de suas publicações no bem avaliado saite Flash Fiction, ainda ativo e publicando periodicamente trabalhos inéditos sempre surpreendentes pela ousadia e qualidade.
Santiago é jornalista e constrói seu multiverso ficcional a partir de Cuiabá, onde reside desde criança. Recomendadíssimo.
Mais informações no saite da Editora Patuá, aqui.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Contos de Horror: Shimamoto

Grande mestre dos quadrinhos brasileiros, Julio Shimamoto tem boa parte de sua obra associada aos  quadrinhos de horror, que pratica desde sua estreia na arte, tendo participado da história dos quadrinhos em praticamente todas as suas fases, tanto nas editoras mais importantes como nos fanzines e publicações alternativas. Algumas de suas histórias mais clássicas estão destacadas na coletânea Contos de Horror organizada pela Atomic Books e Quadrante Sul Comics. São seis história, produzidas entre 1961 e 1989 e originalmente publicadas nas revistas Medo (Press) Mestres do Terror, Calafrio (D’Arte) e Spektro (Vecchi),  todas no preto e branco que Shimamoto domina como poucos, sendo duas delas com roteiro de Júlio Emílio Braz e as demais do próprio Shimamoto.
A edição tem 64 páginas, acabamento gráfico primoroso com papel encorpado, capa laminada, e lombada quadrada, que tem sido o padrão dessa editora independente.
Mais informações no blogue da Atomic, aqui.

Full Moon

Miguel Carqueija disponibilizou um guia para os sete volumes da série fantasia em quadrinhos Full Moon, criada por Arina Tanemura, originalmente publicada no Japão em 2001 e traduzida no Brasil em 2009 pela editora JBC.
Conta a história da menina orfã Mitsuki Koyama, que está com os dias contados por causa de um câncer na garganta. Essa proximidade com a morte lhe dá a habilidade de conversar com gênios sobrenaturais – shirigamis, no folclore japonês – que resolvem ajudá-la a realizar o sonho de ser cantora antes da data fatídica.
O arquivo, em forma de texto, está disponível para download gratuito aqui.

Múltiplo 22

Está circulando o número 22 do fanzine virtual de quadrinhos Múltiplo, editado por André Carim.
A edição de 88 páginas destaca o trabalho de E. C. Nickel, quadrinhista bem conhecido dos leitores do Hiperespaço, que é entrevistado por Lancelot Martins. Além da ilustração da capa, Nickel comparece com duas hqs de sua série de ficção científica Ultrax. Também participam com quadrinhos os artistas Francinildo Sena, Antônio Gabriel, Gilberto Borba, Luiz Iório, João Carlos Magiero e Josi OM. Artigos e resenhas de Elinaudo Barbosa e de Carim completam a edição.
A publicação pode ser lida online ou baixada gratuitamente aqui, e as dições anteriores também estão disponíveis. O zine também podem ser encomendado em formato impresso, aqui.

JSouza 30 anos

São raras publicações de quadrinhos dedicadas a destacar a produção dos roteiristas. Na maior parte das vezes, os desenhistas é que são homenageados, e eles merecem, é claro. Mas é bom lembrar que um bom desenho, por melhor que seja, não salva uma história ruim. O trabalho do roteirista é fundamental para cativar o leitor, e é no roteiro que a magia do quadrinho realmente acontece. É preciso ter uma boa história, personagens interessantes e uma narrativa dinâmica, além de um texto correto e elegante. Não serve qualquer coisa.
Com JSouza: 30 anos, a editora independente Atomic Books investe na obra do roteirista Jerônimo Sousa, que participou diretamente da organização do volume. São 90 páginas em preto e branco com 14 histórias ilustradas por Toninho Lima, Alcione da Silva, Jonathan Pires, Anderson ANDF, Moreno Fransceschi, Alex Doeppre, Gilberto Borba e Iwfran Costa, que vão da fantasia ao horror, com uma pegada fanzineira bastante nostálgica. O projeto pretende que seja o primeiro número de uma série anual. Mais informações no blogue da Atomic, aqui.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Abdução: Relatório da terceira órbita

Antes disponível apenas em edição digital, o romance de ficção científica Abdução: Relatório da terceira órbita, de Pedroon Lane, ganha publicação real pela editora Novo Século, em seu selo Talentos da Literatura Brasileira.
Trata-se de um catatau de mais de 700 páginas, que investe na ficção ufológica, uma das mais fortes tradições da fc brasileira. Este não é o primeiro trabalho do autor, que já dispõe de certa notoriedade na internet, sendo Abdução uma sequência ao romance Adução: O dossiê alienígena.
Diz o texto de divulgação: "No passado, uma dupla de alienígenas chega à Terra com intenções desconhecidas. No futuro, um casal de irmãos dá a largada para uma nova vida em um estranho habitat paralelo ao Sistema Solar, um mundo hiperfuturista descrito como Universo Quântico. A vida da dupla e do casal parece convergir por caminhos distintos, mas sua conexão é tão forte que nem a distância que os separa tão longe no tempo evitará a cadeia de ações e a sequência de acontecimentos que colocarão em risco o destino do planeta e da inteira humanidade".
Abdução também está disponível em ebook, aqui.
O lançamento oficial do livro acontecerá no dia 14 de outubro, a partir das 16 horas, na Livraria Martins Fontes (Av. Paulista, 509, São Paulo).

A repartição do tempo

A repartição do tempo, direção de Santiago Dellape. Brasil, cor, 2018. 100 minutos.

É triste a sina dos brasileiros, e os inventores não escapam a ela. Essa é a constatação a qual chegamos ao assistir A repartição do tempo, longa metragem dirigido por Santiago Dellape, com roteiro original de Davi Mattos, que chegou às telas no início de 2018 depois de cumprir um longo roteiro de festivais no Brasil e no exterior. O trailer pode ser visto aqui.
Conta a história de um grupo de funcionários de um escritório de registro de patentes em Brasília, que ganhou celebridade depois que uma revista a classificou como a repartição pública mais ineficiente do país. A fama inoportuna irrita profundamente o chefe da seção, filho de uma senadora da república que o colocou lá para que ficasse longe de problemas. De fato, o lugar é um poço de absurdos, em que os funcionários dormem, embebedam-se, drogam-se, traficam e desenham histórias em quadrinhos durante o expediente. O momento mais festejado do dia é quando, no final do dia, ao som de A voz do Brasil, todos fazem fila para bater o ponto de saída.
Contudo, por um acaso, no mesmo dia em que a reportagem é publicada, o inventor Dr. Brasil (interpretado por Tonico Pereira) deposita para análise do departamento um protótipo funcional de uma máquina do tempo por ele construída. Ao arquivá-la no depósito, o abelhudo Jonas (Edu Moraes), inadvertidamente faz uma curta viagem no tempo, que o duplica por alguns minutos. O fenômeno não passa despercebido do chefe da seção Lisboa (Eucir de Souza), que vê nisso a oportunidade de tirar seu departamento da vexatória posição em que se encontra. Depois de embebedar os funcionários com a promessa de uma licença-prêmio, duplica cada um deles e escraviza os duplos num abrigo nuclear escondido no subsolo da repartição, para que produzam a força o trabalho que os funcionários originais jamais fariam. O plano parece caminhar bem, até que o duplo de Jonas consegue escapar da reclusão, sendo o original jogado por engano em seu lugar. O duplo tenta de todas as formas libertar seus companheiros de cárcere, mas tem que enfrentar não apenas a descrença dos originais dos colegas, mas também os duplos do segurança troglodita e da secretária piranha que estão mancomunados com o chefe.
Anunciado como uma "comédia de ficção científica", não há dúvida que é fc, mas da comédia passa longe. Na verdade, é uma história muito dramática, ainda que com forte viés irônico.
O momento mais divertido do filme é quando entra em cena um delegado da Polícia Civil interpretado por Dedé Santana, mais por conta da presença física do comediante, que é naturalmente engraçado, do que pela situção em si que, de fato, não tem nada de engraçada.
Do ponto de vista técnico, o filme é muito bem realizado, com boas soluções visuais, efeitos especiais eficientes, uma cenografia setentista irretocável e ótimas atuações. Como fc, contudo, tem lá suas falhas: o fenômeno da duplicação não convence e a história ignora a maior parte dos paradoxos temporais, preservando apenas aqueles de que precisa para contar a história.
O maior problema, contudo, é o alto nível de preconceito do filme com relação ao funcionalismo público, tanto que chega a ser angustiante e anula todo o pretenso humor da situação.
Também estão no filme os atores Bianca Müller, Antonio Abujamra, Andrade Júnior, André Deca, Bidô Galvão, Carmem Moretzsohn, Yasmim Sant'Anna, Dina Brandão, José de Campos, Lauro Montana, Ricardo Pipo, Romulo Augusto, Rossana Viegas, Selma Egrei e Sérgio Hondjakoff.
Após os créditos, um pequeno curta mostra Dr. Brasil retornando à repartição com seu novo invento, para levar a confusão a um novo paradigma.
É interessante notar que a ficção fantástica, ainda que incipiente, tem comparecido com mais frequência no cinema nacional, com produções bem realizadas, inclusive com componentes culturais bem mais evidentes do que é geralmente encontrado na fc&f literária produzida aqui. Uma interação maior entre as duas artes decerto que poderia promover alguma evolução em ambas, isso se a política cultural brasileira não arrasar com tudo antes, como parece pretender.

Os fantasmas de Vênus

Roberto Schima, que nos anos 1990 era o grande nome da ficção científica brasileira, está disponibilizando sua novela Os fantasmas de Vênus, originalmente publicada em 1993 na coletânea Tríplice universo (GRD), agora pela plataforma de autoedição da Amazon. Trata-se de um drama familiar que se desenrola entre a ilha de Fernando de Noronha e a terraformação de Vênus.
Diz o texto de divulgação: "Pedro e Miguel, nascidos e criados no paradisíaco arquipélago de Fernando de Noronha, apesar de gêmeos, cada qual alimenta sonhos diferentes. Pedro ama o mar e tudo ligado a ele. Seu desejo nada mais é do que seguir a tradição pesqueira da família, conviver ao lado de peixes, crustáceos e estrelas do mar. Miguel foi cativado pelas estrelas também, só que pelas estrelas do céu. E seus sonhos conduziram-no ao espaço".
Trata-se de um dos mais expressivos trabalhos do autor, exemplo de uma época que é avaliada por muitos especialistas como o ponto culminante da produção de fc no Brasil. Vale a pena conhecer.

De ferro e de sal

A escritora gaúcha Simone Saueressig anuncia que já está disponível na plataforma de autoedição da Amazon seu romance inédito De ferro e de sal, fantasia densa destinada ao leitor adulto.
Diz o texto de divulgação: "Em torno da Forja, ergue-se Brutmir, a Cidade dos Ferreiros. O cenário perfeito para que a Reta e Cega se encontrem para seu baile macabro. A Reta e a Cega: os Potentados sinistros da Vingança e da Traição. As que nunca esquecem. As que jamais desistem".
Simone tem muita habilidade no trato dos gêneros fantásticos e também já demonstrou ser ótima autora para adultos, como se pode atestar na leitura do romance histórico aurum Domini: O ouro das missões e da ficção científica B9, e não erro em afirmar que é a melhor escritora do gênero no país.
Confira seu estilo elegante e agudo lendo gratuitamente aqui o conto "Muiraquitã", merecidamente vencedor do concurso A Bandeira do Elefante e da Arara RPG, promovido pela REDERPG, e veja se não tenho razão.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Era uma vez a mulher que tentou matar o bebê da vizinha

Era uma vez a mulher que tentou matar o bebê da vizinha, Liudmila Petruchévskaia. 206 páginas. Tradução de Cecília Rosas. Editora Companhia das Letras, São Paulo, 2018.

Uma das mais antigas reclamações dos leitores brasileiros de fc&f é a falta de novidades internacionais nos catálogos das editoras que trabalham com ficção fantástica no Brasil. Embora haja muita novidade no que se refere aos autores nacionais, entre os estrangeiros a regra é republicar o que está fora de catálogo ou publicar um novo título de um autor já consagrado. Vez ou outra, aparece um nome novo, já que as editoras brasileiras têm receio de investir em títulos que podem não ser comercialmente bem sucedidos, e os mais arriscados certamente são aqueles de autores que nunca foram publicados aqui. Por isso, é motivo de comemoração o lançamento de Era uma vez a mulher que tentou matar o bebê da vizinha, coletânea da escritora moscovita Liudmila Petruchévskaia, uma novidade absoluta.
Nascida em 1938, Liudmila é considerada a mais importante escritora russa viva, mas nem mesmo na Rússia ela é unanimidade, pois sua ficção não faz concessões, mas cutuca feridas e pisa nos calos sem piedade. Sua obra, proibida por muito tempo, só ganhou espaço com fim do regime comunista e chegou ao Brasil por influência de seu filho Fedor, um apaixonado pelo Brasil, que a acompanhou à edição de 2018 da FLIP, a convite da editora Companhia das Letras que lançou a coletânea com tradução de Cecília Rosas, diretamente do russo.
Uma dificuldade é citar o seu título original. Na edição brasileira, o título original está grafado em cirílico e não consegui encontrar um modo de reproduzi-lo. Para complicar ainda mais, a página oficial do livro no saite da Companhia das Letras dá como título original em inglês There once lived a girl who seduced her sister's husband, and he hanged himself: Love stories, que não se parece em nada com o título norte-americano There once lived a woman who tried to kill her neighbor's baby. E durma-se com um barulho desses.
Trata-se de um livro de pequeno volume, com apenas 206 páginas, mas de um vulto incomensurável por conta do estilo e dos temas abordados nos 21 contos divididos em quatro seções: "Contos dos eslavos do oeste", "Alegorias", Réquiens" e "Contos de fadas".
Alguns dos textos lembram os contos decadentistas franceses com traços de romantismo, em que as histórias trabalham com situações de morte, pós-morte ou quase-morte, na forma de pesadelos ou relatos, muitos em primeira pessoa, que têm o mesmo tipo de estética que encontramos nas obras surrealistas, ou seja, são situações muito reais e cotidianas, mas que estão eivadas de um estranhamento perturbador que não permite considerá-las realistas.
Não vou comentar todos aqui, é claro, pois vale muito a pena conhecê-los em primeira mão, mas destacarei alguns dos que mais me impressionaram. O conto que dá nome a antologia é o mais realista dentre todos os textos da seleção, mas a maior parte dela está identificada com a fantasia, como "O deus Posêidon", em que  uma mulher visita a amiga em uma luxuosa mansão e descobre que seu marido é filho de um deus, ou "A mãe-repolho", em que uma mãe amorosa tenta desesperadamente criar a filha minúscula.
É claro que as histórias de horror são aquelas em que a situação de desconforto se potencializa.  Como no primeiro texto da coletânea é "O abraço", em que um militar, depois de um sonho premonitório, desenterra o corpo da falecida esposa para recuperar a carteirinha do partido (deveria ser um documento muito importante na Rússia soviética) que acidentalmente havia caído no caixão, mas ele não obedece integralmente as instruções recebidas no sonho e isso causará consequências muito desagradáveis. Ou "O sobretudo preto", em que uma mulher se vê desorientada em uma cidade penumbrosa, na qual as pessoas têm uma ralação estranha com os fósforos. E "A história do relógio", que fecha a edição, no qual uma garotinha encontra um relógio que traz uma maldição: quem lhe dá corda uma vez, tem sua vida irremediavelmente ligada ao seu funcionamento: se o relógio parar, é morte certa.
Os textos de ficção científica também são bastante sombrios. Em "Higiene", acompanhamos a decadência física e moral de uma família isolada em seu apartamento enquanto uma virose letal dizima a população da cidade. E "A nova família Robinson", em que uma outra família tenta sobreviver ao frio, à fome e à violência de um verdadeiro apocalipse ambiental.
Duas coisas se destacam na obra de Liudmila: o protagonismo feminino, que predomina quase todos os textos, com uma reflexão profunda sobre a posição da mulher na relação com o esposo, com a família e com a sociedade, e a ausência de todos os protocolos que saturam a fc&f ocidental. Ainda que as histórias de Liudmila possam ser identificadas com este ou aquele gênero, está claro que não foram escritas com isso em mente, pois as situações de misturam sem qualquer regra estabelecida. Não há o clichê das infindáveis jornadas do herói embolando as narrativas, assim como nenhuma outra condição editorial imposta à construção dos relatos: tratam-se de criações pessoais sem qualquer modelo prévio, herdeiras de uma escola que nos parece completamente estranha.
É uma maravilha ler histórias fantásticas que não apelam para elfos, anões e magos agredindo-se mutuamente, zumbis devoradores de cérebros, astronautas com armas de raios combatendo alienígenas psicopatas e trans humanos com próteses computadorizadas lutando contra megacorporações do ciberespaço. Somente quando recebemos o frescor de uma literatura como a de Liudmila é que percebemos o quanto isso já saturou.
A leitura de Era uma vez a mulher que tentou matar o bebê da vizinha não é fácil, porque não é agradável. Não há entretenimento nela, mas um convite a reflexões sobre a vida e a morte individual e social. Para pensar o quanto, às vezes, nossas vidas podem ser tão mais fantásticas que qualquer ficção.

Conexão Literatura 39

Está circulando o número 39 da revista eletrônica Conexão Literatura, editada por Ademir Pascale.
A edição tem 89 páginas e destaca a obra da escritora britânica Agatha Christie num artigo de Eudes Cruz. Entrevista os escritores C. C Oak (O clã das amazonas: Os reinos do norte), André Moreira (O expresso da Mooca), Carmen Villas Bôas (O compêndio de um amor perdido), Manuela Marques Tchoe (Ventos nômades), Rogério Lima Goulart (As borboletas no muro do cemitério) e Vinni Corrêa (Sexo a três). Nas seção de ficções, contos de Idianara Lira Navarro, Míriam Santiago e Roberto Schima, poemas de Ajomar Santos e Idianara Lira Navarro, além de resenha e crônica assinadas por Rafale Botter.
Conexão Literatura é gratuita e pode ser baixada aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Hiperespaço faz 35 anos

Em outubro próximo, o fanzine Hiperespaço completa 35 anos do lançamento de seu primeiro número, em 1983, que inspirou uma série de novas publicações de ficção científica lançadas nos anos seguintes, formando aquilo que hoje chamamos de Segunda Onda da ficção científica brasileira.
Na época de seu lançamento, os editores promoveram a distribuição gratuita do primeiro número, enviando-o pelo correio a uma enorme relação de nomes e endereços compilada ao longo de anos de relacionamento postal dos editores com fãs de fc, cinema e quadrinhos. Foram distribuídos mais de 200 exemplares dessa edição, a partir do que foi implementado um sistema de assinaturas que sustentou a publicação até o número 52 (publicado em 2003), quando o fanzine foi descontinuado, substituído por ações como a Coleção Fantástica, que publicou novelas inéditas de fc&f nacional em formato de livros de bolso, o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, com artigos, entrevistas, ensaios e levantamentos estatísticos sobre a fc&f no Brasil, e este blogue, com o conteúdo noticioso do zine.
Nunca tive intenção de digitalizar o Hiperespaço mas, em 2013, fiz edições fac-similadas dos dois primeiros números, que foram distribuídas entre os participantes de uma das edições do festival Fanzinada, justamente para assinalar os 30 anos da data. Como não possuo mais as matrizes, tive de escanear diretamente dos exemplares originais remanescentes, que são de baixíssima qualidade – infelizmente, esse era o tipo de impressão disponível na época.
Tanto trabalho merecia ser melhor aproveitado, então disponibilizarei aqui, nos próximos meses, versões digitalizadas dos quatro primeiros números do Hiperespaço, que formam o primeiro ano de publicação, com imagens tratadas da melhor forma possível, embora não tenha logrado obter a qualidade ideal.
E, para começar a festa, está disponível para leitura online e download o primeiro número do Hiperespaço, que traz dez páginas de artigos sobre modelismo e cinema de fc. A capa tem um desenho de José Carlos Neves (artefinalizada por Cerito), obviamente inspirada no space jockey de Alien: O oitavo passageiro.
Parabéns pra nós! Aproveite o presente.

Quadritos 14

Quadritos, fanzine de quadrinhos editado por Marcos Freitas, chega ao seu número 14 com pinta de publicação profissional. Na verdade, mais que isso, porque uma publicação profissional, que tem de obedecer as regras do mercado, jamais atingiria a qualidade que Quadritos tem nesta edição que comemora 30 anos de publicação.
São nada menos que 180 páginas muito bem impressas, capa cartonada e um time de colaboradores de peso, com nomes como Luciano Irrthum, Emir Ribeiro, Bira Dantas, Laudo, Gazy Andraus, Joacy Jamis, Ciberpajé, Edgard Guimarães, Calazans, Gustavo e Itamar, entre outros. A edição ainda traz entrevistas com Luga, Júlio Emílio Brás e Franco de Rosa, e até quadrinhos internacionais de Bodé, Abuli e Bernet. A capa tem uma ilustração de Laudo.
Não deixe de garantir este exemplar histórico, que pode ser obtido diretamente com o editor pelos emails fanzinequadritos@gmail.com e atomiceditora@gmail.com, ou pelo blogue da Editora Atomic, aqui. A versão digital, em formato pdf, pode ser baixada gratuitamente aqui.

The gentlemen's alliance


Miguel Carqueija publicou mais um de seus guias de episódios, desta vez sobre o mangá The gentlemen's alliance: A aliança dos cavalheiros, de Arina Tanemura, minissérie em 11 volumes publicada no Japão em 2004, e traduzida no Brasil entre 2010 e 2012. Trata-se de uma história gótica de mistério passada numa escola secundarista sobre o conturbado relacionamento entre a ex-delinquente Haine Otomiya e o presidente do conselho estudantil Shizumasa "Imperador" Touguu, que protagonizam um drama familiar tão antigo quanto tenebroso.
O guia, em formato de texto, está disponível para download gratuito aqui.


Vampirelle

Vampirelle é um interessante fanzine de horror que mistura história em quadrinhos e fotonovela para contar as aventuras de Vampirelle, a Vampira de Curitiba, criação assinada a seis mãos por Dione M. S. Rosa, Adriano Siqueira e Isabelle Aguilar. É Isabelle quem dá corpo físico à personagem, que já dispõe de um blogue, o Mordida da Vampira, e uma fanpage nas redes sociais.
O fanzine tem oito páginas em cores e é distribuído em forma impressa, mas é possível obter o arquivo pdf com as páginas organizadas para impressão. Para uma boa experiência de leitura é preciso imprimir e montar o fanzine.
Contatos e mais informações em dirosa19@gmail.com (Dione) e siqueira.adriano@gmail.com (Adriano).

domingo, 26 de agosto de 2018

Múltiplo 21

Enquanto esperamos número 19, que está em pré-venda, já circula o número 21 do fanzine virtual de quadrinhos Múltiplo, editado por André Carim.
A edição de 84 páginas destaca em entrevista o trabalho de Tony Fernandes, criador de uma série de personagens muito conhecidos, como O pequeno Ninja, Apache e Fantastic Man, que recebe uma hq na edição. Também apresenta o "Tomo 1" de "Epopeia: Futuro perfeito", projeto de Marcos Franco e Elenílton Freitas que pretende reunir mais de 50 personagens em uma saga que, entre outras coisas, vai contar a morte de Velta. Esta primeira parte tem arte de Luiz Iório. Anderson Gomes e  João Carlos Magiero também comparecem com seus quadrinhos, enquanto Elinaudo Barbosa, Estêvão Moraes e o editor assinam artigos e resenhas. A capa traz um desenho de Tony Fernandes.
A publicação pode ser lida online ou baixada gratuitamente aqui, e as dições anteriores também estão disponíveis. O zine também podem ser encomendado em formato impresso, aqui.

Qi 152

Está circulando o número 152 do fanzine Quadrinhos Independentes-QI editado por Edgard Guimarães, dedicado ao estudo dos quadrinhos destacando a produção independente e os fanzines brasileiros.
A edição tem 32 páginas e traz os artigos "Napoleão, os quadrinhos e sucedâneos", por Lio Guerra Bocorny, e "As línguas de Esopo", por E. Figueiredo, além dos quadrinhos de Luiz Claudio Lopes Faria e do editor. 14 páginas são dedicadas à seção "Fórum", que reproduz as cartas dos leitores. Completam a edição as colunas "Mantendo contato" e "Edições independentes" divulgando os lançamentos de fanzines do bimestre. A capa traz uma ilustração do editor que também esconde um segredinho, divertido mas politicamente incorreto.
Junto à edição, os assinantes recebem Voos d'o Tico Tico nº1: J. Carlos, Augusto Rocha, Leonidas e Cicero Valladares, fascículo com 16 páginas com uma pesquisa de Francisco Dourado sobre a participação dos ilustradores citados no famoso periódico, que apresentou os quadrinhos à primeira geração de leitores no Brasil.
O QI impresso é distribuído exclusivamente por assinatura, mas sua versão digital, bem como seus encartes, são disponibilizados pelo saite da editora Marca de Fantasia, aqui. Edições anteriores também podem ser encontradas.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Araruamas

Um dos mais expressivos cases de sucesso da plataforma de crowndfunding Cartarse, Araruama 2: O livro das raízes, romance de fantasia  de Ian Fraser inspirado em culturas nativas brasileiras e mesoamericanas, bateu o bom desempenho do primeiro volume, publicado em 2017 com o apoio de mais de 700 pessoas, e reuniu nada menos que 982 apoiadores e superando a meta de R$25.000,00 em mais de 250%, com uma arrecadação total de R$63.931,00!
Um dos diferenciais do projeto é doar parte da arrecadação para o Instituto UKA - Casa dos Saberes Ancestrais, uma instituição sem fins lucrativos fundada e dirigida por indígenas brasileiros, abrindo uma discussão sobre a apropriação cultural que começa a se tornar importante no espaço da ficção fantástica brasileira.
Enquanto os apoiadores esperam pacientemente a entrega dos livros – eu entre eles –, quem não aproveitou pode adquirir aqui a versão em ebook do primeiro romance da série, no qual cinco jovens treinam para um ritual de passagem, o Turunã. O livro é publicação da Editora Moinhos.

Tempos fantásticos.com

Depois de dois anos e 24 edições publicadas, o jornal satírico Tempos Fantásticos suspendeu suas operações em meados de 2018. Ao contrário de outros órgãos de imprensa não noticiam com clareza os motivos da própria descontinuidade, Tempos Fantásticos revelou que foi tudo descorrente de uma intensa perseguição de seus inimigos, embora não cite os nomes dos mesmos. Mas parece que a publicação pode voltar em breve, e o primeiro sinal dessa recuperação é o lançamento do novo saite do jornal, que disponibiliza, para download gratuito, as versões eletrônicas de todas as suas 24 edições.
Editado por Angelo Dias, Jana P. Bianchi, João P. Lima, Ludmila Honorato e Raphael Andrade, Tempos Fantásticos é uma ideia interessante mas não inédita. Nos anos 1990, duas publicações de igual natureza circularam entre os fãs brasileiros de ficção fantástica: o Zominum – autocaricatura do fanzine Somnium, boletim do Clube de Leitores de Ficção Científica –  e o Hiperespaço TNG, ambas publicadas no Rio de Janeiro e que também tiveram existência curta. A diferença é que enquanto estes eram fanzines da era pré-internet, Tempos Fantásticos traz a sofisticação gráfica dos tempos digitais, emulando a diagramação dos jornais modernos.
Enquanto o lobo não vem, aproveite para passear no bosque, isto é, para baixar e ler as edições antigas de Tempos Fantásticos. Afinal, sendo um jornal atemporal, ele tem a vantagem de nunca ficar desatualizado.

Areia fugaz

Está disponível para download gratuito a novela inédita de ficção científica Areia fugaz, de autoria de Miguel Carqueija e Jorge Luiz Calife.
Com prefácio de Ronald Rahal e posfácio de Gabriel Solis, a publicação reedita a parceria entre Carqueija e Calife, experimentada em As portas do magma (Scarium, 2009). Calife é autor da bem avaliada série Padrões de contato, publicada em volume único pela Devir em 2009 e por muitos considerada como o marco inicial da Segunda Onda da ficção científica brasileira. Carqueija, por sua vez, é autor dos livros O estigma do feiticeiro negro (Ornitorrinco, 2012) e Farei meu destino (Giz, 2009).
Diz o texto de apresentação: "Antônio Gusmão de Campos, mais conhecido por Toni, ex-militar da Força Cósmica, chega à Roda Espacial Carl Sagan, na zona externa do Sistema Solar, em busca de um emprego. Reencontra seu amigo de outros tempos, Sigmund Halley, e conhece uma bela empresária de modas, altamente sedutora, Thais, que lhe arranja um emprego. Mas por trás disso está uma imprevisível aventura interplanetária e a onipresente ameaça dos piratas cósmicos".
Outros textos de Carqueija podem ser acessados através do mesmo portal Recanto das Letras que disponibiliza este trabalho.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Poranduba

Poranduba é um podcast inspirador produzido e apresentado por Andriolli Costa, do saite O Colecionador de Sacis, que toda semana publica ótimas entrevistas com artistas que trabalham o folclore em suas obras, além de artigos e dramatizações de textos selecionados.
Nos últimos tempos, o folclore tem sido lembrado com mais frequência pelos autores brasileiros de ficção fantástica, mas ainda é um tema que incomoda aqueles que, na pretensão de fazer uma ficção comercialmente "universalista", alegam que passa uma imagem estereotipada do Brasil. É claro que esta é uma visão equivocada, muitos trabalhos excelentes tratam de temas folclóricos e étnicos com qualidade; só vira estereótipo se é mal feito. Com talento e sensibilidade, vai muito bem.
Destaque para o episódio 5, gravado durante um debate na V Odisseia de Literatura Fantástica, ocorrida no primeiro semestre de 2018 em Porto Alegre.
Independente da opinião, Poranduba é um prato delicioso que merece ser pelo menos experimentado. Dê uma chance ao saci e, como diz o apresentador, "ajude a tirar o folclore da garrafa".

Conexão Literatura 38

Está circulando o número 38 da revista eletrônica Conexão Literatura, editada por Ademir Pascale.
A edição de 76 páginas e destaca em entrevista a poeta e doceira Ana Neves, do Brigadeiros Literários, e também entrevista os escritores Neurivan Sousa (Palavras sonâmbulas), Carmen Aparecida Gomes (Amo eternamente uma única vez), Fabio Prumo (Os filhos de Elator), Wagner Azevedo (Dicionário de animais com outros significados) e Ricardo Dias de Oliveira (O conhecimento da cabala). Nas seção de ficções, contos de João Gomes Moreira, Roberto Schima e Míriam Santiago. Poemas de Ajomar Santos, crônica de Emerson Sarmento e resenhas de Rafael Botter e Eudes Cruz completam a edição.
Conexão Literatura é gratuita e pode ser baixada aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Sabixões e Sabixinhos

Produzido a duas mãos por Sofia Soft e Teo Adorno, Sabixões e sabixinhos confessa ser uma história em quadrinhos. De fato, é a volta de Adorno, que em outras encarnações foi apaixonado por quadrinhos, à linguagem preferida de sua infância. Mas ousada como é, a dupla Soft/Adorno não se conformou com a linguagem engessada dos quadrinhos, com seus requadros, balões e onomatopeias, e enveredou por um experimentalismo digno de um sonho surrealista. O livro tem 104 páginas, mas a ordem não importa, pois é possível ler a história a partir de qualquer ponto, inclusive de cabeça para baixo, que também foi contemplado com conteúdos. O leitor pode ler num sentido, depois no outro, ou girar loucamente o livro, como melhor lhe aprouver. Os textos são espalhados na página, as vezes na forma de aforismos, outras como um poema, que compõem um ritmo inusitado com as imagens dos "bixinhos" geométricos que, mais uma vez, remetem ao expressionismo de Kadinsky. Se é HQ é algo para os acadêmicos da área. Mas para nós, mortais, é muito divertido e libertador.
Sabixinhos e Sabixões é uma publicação da editora @Link. O livro ainda não aparece no saite da editora, então experimente o contato com os autores nas redes sociais, aqui.

O ditador honesto

O que viria a ser um ditador honesto? Isso existe? Por incrível que pareça, houve época que esse personagem era louvado pelos intelectuais mas, naqueles tempos, recebia o nome de "déspota esclarecido". Não são poucos os pensadores iluministas do século 18 que viam nessa figura contraditória a luz de um futuro redentor para a humanidade, e sabemos para onde isso nos trouxe. Contudo, O ditador honesto também pode ser muito divertido, pois trata-se do romance satírico de ficção política - e arrisco dizer científica - do escritor baiano Matheus Peleteiro, autor do romance Mundo cão (2016) e da coletânea Pro inferno com isso (2017). O ditador honesto é narrado por um secretário escandalizado com as práticas do chefe de estado de numa distopia não muito diferente dos nossa...
A preocupação com o crescimento do fascismo no Brasil é o principal motivador de uma série de livros que têm ganhado a luz nos últimos meses, como os já resenhados Ninguém nasce herói, de Eric Novello, e Noite dentro da noite, de Joca Reiners Terron.
O livro tem 172 páginas e é uma publicação independente. Para obter um exemplar, entre em contato com o autor pelo email matheus_peleteiro@hotmail.com, ou pelo nas redes sociais, aqui.

Para ler Stephen King... de graça

"Laurie" é um conto inédito de Stephen King que foi disponibilizado para leitura gratuita na internet, como aperitivo para o lançamento de Outsider, novo romance do mestre do horror que será publicado brevemente no selo Suma da Companhia das Letras. O conto foi disponibilizado pelo próprio autor nos EUA e foi traduzido para o português por Regiane Winarski. Para acessar o texto em pdf basta clicar aqui.
E, se não for o bastante, a degustação de Outsider também está disponível, aqui.
Aproveite!