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terça-feira, 2 de setembro de 2025

Lançamento: Alguém em Guernica olha para mim, Octavio Aragão

Está em pré-venda aqui a coletânea Alguém em Guernica olha para mim, do escritor e roteirista carioca Octavio Aragão, que já tem em sua bibliografia os romances de ficção alternativa A mão que cria (Mercuryo, 2006) e A mão que pune (Caligari, 2020), sendo também criador da franquia Intempol, que já conta com diversas antologias de contos e vários álbuns em quadrinhos.
Este novo trabalho reúne vinte e dois contos do autor, compilados de seus quase trinta anos de trabalho com os gêneros fantásticos, especialmente a ficção científica. 
Diz o texto de apresentação: "Aragão conta histórias de futuros que vão da luta de um Brasil alternativo contra uma ditadura extraterrena até uma realidade na qual o mundo acaba diante dos boêmios cariocas na década de 1930, passando por símios arqueólogos e santas arquetípicas. Eis um livro que não se contenta em criar mundos, mas também os reconstrói e revoluciona."
O volume tem 176 páginas e é uma publicação da Editora Avec.

terça-feira, 2 de julho de 2024

Intempol Agora 2

O universo Intempol, criado pelo escritor carioca Octávio Aragão, acaba de ganhar mais uma edição com novas aventuras da absurda e imprevisível polícia brasileira do tempo. Trata-se de Intempol Agora volume 2, com uma seleção de histórias em quadrinhos organizada pelo próprio Aragão e com publicação da Editora Infinitum.
Diz o texto de apresentação: "Bem-vindos de volta aos infinitos universos que compõem as aventuras dos agentes da empresa de segurança temporal mais corrupta e atrapalhada de todos os tempos. Em sete histórias escritas, desenhadas e coloridas por roteiristas e artistas de renome nas HQs, na literatura, no design gráfico e na TV,  como Mig Mendes, Ana Recalde, Lúcio Manfredi, Will Tom, Carlos Hollanda, Alex Mandarino, Hamilton Kabuna, Mariana Queiroz, André Flauzino, Luiz Felipe Vasques, Rubens Ângelo, Luma Rodrigues e Alexandre Soares, alguns estreando no universo dos quadrinhos, mas trazendo sua imaginação e experiência em outras áreas."
O álbum tem setenta páginas e a capa é assinada por Ricardo Leite e Osmarco Valladão.
A edição está em pré-venda aqui. O primeiro volume, publicado em 2021, também está disponível.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Resenha do Almanaque: A mão que pune - 1890, Octávio Aragão

A mão que pune: 1890
, Octávio Aragão. 212 páginas. Rio de Janeiro: CJD, selo Caligari, 2018.

Depois de um prolongado hiato (seu último livro, Reis de todos os mundos possíveis, foi publicado em 2013 pela Draco), o professor e escritor carioca Octavio Aragão, que muitos conhecem como o pai da franquia Intempol, retornou em 2018 com o romance A mão que pune: 1890, pela Caligari, selo da Editora CJT, do Rio de Janeiro. Trata-se de uma aventura de ficção científica de contorno steampunk, pulpesca e movimentada, no mesmo ambiente de seu primeiro romance A mão que cria (Mercuryo, 2006), com uma profusão de personagens da ficção contracenando com personalidades históricas, num resultando que fica entre a ficção alternativa e história alternativa. 
A história de A mão que pune: 1890 ocorre numa realidade histórica já bastante alterada pelos eventos do volume anterior. A França, ambiente dos primeiros movimentos da narrativa, é uma república presidencialista que tem o escritor Julio Verne como chefe de Estado. A confiança de Verne na ciência e suas ideias tecnologicamente inovadoras tornaram o pais uma potência do século XIX, na qual cientistas pesquisam todo tipo de bizarrices. Experiências com seres humanos, por exemplo, são muito frequentes e os resultados deles trarão muitos problemas para o protagonista, o jornalista Angelo Agostini, cartunista ítalo brasileiro que inicia a história em Paris, desolado com a morte recente da amante e um filho bebê para cuidar. Ao visitar a Feira Mundial de Paris, em 1890, Agostini reconhece D. Pedro II, imperador do Brasil, que está em Paris em segredo para tentar obter a cura para uma doença misteriosa que está matando seu filho. Mas a França está a beira de uma guerra promovida por um grupo extremista que pretende fazer uso dos mortos-vivos de Dr. Frankenstein como principal força de ataque contra os híbridos entre homens e animais advindos das pesquisas de um certo Dr. Moreau, que formam a guarda pretoriana do regime verniano. A essa problemática já bastante complicada, acrescente-se o sequestro do filho de Agostini e uma batalha de dirigíveis nos céus do Brasil, regada a generosas doses de violência e pirotecnia, e temos como resultado final uma história extremamente movimentada e muito difícil de compreender. 
A estrutura narrativa barroca é uma das assinaturas estilísticas de Aragão, que geralmente começa suas histórias em ritmo leve e convencional, mas acelera constantemente de forma que, a certa altura, a narrativa fica tão frenética que é como tentar acompanhar um filme projetado em alta velocidade. Além disso, a grande quantidade de personagens similares – todos são maus e violentos – torna a identificação de quem matou quem num complexo quebra cabeças no qual as peças não se encaixam muito bem. Fica a amarga sensação de que perdemos alguma coisa pelo caminho, justamente aquilo que seria a chave para o entendimento pleno da história. 
Mas, na verdade, não há nem nunca houve chave alguma. Aragão é um autor que trabalha mais no nível das sensações do que da racionalidade, ou seja, suas histórias são para serem sentidas, não compreendidas. A tecitura narrativa não-linear soa algo desordenada, como uma história contada através de fragmentos aleatórios extremamente intensos. É como se o leitor fosse um soldado no front de uma batalha, tão absorvido pela necessidade de manter-se vivo em meio a barafunda que não consegue ter uma visão geral do que está acontecendo. Por ver a coisa de muito perto, perde toda a perspectiva.
É praticamente impossível ser mais preciso quanto aos contornos da história deste romance. Isso pode ser uma vantagem, pois também é praticamente impossível dar spoillers. Mas é certamente uma peça impressionante, tanto que conveceu os conservadores membros do Clube dos Leitores de Ficção Científica a dar-lhe o prêmio Argos de melhor romance de 2018 (o Prêmio Argos é votado apenas pelos associados do referido Clube e escolhe, anualmente , os melhores textos originais longo e curto da ficção fantástica brasileira). 
Christopher Kastensmidt, escritor texano radicado no Brasil e autor dos contos da série A Bandeira do Elefante e da Arara, assina um prefácio que entra na brincadeira de Aragão, antecipando o nonsense que se multiplicará nas páginas seguintes. 
Por isso tudo, não há necessidade de ler A mão que cria para fruir A mão que pune. Se você ficar com a impressão que perdeu algo, relaxe. A ideia é essa mesmo.

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Resenha do Almanaque: A mão que cria, Octávio Aragão

A mão que cria
, Octavio Aragão. 160 páginas. São Paulo: Mercuryo, selo Unicórnio Azul, 2006.

A mão que cria é o romance de estreia do escritor carioca Octavio Aragão, até então conhecido no ambiente restrito do fandom brasileiro por fundar e dirigir o projeto multimídia Intempol, um universo compartilhado por vários autores. Antes de A mão que cria, Aragão publicou cerca de meia dúzia de contos, de bons a muito bons, em fanzines e antologias. Quem acompanhou sua trajetória, recebeu o romance com uma expectativa positiva. Finalmente, uma editora de porte apresentava um livro inédito assumidamente de fc&f de autor brasileiro. Isso porque a editora Mercuryo, que já teve em seu catálogo best-sellers como a série Operação Cavalo de Troia, de J. J. Benitez, já havia flertado com a literatura fantástica quando publicou coleções extensas de novelizações de X- Files e Star trek, além da breve coleção de banca Conan: Espada e magia, com contos de Robert E. Howard, L. Sprague de Camp e Lyn Carter.
A mão que cria é arrojado na temática – não muito habitual na literatura brasileira – conhecida como ficção alternativa. Esse tipo de história constrói seus enredos utilizando personagens de outros autores, geralmente muito conhecidos e, preferencialmente, em domínio público. Muitos escritores importantes da fc&f internacional já usaram esse expediente, entre os quais o americano Philip José Farmer em The other log of Phileas Fogg, no qual reconta A volta ao mundo em 80 dias, de Júlio Verne, e o britânico Brian Aldiss em Frankenstein unbound, uma espécie de continuação delirante ao clássico de Mary Shelley.
O prefácio, assinado por Gerson Lodi-Ribeiro, conta rapidamente a história da ficção alternativa e sugere que este romance de Aragão seria o precursor do gênero no país. Passou perto. Alguns anos antes, mais exatamente em 1995, José J. Veiga e Jô Soares apropriaram-se do Sherlock Holmes de Arthur Conan Doyle em seus respectivos romances O relógio Belisário e O xangô de Baker Street. Contudo, A mão que cria não tem a mesma proposta daqueles autores. Enquanto Veiga e Soares tinham em mente a produção de uma obra original, com um toque sutil de ficção alternativa, Aragão mergulhou completamente na apropriação de personagens alheios: praticamente não há um único personagem original em toda a trama.
Em A mão que cria, o panorama mundial, especialmente o europeu, foi alterado para abrigar diversos personagens reais e literários emprestados de Júlio Verne e H. G. Wells. O próprio escritor francês torna-se ainda mais importante na medida em que, nos primórdios do século XX, é eleito presidente da França. Usando sua influência, Verne recruta todos os cientistas malucos que seu país pode pagar e lá instala o centro do mundo. O exercício de reconstrução histórica é minucioso e exaustivo, sendo o grande mérito do autor no trabalho.
Nesse ambiente, enfrentam-se dois antagonistas. Um deles, chamado Ariano, é uma versão livre do Caveira Vermelha, vilão das histórias em quadrinhos do Capitão América. Tão livre, aliás, que por muito tempo tive a impressão de que se tratava do monstro de Frankenstein. O outro é Lours, uma espécie de humano híbrido com golfinho, também inspirado em uma personagem das histórias em quadrinhos, possivelmente Aquaman ou Namor.
Gigantes entre os homens, Ariano e Lours competem pela liderança do mundo, apoiados por novas espécies inteligentes sobre a Terra: Ariano encontrou no meteoro caído em Tunguska em 1908, o elemento que precisava para criar sua própria raça de seguidores, os desmortos (inspirados nos zumbis do filme A noite dos mortos-vivos de George Romero), enquanto Lours comanda toda uma população de híbridos alterados geneticamente, como ele mesmo, a partir dos estudos de um certo Dr. Moreau (emprestado de A ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells).
O conflito entre Ariano e Lours inicia-se a partir de um triângulo amoroso apenas sugerido na trama, desdobra-se ao longo do século 20, atravessando duas guerras mundiais (ligeiramente diferentes por conta da presença das tecnologias imaginárias), culminando num confronto definitivo nos dias atuais. O romance é tão repleto de citações e homenagens que o autor decidiu inserir um apêndice relacionando boa parte delas.
O foco varia continuamente, sem fixar uma personagem condutora. As duas personagens principais cumprem apenas o papel de antagonistas uma da outra. Inumanas e sem qualidades morais, o leitor não consegue identificar-se com qualquer delas. Algumas personagens coadjuvantes demonstram empatia, mas surgem apenas para serem destroçadas poucas páginas adiante.
A narrativa usa períodos entrelaçados e sobrepostos, saltando do passado para o presente, depois para um passado ainda mais distante, para em seguida voltar tudo de novo, embaralhando a percepção do leitor, e parece ter confundindo também a da editora, que comprometeu o resultado final com gralhas de diagramação, revisão e continuidade.
Ainda que não seja de fato um romance longo, seu final parece chegar rápido demais e sem um grande clímax. O autor até reservou uma boa cena para ele, mas a sequência ininterrupta de ação intensa ao longo de todo o romance nivelou a narrativa num patamar tão elevado que não deixou margem para tal.*
Octavio Aragão é um contista talentoso e demonstrou isso mais de uma vez, porém, neste trabalho, uma narrativa convencional enfatizaria melhor o estranhamento e o vigor narrativo que A mão que cria inegavelmente tem. Até porque o romance, ainda que ágil e empolgante, já exige do leitor uma boa dose de cultura pop internacional e de conhecimento das raízes da literatura de fc&f, sem o que não percebe as inúmeras citações e homenagens que o autor plantou.
Contudo, penso que entendi a ideia geral: que é muito bom que o nosso mundo não tenha seguido o caminho que Octávio Aragão imaginou.

*Em 2018, o autor retornou ao universo de A mão que cria com o romance A mão que pune: 1890, pela Caligari, selo da Editora CJT, do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

A mão que pune

Depois de um prolongado hiato (seu último livro, Reis de todos os mundos possíveis, foi publicado em 2013 pela Draco), o professor e escritor carioca Octavio Aragão, que muitos conhecem como o pai do universo compartilhado Intempol, retornou em 2018 com o romance A mão que pune: 1890, pela Caligari, selo da Editora CJT, do Rio de Janeiro. Trata-se de uma ficção científica de contorno steampunk, que mistura ficção alternativa e história alternativa em uma aventura pulpesca movimentada no mesmo ambiente de seu primeiro romance, A mão que cria (Mercuryo, 2006).
Diz o texto da contracapa: "A missão de Angelo Agostini e sua gangue de párias imaginários serve de eixo a uma jornada insólita. Dos céus do Brasil às catacumbas de Paris. Do presidente Júlio Verne ao Imperador D. Pedro II. De Mary Shelley a Machado de Assis. Entre a história e a fantasia, há muitos enigmas em A mão que pune". A introdução é assinada por Christopher Kastensmidt.
O lançamento oficial aconteceu no dia 30 de novembro último, no Rio, e o livro impresso pode ser encomendado aqui.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Intempol recarregado

Depois de um longo tempo ausente, o universo compartilhado Intempol, criado pelo escritor carioca Octávio Aragão, vai ganhar sua segunda edição em quadrinhos. Trata-se do álbum Para tudo se acabar na quarta-feira, ilustrado pelo capixaba Manoel Ricardo baseado numa história de Aragão vista em 2007 na antologia lusobrasileira Por universos nunca dantes navegados, organizada por Luiz Filipe Silva e Jorge Candeias, com edição dos autores. A história trata das confusões ucrônicas dos agentes da Intempol, desta vez envolvidos com traficantes do Rio de Janeiro durante os desfiles de Carnaval.
O álbum de 64 páginas em preto e branco inaugurará o selo Dracomics da Editora Draco, que tem se especializado em livros de ficção científica. A editora anuncia que liberará inicialmente a versão digital, em novembro; a versão impressa será distribuída em dezembro. Trará ainda uma introdução assinada pelo escritor americano Philip Ellis Jackson, autor da trilogia Timeshift.
O primeiro álbum em quadrinhos da Intempol foi The long yesterday, publicado em 2005 pela Editora Comic Store. A antologia original de contos, publicada em 2000 pela Editora Ano Luz, encontra-se esgotada. Há algum rumor, sem confirmação, sobre sua republicação, bem como a respeito de uma segunda antologia de contos inéditos. Um bom desempenho deste novo álbum pode ser valioso para a retomada da franquia.