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quinta-feira, 25 de maio de 2023

Resenha do Almanaque: Lua negra, Laura Elias

Lua negra, Laura Elias. 190 páginas. Capa: Altair Sampaio. São Paulo: Mythos, 2010.

Lua negra é o segundo volume da série Red kings, sequência de Crepúsculo vermelho, publicado em 2009 pela mesma editora. Mas a leitura deste volume prescinde daquele e o leitor não terá dificuldade em acompanhar a história sem ter lido o primeiro volume, como foi o meu caso.
A protagonista da série é Megan Grey, jovem de dezessete anos de idade que mantém um relacionamento emocionalmente intenso com Bill Stone, líder da banda de sucesso The Red Kings of Dark Paradise e, não por acaso, também um descendente da linhagem dos rovdyr, raça inumana de caçadores de vampiros que sustentam uma guerra secreta com poderosas e tradicionais famílias de sugadores. Envolvida na disputa, Megan foi mortalmente ferida no primeiro romance da série e sobreviveu graças ao sangue de Bill que lhe foi administrado.
A história de Lua negra inicia durante um inverno especialmente severo, que tornou branca a paisagem da pequena cidade de Red Leaves, onde Megan vive com sua família, enquanto Bill está fora em excursão com sua banda. Mas o rigor desse inverno não é natural e sim decorrente do despertar de forças antigas e poderosas. Um exército feroz de monstros do Ártico está marchando para o sul, disposto a aniquilar tudo o que encontrar pelo caminho, e a onda de baixas temperaturas e tempestades violentíssimas é apenas seu cartão de visitas.
O risco de aniquilamento une vampiros e rovdyrs contra o inimigo comum, numa batalha sangrenta nos campos nevados de Red Leaves. Segredos de família, intrigas e fantasmas do passado vão tornar a relação de Megan e Bill uma montanha russa de acontecimentos trágicos, com muita ação e violência. Megan ainda enfrentará o despertar de estranhos poderes herdados do sangue rovdyr de Bill, que ela não entende e nem controla.
Laura Elias tem uma narrativa ágil, fluida e agradável, apesar do tema mórbido. A linha principal da história acompanha o ponto de vista da Megan mas salta, eventualmente, para plots paralelos. Há uma grande quantidade de personagens coadjuvantes orbitando a relação de Megan e Bill, que os mantém quase sempre afastados e levam a impetuosa Megan a meter-se em enrascadas mortais para ficar perto de seu amado.
Nem todos os mistérios apresentados na trama são explicados, uma vez que Lua negra não é uma conclusão e a história deve ter pelo menos mais um volume, provisoriamente intitulado Luz na noite, sem data de publicação definida*.
Laura Elias é fluminense de Barra Mansa, radicada em Santo André, no ABC paulista. Apesar de pouco conhecida, é uma autora experiente, com mais de 35 livros publicados sob diversos psedônimos, tais como Loreley Mackenzie, Sophie H. Jones, Suzy Stone, Laura Brightfield. A maior parte de sua obra é formada por romances populares realistas, mas a autora também navega no fantástico – como nos livros da série Red kings – e no infanto-juvenil, como no livro Tristin Mckey e o mistério do dragão dourado, assinado como Elizabeth Carrol, publicado em 2007 também pela Mythos. Sua produtividade autoral é invejável, e ela afirma com tranquilidade que consegue produzir um romance do porte de Lua negra em poucas semanas, pois esta é uma exigência comum no mercado em que ela atua.
A autora revelou, numa de suas muitas palestras e entrevistas, que o título e os nomes dos personagens de Crepúsculo vermelho foram definidos pelo editor, originalmente eram outros. Isso porque a Mythos não sabia se um romance de horror iria emplacar entre o seu público e Laura nunca havia trabalhado no gênero, embora sempre tivesse gostado dele. Quando Crepúsculo vermelho finalmente foi distribuído, em 2009, tornou-se o seu livro mais vendido, o que lhe deu maior liberdade em Lua negra.
Os livros da coleção Mythos Books seguem o padrão dos romances de banca tradicionais, como os das populares coleções Harlequim, Bianca e Sabrina, com capas envernizadas em papel mole e miolo em papel jornal impresso em rotativa. A produção é modesta, mas caprichada, com boa apresentação e revisão, e um preço ao consumidor bastante acessível.
Laura Elias foi pioneira nos romances fantásticos brasileiros dirigidos às mulheres e distribuídos em banca. Antes dela, tivemos apenas livros de pequeno porte dirigidos aos leitores masculinos, como os da Coleção Mini Bolso, da Editora Opera Graphica, da Coleção Império, publicada pela Editora MC, e da série Pocket Suspense, da Editora Fittipaldi. Contudo, o sucesso deste trabalho da Laura Elias não se confirmou como tendência de mercado, devido aos inúmeros problemas que assolaram a indústria editorial nos anos seguintes, bem como às mudanças radicais do modelo do negócio, se é que ainda podemos chamá-lo assim. Tanto é que a autora desapareceu desse ambiente e há anos não apresenta novos trabalhos. O que é uma grande pena, em todos os sentidos.

* O romance foi publicado em 2013 pela Editora Literata sob o título de A rainha vermelha.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Lua Negra

O fechamento do Anuário 2009 combinado com a Copa do Mundo mais uma gripe enjoada, me deixou fora de combate por alguns dias, mas não quero terminar o mês sem atualizar alguns posts, então vamos lá.
A escritora andreense Laura Elias anuncia que está previsto para 9 de julho próximo a distribuição de Lua negra, segundo volume de saga vampírica dos Red kings, iniciada em 2009 com o romance Crepúsculo Vermelho, pela editora Mythos.
Laura apresenta assim a sinopse de seu novo trabalho: "Após ter sido salva das garras da morte pelo sangue de seu amado Bill Stone, a jovem Megan Grey se vê às voltas com o misterioso avanço de criaturas monstruosas, que deixaram o gélido Ártico rumo à cidade de Red Leaves. Por alguma razão, a aproximação de tais criaturas está criando o pior inverno de todos os tempos no Hemisfério Norte. Como se isso não bastasse, Megan enfrenta transformações no próprio corpo, que ameaçam substituir sua natureza humana por outra, animalesca e totalmente selvagem.

Gigantes ancestrais, vampiros, rovdyrs, ódios e segredos milenares, temperados por uma paixão que atravessou vários séculos unem-se no segundo volume da Saga Red Kings, lançando a jovem Megan em um abismo de sombras, onde somente morrendo ela poderá continuar viva."
E para quem perdeu o volume inicial, a editora Mythos redistribuiu Crepúsculo vermelho nas bancas, preparando assim o mercado para este segundo volume. Ainda que seja uma publicação de banca, a qualidade dos volumes é muito boa, as capas são bem feitas como se pode ver, e o preço é convidativo. E como Crepúsculo vermelho vendeu muito bem, a autora deve ter gozado de mais liberdade na elaboração deste novo romance. Vale a pena conhecer.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Outras copas na opinião de Laura Elias


A escritora Laura Elias, autora do romance de vampiros Crepúsculo vermelho (Mythos, 2009), criou o blogue Letras Brasileiras exclusivamente para divulgar autores e livros brasileiros. Como ela mesma disse: "A ideia é criar uma vitrine de vários títulos e autores para começar a divulgação. Vale gente famosa e gente desconhecida."
Entre os títulos, Laura divulgou a antologia Outras copas, outros mundos, organizada por Marcello Simão Branco e publicada pela editora Ano-Luz em 1998. E também aproveitou para resenhá-la em seu próprio blogue, aqui. O mais interessante é que ela recomenda enfaticamente o livro como um bom presente para as mulheres darem aos seus namorados no próximo dia 12 de junho. Tudo a ver, afinal às vésperas de mais uma copa do mundo, os contos do livro estão atualíssimos. Muito obrigado pela força, Laura.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Crepúsculo vermelho

Esta me surpreendeu.
Estou trabalhando no fechamento da lista de livros de ficção fantástica publicados em 2009 e, há algumas semanas, durante minhas andanças, encontrei nas bancas o sugestivo romance Crepúsculo vermelho, de Laura Elias, publicado pela editora Mythos, que é obviamente uma historia de vampiros na esteira dos bestsellers de Stephanie Meyer.
O acabamento profissional do volume, que se apresenta nos moldes das coleções de histórias populares para mulheres, como as coleções da Harlequim e da Nova Cultural, levou-me a acreditar que se tratava de uma tradução, praxe nos títulos dessas duas editoras. Afinal, elas também costumam lançar histórias com vampiros, lobisomens e até viagens no tempo, sim senhor!
Geralmente, os fãs de literatura fantástica não dão muita bola para esses livrinhos que, apesar disso - ou talvez exatamente por isso -, vendem muito bem. Conheço muitas mulheres que leem essas histórias com avidez e os sebos mantêm uma seção bem organizada para elas, porque a procura é intensa.
Não é por acaso que a série Crepúsculo e outras do mesmo calibre estão fazendo tanto sucesso. Nada de novo sob o sol, esse tipo de história faz sucesso há décadas nos livrinhos de banca.
Bom, relacionei o título e a autora e, há pouco, fui a internet pesquisar o título original, coisa que nem sempre é fácil de identificar. E qual não foi minha surpresa ao me deparar com o blog da autora, que é brasileira, está publicando seus trabalhos desde 2005 pela Mythos e já emplacou nada menos que 26 títulos, mais quatro e-books. O blog relaciona todos eles, muitos publicados sob pseudônimos. A maior parte dos romances é realista, mas há dramas históricos e um bocado de fantasia, tudo regado com muito glamour e erotismo.
O Anuário sempre teve dificuldade em identificar esses títulos porque eles têm uma rotatividade muito alta e são republicados muitas vezes, mas desta vez conseguimos pescar alguns. E esse peixão acabou caindo na rede. Sorte nossa!