sábado, 2 de junho de 2018

Conexão Literatura 36

Está circulando o número 36 da revista eletrônica Conexão Literatura, editada por Ademir Pascale pela Fábrica de Ebooks.
A edição de 64 páginas destaca em entrevista o trabalho do escritor Otávio Bravo (Travessuras de minha menina má). Também são entrevistados os escritores Diego H. Favero (Cercada de segredos), Anália Souza (Os guardiões: A força), Bárbara Kristina (Os sentimentos das sombras), Piaza Merighi (O conto de Y: Raízes, espadas e ossos) e Marcelo Pereira Rodrigues (A queda). Ficções de Míriam Santiago e MBlannco e artigos de Rafael Botter e Eudes Cruz completam a edição. E continua aberto para submissões o concurso de contos "Os viajantes do tempo". Os vencedores serão publicados no número de julho da revista.
Conexão Literatura é gratuita e pode ser baixada aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

A floresta sombria

A floresta sombria (黑暗森林; The dark forest), Cixin Liu. 472 páginas. Tradução de Leonardo Alves. Editora Companhia das Letras, selo Suma, São Paulo, 2017.

Primeiro: a principal necessidade de uma civilização é a sobrevivência. Segundo: a civilização cresce e se expande continuamente, mas a matéria total do universo permanece constante.
Estas são as premissas que definem A floresta sombria, segundo volume da série Remembrance of Earth's past, do escritor chinês Cixin Liu, cujo primeiro volume, O problema dos três corpos, ganhou o prêmio Hugo em 2015 quando de sua tradução para o inglês, além de ter sido indicado para o Prêmio Nebula. A resenha a esse primeiro volume pode ser lida aqui.
Dividida em três partes, “Barreiras”, “O feitiço” e “A floresta sombria”, esta continuação trata do que acontece à Terra quando a frota alienígena trissolar inicia sua viagem de invasão que, mesmo a dez por cento da velocidade da luz, vai durar quatrocentos anos devido a grande distância entre os planetas.
O projeto de invasão, apresentado já no romance anterior, é administrado a partir de Trissolaria – um planeta que orbita um sistema estelar trinário em que as condições de sobrevivência são caóticas – através de sondas quânticas chamadas sófons, que se ligam à mente de certos humanos e permitem a comunicação instantânea com os alienígenas, algo similar ao ansível proposto pela escritora americana Ursula K. Le Guin em alguns de seus romances. A ação dos sófons também gera na humanidade um bloqueio mental que impede  o avanço da ciência terrestre, de forma que não seja possível defender-se da invasão, ainda que ela só vá acontecer em quatro séculos. O futuro conflito, chamado de Guerra do Fim do Mundo, deixa a humanidade em polvorosa e, embora seja algo distante, causa grande comoção porque tudo leva a crer que o homem será inevitavelmente exterminado pelos trissolarianos.
Para enfrentar o problema, a ONU cria um programa de longo prazo chamado Projeto Barreiras, e escolhe quatro homens especiais para desenvolverem, em segredo absoluto, estratégias que possam fazer frente a força trissolar. Os planos não podem ser discutidos com ninguém, pois os sófons trissolares poderiam descobri-los. Os quatro homens, que se tornam personalidades mundiais com plenos poderes para fazer o que fosse necessário para viabilizar suas estratégias, são: Frederick Tyler, ex-secretário de defesa dos EUA, o ex-presidente venezuelano Manuel Rey Diaz, o neurocientista inglês e prêmio Nobel Bill Hines, e o escritor chinês Luo Ji.
Desde o início, Lou Ji resiste a sua indicação, por não se considerar a altura de um projeto de tal magnitude, mas a forte pressão da ONU o obriga e ele finge concordar. Enquanto as demais barreiras promovem planos de altos impacto e custo, que buscam o desenvolvimento de superbombas, frotas de espaçonaves, máquinas de reprogramação mental, criogenia e outras tecnologias que, apesar de extrapoladas, são apenas avanços de conceitos científicos já existentes – pois as novas descobertas estão retidas pelo bloqueio sófon –, Lou Ji usa os poderes de seu estatuto para encontrar a mulher de seus sonhos e com ela viver um idílio pastoral num paraíso retirado. A falta de resultados palpáveis de Lou Ji irrita seus superiores que decidem congelar sua esposa perfeita e a filha que com ela teve, para serem descongeladas somente no futuro, e obrigá-lo a trabalhar a força de chantagem.
Mas os trissolarianos também não ficam inertes. Além de despacharem uma pequena frota de sondas não tripuladas que chegarão à Terra duzentos anos mais cedo, implementam o programa Destruidores de Barreiras, que seleciona humanos ligados a sófons para descobrir os planos das barreiras e anulá-los. Aos três figurões, os seus destruidores têm a missão de desmoralizar, no que são plenamente bem sucedidos, mas a Luo Ji, cujos planos são aparentemente indecifráveis, é decretada a pena de morte. Sua única providência acaba sendo enviar, para uma estrela distante, uma mensagem que ele chamou de "feitiço". Logo depois de disparar seu feitiço, Luo Ji contrai uma doença mortal desconhecida, aparentemente criada pelos trissolarianos para esse fim, e é congelado para ser despertado somente quando uma cura fosse descoberta.
Duzentos anos depois, às vésperas da chegada  da primeira sonda trissolariana, Lou Ji é curado e descongelado apenas para ser destituído de seu cargo de barreira. Ele encontra uma Terra muito diferente daquela que deixou no passado, com a sociedade vivendo em cidades subterrâneas autônomas, governada pela força de defesa espacial e absolutamente confiante de que vencerá a Guerra do Fim do Mundo. A chegada da sonda parece reforçar suas certezas, pois trata-se de um veículo tão belo e elegante que só pode ser um presente de paz. Mas o que virá a seguir é o horror da absoluta estupidez humana. Sem qualquer esperança, resta à humanidade lançar-se à orgia dionisíaca ou esperar que o desprezado e ridicularizado feitiço de Luo Ji cause enfim algum resultado.
A floresta sombria é um romance massivo, denso, de personagens vívidos e situações dramáticas intensas. Do ponto de vista formal, é tão ou mais elaborado que o volume anterior, e apresenta uma história mais evidentemente vestida de ficção científica, sem tantos elementos regionais chineses quanto visto em O problema dos três corpos. Também percebe-se a grande habilidade do autor em manter todas as costuras do enredo muito bem alinhavadas, com os eventos conclusivos dialogando diretamente com as conceitos apresentados nas primeiras páginas do romance, numa legítima hard fiction de dimensão cósmica desnorteante, ainda que as extrapolações futuristas do terço final revelem um panorama difícil de aceitar depois de seiscentas páginas de uma história em tudo contemporânea. Mas Liu não perde a mão, pois o foco segue sendo nos personagens. Curioso, neste aspecto, o fato que o único personagem do primeiro volume que se manteve neste foi o detetive Da Chi, que parece assim ser o avatar do autor na história. Também é importante observar que Liu apresenta, em meio ao romance, diversos conceitos filosóficos muito interessantes, que por si só justificam a sua leitura.
A edição da Editora Companhia das Letras em seu selo Suma – antes chamado Suma das Letras – é caprichada, com ótima tradução de Leonardo Alves e uma revisão muito boa, com poucos deslizes.  Promete publicar no Brasil ainda em 2018 a terceira e última parte da série, Death's end, originalmente publicada em 2010 e traduzida para o inglês em 2016.
Eis aqui uma trilogia que vale a pena acompanhar.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Hocus pocus high tech

Está disponível para leitura online o ebook Hocus pocus high tech, antologia de microcontos de ficção científica com até trinta palavras organizada por Luiz Bras.
Mais de 140 autores submeteram trabalhos para a edição que, na verdade, é a primeira etapa de um processo de seleção para escolher os 100 melhores dentre os 260 textos publicados. Os contos estão publicados um por página, conforme a ordem alfabética do nome dos autores, e a ideia é que cada leitor aponte seus dez textos favoritos, bastando para isso indicar os números das páginas que os contenham através de uma mensagem para o organizador em sua página no Facebook, aqui.
Quem tiver interesse em votar, colabore. Mas se não tiver, aproveite a leitura, pois há bons autores entre os textos submetidos. Só não vele votar nos próprios textos. O prazo de votação se encerrará no próximo dia 27 de maio. Vamos lá?

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Somnium 114

Maio é o mês do Somnium. Logo, está circulando a edição 2018 do fanzine do Clube dos Leitores de Ficção Científica editado por Ricardo Herdy, inteiramente dedicada a esse gênero especulativo, exatamente um ano após a edição 113.
Acredito que não é intenção do editor lançar apenas um único número por ano, visto que em suas origens a publicação era mensal, mas tem sido difícil para o clube manter suas atividades: em 2017 quase não houve o Prêmio Argos, que só rolou depois que o presidente da entidade pediu socorro pelas redes sociais. Da mesma forma, o seu órgão oficial tem dificuldades para seguir caminhando autonomamente, seja por falta de conteúdo, seja por carência de mãos para construir fisicamente a publicação, o que é lamentável visto o carinho que Herdy dedica a edição do material que garimpa tão arduamente. Mas me parece ser pior de tudo o fato de que os próprios membros do clube não referenciarem a publicação: na última edição do Argos acima referida, não houve um único finalista advindo do Somnium, e não por falta de qualidade do que foi publicado. Talvez seja hora do Clube rever suas estratégias de divulgação.
A edição traz contos de Ana Cristina Luz, Anatoly Belilovsky (EUA), Jana P. Bianchi, Jefferson J. Arenzon, Jorge Quillfeldt, Lou Antonelli (EUA), Jerry Wright (EUA), Ludmila Hashimoto, Michel Peres, Rachael K. Jones (EUA), Santiago Santos, Sylvia Spruck Wrigley (País de Gales) e Viviane Maurey. A presença de tantos autores traduzidos é reflexo direto da dificuldade do editor em reunir textos de autores brasileiros. Ainda publica artigos de Flávio Andrade e Mário André, e homenageia o fundador do CLFC, Roberto Cezar Nascimento, falecido há alguns anos, com depoimentos de Gerson Avillez, Gerson Lodi-Ribeiro e Ivan Carlos Regina. A capa traz uma ilustração Anderson Awvas.
Por hora, só foram distribuídas as versões epub e mobi do fanzine. Para baixar gratuitamente os arquivos basta clicar nos respectivos links. A versão pdf ainda está em produção e será anunciada oportunamente.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

45 anos de Velta, Tomo 2

Acredito que o paraibano Emir Ribeiro seja o fanzineiro mais veterano do Brasil neste momento. Ele começou a publicar sua personagem Velta ainda nos anos 1970, e foi uma das primeiras referências que tive nos fanzines, no início dos 1980, ao lado do saudoso Oscar Kern e sua Historieta. Emir nunca parou nem perdeu o pique, e todos os anos publica três ou quatro novas edições de Velta e outros personagens que criou, o que é sem dúvida um feito admirável. E acaba de sair mais uma nova edição, o Tomo 2 de 45 anos de Velta, cuja parte 1 saiu no finalzinho de 2017 e foi divulgada aqui.
Esta nova edição tem 64 páginas e traz duas hqs inéditas, em que Velta vai parar num planeta gelado onde encontra a alienígena Doroti, uma de suas mais perigosas inimigas. As capas são cartonadas e plastificadas, e a impressão é de alta qualidade.
A revista é comercializada exclusivamente no formato impresso e pode ser adquirida com o autor pelo email emir.ribeiro@gmail.com.
Mais informações sobre estas e outras publicações de Ribeiro podem ser obtidas em seu saite, aqui.

QI 150

Está circulando o número 150 do fanzine Quadrinhos Independentes-QI editado por Edgard Guimarães, dedicado ao estudo dos quadrinhos destacando a produção independente e os fanzines brasileiros.
A edição tem 32 páginas e traz os artigos "Literatura popular no Brasil" e "Romance ilustrado", o ensaio "A natureza urbana" com fotos de calendários de bolso, além dos quadrinhos de Luiz Claudio Lopes Faria, Wagner Teixeira Rabiscos, colado na seção de cartas), Antonio d'Lima e do editor. Completam a edição as colunas "Fórum" e "Edições independentes" divulgando os lançamentos de fanzines do bimestre. A coluna "Mantendo contato" agora publica a entrevista com Fernando Bonini, anunciada na edição 148, que por um engano na diagramação acabou não saindo. A capa traz uma ilustração de Guimarães.
Dias (que tem encartado o minizine
A cada edição, Guimarães inventa uma ideia interativa que me recorda o fanzine Cardiopoesia, de Sammis Reachers, publicado no início do século, que trazia dispositivos muito interessantes ainda não replicados por outras publicações. Mas QI está no caminho certo. 
Junto à edição, o assinante recebe Mestres das Histórias em Quadrinhos 1: Jayme Cortez, fascículo com 8 páginas com um ensaio de Carlos Gonçalves sobre este importante quadrinhista português de nascimento e brasileiro de coração.
O QI impresso é distribuído exclusivamente por assinatura, mas sua versão digital, bem como do encarte, estão disponíveis no saite da editora Marca de Fantasia, aqui. Edições anteriores também podem ser encontradas no mesmo link. E com a vantagem das imagens em cores, que deixam a publicação muito mais bonita.

sábado, 12 de maio de 2018

Múltiplo 18

Está circulando o número 18 do fanzine virtual de quadrinhos Múltiplo, editado por André Carim.
A edição de 82 páginas destaca o trabalho do ilustrador Mario Cau, ganhador do prêmio HQMix 2017, que cedeu uma longa entrevista e também assinou as capas da edição.
Em um curioso artigo, o mestre Júlio Shimamoto demonstra mais um de seus métodos inusitados de desenho, desta vez com ferro de solda sobre papel térmico: um achado.
Nos quadrinhos, trabalhos de Carim, Elenílton Freitas, Eduardo Souza, Leo Laino, Décio Ramirez, Jhonas Vieira, Maurício R. Augusto e João Carlos Magiero. Ilustrações de Luiz Iório, May Santos, Estêvão Moraes e Serj D’Lima Plácido completam a edição.
A publicação pode ser lida online ou baixada gratuitamente aqui e as dições anteriores também estão disponíveis. O zine também pode ser encomendado em formato impresso, aqui.