sábado, 18 de maio de 2013

Ray Harryhausen (1920-2013)

Neste mês de maio, o mundo perdeu Ray Harryhousen, um dos mais importantes técnicos do cinema de ficção fantástica.
Nascido em Los Angeles, em 29 de junho de 1920, Harryhousen ficou fascinado pelo mundo do cinema aos treze anos de idade, ao ver o clássico King Kong (1933). Os impressionantes efeitos especiais executados por Willis O’Brien, que davam vida ao gorila gigante a partir de uma miniatura animada pelo processo do stop-motion, levaram o jovem Ray a dedicar toda a sua vida ao desenvolvimento dessa arte, que cria a ilusão de movimento a partir da fotografia, quadro a quadro, de miniaturas articuladas.
Harrihousen começou fazendo seus próprios filmes em sua casa, com uma câmera de 16 mm.
Começou a trabalhar profissionalmente em documentários de Frank Capra e nos filmes de George Pal, mas sua grande chance veio quando fez a animação para o filme Mighty Joe Young (1949), de Ernest B. Shoedsack, o mesmo diretor de King Kong, trabalhando ao lado de seu ídolo, Willis O’Brien. Ali ele também ajudou a desenvolver outros efeitos especiais que dominariam a indústria do cinema por muitas décadas, como o rear projection (montagens a partir de projeções) e o matte painting (pinturas realistas em vidro).
Harryhousen também fez os efeitos de vários filmes clássicos, como os dinossauros de The animal world (1956), o Kraken de It came from beneath the sea (1955), o Rhedosaurus de The beast from twenty thousand fathoms (1953), a invasão alienígena de Earth versus the flying saucers (1956) e o impressionante monstro Ymir, de Twenty million miles to Earth (1957). Contudo, Harryhousen costuma ser mais lembrado pelos efeitos que realizou na série de filmes de Simbad o marujo, personagem inspirado nas histórias de As mil e uma noites, com uma pletora de monstros mitológicos, tais como o pássaro Roca, o Grifo e o Ciclope.
Seu momento culminante certamente está nos efeitos especiais realizados para o clássico Jason and the argonauts (1963), com a Hydra, as harpias, os guerreiros-esqueleto e outras visões aterrorizantes dos mitos clássicos. O mais recente trabalho do mestre a impressionar os expectadores foi a primeira versão de Clash of the titans (1981), no qual a técnica do stop-motion atingiu uma qualidade nunca vista anteriormente.
Apesar de sua importância e influência, Harryhousen ganhou apenas um Oscar, justamente por seu primeiro trabalho, Mighty Joe Young, dividido com O'Brien. Em 1992, a Academia reconheceu sua obra com um Oscar honorário e, em 2005, Harryhousen foi incluido no Science Fiction Hall of Fame.
Harryhousen morreu no dia 7 de maio de 2013, aos 92 anos.
Foto: Carl Court/AFP

Ditadura do prazer

Recebi o recém-lançado livro Ditadura do prazer: Sobre ficção científica e Utopia, do pesquisador acadêmico Ramiro Giroldo, uma expansão do seu trabalho de mestrado "A ditadura do prazer: ficção científica e literatura utópica em Amorquia, de André Carneiro", defendida em 2008.
Este novo ensaio avança para além do estudo de um único livro e faz um levantamento da utopia como tema recorrente e tradicional na ficção científica, com citações a diversos autores da fc estrangeira e nacional, em especial os trabalhos de André Carneiro.
O livro é dividido em 3 partes principais: "Sobre ficção científica", "Sobre utopia" e "A ditadura do prazer", nos quais são tratadas questões historiográficas, críticas e conceituais sobre a utopia e sua nêmesis, a distopia. Um estudo raro e interessante que merece ser lido com atenção por todo aquele que tem interesse no tema como pesquisador e, especialmente, como autor.
O livro tem 108 páginas e é uma edição da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, onde Giroldo é docente e realiza suas pesquisas. Altamente recomendado.

Fanzinada SBC

No último dia 29 de abril, aconteceu na Gibiteca Eugênio Colonnese, em São Bernardo do Campo, mais uma edição da Fanzinada, a primeira que rola no Grande ABC depois da sua estreia, no início de 2011, no espaço cultural Gambalaia, em Santo André.
O evento tem agora um formato bem definido, que a sua organizadora, a fanzineira e arte-educadora Thina Curtis, elaborou ao longo de uma série de ações similares em espaços públicos e particulares de diversas cidades do País.
Um dedicado grupo de colaboradores compareceu à Gibiteca, desde as primeiras horas desse sábado ensolarado, para realizar a programação que incluiu oficinas de desenho, quadrinhos, literatura e grafite, exposições e a apresentação da banda de rock Poemas de Maio, que encerrou o evento executando canções de sua autoria, na concha acústica da Gibiteca.
Entre as exposições, rolou uma mostra das capas do fanzine Hiperespaço, que em 2013 completa 30 anos do lançamento de seu primeiro número. Os presentes receberam exemplares fac-símiles da edição. Também rolou uma exposição-relâmpago sobre Eugênio Colonnesse, o saudoso patrono da Gibiteca de São Bernardo, com caricaturas desse mestre dos quadrinhos feitas pelos artistas presentes.
Minha participação pessoal foi amplamente recompensada com o encontro de grandes companheiros, alguns dos quais ainda não conhecia pessoalmente, como o simpaticíssimo quadrinhista e acadêmico Gazy Andraus, criador e incentivador do quadrinho filosófico, bem como o animado pessoal do projeto Chroma, dedicado ao fomento do quadrinho como instrumento educativo, que realizou ali as oficinas de desenho.
Também abiscoitei exemplares dos fanzines Suburbia Horror Show, publicado pelo sempre entusiasmado Iam Godoy, que lá esteve com a eterna companheira, a também fanzineira Rosana Raven, e O robô nunca faz greve, coletâneas de tiras divertidas e criativas de Silva, o Operário 35 (contatos em melimdaniel@yahoo.com.br).
Ainda ganhei da escritora Fernanda de Aragão, outra constante colaboradora das Fanzinadas, um exemplar de sua coletânea Língua Crônica, publicada em 2010 pela editora Letra Corrida, livro de estreia da autora, premiado pela União Brasileira de Escritores. Fernanda dirigiu uma oficina literária de bolso com alguns dos presentes, entre os quais eu mesmo, cujo resultado final reproduzo abaixo:
"Lentamente, pela porta, saia o homem. Resistia abandonar as paredes que lhe fizeram companhia nos últimos meses. Emagrecera. Suas roupas largas caíam em dobras, sustentadas por cinto, suspensórios e presilhas. Mas estava pronto. Era a sua hora, não voltaria mais aquela casa. A arma na cinta garantia que o serviço seria feito. Tudo pronto. A morte o esperava."
Há uma pequena trapaça de minha parte aqui, mas não vou contar qual é. Quem perceber, pode denunciar minha fraude nos comentários, logo depois da fotos. Mais imagens do evento podem ser vistas no álbum que publiquei no Facebook, aqui.
Uma outra Fanzinada está sendo negociada com a Biblioteca de Santo André, para o início do segundo semestre de 2013. Divulgarei aqui assim que tiver mais detalhes a respeito.

Arlequim 22

Recebi do editor Roberto Hollanda, a novíssima edição 22 do fanzine Arlequim, que avança por um novo e misterioso arco de histórias, mantendo a proposta de trabalhar com relevantes referências da literatura fantástica.
Desta vez, a boneca Emília não participa da história, intitulada "Começando do fim". Hollanda invoca a saga de Gilgamesh, mito sumério que é um dos mais antigos relatos da humanidade, e que muitos consideram precursor da fantasia e da ficção científica. A hq tem um estilo incomum, uma constante dos trabalhos do autor, que lança mão de imagens inspiradas nas tábuas sumérias. Completam a edição artigos sobre Gilgamesh e sobre a série de tiras Boner's Ark, do cartunista estadunidense Mort Walker.
Harlequim 22 tem 28 páginas, capa em cores, e pode ser encomendada com o editor através do email arlequimhc@yahoo.com.br.

Luluzinha: Primeiras histórias

Luluzinha foi uma série de revistas de histórias em quadrinhos que fez um sucesso estrondoso no Brasil ao longo dos anos 1960, ao ponto de ter ganhado até uma canção famosa pelo popular Trio Ternura, grupo vocal que gravou diversas músicas sobre personagens dos gibis.
É espantoso que essa personagem, criada em 1935 pela cartunista estadunidense Marjorie Handerson Buell, a Marge, tenha caído no esquecimento por toda uma geração de leitores. A chegada às bancas, há alguns anos, de uma versão alterada que em nada lembra o excepcional trabalho anterior, favoreceu, contudo, a volta das histórias originais, agora em um luxuoso álbum publicado pela Pixel, o selo de quadrinhos da Ediouro.
Luluzinha: Primeiras histórias, como diz o nome, reúne algumas das aventuras iniciais da personagem, publicadas entre 1945 e 1950. O álbum seleciona as primeiras aparições de personagens como Bolinha, Plínio, Alvinho, Glorinha e a Bruxa Alcéia, em histórias realizadas por John Stanley e Inving Tripp para a Dell Comics, com toda a carga cultural daqueles tempo politicamente incorretos, entre as quais está "O bicho-papão", que chegou a ser censurada nos EUA. A proposta da editora brasileira foi manter as características da época, inclusive com as páginas levemente amareladas emulando o papel em que as revistas em quadrinhos eram publicadas.
A edição ainda traz um valioso artigo historiográfico assinado pelo especialista Octacílio D'Assunção, que também organizou a edição brasileira, e acompanha um interessante quebra-cabeças temático.
Luluzinha: Primeiras histórias tem 128 páginas em papel brilhante, capa cartonada e custa R$16,90.

domingo, 12 de maio de 2013

Homenagem a um herói e uma vampira

O quadrinhista paraibano Emir Ribeiro lançou mais uma edição especial com Velta – a mais conhecida personagem dos quadrinhos alternativos brasileiros. Trata-se de 40 anos de Velta, Tomo 2: Homenagem a O Judoka da Ebal, álbum de 68 páginas em preto e branco, no formato magazine, com a história "A quadrilha do kung fu", que reúne Velta e Jodoka, saudoso personagem criado em 1969 pela Editora Brasil América para compor sua linha de quadrinhos de super-heróis. O Judoka era publicada ao lado das revistas com personagens das editoras americanas Marvel e DC, acabou contaminado pela mitologia daquelas e agradava os leitores por ser o único que circulava por cenários familiares aos brasileiros. Publicado até 1973, com mais de 40 edições lançadas, é ainda hoje um dos super-heróis nacionais mais bem sucedidos no mercado, o que muito se deve ao trabalho de seus muitos e ótimos ilustradores.
Esta edição tem desenhos do próprio Emir, que foi auxiliado no roteiro por Antonio Luiz Ribeiro – com o qual não tem nenhum parentesco, apesar do nome.
A publicação também apresenta um artigo com a cronologia das histórias de Velta, além de depoimentos dos autores sobre sua relação com a revista O Judoka. A capa traz uma bela ilustração de Adauto Silva.
O álbum está disponível ao preço promocional de R$20,00 e pode ser encomendado diretamente com Emir Ribeiro, pelo email emir_ribeirojp@yahoo.com.br, com direito a um brinde exclusivo para os primeiros 500 compradores. A publicação é indicada a para leitores adultos.
Ribeiro também anunciou o lançamento Michèlle, a Vampira, compilando todas as histórias da personagem por ele criada, publicadas nos anos 1980. O álbum narra as aventuras de uma vampira que habita a região do atual estado do Maranhão durante a Invasão Francesa. Publicação da independente Edições Waz, o álbum tem 84 páginas, custa R$19,90 e pode ser adquirido aqui.

Máquina Macunaíma

Luiz Bras, autor de ficção científica que veio de um mundo paralelo, divulgou que alguns exemplares de um de seus livros publicados somente no outro universo foram contrabandeados para esta realidade. Trata-se da secretíssimo Máquina Macunaíma, coletânea de 224 páginas com doze contos desse autor nascido na mítica cidade de Cobra Norato (pode procurar: ela realmente não existe nos nossos mapas).
Bras diz que o livro apresenta uma "nova safra de narrativas insólitas e fantásticas, a maior parte delas sobre o pós-humano".
Bras é autor da excelente coletânea Paraíso líquido, e dos romances Babel Hotel e Sozinho no deserto extremo, todos publicados normalmente em nosso contínuo espaço tempo. Desta nova coletânea, contudo, existem aqui apenas 50 exemplares, por isso, apresse-se para garantir o seu. Mas será preciso procurar, pois trata-se de um livro muito, muito secreto...