terça-feira, 16 de maio de 2017

Um estudo da fc&f brasileira em 2016

Em 2016, voltei às carteiras escolares, mais exatamente ao curso de Filosofia na Universidade Federal do ABC, Campus São Bernardo do Campo. Nos primeiros quadrimestres do curso, a grade curricular é básica para todos os estudantes de Bacharelado em Ciências e Humanidades, que é o caso de Filosofia. Dessa forma tenho disciplinas de várias áreas de Humanas e Tecnologia.
Neste quadrimestre, cursei a disciplina de Bases Computacionais da Ciência, com o professor Cesar Giacomini Penteado que, entre outras coisas, solicitou que a turma se organizasse em grupos e que fizessem trabalhos de estatística com as ferramentas tratadas no curso. Junto comigo ficaram no grupo os colegas Amanda Soares de Melo, Tiago Rocha do Nascimento e Vinicius Brambilla Alakaki.
Como o tema do trabalho era livre, e com uma pequena influência minha, o grupo aceitou trabalhar sobre os lançamentos de ficção fantástica brasileira em 2016, cuja planilha eu já tinha pronta (ou quase) para publicação.
A relação completa dos lançamentos ainda não foi publicada – voltarei ao assunto no momento oportuno –, mas o resultado do trabalho pode ser lido aqui. O texto não é longo, mas  meus colegas fizeram intervenções analíticas muito interessantes, vale a pena conferir.
A UFABC, por ser caráter de pesquisa científica, parece dar boa abertura para a ficção fantástica, e a fc em particular. Outras ações podem vir no futuro.

Fanzine Ilustrado

Nova proposta de André Carim – editor do fanzine Múltiplo. A cada edição, o Fanzine Ilustrado destaca um importante ilustrador brasileiro.
A publicação tem pouquíssimo texto, um mínimo só para contextualizar o artista. O foco são as ilustrações, exibidas no estado da arte, com muito colorido.
A primeira edição, lançada em março, tem 92 páginas ilustrações e pinups do premiado caricaturista carioca Nei Lima.
O segundo número, de abril, tem 81 páginas em homenagem ao quadrinhista Julio Shimamoto, e podemos apreciar com prazer o trabalho do mestre como artista plástico, fora do modelo dos quadrinhos com que estamos habituados.
As edições podem ser baixadas nos links respectivos, e versões impressas estão disponíveis no saite Clube de Autores, aqui.

Conexão Literatura 23

Está circulando o número 23 da revista eletrônica Conexão Literatura, editada por Ademir Pascale pela Fábrica de Ebooks.
A edição tem 54 páginas e destaca o trabalho de Carolina de Jesus (1914-1977) uma das primeiras escritoras brasileiras negras, autora do clássico Quarto de despejo. A publicação traz contos de Mírian Santiago, Helder Félix de Souza Júnior e Amanda Leonardi, crônicas de Rafael Botter e Misa ferreira, resenha de Eudes Cruz ao livro Diário de uma escrava, de Rô Mierling, e entrevistas com Carla Krainer (Júlia), Fathyma Jaguanharo (Cárcere de sonhos), Morais de Carvalho (Todos iguais, poucos diferentes) e Sofia Silva (Sorrisos quebrados).
A revista é gratuita e pode ser baixada aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.

Múltiplo 6 e 7

Estão disponíveis duas novas edições do fanzine virtual de quadrinhos Múltiplo, editado por André Carim.
O número 6, de abril de 2017, tem 104 páginas e destaca o trabalho do fanzineiro e quadrinhista Juvêncio Veloso como o entrevistado do mês, e também entrevista o quadrinhista e acadêmico Gazy Andraus. Nos quadrinhos, trabalhos de Cayman Moreira, Salatheil Anacleto, Calazans, Edgard Guimarães, Edgar Franco, Orlando, Bira, Wanderley e Rafael Portela. A capa traz uma ilustração de Cayman Moreira.
O número 7, de maio, também tem 104 páginas e evidencia os trabalhos do astro dos quadrinhos Mike Deodato e do quadrinhista fanzineiro Carlos Henry. Nos quadrinhos, Airton Marcelino, André Carim, Carlos Henry, Glauco Torres, Flávio Calazans, Isaac Tiago, Edgard Guimarães e Márcio Sennes, além de um artigo sobre o quadrinhista Fernando Marques. A capa é assinada pelo mestre Julio Shimamoto. As edições são completadas com ilustrações avulsas, artigos, divulgação de fanzines e cartas dos leitores.
As publicações podem ser baixadas gratuitamente nos links correspondentes. Edições anteriores também estão disponíveis.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O livro de Moriarty

O livro de Moriarty (The book of Moriarty), Arthur Conan Doyle. 416 páginas. Tradução e apresentação de José Francisco Botelho.  Editora Companhia das Letras, selo Penguin Companhia, coleção Clássicos. São Paulo, 2017.

Nem é preciso ser um grande leitor de romances de mistério para reconhecer o nome Moriarty. A simples menção desse nome faz surgir uma série de dúvidas e questionamentos. Apesar de ser tão conhecido, Moriarty é um grande mistério, certamente o maior de todos os mistérios que rondaram os pesadelos do maior detetive de todos os tempos, Sherlock Holmes.
Quem viu o filme Sherlock Holmes: O jogo de sombras (Sherlock Holmes: A game of shadows, 2011, Guy Ritchie), por certo deve ter ficado impressionado com a evidência de Moriarty na trama: um antagonista enérgico e decidido, com o poder de movimentar forças acima de qualquer outro mortal. Pois, via de regra, é essa a imagem que o vilão tem no imaginário dos fãs de Sherlock Holmes.
Mas a fama de Moriarty excede seu efetivo significado, e isso fica muito claro na leitura de O livro de Moriarty. Trata-se de uma coletânea com todos os textos (cinco contos e um romance) escritos por Doyle nos quais se insinua a sombra do "Napoleão do Crime", como diria Holmes. Em alguns, é apenas uma citação, em outros, o gênio do mal até chega dá o ar de sua graça, mas sempre de forma transversal e reticente. Porque a grande habilidade de Moriarty é justamente ficar à parte, resguardado de qualquer perigo ou comprometimento que possa atingi-lo.
A introdução escrita por José Francisco Botelho é um show à parte. Além de contextualizar autor e obra, conta detalhes curiosíssimos sobre a mitologia do personagem e sua relação com os leitores que, podemos dizer, foi o primeiro modelo de um fandom organizado. Porque a obsessão dos leitores por Holmes criou um verdadeiro culto, em que a realidade e a ficção estão de tal forma amalgamados que é quase impossível discernir entre uma e outra. Pois os fãs, todos altamente especializados, elaboraram todo tipo de teorias sobre Holmes, Watson e os personagens que aparecem nas histórias – inclusive o famigerado Moriarty. Teria Holmes realmente existido? Alguns afirmam convictamente que sim. Que Doyle nada mais fez que redigir, de forma coerente, as histórias dessa surpreendente personagem, a partir dos relatos do Dr. Watson.
O cuidado com que as histórias foram escritas, a grande quantidade de referências reais (ou quase) e a estrutura firme que amarra a série, sem falar de muitos outros elementos, fazem de Sherlock Holmes um repositório de lendas urbanas e emprestam a Moriarty muito mais que uma aura opressora.
A primeira história é "O problema final", justamente aquela em que Doyle, cansado de seu personagem – apesar da fortuna que lhe trouxe – decidiu matá-lo. E o consumador desse crime não poderia ser ninguém além de Moriarty. Contudo, no texto seguinte, "A aventura da casa vazia", mostra a volta de Holmes do reino dos mortos, numa história em que o detetive terá de usar de extrema astúcia para capturar um dos mais perigosos asseclas de Moriarty.
As histórias seguintes têm ainda menos interferência de vilão. Em "O caso do construtor de Norwood", Holmes busca inocentar um homem que parece claramente culpado de um assassinato macabro. Em "O caso do jogador de rúgbi", Holmes precisa encontrar o craque do esporte que aparentemente desapareceu do mundo dos vivos. Em "Sua última mesura", Holmes usa sua "magia" para impedir um espião alemão de concluir seus planos sinistros. Em "O caso do cliente ilustre", Holmes tem de impedir uma jovem aristocrata de cair nas garras de um trapaceiro internacional. Fecha o volume o romance "O Vale do Medo", que toma metade das suas 416 páginas. Na primeira parte, Holmes tem que descobrir como um homem foi morto dentro de sua própria casa por alguém que, aparentemente, não existe. Resolvido o mistério, a segunda parte do romance conta a vida pregressa da vítima, numa história surpreendente, quase um faroeste, sobre como um esperto detetive da Pinkerton desbarata uma gangue de criminosos numa região carvoeira dos Estados Unidos.
Dessa forma, O livro de Moriarty cumpre o papel de desmistificar o Napoleão do Crime, embora, a sua maneira, o próprio Sherlock Holmes resista heroicamente a isso. O que nos leva a concluir que, talvez, a melhor estratégia de Moriarty seja justamente convencer a todos nós de que ele não é assim tão perigoso.

Prisma Negro

Há algum tempo que a fronteira entre os fanzines e as revistas ficou muito imprecisa. Tanto as editoras ditas comerciais começaram a investir em quadrinhos autorais, na linha antes própria dos fanzines, quanto estes passaram a ser publicados com tal qualidade técnica e gráfica ao ponto de serem confundidos com as produções comercias. Este é o caso de Prisma Negro, revista de quadrinhos de autoria de Andy Corsant, quadrinhista catarinense autor tanto do enredo quanto dos desenhos da edição.
Prisma Negro traz um conto gráfico de fantasia urbana em que três jovens desesperançados são simultaneamente visitados por misteriosos emissários que lhes entregam arquivos de canções digitais de uma banda desconhecida, justamente chamada Prisma Negro, pelas quais os garotos ficam obcecados. As canções, a qual eles se apegam com ardor, conduzirão suas almas torturadas a um significado maior em suas vidas.
Diz o texto na contracapa: "Uma menina precocemente grávida de um rapaz ainda mais jovem e incapaz de assumir a paternidade. Em uma conceituada escola de segundo grau, um aluno é repetente por perseguição de um professor arrogante. O namoro dissolvido faz um garoto rejeitado sofrer pesadas agruras. Vivendo seus dilemas pessoais solitariamente, esses três adolescentes serão unidos por forças obscuras, responsáveis por fazê-los experimentar estranhas distorções na realidade e nos cursos de suas vidas."
A história é sensível e bem contada, os desenhos são competentes e o acabamento da publicação, como já foi dito, é muito bom. A revista, que foi publicada pelo autor em 2017, tem 48 páginas e, além da hq em si, não traz nenhuma informação sobre o autor e a obra. Mas algumas dicas podem ser obtidas no blogue do autor, aqui, onde, aliás, a revista também pode ser adquirida.

QI 144

Está circulando o número 144 do fanzine Quadrinhos Independentes-QI, editado por Edgard Guimarães, dedicado ao estudo dos quadrinhos destacando a produção independente e os fanzines brasileiros.
A edição tem 32 páginas e traz artigo sobre o super-herói brasileiro Escorpião, criado em 1966 por Wilson Fernandes, "Conselhos" do quadrinhista espanhol José Toutain, artigo de Lio Guerra Bercony sobre a revista Oscarito e Grande Otelo, quadrinhos de Luiz Cláudio Lopes Faria e do editor, e as colunas "Mantendo contato", "Fórum" e "Edições independentes" divulgando os lançamentos de fanzines do bimestre. A capa tem uma ilustração do editor, com uma discretíssima aplicação de cor executada manualmente.
Junto à edição, os assinantes recebem Artigos sobre Histórias em Quadrinhos 6: Red Ryder, fascículo de 12 páginas com um estudo de autoria do colecionador português Carlos Gonçalves, com muitas capas de edições raras desses personagem muito popular nos anos 1930, também conhecido como Bronc Peeler.
Os assinantes recebem ainda, de brinde, o número 13 do fanzine Quadritos, editado por Marcos Freitas pela editora Atomic Books, uma edição luxuosa com 64 páginas e capas em cores, que destaca o trabalho de Elmano e traz quadrinhos de Mozart Couto, Julio Shimamoto, Calazans, Lafaiete, Edgar Franco, Guabiras, Paulo Paiva, além de muitos artigos interessantes sobre a Nona Arte.
O QI é distribuído exclusivamente por assinatura, mas sua versão digital estará disponível em breve no saite da editora Marca de Fantasia, aqui. Mais informações com o editor pelo email edgard.faria.guimaraes@gmail.com.