sábado, 21 de janeiro de 2012

10º Encontro de Cartunistas do ABC e São Paulo

Seguindo a tradição, está confirmada a realização do 10º Encontro de Cartunistas do ABC e São Paulo, que acontece dia 29 de janeiro de 2012, a partir das 16 horas, no salão de festas do Frans Café da Av. Portugal, 1126, em Santo André/SP.
A atividade é uma iniciativa da Editora Virgo e do cartunista Mario Mastrotti em comemoração ao Dia do Quadrinho Nacional, e sempre recebe uma boa quantidade de artistas do traço: cartunistas,caricaturistas, quadrinhistas, tiristas, ilustradores e artistas gráficos que passam o tempo fazendo cartuns e caricaturas dos presentes.
Nesta edição, os artistas serão convidados a construir, na hora, um varal de caricaturas do padroeiro dos quadrinhos brasileiros, Angelo Agostini (1843-1910), um dos primeiros artistas a produzir histórias em quadrinhos no mundo. Estarão disponíveis para venda no local os livros da série Tiras de Letra, a única publicação periódica de tiras do país, além de outras publicações de humor gráfico.
Também vai rolar um festival de sons antigos em vinil; quem quiser, pode levar suas preciosidades para girar na pickup, bem como suas publicações para divulgar entre os presentes.
Fanzineiros, escritores, editores, animadores, gravadores, colecionadores de vinil, gibis, livros, brinquedos, simpatizantes e curiosos também serão todos muito bem vindos!
Veja aqui algumas fotos do Encontro de 2011.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O Tintim de Spielberg

Na manhã do dia 9 de janeiro, uma segunda feira, tive o privilégio de assistir à uma exibição especial para a imprensa do novo filme de Steven Spielberg, As aventuras de Tintim: O segredo do Licorne (The adventures of Tintin: The secret of the Unicorn). O evento aconteceu numa das salas de cinema do Shopping Bourbon, em São Paulo, dotada de tecnologia de projeção 3D IMAX, que é um dos mais expressivos apelos da indústria para motivar os espectadores a assistirem filmes fora de suas casas. Até é legal, mas muito mais que a magia do 3D, o que realmente impressiona é o gigantismo de tela. Nem mesmo no tempo do Cinemascope do saudoso Cine Comodoro a tela foi tão grande.
Mas no caso de um filme de Spielberg, todos esses apelos são secundários. O que realmente faz a diferença é a qualidade do trabalho do diretor, suficiente para sustentar qualquer filme, mesmo numa tela pequena.
Tintim conta uma história movimentadíssima estrelando o famoso personagem dos quadrinhos, um jornalista adolescente criado pelo quadrinhista belga Hergé – ou Georges Prosper Remi (1907-1983) –, que viaja pelo mundo investigando mistérios para um jornal de Bruxelas.
Desde 1981, Spielberg sonhava em fazer um filme com Tintim, pois muita gente havia comentado com ele as inúmeras similaridades entre o personagem belga e a sua criação, o arqueólogo Indiana Jones. Spielberg até havia negociado alguma coisa diretamente com Hergé, antes da sua morte em 1983, mas o licenciamento final só foi obtido em 2007. Com o apoio do neozelandês Peter Jackson, diretor da premiada trilogia O senhor dos anéis, Spielberg preparou roteiros para três filmes com o personagem e, desde então, vinha produzindo o primeiro longa metragem com grande expectativa do público.
As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne foi lançado em outubro de 2011, na Bélgica, inaugurando um novo conceito em animação que eleva a arte a um patamar inédito de realismo e deve indicar um novo rumo para as adaptações dos quadrinhos no cinema.
Apesar de uma textura "live action", Tintim é de fato um filme de animação, produzido através de uma tecnologia de captação de movimentos reais, conhecida como "motion capture", com movimentos extremamente naturais somados a uma produção de arte hiper realista, na qual apenas as fisionomias propositalmente caricatas dos personagens revelam tratar-se de uma animação.
Combinando trechos de pelo menos quatro aventuras independentes do personagem, a história inicia  seguindo, passo a passo, o roteiro do álbum homônimo, O segredo do Licorne, com direito a uma ponta do próprio Hergé logo na primeira cena, fazendo a caricatura de Tintim numa feira de antiguidades ao ar livre numa praça do romântico centro de Bruxelas, em alguma época próxima a 1940. Ali, Tintim compra a bela miniatura de uma caravela, o Licorne do título, que imediatamente passa a ser disputada por mais dois homens. O interesse deles não é ocasional pois, sem que Tintim saiba, a miniatura esconde em um dos mastros a pista da localização de um tesouro histórico. Tintim é envolvido numa trama patrocinada pelo diabólico Saccarin, descendente do malvado pirata Rackham o Terrível, que pretende recuperar o tesouro perdido a qualquer custo.
A partir daqui, a história segue o roteiro de O caranguejo das pinças de ouro. Seqüestrado pelos asseclas de Saccarin e aprisionados no cargueiro Karabudjan, Tintim e seu cachorrinho Milu conhecem Haddock, o alcoólatra porém inocente capitão do navio. Juntos, eles vão lutar para impedir a concretização dos planos nefastos do vilão. A aventura os levará do meio do Oceano Atlântico ao deserto do Saara, de uma perseguição alucinante pelas ruas de uma cidade árabe no melhor estilo Indiana Jones – que parece ter sido inspirada num trecho de O cetro de Ottokar –, ao duelo final entre Haddock e Saccarin esgrimindo com guindastes enormes no porto de Bruxelas, uma cena que não me lembro de ter visto em nenhuma das aventuras originais. O desfecho da história utiliza a conclusão de O tesouro de Rackham o Terrível.
Um gancho óbvio antecipa a seqüência que, desde o início, está prometida para Peter Jackson e será baseada nas histórias As sete bolas de cristal e O templo do sol. A terceira e última parte será dirigida pelos dois cineastas, contando as histórias de Rumo à Lua e Explorando a Lua, o maior clássico da carreira do personagem.
Mesmo quem nunca ouviu falar de Tintim não terá dificuldade para aproveitar o filme, que se sustenta por si, mas aqueles que já o conhecem vão encontrar inúmeras referências espalhadas pelas cenas, que tornam a experiência cinematográfica ainda mais divertida.
As Aventuras de Tintim: O segredo do Licorne é um delicioso filme de ação, mas também é uma homenagem emocionante ao gênio de Hergé, recuperando legitimamente para as novas gerações uma das obras primas da arte dos quadrinhos.
Mais informações sobre Tintim no Um Blog! no Planeta Mongo.

O Tintim de Hergé

Aproveitando o lançamento do primeiro longa da trilogia As aventuras de Tintim: O segredo do Licorne (The adventures of Tintin: The secret of the Unicorn), vamos relembrar um pouco da histórias deste que é um dos mais importantes personagem da história dos quadrinhos.
Criado pelo jornalista e ilustrador belga Georges Prosper Remi, ou Hergé (1907-1983), Tintim é um caso especial nos quadrinhos não só devido à elevada qualidade gráfica e narrativa, mas também às polêmicas que o acompanham desde sua estréia.
Em 1929, Hergé trabalhava no jornal católico Le Vingtième Siècle, como editor do suplemento infantil Petit Vingtième, quando recebeu do diretor do jornal a encomenda de uma história em quadrinhos na qual houvesse um menino e um cachorro. Hergé criou Tintim, um jovem jornalista investigativo que, em sua primeira aventura, acompanhado de um fox terrier chamado Milu, visita a então União Soviética na série Tintim no país do Sovietes (Tintin au pays des Soviets).
Publicada em capítulos, a história causou furor entre os leitores. Tanto que, no dia em que seria publicado o último episódio, o jornal promoveu, com atores reais, a dramatização da chegada de Tintim a Bruxelas, e milhares de jovens correram ao porto para ver o personagem desembarcar.
Hergé não conhecia a União Soviética e baseou a narrativa no livro Moscou sans voile, do ex-cônsul belga na Rússia, Joseph Douillet, cuja visão da política soviética não era nada favorável. Seus conceitos foram repetidos por Hergé, o que lhe valeu muitas polêmicas, incluindo sua censura na China, que dura até hoje. Contudo, vistas pelo distanciamento histórico de hoje, as críticas feitas por Hergé não estavam muito distantes da realidade do comunismo soviético.
Em 1931, Hergé produziu Tintim no Congo (Tintin au Congo), na qual o personagem viaja à então colônia belga na África. Hergé também nunca havia visitado o Congo e produziu um trabalho repleto de estereótipos e preconceitos sobre o povo africano, além de uma opinião geral a favor do colonialismo. Mais tarde, Hergé reconheceu os erros da obra e a redefiniu, amenizando seus aspectos mais agudos, mas ainda hoje o trabalho colhe críticas e processos legais em diversas partes do mundo. A seu favor, contudo, cabe dizer que Tintim no Congo é o álbum mais popular do personagem na África.
Nos anos seguintes, Hergé produziu histórias com cada vez maior qualidade, como Tintim na América (Tintin en Amérique, 1932), Os charutos do faraó (Les cigares du pharaon, 1934) e O lótus azul (Le lotus bleu, 1936), uma história que se passa na China ocupada pelos japoneses, na qual o autor contou com a assessoria de Tchang Tchong-Jen, chinês nativo que demonstrou a Hergé o valor de uma boa pesquisa. Daí em diante, o trabalho de Hergé ganhou contornos mais realistas e apurados, como se pode ver em O ídolo roubado (L'oreille cassée, 1937), A Ilha Negra (L'Ile Noire, 1938) e O cetro de Ottokar (Le sceptre d'Ottokar, 1939).
Com a ocupação da Bélgica pela Alemanha em 1940, o jornal Le Vingtième Siècle foi fechado, e as aventuras de Tintim passaram a se publicadas no jornal Le Soir, sob autorização do governo nazista. As histórias desse período são menos políticas, como O caranguejo das pinças de ouro (Le crabe aux pinces d'or, 1941), que nos apresentou o irascível Capitão Haddock, A estrela misteriosa (L'étoile mysterieuse, 1942), O segredo do Licorne (Le secret de la Licorne, 1943) e O tesouro de Rackham o Terrível (Le trésor de Rackham le Rouge, 1944), no qual surgiu o Professor Girassol, o genial cientista meio surdo.

Em 1942, a Editora Casterman comprou os direitos de publicação de Tintim e implantou o formato de álbum em cores, que hoje caracteriza as edições franco-belgas. Todas as histórias antigas foram adaptadas para o novo padrão, exceto Tintim no País do Sovietes, que nunca foi retrabalhado, sendo até hoje republicado exatamente como na primeira vez, em preto e branco.
Com a retirada das tropas nazistas em 1944, Tintim parou de ser publicado no Le Soir. Hergé retomou o ritmo de publicação em 1948, com As sete bolas de cristal (Les sept boules de cristal), O templo do Sol (Le temple du Soleil, 1949) e Tintim no país do ouro negro (Tintin au pays de l'or noir, 1950).
Em pleno clima de Guerra Fria, Hergé levou seus personagens a uma alunissagem bem sucedida quinze anos antes do Projeto Apolo, em Rumo à Lua (Objectif Lune, 1953) e Explorando a Lua (On a marché sur la Lune, 1954). É curioso notar que a história apresentou idéias que, mais tarde, os cientistas da NASA aproveitariam na viagem real.
Completam a obra de Hergé, O caso Girassol (L'affaire Tournesol, 1956), Perdidos no mar (Coke en stock, 1958), Tintim no Tibete (Tintin au Tibet, 1960), As jóias da Castafiore (Les bijoux de la Castafiore, 1963), Vôo 714 para Sydney (Vol 714 Pour Sydney, 1968) e, o último deles, Tintim e os Pícaros (Tintin et les Picaros, 1976). Hergé nunca concluiria a produção de Tintim e a Alfa-Arte (Tintin et l'Alph-Art), publicado postumamente em 1986.
Tintim ainda contou com três histórias originais levadas ao cinema com atores reais: Tintim e o mistério do Tosão de Ouro (Tintin et le mystère de la Toison d'Or, 1961), Tintim e as laranjas azuis (Tintin et les oranges bleues, 1964) e Tintim e o lago dos tubarões (Tintin et le lac aux requins, 1972).
As histórias chegaram à televisão nas séries de desenhos animados Les aventures de Tintin, d'après Hergé, produzida pela companhia belga Belvision em 1961, e The adventures of Tintin, da canadense Nelvana, produzida em 1991.
Traduzido para mais de cinqüenta línguas, com duzentos milhões de exemplares vendidos e uma coleção de prêmios internacionais, Tintim completou oitenta anos de publicação em 2009, sem perder o vigor narrativo e sem esgotar as polêmicas, sinal da grande profundidade artística, histórica e sociológica do trabalho e das idéias de Hergé, que deixou um legado importantíssimo na história da arte dos quadrinhos e da cultura pop, que influencia artistas em todo o mundo. No Brasil, Tintim é atualmente publicado pela Editora Companhia das Letras.
Mais sobre o novo filme de Tintim no cinema no Um blog em quadrinhos.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Últimas leituras de 2011

Entre os lançamentos do final de 2011, chegaram-me às mãos três títulos interessantes.
Fiz questão de ler primeiro a coletânea de tiras Rei Emir Saad: O monstro de Zazarov, novo álbum do cartunista carioca André Dahmer. Trata-se de uma série de humor negro, na qual o dito Emir Saad, rei do Ziniguistão, mantém seu poder através de violência, tortura e crimes políticos, às vezes fazendo o tipo de rei medieval, outras o de ditador sul-americano ou de algum estado da Europa Oriental. As tiras são interessantes e devem funcionar muito bem quando publicadas num jornal diário, mas a leitura s contínua é algo incômoda. Dahmer tem se especializado em fazer graça com temas espinhosos, como em sua série de tiras mais conhecida, "Malvados", sobre as maldades cotidianas, e "Apóstolos", com críticas ao Cristianismo. O álbum tem 96 páginas em cores e foi publicado pelo selo Barba Negra da Editora Leya.
Outro lançamento recente é Brasil 1500: Segredo de Estado, de Fábio Fonseca, Andrei Miralha e Otoniel Oliveira. Trata-se de uma aventura histórica, que acontece em Lisboa entre a volta de Vasco da Gama de sua viagem às Índias e a partida da frota de Pedro Álvares Cabral. Um jovem acaba envolvido nas tramas de um espião espanhol, cobiçoso de informações sobre as novas rotas descobertas pelos navegantes portugueses. A aventura tem ilustrações competentes e um estilo narrativo algo didático. O melhor de tudo é o desprezível espião espanhol Mendoza, que estabelece todos os conflitos da história. Como já disse, a história termina exatamente no momento em que a frota cabralina zarpa do Rio Tejo, com um gancho perfeito para uma sequência. O álbum tem 48 páginas em cores e é uma publicação da Devir Livraria.
Completei minhas leituras em 2011 com o surpreendente A Liga Extraordinária: Século 1969, de Alan Moore e Kevin O'Neil, também publicado pela Devir Livraria. Depois dos excelentes volumes iniciais (A Liga Extraordinária I e II) e de ter sido obrigada a saltar a publicação do excepcional Black Dossier por conta de problemas com direitos autorais da edição original, a editora brasileira havia apresentado em 2010 o fraquinho A Liga Extraordinária: Século 1910, que não satisfez os leitores das edições anteriores. A ausência da contextualização de Black Dossiê, que não é muito esclarecida nem mesmo no resumo que acompanha a edição, deixou a história solta e frouxa.
As muitas alterações dos personagens e a dificuldade do autor em continuar a usar referências contemporâneas – que devem ter sido justamente as causas dos problemas legais enfrentados em Black Dossier – também tiraram o brilho que caracterizava a trama. Restrito às referências de domínio público, Moore e O'Neil tiveram de frear seu ímpeto criativo, fixando a história em Wilhelmina Murray e Allan Quartermain às voltas com o supervilão místico Oliver Haddo. As novas aquisições da Liga, Thomas Carnacki, Arthur Raffles e o curioso Orlando, imortal que muda periodicamente de sexo, não chegaram a empolgar. Então, a expectativa por Século 1969 não era das melhores, principalmente porque o apelo steampunk das primeiras edições certamente não estaria presente. Contudo, os autores conseguiram destacar novos caminhos para sustentar a aventura iniciada na edição anterior. Agora, uma Liga Extraordinária diluída e ilegal chega ao tempo do amor livre, da pílula e das drogas numa Londres alternativa em constante orgia. Depois das duas guerras mundiais e dos anos de ditadura do Grande Irmão, quando a Liga foi desfeita e devidamente apagada da memória oficial, Murray, Quartermain e Orlando têm uma nova chance de acabar com as armações de Haddo. O clímax da narrativa acontecendo durante um show de rock no Hide Park, em ritmo de viagem lisérgica. Os textos de apoio acrescentaram mais detalhes ao período "em branco" da Liga, de forma que a trama voltou a ganhar foco. Impossível não fazer paralelo entre A Liga Extraordinária e outra obra importante de Alan Moore, Watchmen, que também conta uma história de intrigas numa realidade alternativa com um grupo de heróis atirados na ilegalidade. Mas isso só melhora a coisa toda.
Século 1969 ainda está distante da excitação dos primeiros volumes de A Liga Extraordinária, mas já recuperou um pouco do brilho dessa que é uma das sagas mais criativas da história dos quadrinhos.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O melhor do mundo da FCB

Há alguns dias, o escritor Luiz Bras promoveu por email uma votação informal entre cerca de 50 fãs, pesquisadores, editores e autores de FC para identificar um possível cânone da ficção científica curta brasileira que lhe servisse de base para um artigo analítico. Bras solicitou que cada convidado indicasse, em ordem de preferência, três textos que fossem os melhores da FCB na opinião de cada um.
Usando um processo de pontuação ponderado similar ao usado no extinto Prêmio Nova, obteve o seguinte resultado:
1 - A escuridão, de André Carneiro (25 pontos)
2 - A ética da traição, de Gerson Lodi-Ribeiro (20 pontos)
3 - Eu matei Paolo Rossi, de Octavio Aragão (13 pontos)
4 - Mestre-de-armas, de Braulio Tavares (13 pontos)
5 - O homem que hipnotizava, de André Carneiro (6 pontos)
6 - Pendão da esperança, de Flávio Medeiros Jr. (6 pontos)
7 - Água de Nagasáqui, de Domingos Carvalho da Silva (5 pontos)
8 - Assassinando o tempo, de Cristina Lasaitis (5 pontos)
9 - Cão de lata ao rabo, de Braulio Tavares (5 pontos)
10 - Um braço na quarta dimensão, de Jerônymo Monteiro (5 pontos)
O artigo com as conclusões de Bras será publicado na edição de março do jornal literário Rascunho.
Ainda que tenha sido uma pesquisa informal, o levantamento é válido e pode ser comparado com uma votação similar realizada em 1998 pelo fanzine Megalon. Mesmo levando em conta que nessa votação valia votar também na ficção longa, o resultado revela que muita coisa mudou na opinião dos fãs. As 10 primeiras posições então eram:
1 - A ética da traição, de Gerson Lodi-Ribeiro
2 - A mãe do sonho, de Ivanir Calado (romance)
3 - Demônios, de Aluísio de Azevedo
4 - A escuridão, de André Carneiro
5 - Padrões de contato, de Jorge Luiz Calife (romance)
6 - O vampiro de Nova Holanda, de Gerson Lodi-Ribeiro
7 - O príncipe da sombras, de Baulio Tavares
8 - O 31.o peregrino, de Rubens Teixeira Scavone
9 - A nuvem, de Ricardo Teixeira
10 - A chave do tamanho, de Monteiro Lobato (romance)
Participei de ambas as votações e, para dizer a verdade, discordo do resultado de ambas. Por pura diversão, resolvi definir os 10 melhores contos da FCB – sem considerar romances – na minha opinião. O resultado foi:
1 - A escuridão, de André Carneiro
2 - Tuj, de Walter Martins
3 - Um braço na quarta dimensão, de Jerônymo Monteiro
4 - O 31.o peregrino, Rubens T. Scavone
5 - Da mayor speriencia, de Nilson Martello
6 - O último artilheiro, de Levy Menezes
7 - A última publicidade do hebefrênico Alfredo, Ivan Carlos Regina
8 - O altar de nossos corações, de Ivanir Calado
9 - Aí vem o sol, de José dos Santos Fernandes
10 - Mestre-de-armas, de Braulio Tavares.
É claro que o resultado de qualquer votação vai variar conforme o grupo de votantes e a época em que a dinâmica for realizada, devido aos grupos de consulta serem geralmente muito pequenos e a uma série de outras influências imponderáveis. A FCB ainda carece de muito estudo para determinar, com precisão, um cânone legítimo de si mesma. Mas dinâmicas como esta sempre servem para fazer avançar um pouco mais a noção que o gênero faz de si mesmo.

Fandemônio

O título provocativo, resultado da fusão das palavras fandom + pandemônio, é de uma coluna de análise do estado da arte da FC nacional publicado no saite O Bule.
A coluna, assinada pelo escritor Roberto de Sousa Causo, será mensal e vai apresentar textos densos e longos. O artigo de estreia, "Para deglutir o futuro", faz referência a discussão sobre a antropofagia do Modernismo aplicada a FCB, que vem gerando discussão há muito tempo e teve um recente ressurgimento em alguns fóruns do fandom. Vale a pena acompanhar.

Brontops Baruq vence Concurso Hydra

Depois de uma longa espera finalmente foi anunciado o nome do conto vencedor do Prêmio Hydra, promovido pelo escritor Christopher Kastensmidt em parceria com o saite Orson Scott Card’s Intergalactic Medicine Show.
Trata-se do conto "História com desenho e diálogo", publicado originalmente na antologia Portal Fundação, em 2010. O trabalho será traduzido para o inglês e publicado no referido saite na edição de janeiro.
Além do texto de Baruq, os organizadores acharam por bem publicar ainda o conto "Por um fio” de Flávio Medeiros Júnior, visto na antologia Steampunk (Tarja Editorial, 2010), que será publicado na edição de março ou abril. Dessa forma, a FCB rompe a intransponível barreira linguística e tenta se instalar do concorrido mercado norteamericano. Parabéns aos vencedores!