Está disponível o número 49 da revista eletrônica Conexão Literatura, editada por Ademir Pascale, que comemora o quarto ano de publicação ininterrupta.
A edição tem 100 páginas e traz contos de Cecília Torres Nogueira, Gilmar Duarte Rocha, Roberto Leon Ponczek, Míriam Santiago e Roberto Schima, poema de Luiza Moura, crônica de Roberto Schima, artigo científico de Marcos Pereira dos Santos e Antonia Pereira dos Santos e entrevistas com as escritoras Cida Simka, Fernanda Camilo e Rosângela Vieira Rocha.
Conexão Literatura é uma publicação gratuita e pode ser baixada aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.
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domingo, 1 de setembro de 2019
Conexão Literatura 49
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
QI 153
Está circulando o número 153 do fanzine Quadrinhos Independentes-QI editado por Edgard Guimarães, dedicado ao estudo dos quadrinhos, destacando a produção independente e os fanzines brasileiros.
A edição tem 32 páginas e traz os artigos "Tiradas do Sampaio", do editor, "A décima oitava árvore", de E. Figueiredo, e "O Barba-Azul", de Lio Guerra Bocorny, além de quadrinhos de Julie Albuquerque, Cleber José Coimbra, Luiz Cláudio Lopes de Faria e de Guimarães, que também ilustra a capa. Completam a edição as colunas "Fórum" com as cartas dos leitores, "Mantendo contato" de Worney Almeida de Souza, e "Edições independentes" divulgando os lançamentos de fanzines do bimestre.
Junto à edição, os assinantes recebem Artigos sobre histórias em quadrinhos 10: Os pseudo cow-boys dos quadrinhos, fascículo com 16 páginas com uma pesquisa de Carlos Gonçalves sobre diversos personagens de faroeste.
O QI impresso é distribuído exclusivamente por assinatura (informações com o editor no email edgard.faria.guimaraes@gmail.com), mas sua versão digital, bem como seus encartes, são disponibilizados pelo saite da editora Marca de Fantasia, aqui. Edições anteriores também podem ser encontradas.
A edição tem 32 páginas e traz os artigos "Tiradas do Sampaio", do editor, "A décima oitava árvore", de E. Figueiredo, e "O Barba-Azul", de Lio Guerra Bocorny, além de quadrinhos de Julie Albuquerque, Cleber José Coimbra, Luiz Cláudio Lopes de Faria e de Guimarães, que também ilustra a capa. Completam a edição as colunas "Fórum" com as cartas dos leitores, "Mantendo contato" de Worney Almeida de Souza, e "Edições independentes" divulgando os lançamentos de fanzines do bimestre.
Junto à edição, os assinantes recebem Artigos sobre histórias em quadrinhos 10: Os pseudo cow-boys dos quadrinhos, fascículo com 16 páginas com uma pesquisa de Carlos Gonçalves sobre diversos personagens de faroeste.O QI impresso é distribuído exclusivamente por assinatura (informações com o editor no email edgard.faria.guimaraes@gmail.com), mas sua versão digital, bem como seus encartes, são disponibilizados pelo saite da editora Marca de Fantasia, aqui. Edições anteriores também podem ser encontradas.
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sábado, 3 de fevereiro de 2018
FCF&H brasileira essencial em 2017
Como tenho feitos nos últimos anos, relacionarei a seguir os títulos
de livros de autores brasileiros de fantasia, ficção científica e terror
que se destacaram entre os lançamentos de 2017. Cabe, antes de iniciar,
dar alguns esclarecimentos sobre o método empregado.
Em primeiro lugar, a lista segue padrões pessoais de relevância, ou seja, trata-se de um recorte pessoal e absolutamente arbitrário. Dentro dessa premissa inicial, optei por evitar sequências, uma vez que toda sequência está necessariamente vinculada a uma publicação de um ano anterior, mas algumas vezes isso é incontornável. Também desconsidero republicações e reedições porque obviamente não são inéditas. E finalmente, só me interessam aqui os autores que escrevem em português e publicam no Brasil. Ou seja, livros publicados fora do país, mesmo que de autores brasileiros, assim como livros de autores estrangeiros traduzidos aqui não entram nesta lista. Confesso que senti vontade de não considerar os ebooks mas, devido a significância de alguns títulos, essa premissa não foi observada. Não há hierarquia de preferência e os títulos estão apresentados em ordem alfabética dentro de sua classificação.
Iniciando pelos romances e, dentro deles, pelo gênero fantasia, destaco cinco títulos. Aimó: Uma viagem pelo mundo dos orixás
(Companhia das Letras), de Reginaldo Prandi, é uma obra superlativa e
surpreende que o autor não tenha sido percebido há mais tempo. Conta a
história da alma desmemoriada de uma menina que busca por recuperar sua
história no mundo dos orixás para, dessa forma, ter a oportunidade de
reviver. O que mais impressiona é a clareza do autor em apresentar o
panteão africano - a mitologia mais viva do mundo moderno - e
contextualizar a doutrina do candomblé.
Raphael Draccon sempre fará parte das listas de essenciais quando tiver um novo livro publicado, e ele sempre tem. Trata-se de um dos maiores vendedores de livros de fantasia no Brasil, que conta com uma legião de admiradores. Ainda não parece ter alcançado a estatura da influência de André Vianco - outro nome sempre presente nestas listas -, mas também é bastante respeitado pelos seus pares e leitores. Em O coletor de espíritos (Rocco), um psicólogo retorna ao seu antigo vilarejo para enfrentar os fantasmas da juventude.
Ordem vermelha: Os filhos da degradação, de Felipe Castilho (Intrínseca), foi lançado com pompa e circunstância na última edição da Comic Con Experience, em São Paulo, numa campanha de marketing nunca antes vista na literatura fantástica brasileira. Trata-se de uma fantasia medieval maniqueísta que usa e abusa do consagrado modelo tolkeniano, em que um grupo de paladinos enfrentam a potestade maligna de uma cidadela.
Sherlock e os aventureiros, de André Cordenonsi (Avec), é uma história na linha "juventude de Sherlock Holmes", um tipo de fanfic muito praticado em todo mundo, que até já teve uma versão para o cinema nos anos 1980. Nesta história, o lendário detetive une-se a conhecidas personalidades de fato e de ficção para salvar o mundo de conspirações sinistras.
Cordenonsi também aparece, ao lado de Enéias Tavares e Nikelen Witter, no romance escrito a seis mãos Alcova da morte: Um caso da Agência de Detetives Guanabara Real (Avec), em que um grupo de investigadores – que são avatares dos próprios autores – se envolve numa aventura ao molde steampunk durante a inauguração da estátua do Corcovado. Alguns poderiam dizer que este título deveria estar entre os livros de fc, mas como a história extrapola bastante o gênero, fica melhor mesmo como fantasia.

E por falar em fc, a lista continua, agora nesse gênero, com Anacrônicos, de Luiz Bras (@Link), noveleta publicada em volume independente que conta como o fim do mundo chega através do surgimento inesperado de milhões de réplicas de todas as pessoas que já viveram, incapacitando a continuidade da vida como a conhecemos.
Dunya, o primeiro ebook desta relação, tem autoria de Tibor Moricz (em edição do próprio autor) é um romance de ficção espacial sobre um grupo de colonos num planeta inóspito habitado por uma raça hostil. Apesar de ser um enredo já bastante explorado, Moricz é um dos melhores autores da Terceira Onda da fc brasileira e seus textos sempre merecem a atenção dos leitores.
Extemporâneo é o novo romance de Alexey Dodsworth (Presságio), um dos nomes favoritos entre os votantes do Prêmio Argos, que já lhe tributaram comendas em 2015 e 2017. Neste romance, o protagonista salta, aparentemente sem controle, de uma realidade a outra, experimentando vidas de todos os tipos. O tema também não é original, mas é preciso reconhecer a importância de Dodsworth no cenário atual da fc brasileira.
Eric Novello, um dos autores da Terceira Onda mais elogiados pelos leitores, publicou em 2017 seu primeiro título pela prestigiosa editora Companhia das Letras. Trata-se do romance Ninguém nasce herói, jornada adolescente numa São Paulo alternativa dominada pelo ódio, intolerância e integralismo religioso.
Gerson Lodi-Ribeiro é um nome reconhecido dentro do fandom, ativo desde os anos 1980 tanto como autor como organizador de antologias. Seu romance Octopusgarden (Draco) também se passa no espaço sideral, em um planeta aquático habitados por octópodes que recebe a visita de uma nave com golfinhos inteligentes terrestres, e a interação das espécies não vai ser muito pacífica.

No gênero do horror, finalmente chegou ao mercado O mistério de Deus, de Roberto de Sousa Causo (Devir), uma história que une carros envenenados, boxe e demônios assolando Sumaré, pequena cidade do interior de São Paulo onde o autor passou toda a sua juventude, o que garante descrições naturalistas que contrastam vividamente com o sobrenatural.
Neve negra, de Santiago Nazarian (Companhia das Letras) conta a história de um artista plástico que se depara com o insólito quando, depois de longa ausência, retorna sua residência na serra catarinense numa rara noite de nevasca.
Também pela Companhia das Letras, recebemos Noite dentro da noite, de Joca Reiners Terron, relato perturbador que observa o Brasil a partir de um garoto que sofreu um acidente grave e tem de tomar medicamentos que nublam a percepção da realidade, ou talvez não.
André Vianco aparece aqui com o romance Penumbra (LeYa), que conta a história de uma menina que desperta numa dimensão sombria onde encontra uma velha senhora que será sua nêmesis e também sua única amiga.
Antônio Xerxenesky trouxe o romance As perguntas, publicado pela Companhia das Letras. Conta sobre uma especialista em ocultismo que se envolve na investigação de um crime que vai abalar sua confiança e convicções.
Quero lembrar agora alguns títulos entre antologias e coletâneas porque, além da produção de ficção curta ser tradição brasileira, é geralmente nas seletas que florescem novos autores. Dessa forma, destacarei quatro títulos em cada gênero.

Na fantasia, é necessário reconhecer o Dicionário de línguas imaginárias, de Olavo Amaral (Companhia das Letras), em que o autor reúne textos de sua própria autoria, todos de um viés metalinguístico que se desdobra nos diversos subgêneros especulativos, sempre tendo como base a comunicação ou a falta dela.
Giulia Moon, que também é uma personalidade obrigatória entre o essencial, aparece desta vez ao lado de Walter Tierno como organizadora da antologia Fantásticas: Contos de fantasia protagonizado por mulheres (Giz), que como diz o título, pretende dar maior presença feminina à literatura do gênero, proposta que por si só é digna de nota.
O já citado Tibor Moricz aparece mais uma vez nesta relação com a coletânea Filamentos iridescentes, autopublicada em forma de ebook, que reúne alguns de seus melhores trabalhos na ficção curta, algo que realmente faltava na bibliografia do autor.
A mais destaca autora no último prêmio Argos, Ana Lucia Merege organizou este ano mais uma antologia sobre contos de fantasia medieval, Magos: Histórias de feiticeiros e mestres do oculto (Draco) que, ao lado de Excalibur e Medieval, forma um amplo painel do subgênero no país.

O espaço das antologias de ficção científica foi dominado por Luiz Bras, que organizou três dos quatro títulos lembrados aqui. Foram os volumes gêmeos de Hiperconexões, realidade expandida: Sangue & titânio e Carbono e Silício (Patuá), que são seletas de poemas, algo extremamente raro dentro do gênero no Brasil. Brás também publicou a coletânea pessoal A última árvore (Livros-Fantasma), ebook que reúne sua ficção curta mais recente. Pela qualidade de suas coletâneas anteriores, esta certamente é leitura obrigatória.
A quarta coletânea do gênero tem o singelo título de Memórias pós-humanas de Quincas Borba e outras histórias alternativas muito além do País do Futuro, ebook de Sid Castro publicado pelo autor, um veterano da Segunda Onda da fc brasileira que apresenta agora uma seleta autoral com textos interessantes de diversas propostas.

No gênero do horror, destacam-se a coletânea Comboio de espectros, de Duda Falcão (Argonautas/Avec), autor que tem se estabelecido junto ao fandom a partir de trabalhos nesse gênero, especialmente contos, que seguem um estilo gótico clássico, com uma pitada de humor, negro é claro. Camila Fernandes, autora da Terceira Onda que estava ausente há algum tempo, retornou em 2017 com a coletânea Contos sombrios (Dandelion), num estilo mais intimista. Raphael Draccon, cujo romance já foi citado no início deste artigo, contribui também no horror, ao lado da esposa Carolina Munhóz e dos escritores Frini Georgakopoulos e Rafael Montes para compor a antologia Criaturas e criadores: Histórias para noites de terror (Record), com releituras de histórias clássicas do gênero. E, ainda, Crimes fantásticos, organizada por Cesar Alcázar e Duda Falcão (Argonautas), antologia que tem o mérito suplementar de recuperar a arte de R. F. Lucchetti, um dos grandes mestres do horror brasileiro.
Para fechar esta lista, três títulos de não ficção que são obrigatórios para aqueles que querem ter uma visão mais apurada da literatura fantástica no Brasil: A a Z: Dicas para escritores, do veterano da Segunda Onda, tradutor e acadêmico Fabio Fernandes, um ebook autoeditado com orientações divertidas para novos autores de gênero, mas que também são úteis para os leitores; A fantástica jornada do escritor no Brasil, reveladora pesquisa de Kátia Regina Souza (Metamorfose) apoiada em uma série de entrevistas com personalidades da ficção fantástica brasileira, e Fantástico e seus arredores: Figurações do insólito, compêndio acadêmico editado em forma de ebook pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, organizado por Maria Zilda da Cunha e Ligia Menna, com artigos sobre a literatura brasileira e sua relação com o fantástico.
Pinçamos aqui trinta títulos importantes publicados ao longo de 2017 (quinze romances, doze coletâneas e três não ficção) que devem ser observados com carinho tanto pelos leitores como pelos estudiosos dos gêneros fantásticos no Brasil. Como foi dito no início, por ser uma seleção arbitrária, decerto que permite recortes alternativos dentro da relação total de lançamentos no ano que, na última contagem, superou 180 títulos. Contudo, a lista integralizada não está pronta pois a pesquisa ainda não foi encerrada. Quando for publicada, será divulgada aqui e cada um poderá então fazer sua própria lista de essenciais.
Por hora, vocês vão ter que se contentar com a minha. Desculpem o mal jeito.
Em primeiro lugar, a lista segue padrões pessoais de relevância, ou seja, trata-se de um recorte pessoal e absolutamente arbitrário. Dentro dessa premissa inicial, optei por evitar sequências, uma vez que toda sequência está necessariamente vinculada a uma publicação de um ano anterior, mas algumas vezes isso é incontornável. Também desconsidero republicações e reedições porque obviamente não são inéditas. E finalmente, só me interessam aqui os autores que escrevem em português e publicam no Brasil. Ou seja, livros publicados fora do país, mesmo que de autores brasileiros, assim como livros de autores estrangeiros traduzidos aqui não entram nesta lista. Confesso que senti vontade de não considerar os ebooks mas, devido a significância de alguns títulos, essa premissa não foi observada. Não há hierarquia de preferência e os títulos estão apresentados em ordem alfabética dentro de sua classificação.
Iniciando pelos romances e, dentro deles, pelo gênero fantasia, destaco cinco títulos. Aimó: Uma viagem pelo mundo dos orixás
(Companhia das Letras), de Reginaldo Prandi, é uma obra superlativa e
surpreende que o autor não tenha sido percebido há mais tempo. Conta a
história da alma desmemoriada de uma menina que busca por recuperar sua
história no mundo dos orixás para, dessa forma, ter a oportunidade de
reviver. O que mais impressiona é a clareza do autor em apresentar o
panteão africano - a mitologia mais viva do mundo moderno - e
contextualizar a doutrina do candomblé.Raphael Draccon sempre fará parte das listas de essenciais quando tiver um novo livro publicado, e ele sempre tem. Trata-se de um dos maiores vendedores de livros de fantasia no Brasil, que conta com uma legião de admiradores. Ainda não parece ter alcançado a estatura da influência de André Vianco - outro nome sempre presente nestas listas -, mas também é bastante respeitado pelos seus pares e leitores. Em O coletor de espíritos (Rocco), um psicólogo retorna ao seu antigo vilarejo para enfrentar os fantasmas da juventude.
Ordem vermelha: Os filhos da degradação, de Felipe Castilho (Intrínseca), foi lançado com pompa e circunstância na última edição da Comic Con Experience, em São Paulo, numa campanha de marketing nunca antes vista na literatura fantástica brasileira. Trata-se de uma fantasia medieval maniqueísta que usa e abusa do consagrado modelo tolkeniano, em que um grupo de paladinos enfrentam a potestade maligna de uma cidadela.
Sherlock e os aventureiros, de André Cordenonsi (Avec), é uma história na linha "juventude de Sherlock Holmes", um tipo de fanfic muito praticado em todo mundo, que até já teve uma versão para o cinema nos anos 1980. Nesta história, o lendário detetive une-se a conhecidas personalidades de fato e de ficção para salvar o mundo de conspirações sinistras.
Cordenonsi também aparece, ao lado de Enéias Tavares e Nikelen Witter, no romance escrito a seis mãos Alcova da morte: Um caso da Agência de Detetives Guanabara Real (Avec), em que um grupo de investigadores – que são avatares dos próprios autores – se envolve numa aventura ao molde steampunk durante a inauguração da estátua do Corcovado. Alguns poderiam dizer que este título deveria estar entre os livros de fc, mas como a história extrapola bastante o gênero, fica melhor mesmo como fantasia.
E por falar em fc, a lista continua, agora nesse gênero, com Anacrônicos, de Luiz Bras (@Link), noveleta publicada em volume independente que conta como o fim do mundo chega através do surgimento inesperado de milhões de réplicas de todas as pessoas que já viveram, incapacitando a continuidade da vida como a conhecemos.
Dunya, o primeiro ebook desta relação, tem autoria de Tibor Moricz (em edição do próprio autor) é um romance de ficção espacial sobre um grupo de colonos num planeta inóspito habitado por uma raça hostil. Apesar de ser um enredo já bastante explorado, Moricz é um dos melhores autores da Terceira Onda da fc brasileira e seus textos sempre merecem a atenção dos leitores.
Extemporâneo é o novo romance de Alexey Dodsworth (Presságio), um dos nomes favoritos entre os votantes do Prêmio Argos, que já lhe tributaram comendas em 2015 e 2017. Neste romance, o protagonista salta, aparentemente sem controle, de uma realidade a outra, experimentando vidas de todos os tipos. O tema também não é original, mas é preciso reconhecer a importância de Dodsworth no cenário atual da fc brasileira.
Eric Novello, um dos autores da Terceira Onda mais elogiados pelos leitores, publicou em 2017 seu primeiro título pela prestigiosa editora Companhia das Letras. Trata-se do romance Ninguém nasce herói, jornada adolescente numa São Paulo alternativa dominada pelo ódio, intolerância e integralismo religioso.
Gerson Lodi-Ribeiro é um nome reconhecido dentro do fandom, ativo desde os anos 1980 tanto como autor como organizador de antologias. Seu romance Octopusgarden (Draco) também se passa no espaço sideral, em um planeta aquático habitados por octópodes que recebe a visita de uma nave com golfinhos inteligentes terrestres, e a interação das espécies não vai ser muito pacífica.

No gênero do horror, finalmente chegou ao mercado O mistério de Deus, de Roberto de Sousa Causo (Devir), uma história que une carros envenenados, boxe e demônios assolando Sumaré, pequena cidade do interior de São Paulo onde o autor passou toda a sua juventude, o que garante descrições naturalistas que contrastam vividamente com o sobrenatural.
Neve negra, de Santiago Nazarian (Companhia das Letras) conta a história de um artista plástico que se depara com o insólito quando, depois de longa ausência, retorna sua residência na serra catarinense numa rara noite de nevasca.
Também pela Companhia das Letras, recebemos Noite dentro da noite, de Joca Reiners Terron, relato perturbador que observa o Brasil a partir de um garoto que sofreu um acidente grave e tem de tomar medicamentos que nublam a percepção da realidade, ou talvez não.
André Vianco aparece aqui com o romance Penumbra (LeYa), que conta a história de uma menina que desperta numa dimensão sombria onde encontra uma velha senhora que será sua nêmesis e também sua única amiga.
Antônio Xerxenesky trouxe o romance As perguntas, publicado pela Companhia das Letras. Conta sobre uma especialista em ocultismo que se envolve na investigação de um crime que vai abalar sua confiança e convicções.
Quero lembrar agora alguns títulos entre antologias e coletâneas porque, além da produção de ficção curta ser tradição brasileira, é geralmente nas seletas que florescem novos autores. Dessa forma, destacarei quatro títulos em cada gênero.
Na fantasia, é necessário reconhecer o Dicionário de línguas imaginárias, de Olavo Amaral (Companhia das Letras), em que o autor reúne textos de sua própria autoria, todos de um viés metalinguístico que se desdobra nos diversos subgêneros especulativos, sempre tendo como base a comunicação ou a falta dela.
Giulia Moon, que também é uma personalidade obrigatória entre o essencial, aparece desta vez ao lado de Walter Tierno como organizadora da antologia Fantásticas: Contos de fantasia protagonizado por mulheres (Giz), que como diz o título, pretende dar maior presença feminina à literatura do gênero, proposta que por si só é digna de nota.
O já citado Tibor Moricz aparece mais uma vez nesta relação com a coletânea Filamentos iridescentes, autopublicada em forma de ebook, que reúne alguns de seus melhores trabalhos na ficção curta, algo que realmente faltava na bibliografia do autor.
A mais destaca autora no último prêmio Argos, Ana Lucia Merege organizou este ano mais uma antologia sobre contos de fantasia medieval, Magos: Histórias de feiticeiros e mestres do oculto (Draco) que, ao lado de Excalibur e Medieval, forma um amplo painel do subgênero no país.

O espaço das antologias de ficção científica foi dominado por Luiz Bras, que organizou três dos quatro títulos lembrados aqui. Foram os volumes gêmeos de Hiperconexões, realidade expandida: Sangue & titânio e Carbono e Silício (Patuá), que são seletas de poemas, algo extremamente raro dentro do gênero no Brasil. Brás também publicou a coletânea pessoal A última árvore (Livros-Fantasma), ebook que reúne sua ficção curta mais recente. Pela qualidade de suas coletâneas anteriores, esta certamente é leitura obrigatória.
A quarta coletânea do gênero tem o singelo título de Memórias pós-humanas de Quincas Borba e outras histórias alternativas muito além do País do Futuro, ebook de Sid Castro publicado pelo autor, um veterano da Segunda Onda da fc brasileira que apresenta agora uma seleta autoral com textos interessantes de diversas propostas.

No gênero do horror, destacam-se a coletânea Comboio de espectros, de Duda Falcão (Argonautas/Avec), autor que tem se estabelecido junto ao fandom a partir de trabalhos nesse gênero, especialmente contos, que seguem um estilo gótico clássico, com uma pitada de humor, negro é claro. Camila Fernandes, autora da Terceira Onda que estava ausente há algum tempo, retornou em 2017 com a coletânea Contos sombrios (Dandelion), num estilo mais intimista. Raphael Draccon, cujo romance já foi citado no início deste artigo, contribui também no horror, ao lado da esposa Carolina Munhóz e dos escritores Frini Georgakopoulos e Rafael Montes para compor a antologia Criaturas e criadores: Histórias para noites de terror (Record), com releituras de histórias clássicas do gênero. E, ainda, Crimes fantásticos, organizada por Cesar Alcázar e Duda Falcão (Argonautas), antologia que tem o mérito suplementar de recuperar a arte de R. F. Lucchetti, um dos grandes mestres do horror brasileiro.
Para fechar esta lista, três títulos de não ficção que são obrigatórios para aqueles que querem ter uma visão mais apurada da literatura fantástica no Brasil: A a Z: Dicas para escritores, do veterano da Segunda Onda, tradutor e acadêmico Fabio Fernandes, um ebook autoeditado com orientações divertidas para novos autores de gênero, mas que também são úteis para os leitores; A fantástica jornada do escritor no Brasil, reveladora pesquisa de Kátia Regina Souza (Metamorfose) apoiada em uma série de entrevistas com personalidades da ficção fantástica brasileira, e Fantástico e seus arredores: Figurações do insólito, compêndio acadêmico editado em forma de ebook pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, organizado por Maria Zilda da Cunha e Ligia Menna, com artigos sobre a literatura brasileira e sua relação com o fantástico.
Pinçamos aqui trinta títulos importantes publicados ao longo de 2017 (quinze romances, doze coletâneas e três não ficção) que devem ser observados com carinho tanto pelos leitores como pelos estudiosos dos gêneros fantásticos no Brasil. Como foi dito no início, por ser uma seleção arbitrária, decerto que permite recortes alternativos dentro da relação total de lançamentos no ano que, na última contagem, superou 180 títulos. Contudo, a lista integralizada não está pronta pois a pesquisa ainda não foi encerrada. Quando for publicada, será divulgada aqui e cada um poderá então fazer sua própria lista de essenciais.
Por hora, vocês vão ter que se contentar com a minha. Desculpem o mal jeito.
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terça-feira, 16 de maio de 2017
Um estudo da fc&f brasileira em 2016
Em 2016, voltei às carteiras escolares, mais exatamente ao curso de Filosofia na Universidade Federal do ABC, Campus São Bernardo do Campo. Nos primeiros quadrimestres do curso, a grade curricular é básica para todos os estudantes de Bacharelado em Ciências e Humanidades, que é o caso de Filosofia. Dessa forma tenho disciplinas de várias áreas de Humanas e Tecnologia.
Neste quadrimestre, cursei a disciplina de Bases Computacionais da Ciência, com o professor Cesar Giacomini Penteado que, entre outras coisas, solicitou que a turma se organizasse em grupos e que fizessem trabalhos de estatística com as ferramentas tratadas no curso. Junto comigo ficaram no grupo os colegas Amanda Soares de Melo, Tiago Rocha do Nascimento e Vinicius Brambilla Alakaki.
Como o tema do trabalho era livre, e com uma pequena influência minha, o grupo aceitou trabalhar sobre os lançamentos de ficção fantástica brasileira em 2016, cuja planilha eu já tinha pronta (ou quase) para publicação.
A relação completa dos lançamentos ainda não foi publicada – voltarei ao assunto no momento oportuno –, mas o resultado do trabalho pode ser lido aqui. O texto não é longo, mas meus colegas fizeram intervenções analíticas muito interessantes, vale a pena conferir.
A UFABC, por ser caráter de pesquisa científica, parece dar boa abertura para a ficção fantástica, e a fc em particular. Outras ações podem vir no futuro.
Neste quadrimestre, cursei a disciplina de Bases Computacionais da Ciência, com o professor Cesar Giacomini Penteado que, entre outras coisas, solicitou que a turma se organizasse em grupos e que fizessem trabalhos de estatística com as ferramentas tratadas no curso. Junto comigo ficaram no grupo os colegas Amanda Soares de Melo, Tiago Rocha do Nascimento e Vinicius Brambilla Alakaki.
Como o tema do trabalho era livre, e com uma pequena influência minha, o grupo aceitou trabalhar sobre os lançamentos de ficção fantástica brasileira em 2016, cuja planilha eu já tinha pronta (ou quase) para publicação.
A relação completa dos lançamentos ainda não foi publicada – voltarei ao assunto no momento oportuno –, mas o resultado do trabalho pode ser lido aqui. O texto não é longo, mas meus colegas fizeram intervenções analíticas muito interessantes, vale a pena conferir.
A UFABC, por ser caráter de pesquisa científica, parece dar boa abertura para a ficção fantástica, e a fc em particular. Outras ações podem vir no futuro.
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domingo, 5 de fevereiro de 2017
Essenciais de 2016 - Autores brasileiros

Apesar da crise, 2016 foi um ano favorável para a ficção especulativa brasileira. Não na quantidade, que está em queda livre, mas pelo menos a qualidade do material publicado tem se sustentado, o que aumenta o desempenho médio da produção nacional. Também observamos o esboço de um núcleo semi-profissionalizado no segmento, com a presença recorrente de determinados autores com novos livros nas livrarias, o surgimento de periódicos sérios, inclusive de natureza acadêmica. Ainda que não necessariamente proveitosos do ponto de vista financeiro, é importante a conquista desses espaços, que acenam com um futuro alvissareiro a longo prazo, especialmente quando esta crise passar – e ela vai passar.
No que se refere a ficção nacional, os romances ocupam a linha de frente, com treze títulos inéditos e uma republicação importante. Como tem sido a tendência, o gênero da fantasia continua a ser o mais praticado e no qual os autores parecem se sentir mais a vontade. Dois contumazes best-sellers aparecem aqui, ambos pela Editora Rocco: André Vianco, com Dartana, pelo selo Fábrica 231, uma história dark fantasy no ambiente medieval, e Carolina Munhóz, com Por um toque de sorte, segundo volume da série Trindade Leprechaum, pelo selo Fantástica, uma história contemporânea que, assim como Vianco, se desenvolve em torno de mitologias europeias.
Flávia Muniz também é uma autora que podemos classificar como best-seller. Embora seu nome não seja tão lembrado quanto os dois autores acima citados, Flávia está em ação desde os anos 1980 e seu livro Os noturnos é muito bem sucedido comercialmente. A autora publicou em 2016 o romance O manto escarlate, pela editora SESI-SP, que também envereda pela dark fantasy medieval.
Entre os estreantes, há três ótimos destaques. Santiago Santos, autor do saite de microcontos Flash Fiction, publicou seu primeiro romance, Na eternidade sempre é domingo, pela editora Carlini & Cantato, romance fix-up formado por várias narrativas independentes em forma de relato de viagem pelos Andes boliviano e peruano.
Alex Mandarino publicou O caminho do Louco, primeira parte da série Guerras do Tarot, pela editora Avec, ágil aventura de fantasia urbana com toques de mistério. E Caio Alexandre Bezarrias, com Shimandur: A cidade da chuva, pela editora Devir Livraria, fantasia passada na metrópole paulistana assolada por uma chuva interminável. Antes de passar adiante, convém destacar aqui um livro de estremo valor, que precisa estar nesta relação, apesar de ter autor, em tese, estrangeiro. Trata-se do texano Christopher Kastensmidt, americano radicado no Brasil que aqui tem desenvolvido sua carreira como escritor, privilegiando uma ficção de caráter brasilianista que poucos autores nacionais ombreiam. Depois de publicar vários contos em antologias, Kastensmidt lanço em 2016, pela Devir Livraria, o romance fix-up de fantasia A Bandeira do Elefante e da Arara, que compila todos os dez contos do ciclo das aventuras de Gerard e Oludara, um holandês e outro africano, enfrentando seres mitológicos ao longo de uma ampla peregrinação pelo território do Brasil colonial.
A ficção científica tem se recuperado nos últimos anos, depois de um período de estagnação em que pouco se publicou no gênero. Os representantes de 2016 também são pesos pesados do segmento: Alexey Dodsworth, que em 2015 foi reconhecido pelos fãs com o prêmio Argos, lançou O esplendor, pela editora Draco, história cósmica sobre um planeta de luz eterna que é agitado quando surge um menino que pode dormir e sonhar.
Mustafá Ali Kanso, que é também um nome reconhecido no fandom, publicou O mesmo Sol que rompe os céus, pela editora Fragmentos, com uma história sobre o encontro de dois personagens com experiências bizarras.Luiz Brás – reconhecido em alguns círculos como o multipremiado Nelson de Oliveira – tem mantido uma forte produção de fc&f nos últimos anos e, em 2016, apresentou aos leitores Não chore, pela editora Patuá, uma ficção anarquista que discute o sistema prisional. Pela mesma editora, Oliveira republicou o esgotado Subsolo infinito, originalmente publicado em 2000, uma perturbadora fantasia urbana sobre a identidade.
O horror é um ambiente razoavelmente assentado no mercado, sempre com uma produção equilibrada e estável. Rosana Rios é uma dama da literatura especulativa nacional, com dezenas de títulos publicados ao longo de sua produtiva carreira iniciada em 1988. Em 2016, lançou Olhos de lobo, pela editora Farol Literário, com uma história que mistura licantropia e nazistas no Rio Grande do Sul.
Coletâneas e antologias representam um papel importante no ambiente da fc&f nacional. Como há poucas revistas publicando ficção, esse modelo editorial, que reúne num mesmo livro textos curtos de diversos autores e estilos, tem sido a sustentação do exercício criativo e revelado muitos autores de qualidade, sem esquecer que é na ficção curta que os autores brasileiros geralmente têm os melhores resultados.
Como em quase tudo, 2016 testemunhou uma forte queda no número de antologias e coletâneas publicadas no país, mas ainda assim é preciso reconhecer o esforço dos editores em investir no formato.
Entre as coletâneas – livros que reúnem textos de um único autor –, o destaque vai para O teorema das letras, título póstumo de André Carneiro (1922-2014), o mais bem sucedido autor brasileiro de ficção científica, que traz cinco contos inéditos que representam a intensa criatividade de Carneiro, mesmo no fim da vida.No gênero do horror, o ótimo Carlos Orsi apresentou Mistérios do mal, pela editora Draco, que traz contos que unem mitologias e cosmologias típicas da weird fiction, amalgamadas a cenários e personagens brasileiros, como é característico em sua obra.
Também é no horror sobrenatural que se apresenta o escritor gaúcho Duda Falcão, com a coletânea Treze, pela editora Avec (publicada com data de 2015), não por acaso com treze contos ao estilo pulp fiction, com muito sangue, monstros, bruxas e demônios.
Entre as antologias – livros que publicam trabalhos de autores diferentes – os destaques da fantasia são Estranha Bahia, organizada Alec Silva, Ricardo Santos e Rochett Tavares para a editora EX!, com sete contos cujo fio condutor é, como já diz o título, o estado da Bahia.E também Medieval: Contos de uma era fantástica, organizada por Ana Lúcia Merege e Eduardo Kasse para a editora Draco, com nove textos de autores bem avaliados, todos obviamente num cenário medieval, uma espécie de segundo volume a antologia Excalibur, dos mesmos organizadores e editora, publicada em 2013.

A antologia essencial na ficção científica em 2016 é Dinossauros, organizada por Gerson Lodi-Ribeiro para a editora Draco, um tema recorrente em antologias nacionais e estrangeiras, mas que traz 16 histórias inéditas de autores experientes e conhecidos no fandom.Fechando esta seleção, a antologia Contos de terror, organizada por Camilo Prado para a editora Nephelibata, com 15 textos curtos, quase todos em domínio público, numa seleta de histórias tenebrosas de viés realista, por autores clássicos da literatura brasileira que pode surpreender os leitores menos avisados, num modelo que tem recebido razoável atenção dos antologistas nos últimos anos.
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terça-feira, 10 de janeiro de 2017
Imaginário! 11
A editora Marca de Fantasia publicou a décima primeira edição da revista acadêmica Imaginário!, editada por Henrique Magalhães, dedicada a discussão da arte das histórias em quadrinhos e outras expressões da cultura pop imagética, através de artigos, ensaios, entrevistas e resenhas de Doutores, Mestres, pós-graduandos e graduandos brasileiros.
A edição tem 191 páginas e traz textos de Heraldo Aparecido Silva, Ivan Carlo Andrade de Oliveira, Fernanda Simplício, Jainara Sabino, Alessandro Fernandes, Leilane Hardoim Simões, Edgar Cézar Nolasco, Jairo Macedo Júnior, Selma Regina Nunes Oliveira, Roberto Elísio dos Santos, Waldomiro Vergueiro, Gazy Andraus, Daniel Baz dos Santos, Guilherme "Smee" Sfredo Miorando e Ana Paula Rodrigues Ferro.
Imaginário! é editada em formato virtual e pode ser baixada gratuitamente aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.
A edição tem 191 páginas e traz textos de Heraldo Aparecido Silva, Ivan Carlo Andrade de Oliveira, Fernanda Simplício, Jainara Sabino, Alessandro Fernandes, Leilane Hardoim Simões, Edgar Cézar Nolasco, Jairo Macedo Júnior, Selma Regina Nunes Oliveira, Roberto Elísio dos Santos, Waldomiro Vergueiro, Gazy Andraus, Daniel Baz dos Santos, Guilherme "Smee" Sfredo Miorando e Ana Paula Rodrigues Ferro.
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quarta-feira, 30 de novembro de 2016
QI 141
Está circulando o número 141 do fanzine Quadrinhos Independentes-QI, editado por Edgard Guimarães, dedicado ao estudo dos quadrinhos, destacando a produção independente e os fanzines brasileiros.
A edição tem 32 páginas e traz mais um depoimento de José Ruy, desta vez sobre o periódico português Tintin, artigo sobre o Homem-Lua (super herói criado em 1965 por Gedeone Malagola), um texto sobre aulas de história em quadrinhos, uma curiosa comparação entre dois formatos de uma tira do Fantasma, as colunas "Mistérios do colecionismo" sobre coleção de álbuns Thorgal, da editora VHD, e "Mantendo contato" com um levantamento bibliográfico de O Morto do Pântano (personagem criado em 1967 por Eugênio Colonnese).
A edição ainda traz quadrinhos de Chagas Lima, Eduardo Marcondes Guimarães, Luiz Cláudio Lopes Faria e do próprio editor, além das seções "Fórum" e "Edições independentes" com os lançamentos de fanzines do bimestre. A capa tem uma ilustração do editor, sem cores desta vez.
Junto ao QI, os assinantes receberam Artigos sobre Histórias em Quadrinhos 3: Ken Parker, Welcome to Springville, fascículo de 12 páginas, de autoria do colecionador português Carlos Gonçalves, comentando estas duas séries italianas de western.
O QI é distribuído exclusivamente por assinaturas, mas sua versão digital pode ser encontrada no saite da editora Marca de Fantasia. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.
A edição tem 32 páginas e traz mais um depoimento de José Ruy, desta vez sobre o periódico português Tintin, artigo sobre o Homem-Lua (super herói criado em 1965 por Gedeone Malagola), um texto sobre aulas de história em quadrinhos, uma curiosa comparação entre dois formatos de uma tira do Fantasma, as colunas "Mistérios do colecionismo" sobre coleção de álbuns Thorgal, da editora VHD, e "Mantendo contato" com um levantamento bibliográfico de O Morto do Pântano (personagem criado em 1967 por Eugênio Colonnese).
A edição ainda traz quadrinhos de Chagas Lima, Eduardo Marcondes Guimarães, Luiz Cláudio Lopes Faria e do próprio editor, além das seções "Fórum" e "Edições independentes" com os lançamentos de fanzines do bimestre. A capa tem uma ilustração do editor, sem cores desta vez.Junto ao QI, os assinantes receberam Artigos sobre Histórias em Quadrinhos 3: Ken Parker, Welcome to Springville, fascículo de 12 páginas, de autoria do colecionador português Carlos Gonçalves, comentando estas duas séries italianas de western.
O QI é distribuído exclusivamente por assinaturas, mas sua versão digital pode ser encontrada no saite da editora Marca de Fantasia. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Ondas não bastam
Todas as vezes que sou questionado a respeito da história da fc&f brasileira, fico perdido nas classificações cronológicas porque, nesta altura dos acontecimentos, o mapeamento já ultrapassou os limites das três "ondas" que antes pareciam ser suficientes para definir e entender a evolução da arte.
Há vasto material anterior à organização do fandom e, mesmo durante o período de ação deste, pelo menos um importante momento da fc&f nacional não fez parte de nenhuma das ditas ondas. Estas só fazem sentido de fato no restrito escopo da produção dos fãs e dos autores que se identificaram com sua ação.
Por mais que isso desagrade determinados grupos, a história da fc&f transcende o antes e o durante do fandom. Assim sendo, e por falta de uma classificação mais conveniente, montei a seguinte proposta, que conta com seis subdivisões principais:
Clássicos: refere-se aos autores dos primeiros exemplos da fc&f nacional, anteriores ao Movimento Modernista. Exemplos: Álvares de Azevedo, Augusto Zaluar, Machado de Assis, Joaquim Manuel de Macedo, Coelho Netto, Monteiro Lobato, Aluísio de Azevedo etc
Modernistas: autores contemporâneos e/ou identificados ao Movimento Modernista: Exemplos: Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Gastão Cruls, Humberto de Campos, João do Rio, Malba Tahan, Guimarães Rosa, Afonso Schimidt, Beliro Neves, Murilo Rubião etc.
Primeira onda ou Geração GRD: Autores claramente identificados com o movimento autoral e editorial de literatura de gênero, cuja obra apresenta vínculos claros com os protocolos da fc&f pulp. Exemplos: Jerônymo Monteiro, Rubens Teixeira Scavone, Fausto Cunha, Dinah Silveira de Queiroz, André Carneiro, Nilson Martello, Levy Menezes, Rubens F. Lucchetti etc.
Não alinhados: Autores contemporâneos não participantes da primeira e segunda ondas, cujas obras vinculam-se perifericamente aos gêneros e estão mais identificadas ao mainstream literário. Exemplos: José J. Veiga, Chico Buarque, Ariano Suassuna, Vitor Giudice, Érico Veríssimo, Paulo Leminski, Cassandra Rios, Ligia Fagundes Telles, Ignácio de Loyola Brandão, Ruth Bueno, Moacyr Scliar, Nilza Amaral, Herberto Sales, Julio Emilio Braz, João Ubaldo Ribeiro, Fausto Fawcett, Domingos Pelegrini, João Batista Melo, Neil de Castro, Nelson de Oliveira, etc.
Segunda onda ou Geração dos fanzines: Autores claramente vinculados ao fandom organizado nos anos 1980, cujos trabalhos desenvolveram-se especialmente em publicações amadoras. Exemplo: Daniel Fresnot, Jorge Luiz Calife, Roberto Schima, Roberto de Sousa Causo, Simone Saueressig, H. V. Flory, Braulio Tavares, Max Mallmann, José dos Santos Fernandes, Ivanir Calado, Gerson Lodi-Ribeiro, Fábio Fernandes, Carlos Orsi, Ivan Carlos Regina, Martha Argel, Miguel Carqueija, Carlos Patati, Gian Danton, Ataíde Tartari, Finisia Fideli etc
Terceira onda ou Geração internet: Autores surgidos no século 21, principalmente a partir da ação dos fãs em saites e redes sociais. Exemplo: Tibor Moricz, Ana Cristina Rodrigues, Giulia Moon, Cristina Lasaitis, Helena Gomes, Clinton Davisson, Andre Vianco, Luiz Bras etc.
É claro que há interstícios que podem agrupar autores identificados com mais de uma classificação, bem como grupos restritos de ação pontual mas, por hora, fiquei satisfeito com estas subdivisões. Seria interessante iniciar um amplo debate a respeito disto, para acertar arestas e afinar definições, identificando também as obras mais relevantes da cada ciclo e os temas mais praticados em cada uma, se houver.
Há vasto material anterior à organização do fandom e, mesmo durante o período de ação deste, pelo menos um importante momento da fc&f nacional não fez parte de nenhuma das ditas ondas. Estas só fazem sentido de fato no restrito escopo da produção dos fãs e dos autores que se identificaram com sua ação.
Por mais que isso desagrade determinados grupos, a história da fc&f transcende o antes e o durante do fandom. Assim sendo, e por falta de uma classificação mais conveniente, montei a seguinte proposta, que conta com seis subdivisões principais:
Clássicos: refere-se aos autores dos primeiros exemplos da fc&f nacional, anteriores ao Movimento Modernista. Exemplos: Álvares de Azevedo, Augusto Zaluar, Machado de Assis, Joaquim Manuel de Macedo, Coelho Netto, Monteiro Lobato, Aluísio de Azevedo etc
Modernistas: autores contemporâneos e/ou identificados ao Movimento Modernista: Exemplos: Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Gastão Cruls, Humberto de Campos, João do Rio, Malba Tahan, Guimarães Rosa, Afonso Schimidt, Beliro Neves, Murilo Rubião etc.
Primeira onda ou Geração GRD: Autores claramente identificados com o movimento autoral e editorial de literatura de gênero, cuja obra apresenta vínculos claros com os protocolos da fc&f pulp. Exemplos: Jerônymo Monteiro, Rubens Teixeira Scavone, Fausto Cunha, Dinah Silveira de Queiroz, André Carneiro, Nilson Martello, Levy Menezes, Rubens F. Lucchetti etc.
Não alinhados: Autores contemporâneos não participantes da primeira e segunda ondas, cujas obras vinculam-se perifericamente aos gêneros e estão mais identificadas ao mainstream literário. Exemplos: José J. Veiga, Chico Buarque, Ariano Suassuna, Vitor Giudice, Érico Veríssimo, Paulo Leminski, Cassandra Rios, Ligia Fagundes Telles, Ignácio de Loyola Brandão, Ruth Bueno, Moacyr Scliar, Nilza Amaral, Herberto Sales, Julio Emilio Braz, João Ubaldo Ribeiro, Fausto Fawcett, Domingos Pelegrini, João Batista Melo, Neil de Castro, Nelson de Oliveira, etc.
Segunda onda ou Geração dos fanzines: Autores claramente vinculados ao fandom organizado nos anos 1980, cujos trabalhos desenvolveram-se especialmente em publicações amadoras. Exemplo: Daniel Fresnot, Jorge Luiz Calife, Roberto Schima, Roberto de Sousa Causo, Simone Saueressig, H. V. Flory, Braulio Tavares, Max Mallmann, José dos Santos Fernandes, Ivanir Calado, Gerson Lodi-Ribeiro, Fábio Fernandes, Carlos Orsi, Ivan Carlos Regina, Martha Argel, Miguel Carqueija, Carlos Patati, Gian Danton, Ataíde Tartari, Finisia Fideli etc
Terceira onda ou Geração internet: Autores surgidos no século 21, principalmente a partir da ação dos fãs em saites e redes sociais. Exemplo: Tibor Moricz, Ana Cristina Rodrigues, Giulia Moon, Cristina Lasaitis, Helena Gomes, Clinton Davisson, Andre Vianco, Luiz Bras etc.
É claro que há interstícios que podem agrupar autores identificados com mais de uma classificação, bem como grupos restritos de ação pontual mas, por hora, fiquei satisfeito com estas subdivisões. Seria interessante iniciar um amplo debate a respeito disto, para acertar arestas e afinar definições, identificando também as obras mais relevantes da cada ciclo e os temas mais praticados em cada uma, se houver.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Três recortes sobre o quadrinho brasileiro
OK, isso é discutível. De fato, há artistas que sobrevivem de quadrinhos no País, mas são poucos e mal pagos, continuam na luta ou porque não sabem ou não querem fazer outra coisa: são mártires diletantes, à margem do mercado, recebendo irregularmente royalties ridículos ou produzindo suas próprias publicações, sem conseguir distribuir porque não há acesso ao serviço dominado por um monopólio predador.
O segundo recorte, datado de 2 de janeiro de 2016, traz o artigo "Um fantasma a menos", assinado por Guilherme Sobota, também publicado no Caderno 2, sobre o lançamento do livro O grifo de Abdera (que merece atenção) com direito a uma entrevista com o autor, um dos grandes nomes da literatura brasileira surgidos nos últimos anos, o paulistano Lourenço Mutarelli. Todos sabemos quem é Mutarelli: quadrinhista bem sucedido, autor de uma série de títulos cultuados pelos leitores, como a série de álbuns do detetive Diomedes. A certa altura, diz o autor: "O (quadrinhista) que eu era morreu. Não consigo mais fazer quadrinhos como fazia antes". E mais adiante "... é quase uma estupidez trabalhar 12 horas por dia, todos os dias, e não ter retorno. No auge, conseguia o dinheiro para pagar o aluguel". Ou seja, de Colin a Mutarelli, nada mudou.
Finalmente, o artigo "Brasileiros criam site de streaming de quadrinhos", assinado por Matheus Mans, publicado em 27 de julho de 2015 no caderno Economia. Trata do lançamento da plataforma Cosmic Reader, criada pelos cearenses Ramon Cavalcante e George Pedrosa. Inspirados no Netflix, que está desbancando a tv a cabo, a ideia é abandonar de vez o mercado real e focar no digital. E é aí que está o erro. Abandonar o mercado real é assumir que o produto fracassou definitivamente.
As histórias em quadrinhos são cria do formato real. Sua linguagem evoluiu a partir das limitações gráficas do produto impresso, que não tem eficiência no formato digital. O sucesso de um produto virtual só tem valor se a ele estiver associado um produto real, que é com o que se vai ganhar dinheiro de verdade. O talento do produto virtual é divulgar o autor e sua arte, com objetivo de se chegar ao mercado real onde se pode vender revistas, livros, álbuns, figurinhas, jogos, brinquedos, licenciamentos para produtos de consumo e adaptação para cinema e tv. Ainda que se esteja tentando muito, o quadrinho digital não mostra potência comercial para sustentar um mercado por si só.
A esperança no digital parece ser apenas mais um capítulo do engodo do quadrinho no Brasil, uma tragédia anunciada há décadas, porque somente o quadrinho que dá certo nas bancas é que vai dar certo no espaço digital.
Não será possível criar no País um mercado de quadrinhos saudável e vigoroso abdicando-se da banca e das livrarias. Não existe atalho. É preciso que artistas e editores enfrentem o criminoso monopólio da distribuição que aí está, pois, sem a vitória nessa frente, tudo o mais é inútil.
Somente amor e talento não bastam: continua sendo fundamental tratar o produto editorial em seu espaço comercial dominante, com competência e seriedade. Ou continuaremos vítimas do vaticínio de Jotabê Medeiros no longínquo 1995, com os quadrinhistas brasileiros para sempre enfrentando a maldição do amadorismo editorial.
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
O essencial da literatura fantástica no Brasil em 2015
2015 foi o ano da crise. Não se falou em outra coisa ao longo do ano e praticamente todos os setores sentiram o impacto da desaceleração da economia brasileira. Ainda que haja um forte componente político no processo, não se pode negar que realmente aconteceu uma mudança de paradigma pois, com a desvalorização do Real, importar ficou mais caro e a produção interna e exportação voltaram a ser as bolas da vez. Alguns setores até obtiveram crescimento justamente por conta dessa mudança de contornos, mas o mercado editorial de ficção especulativa não reagiu da mesma forma porque o interesse das grandes editoras que dominam o mercado ainda está nos textos de autores estrangeiros, especialmente aqueles que vêm associados a lançamentos cinematográficos, por isso a produção nacional segue desprezada, subsistindo em pequenas editoras de nicho e na publicação autoral.
A queda nos números em relação a 2014 foi percebida em todos os setores editoriais, mas isso é assunto para outro artigo, que virá quando a lista de lançamentos de 2015 do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica estiver encerrada. Aqui, como em outros anos, falaremos do essencial que a fc&f apresentou em 2015, e não foi pouco. Mas antes, cabe fazer uma importante observação sobre o que foi o maior diferencial do mercado nesse ano: as volta vigorosa das novelizações.
Nos anos 1990, houve um período em que mercado foi dominado pela publicação de novelizações – também conhecidas como tie-ins – principalmente ligadas aos seriados de televisão Star trek e X files, sucessos que então sustentavam grandes clubes de fãs no País. Não é exatamente o que está acontecendo agora porque o mercado está muito maior e as franquias mais variadas, e com autores brasileiros aproveitando a onda. Além das sempre lembradas séries de tv, agora temos também novelizações de cinema (Star wars), séries de quadrinhos (Marvel) e jogos eletrônicos, com destaque para a novelização Dois mundos um herói (Suma das Letras), assinada pelo youtuber Rezende Evil e inspirada no jogo eletrônico Minecraft, que foi o lançamento mais badalado e comercialmente bem sucedido da fantasia nacional em 2015.
A fantasia continua sendo o gênero mais praticado pelo mercado, tomando mais da metade do total de lançamentos de literatura fantástica e é nela que se destacam os autores mais bem sucedidos, como Eduardo Spohr com o terceiro volume de série Filhos do Éden: Paraíso perdido (Verus), e Carolina Munhóz com Por um toque de ouro e O mundo das vozes silenciadas – este assinado em parceria com Sophia Abrahão –, ambos pela Rocco.
Dos autores mais identificados com o fandom, é preciso registrar a edição de Flores do jardim de Balaur, de Carlos Orsi, novela de fantasia heroica ao estilo weird originalmente publicada no fanzine Juvenatrix em 1999.
Felipe Castilho publicou o terceiro volume de sua série O legado folclórico: Ferro, água & escuridão (Gutenberg) que vale a pena conhecer, assim como o curioso Tijucamérica (Paralela), romance do cronista esportivo José Trajano, que envereda pelos caminhos do futebol.
A série Crônicas de Salicanda, de Pauline Alphen chegou ao terceiro volume com A aliança (L'alliance, Seguinte). Esta autora tem uma característica diferenciada: apesar de brasileira de nascimento, seus livros são traduzidos aqui pois foram originalmente publicados na França, onde ela reside há muitos anos.
Entre os autores estrangeiros, destacou-se o romance arturiano O gigante enterrado (The buried giant), do nipobritânico Kazuo Ishiguro, publicado pela Companhia das Letras. Ainda que parte de sua notoriedade tenha advindo da polêmica criada em torno de declarações pouco simpáticas do autor sobre o gênero da fantasia, o livro é excelente e merece a leitura. Quando a polêmica varreu as redes sociais, o multipremiado fantasista britânico Neil Gaiman foi um dos primeiros a sair em defesa de Ishiguro.
E Gaiman também apareceu de forma importante em 2015, com dois livros: A bela e a adormecida (The sleeper and the spindle, Rocco) e A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras (The truth is a cave in the Black Mountains, Intrínseca).
Como a fantasia não dá sinal de enfraquecimento e os títulos à mão já foram todos publicados, as editoras partiram em busca de obras e autores esquecidos que, de outra forma, talvez nunca desembarcassem aqui. É o caso de Diana Wynne Jones (1934-2011), autora de grande prestígio no exterior mas pouco publicada aqui. A edição de O vitral encantado (Enchanted glass) pela Record é uma tímida tentativa em dar à autora de O castelo animado (Howl's moving castle) e Crestomanci (Chrestomanci) a atenção que lhe é devida. Outro nome importante lembrado em 2015 foi o escritor e ilustrador americano Dr. Seuss (1904-1991) com O desaparecimento do Lórax (The Lorax), pelo selo infantil da Companhia das Letras, um clássico do gênero. E também Chris Van Allsburg, com Jumanji, numa das derradeiras publicações da editora Cosac Naify, que anunciou no final do ano o encerramento de suas atividades. Vale ainda lembrar da publicação de Pequenos deuses (Small gods), do britânico Terry Pratchett (1948-2015), 13º volume da série Discworld, publicado pela Record no selo Bertrand Brasil.
Desde 2014, a ficção científica voltou a despertar interesse entre as editoras. A pequena Editora Draco, especializada no gênero, trouxe em 2015 alguns títulos que merecem a atenção, por autores historicamente ligados ao fandom: E de extermínio, de Cirilo Lemos, Encruzilhada, de Lúcio Manfredi, e Estranhos no paraíso, de Gerson Lodi-Ribeiro, enquanto Roberto de Sousa Causo apareceu com a coletânea Shiroma: Matadora ciborgue, pela Devir Livraria. Outro nome conhecido no fandom, há anos ausente da atividade autoral, é Henrique Flory que, pela Editora Arte e Ciência, publicou O elo, sequência de Projeto evolução, romance dos anos 1990 também republicado agora.
Ventania brava, de Luis Bras (Sesi-SP), junto à história alternativa A segunda pátria, de Miguel Sanches Neto (Intrínseca), formaram o núcleo da fc nacional que melhor dialogou com o mainstream em 2015. Mas o livro brasileiro de fc mais comentado no ano foi Le Chevalier e a Exposição Universal, de A. Z. Cordenonsi (Avec), romance steampunk que mistura ficção com personagens reais numa aventura à moda de Sherlock Holmes.
Entre os estrangeiros, é preciso antes de mais nada registrar a presença intensiva da coleção alemã Perry Rhodan da editora SSPG, que lançou regularmente cerca de seis volumes digitais por mês ao longo de todo o ano. Trata-se da série mais longa da literatura, com mais de dois mil livros e ainda em publicação.
O escritor americano Jeff Vandermeer retornou à série Comando Sul com Autoridade (Authority), pela editora Intrínseca, que explora possibilidades aterradoras advindas do contato com uma vida alienígena com a qual a comunicação não é uma possibilidade.
O último policial (The last policeman), do também americano Ben H. Winters, pela editora Rocco, aproxima a literatura policial da ficção científica ao contar a história de um homem obcecado em desvendar um assassinato nos dias finais da humanidade no planeta Terra, prestes a sofrer o impacto de um meteoro gigante. Trata-se do primeiro de uma trilogia, cujo segundo volume Cidade dos últimos dias (Countdown city, Philip K. Dick Award 2014) foi lançado pela mesma editora logo nos primeiros dias de 2016.
A editora Aleph, que investe principalmente na republicação de grandes clássicos da fc e tem como carro-chefe o escritor americano William Gibson – autor do prestigiado Neuromancer, que a editora tem republicado seguidamente desde sua primeira edição em 1991 –, dele traduziu História zero (Zero history), terceiro volume da série Blue ant que, por ser ambientada no presente, nem sempre é considerada ficção científica, mas segue os protocolos especulativos do cyberpunk para discutir o impacto psicossocial da tecnologia moderna.
Outro importante representante do cyberpunk que desembarcou por aqui em 2015 foi Ian McDonald com o romance Brasyl, pela editora Saída de Emergência Brasil, numa história que une três realidades, uma delas na cidade do Rio de Janeiro.
O horror é historicamente um gênero de produção estável e sustentou seu espaço em 2015. André Vianco, o maior bestseller da fc&f nacional, estreou o selo autoral Calíope na editora Giz, com o inédito romance Estrela da manhã. Também vale conferir a coletânea O vilarejo, de Rapahel Montes (Suma das Letras), que tem sido bem avaliada no ambiente mainstream.
Apesar de sua tradição e importância como nascedouro de talentos, as antologias tiveram um momento discreto em 2015. Contudo, vale destacar Vampiros, estreia da coleção Sobrenatural (Avec), organizada pelo escritor Duda Falcão com contos de importantes nomes do gênero como Giulia Moon, Carlos Patati, Nazareth Fonseca, Lord A. e Simone Saueressig, entre outros. Contudo, a grande novidade de 2015 no horror nacional foi a volta do mestre R. F. Lucchetti, com dois títulos: O museu dos horrores (Corvo) e O Escorpião Escarlate: O roteiro original (Laços).
Entre os estrangeiros destacou-se outro mestre, Stephen King, com nada menos que três livros publicados no ano: a coletânea Escuridão total sem estrelas (Full dark, no stars), e os romances Joyland e Revival, todos pela Suma das Letras, hoje selo da Companhia das Letras.
Outro mestre do gênero que apareceu em 2015 foi Clive Barker, com a novela original Hellraiser: Renascido do inferno (The hellbound heart), pela Darkside.
A dama do horror, Anne Rice, retornou ao universo de Entrevista com o vampiro (Interview with the vampire) no novo romance As crônicas vampirescas: Príncipe Lestat (Prince Lestat), pela Rocco. Até mesmo George R. R. Martin não resistiu aos encantos vampíricos e apareceu nas livrarias com Sonho febril (Fevre dream) pela LeYa Brasil. O romance é de 1982, mas só chegou agora devido ao sucesso de Martin com livros de fantasia medieval.
Finalmente, mas não menos importante, foi a publicação da coletânea Solomon Kane: A saga completa, de Robert E. Howard (1906-1936) pela editora Generale, reunindo os nove contos escritos por Howard para o destemido puritano caçador de bruxas.
Diante deste quadro, a conclusão é que não há do que se lamentar. A publicação de fc&f não parece estar vulnerável aos humores do mercado, prova que seu crescimento nos últimos anos não foi fruto de uma bolha; e a crise pode até ser benéfica para o setor, depurando o mercado dos evidentes excessos que em nada contribuem para o estabelecimento de uma fc&f sólida e relevante.
Ainda há muito que trilhar para tornar a ficção fantástica um espaço profissional ao exercício artístico, mas já é possível dizer, no que se refere aos aspectos conceituais, que a ficção fantástica brasileira está amadurecendo. Autores e editores que conseguirem superar a crise estarão prontos para assumir a liderança do mercado quando as coisas melhorarem.
Perseverar é, sem dúvida, a palavra de ordem para 2016.
Livros citados:
Dois mundos, um herói, Rezende Evil (Suma das Letras)
Filhos do Éden: Paraíso perdido, Eduardo Spohr (Verus)
Por um toque de ouro, Carolina Munhóz (Rocco)
O mundo das vozes silenciadas, Carolina Munhóz e Sophia Abrahão (Rocco)
Flores do jardim de Balaur, Carlos Orsi (Draco)
O legado folclórico: Ferro, água & escuridão, Felipe Castilho (Gutenberg)
Tijucamérica, José Trajano (Paralela)
Crônicas de Salicanda: A aliança, Pauline Alphen (Seguinte)
O gigante enterrado, Kazuo Ishiguro (Companhia das Letras)
A bela e a adormecida, Neil Gaiman (Rocco)
A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras, Neil Gaiman (Intrínseca)
O vitral encantado, Diana Wynne Jones (Record)
O desaparecimento do Lórax, Dr. Seuss (Companhia das Letras)
Jumanji, Chris Van Allsburg (Cosac Naify)
Pequenos deuses, Terry Pratchett (Bertrand Brasil)
E de extermínio, Cirilo Lemos (Draco)
Encruzilhada, Lúcio Manfredi (Draco)
Estranhos no paraíso, Gerson Lodi-Ribeiro (Draco)
Shiroma: Matadora ciborgue, Roberto de Sousa Causo (Devir)
O elo, Henrique Flory (Arte e Ciência)
Ventania brava, Luis Bras (Sesi-SP)
A segunda pátria, Miguel Sanches Neto (Intrínseca)
Le Chevalier e a Exposição Universal, A. Z. Cordenonsi (Avec)
Perry Rhodan (SSPG)
Autoridade, Jeff Vandermeer (Intrínseca)
O último policial, Ben H. Winters (Rocco)
História zero, William Gibson (Aleph)
Brasyl, Ian McDonald (Saída de Emergência Brasil)
Estrela da manhã, André Vianco (Giz)
O vilarejo, Rapahel Montes (Suma das Letras)
Vampiros, Duda Falcão, org. (Avec)
O museu dos horrores, R. F. Lucchetti (Corvo) e
O Escorpião Escarlate: O roteiro original, R. F. Lucchetti (Laços).
Escuridão total sem estrelas, Stephen King (Suma das Letras)
Joyland, Stephen King (Suma das Letras)
Revival, Stephen King (Suma das Letras)
Hellraiser: Renascido do inferno, Clive Barker (Darkside)
As crônicas vampirescas: Príncipe Lestat, Anne Rice (Rocco)
Sonho febril, George R. R. Martin (LeYa Brasil)
Solomon Kane: A saga completa, Robert E. Howard (Generale)
A queda nos números em relação a 2014 foi percebida em todos os setores editoriais, mas isso é assunto para outro artigo, que virá quando a lista de lançamentos de 2015 do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica estiver encerrada. Aqui, como em outros anos, falaremos do essencial que a fc&f apresentou em 2015, e não foi pouco. Mas antes, cabe fazer uma importante observação sobre o que foi o maior diferencial do mercado nesse ano: as volta vigorosa das novelizações.
Nos anos 1990, houve um período em que mercado foi dominado pela publicação de novelizações – também conhecidas como tie-ins – principalmente ligadas aos seriados de televisão Star trek e X files, sucessos que então sustentavam grandes clubes de fãs no País. Não é exatamente o que está acontecendo agora porque o mercado está muito maior e as franquias mais variadas, e com autores brasileiros aproveitando a onda. Além das sempre lembradas séries de tv, agora temos também novelizações de cinema (Star wars), séries de quadrinhos (Marvel) e jogos eletrônicos, com destaque para a novelização Dois mundos um herói (Suma das Letras), assinada pelo youtuber Rezende Evil e inspirada no jogo eletrônico Minecraft, que foi o lançamento mais badalado e comercialmente bem sucedido da fantasia nacional em 2015.
A fantasia continua sendo o gênero mais praticado pelo mercado, tomando mais da metade do total de lançamentos de literatura fantástica e é nela que se destacam os autores mais bem sucedidos, como Eduardo Spohr com o terceiro volume de série Filhos do Éden: Paraíso perdido (Verus), e Carolina Munhóz com Por um toque de ouro e O mundo das vozes silenciadas – este assinado em parceria com Sophia Abrahão –, ambos pela Rocco.
Dos autores mais identificados com o fandom, é preciso registrar a edição de Flores do jardim de Balaur, de Carlos Orsi, novela de fantasia heroica ao estilo weird originalmente publicada no fanzine Juvenatrix em 1999.
Felipe Castilho publicou o terceiro volume de sua série O legado folclórico: Ferro, água & escuridão (Gutenberg) que vale a pena conhecer, assim como o curioso Tijucamérica (Paralela), romance do cronista esportivo José Trajano, que envereda pelos caminhos do futebol.A série Crônicas de Salicanda, de Pauline Alphen chegou ao terceiro volume com A aliança (L'alliance, Seguinte). Esta autora tem uma característica diferenciada: apesar de brasileira de nascimento, seus livros são traduzidos aqui pois foram originalmente publicados na França, onde ela reside há muitos anos.
Entre os autores estrangeiros, destacou-se o romance arturiano O gigante enterrado (The buried giant), do nipobritânico Kazuo Ishiguro, publicado pela Companhia das Letras. Ainda que parte de sua notoriedade tenha advindo da polêmica criada em torno de declarações pouco simpáticas do autor sobre o gênero da fantasia, o livro é excelente e merece a leitura. Quando a polêmica varreu as redes sociais, o multipremiado fantasista britânico Neil Gaiman foi um dos primeiros a sair em defesa de Ishiguro.
E Gaiman também apareceu de forma importante em 2015, com dois livros: A bela e a adormecida (The sleeper and the spindle, Rocco) e A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras (The truth is a cave in the Black Mountains, Intrínseca).
Como a fantasia não dá sinal de enfraquecimento e os títulos à mão já foram todos publicados, as editoras partiram em busca de obras e autores esquecidos que, de outra forma, talvez nunca desembarcassem aqui. É o caso de Diana Wynne Jones (1934-2011), autora de grande prestígio no exterior mas pouco publicada aqui. A edição de O vitral encantado (Enchanted glass) pela Record é uma tímida tentativa em dar à autora de O castelo animado (Howl's moving castle) e Crestomanci (Chrestomanci) a atenção que lhe é devida. Outro nome importante lembrado em 2015 foi o escritor e ilustrador americano Dr. Seuss (1904-1991) com O desaparecimento do Lórax (The Lorax), pelo selo infantil da Companhia das Letras, um clássico do gênero. E também Chris Van Allsburg, com Jumanji, numa das derradeiras publicações da editora Cosac Naify, que anunciou no final do ano o encerramento de suas atividades. Vale ainda lembrar da publicação de Pequenos deuses (Small gods), do britânico Terry Pratchett (1948-2015), 13º volume da série Discworld, publicado pela Record no selo Bertrand Brasil.
Desde 2014, a ficção científica voltou a despertar interesse entre as editoras. A pequena Editora Draco, especializada no gênero, trouxe em 2015 alguns títulos que merecem a atenção, por autores historicamente ligados ao fandom: E de extermínio, de Cirilo Lemos, Encruzilhada, de Lúcio Manfredi, e Estranhos no paraíso, de Gerson Lodi-Ribeiro, enquanto Roberto de Sousa Causo apareceu com a coletânea Shiroma: Matadora ciborgue, pela Devir Livraria. Outro nome conhecido no fandom, há anos ausente da atividade autoral, é Henrique Flory que, pela Editora Arte e Ciência, publicou O elo, sequência de Projeto evolução, romance dos anos 1990 também republicado agora.
Ventania brava, de Luis Bras (Sesi-SP), junto à história alternativa A segunda pátria, de Miguel Sanches Neto (Intrínseca), formaram o núcleo da fc nacional que melhor dialogou com o mainstream em 2015. Mas o livro brasileiro de fc mais comentado no ano foi Le Chevalier e a Exposição Universal, de A. Z. Cordenonsi (Avec), romance steampunk que mistura ficção com personagens reais numa aventura à moda de Sherlock Holmes.
Entre os estrangeiros, é preciso antes de mais nada registrar a presença intensiva da coleção alemã Perry Rhodan da editora SSPG, que lançou regularmente cerca de seis volumes digitais por mês ao longo de todo o ano. Trata-se da série mais longa da literatura, com mais de dois mil livros e ainda em publicação.
O escritor americano Jeff Vandermeer retornou à série Comando Sul com Autoridade (Authority), pela editora Intrínseca, que explora possibilidades aterradoras advindas do contato com uma vida alienígena com a qual a comunicação não é uma possibilidade.
O último policial (The last policeman), do também americano Ben H. Winters, pela editora Rocco, aproxima a literatura policial da ficção científica ao contar a história de um homem obcecado em desvendar um assassinato nos dias finais da humanidade no planeta Terra, prestes a sofrer o impacto de um meteoro gigante. Trata-se do primeiro de uma trilogia, cujo segundo volume Cidade dos últimos dias (Countdown city, Philip K. Dick Award 2014) foi lançado pela mesma editora logo nos primeiros dias de 2016.
A editora Aleph, que investe principalmente na republicação de grandes clássicos da fc e tem como carro-chefe o escritor americano William Gibson – autor do prestigiado Neuromancer, que a editora tem republicado seguidamente desde sua primeira edição em 1991 –, dele traduziu História zero (Zero history), terceiro volume da série Blue ant que, por ser ambientada no presente, nem sempre é considerada ficção científica, mas segue os protocolos especulativos do cyberpunk para discutir o impacto psicossocial da tecnologia moderna.
Outro importante representante do cyberpunk que desembarcou por aqui em 2015 foi Ian McDonald com o romance Brasyl, pela editora Saída de Emergência Brasil, numa história que une três realidades, uma delas na cidade do Rio de Janeiro.
O horror é historicamente um gênero de produção estável e sustentou seu espaço em 2015. André Vianco, o maior bestseller da fc&f nacional, estreou o selo autoral Calíope na editora Giz, com o inédito romance Estrela da manhã. Também vale conferir a coletânea O vilarejo, de Rapahel Montes (Suma das Letras), que tem sido bem avaliada no ambiente mainstream.
Apesar de sua tradição e importância como nascedouro de talentos, as antologias tiveram um momento discreto em 2015. Contudo, vale destacar Vampiros, estreia da coleção Sobrenatural (Avec), organizada pelo escritor Duda Falcão com contos de importantes nomes do gênero como Giulia Moon, Carlos Patati, Nazareth Fonseca, Lord A. e Simone Saueressig, entre outros. Contudo, a grande novidade de 2015 no horror nacional foi a volta do mestre R. F. Lucchetti, com dois títulos: O museu dos horrores (Corvo) e O Escorpião Escarlate: O roteiro original (Laços).
Entre os estrangeiros destacou-se outro mestre, Stephen King, com nada menos que três livros publicados no ano: a coletânea Escuridão total sem estrelas (Full dark, no stars), e os romances Joyland e Revival, todos pela Suma das Letras, hoje selo da Companhia das Letras.
Outro mestre do gênero que apareceu em 2015 foi Clive Barker, com a novela original Hellraiser: Renascido do inferno (The hellbound heart), pela Darkside.
A dama do horror, Anne Rice, retornou ao universo de Entrevista com o vampiro (Interview with the vampire) no novo romance As crônicas vampirescas: Príncipe Lestat (Prince Lestat), pela Rocco. Até mesmo George R. R. Martin não resistiu aos encantos vampíricos e apareceu nas livrarias com Sonho febril (Fevre dream) pela LeYa Brasil. O romance é de 1982, mas só chegou agora devido ao sucesso de Martin com livros de fantasia medieval.
Finalmente, mas não menos importante, foi a publicação da coletânea Solomon Kane: A saga completa, de Robert E. Howard (1906-1936) pela editora Generale, reunindo os nove contos escritos por Howard para o destemido puritano caçador de bruxas.
Diante deste quadro, a conclusão é que não há do que se lamentar. A publicação de fc&f não parece estar vulnerável aos humores do mercado, prova que seu crescimento nos últimos anos não foi fruto de uma bolha; e a crise pode até ser benéfica para o setor, depurando o mercado dos evidentes excessos que em nada contribuem para o estabelecimento de uma fc&f sólida e relevante.
Ainda há muito que trilhar para tornar a ficção fantástica um espaço profissional ao exercício artístico, mas já é possível dizer, no que se refere aos aspectos conceituais, que a ficção fantástica brasileira está amadurecendo. Autores e editores que conseguirem superar a crise estarão prontos para assumir a liderança do mercado quando as coisas melhorarem.
Perseverar é, sem dúvida, a palavra de ordem para 2016.
Livros citados:
Dois mundos, um herói, Rezende Evil (Suma das Letras)
Filhos do Éden: Paraíso perdido, Eduardo Spohr (Verus)
Por um toque de ouro, Carolina Munhóz (Rocco)
O mundo das vozes silenciadas, Carolina Munhóz e Sophia Abrahão (Rocco)
Flores do jardim de Balaur, Carlos Orsi (Draco)
O legado folclórico: Ferro, água & escuridão, Felipe Castilho (Gutenberg)
Tijucamérica, José Trajano (Paralela)
Crônicas de Salicanda: A aliança, Pauline Alphen (Seguinte)O gigante enterrado, Kazuo Ishiguro (Companhia das Letras)
A bela e a adormecida, Neil Gaiman (Rocco)
A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras, Neil Gaiman (Intrínseca)
O vitral encantado, Diana Wynne Jones (Record)
O desaparecimento do Lórax, Dr. Seuss (Companhia das Letras)
Jumanji, Chris Van Allsburg (Cosac Naify)
Pequenos deuses, Terry Pratchett (Bertrand Brasil)E de extermínio, Cirilo Lemos (Draco)
Encruzilhada, Lúcio Manfredi (Draco)
Estranhos no paraíso, Gerson Lodi-Ribeiro (Draco)
Shiroma: Matadora ciborgue, Roberto de Sousa Causo (Devir)O elo, Henrique Flory (Arte e Ciência)
Ventania brava, Luis Bras (Sesi-SP)
A segunda pátria, Miguel Sanches Neto (Intrínseca)
Le Chevalier e a Exposição Universal, A. Z. Cordenonsi (Avec)
Perry Rhodan (SSPG)
Autoridade, Jeff Vandermeer (Intrínseca)
O último policial, Ben H. Winters (Rocco)História zero, William Gibson (Aleph)
Brasyl, Ian McDonald (Saída de Emergência Brasil)
Estrela da manhã, André Vianco (Giz)
O vilarejo, Rapahel Montes (Suma das Letras)
Vampiros, Duda Falcão, org. (Avec)
O museu dos horrores, R. F. Lucchetti (Corvo) eO Escorpião Escarlate: O roteiro original, R. F. Lucchetti (Laços).
Escuridão total sem estrelas, Stephen King (Suma das Letras)
Joyland, Stephen King (Suma das Letras)
Revival, Stephen King (Suma das Letras)
Hellraiser: Renascido do inferno, Clive Barker (Darkside)
As crônicas vampirescas: Príncipe Lestat, Anne Rice (Rocco)
Sonho febril, George R. R. Martin (LeYa Brasil)
Solomon Kane: A saga completa, Robert E. Howard (Generale)
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