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quarta-feira, 6 de março de 2019

Sergio Toppi (1932-2012)

Intensa. Esta é a melhor definição para a arte de Sergio Toppi, ilustrador milanês falecido no dia 21 de agosto de 2012, pouco antes de completar 80 anos.
Toppi foi um ilustrador de traço impactante, considerado em todo o mundo como um dos maiores mestres dos quadrinhos. Senhor de um estilo moderno e arrojado, que valorizava os espaços brancos, influenciou muitos artistas importantes em todo o mundo, como Bill Sienkiewicz, Walt Simonson e Frank Miller, por exemplo.
Nascido em 11 de outubro 1932, Toppi apaixonou-se pelos quadrinhos em algum momento dos anos 1940, ao ver os desenhos de Dino Battaglia e Hugo Pratt em um exemplar da revista Asso de Picche.
Estudou na Escola de Arte do Castelo, mas não terminou o curso. Antes de se envolver com a arte que lhe daria prestígio, começou fazendo ilustrações publicitárias para a Enciclopedia dei Ragazzi, para a Unione Tipografico-Editrice Torinese, para a editora Mondadori e para a revista Topolino. Também trabalhou produzindo desenhos animados publicitários para a Caroselli Televisivi.
Estreou nos quadrinhos infantis no início dos anos 1960, com a hq Il mago Zurli, publicada no Corriere dei Piccoli. Trabalhou várias vezes com o roteirista Mino Milani, para quem ilustrou a série La Vera Storia di Pietro Micca, também publicada no Corriere dei Piccoli.
Sua grande chance surgiria em 1974, quando foi contratado por Sergio Bonelli para ilustrar Herman Lehmann: L'indiano bianco. Especializou-se então no quadrinho juvenil, publicando histórias avulsas nas revistas Sgt. Kirk e Il Giornalino, entre outras, numa qualidade que lhe valeu um Prêmio Yellow Kid em 1975, recebido no 11º Festival Internacional de Quadrinhos de Lucca.
No ano seguinte, também a convite de Bonelli, começou a ilustrar uma série de três álbuns para prestigiosa coleção Un uomo, un'avventura, com ficções históricas que passariam a caracterizar sua obra.
Entre 1978 e 1980, ilustrou História da França em quadrinhos e A descoberta do mundo para a editora francesa Larousse.
Sérgio Toppi colaborou com algumas das mais importante revistas europeias de quadrinhos, com trabalhos publicados na Linus, Alter Alter, Corto Maltese, L'Eternauta, Comic Art e Ken Parker Magazine. Também são títulos importantes de sua obra os álbuns Sharaz-De* e Il Colezzionista, o único personagem criado por ele.
Mais recentemente, Toppi colaboraria novamente com os estúdios Bonelli, ilustrando histórias para as séries Nick Rider e Julia Kendall, e passaria a ser publicado regularmente na revista francesa Mosquito.
No Brasil, a obra de Toppi foi vista em uma única edição da coleção Um homem/Uma aventura: O homem do Nilo (Ebal, 1978) e na edição nº11 da revista Júlia Kendall, As aventuras de uma criminóloga  (Mythos, 2005). Algumas de suas histórias curtas também puderam ser vistas nas revistas Eureka nº11 (1978) e Eureka Aventura (1977), da Editora Vecchi; Capitão América nº15 (1976) e O Tocha Humana: Blochinho espetacular nº13 (1976), da Editora Bloch. Em 2005, ilustrou as capas das edições americanas da minissérie 1602: New Word, da Marvel Comics, publicada no Brasil no ano seguinte em um único volume na coleção Marvel Apresenta.
Em 2003, o mestre esteve em Belo Horizonte, participando do FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos, que abrigou uma bela exposição de seus trabalhos.
Toppi faleceu em Milão, depois de uma longa luta contra o câncer que, apesar de dura, nunca o afastou da prancheta, numa carreira de quase sessenta anos. Entre suas últimas obras estão, pela Edizioni Papel, os portfólios Lo sono l'Erba (2008) e Divertissement (2009), ambos com ilustrações inspiradas na Irlanda, e Luce dell'Est (2012), sobre o Japão medieval. Intensos, como sempre.

* Dois números da série Sharaz-De foram publicados em 2016 e 2017 no Brasil pela editora Figura.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

O corvo e suas traduções

O corvo e suas traduções, Ivo Barroso, org. 153 páginas. São Paulo: Editora Leya, 2012.

A poesia é um grande mistério e, a princípio, parece fácil versejar. Afinal, os poetas o fazem com tanta naturalidade que parece ser um dom genético ou uma inspiração vinda diretamente dos deuses. As vezes, essa inspiração realmente emerge de um estado de consciência alterada por alguma patologia psicológica, pelo uso de drogas ou por um delírio criativo que nem o próprio autor sabe explicar. Contudo, também pode ser fruto de planejamento, apoiado em uma exaustiva atividade intelectual.
A crítica tende a desvalorizar o trabalho artístico obtido a partir de métodos científicos, por isso muita gente não gostou quando um dos mais importantes escritores da língua inglesa, o poeta "louco" Edgar Allan Poe (1809-1849) explicou, no ensaio "A filosofia da composição" (1846), o passo a passo que cumpriu para chegar ao resultado absolutamente incomparável de seu poema mais ilustre, "O corvo" ("The raven"), escrito em 1845.
Parece mesmo um tanto anticlimático olhar o poema a partir de seus bastidores, uma vez que o efeito, quando visto sob os holofotes da ribalta, se apresenta como fruto de um espírito enlouquecido. O clima tenebroso, reforçado por rimas guturais e aliterações angustiantes não parece ser resultado de um cálculo matemático. Ou não deveria ser, para o bem de todas as nossas certezas.
São essas algumas das preocupações que o poeta e tradutor mineiro Ivo Barroso explora como organizador da antologia O corvo e suas traduções. Originalmente publicado em 1998, pela Editora Lacerda, o volume retornou em 2012 pela Editora Leya já em sua terceira edição.
Além do poema original em inglês, o livro reúne nada menos que 11 traduções, três para o francês, de Charles Baudelaire (1853), Stéphane Mallarmé (1888) e Didier Lamaison (1998), seguidas das mais importantes versões para a língua portuguesa: Machado de Assis (1883), Emílio de Menezes (1917), Fernando Pessoa (1924), Gondin da Fonseca (1928), Milton Amado (1943), Benedicto Lopes (1956), Alexei Bueno (1980) e Jorge Wanderley (1997). É curioso notar como um mesmo texto original pode ter traduções tão diferentes entre si. Inclui ainda um artigo biográfico sobre Poe e o já citado ensaio, uma aula de criação literária, mas que deixa as questões técnicas da poesia ao gosto do leitor. Barroso detalha algumas delas, bem como as diversas tentativas de seus tradutores em transpor para o português todas as filigranas da versão original. Alguns tiveram mais sucesso que outros, mas todas as traduções têm seu valor como verdadeiros documentos de sua época. E, a cereja no bolo, uma apresentação assinada por Carlos Heitor Cony, de todo simpática a obra do autor americano.
O volume tem 153 páginas e ótima legibilidade, com diagramação perfeita em fonte Berkeley impressa em papel pólen de aspecto muito confortável, de tal forma que as explicações de Poe sobre a construção "matemática" do poema parecem fazer todo o sentido, mesmo que sua vida conturbada reforce a ideia de um talento alienado e irracional.
Tido como ébrio de alma torturada que morreu na indigência, parece lícito vê-lo como um louco em contínuo estado de desespero. Sua ficção perturbadora supõe confirmar os aspectos sombrios de sua vida, mas visto na perspectiva facilitada pela leitura de O corvo e suas traduções, revela uma inteligência sagaz, racional e criativa.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Animal'z, Enki Bilal

Animal'z, Enki Bilal. Tradução de Fernando Scheibe. São Paulo: Nemo, 2012.

A ideia do fim do mundo exerce um fascínio irresistível em todos nós. Muito já foi escrito sobre isso, mas o assunto não se esgota: o tema transformou-se num dos mais rentáveis filões da ficção científica, mas a linha que separa a especulação válida da completa tolice é determinada pela preocupação do texto em antecipar as consequências das atitudes que estão sendo tomadas hoje. Nesse aspecto, Animal'z está entre as melhores peças do gênero.
Trata-se de uma sofisticada novela gráfica do quadrinhista sérvio Enki Bilal, publicada originalmente em 2009 pela editora belga Casterman e lançada em 2012 no Brasil pela Nemo, um selo da Editora Autêntica.
A leviana interferência humana sobre a natureza causou um severo desequilíbrio ambiental que ficou conhecido como Golpe de Sangue, e lançou o planeta numa nova era glacial, aniquilando a civilização. Os poucos sobreviventes tentam atingir os Eldorados, regiões quase míticas nas quais se acredita ainda ser possível a vida, mas o caminho para lá é difícil e perigoso. A água potável é rara, os meios de comunicação caíram e não há transporte aéreo e terrestre; as únicas formas de viajar são a pé, no lombo de um animal ou, para os mais afortunados, nos barcos.
Campos minados e radioatividade são perigos remanescentes dos tempos antigos, e as ruínas das cidades escondem canibais famintos a caça de carne fresca. Apesar das duras provas que a natureza impõe aos peregrinos, o verdadeiro perigo para o homem é mesmo o outro: encontros entre sobreviventes invariavelmente resultam em alguma morte, seja por acidente, por intolerância, ou mesmo por instinto de autopreservação.
A história começa a bordo de um luxuoso iate que navega em direção ao Estreito 17, um dos poucos acessos seguros a uma rota que se acredita levar até um dos Eldorados. A bordo, uma jovem sem muita perspectiva de chegar a qualquer lugar que seja: seu marido morreu num acidente improvável, empalado por um filhote de marlim arremessado por uma tempestade, e a moça agora viaja sob os cuidados de um servo eletrônico, um tipo de lagosta robótica, mistura de capitão e mordomo.
Quando um golfinho sobe a bordo e de suas entranhas emerge um homem desconhecido, é que realmente começa o pesadelo. Vamos descobrir que o Golpe de Sangue vai muito além de uma "simples" era do gelo. Os homens desse tempo não são mais como nós. Através de um milagre da tecnologia, eles podem alternar suas forma e natureza entre humano e animal.
Em outro ponto do oceano, um segundo iate também segue em direção ao Estreito 17, levando a bordo ninguém menos que o próprio inventor da tecnologia de hibridização, ele mesmo um híbrido que, assim como o inescrupuloso Doutor Morreau de H. G. Wells, ousou invadir o terreno do sagrado e, com isso, só colaborou para que as coisas ficassem ainda piores.
E, numa terceira linha narrativa, dois cavaleiros quase idênticos, separados entre si por exatos três quilômetros, caminham pela vastidão gelada em busca do local místico em que realizarão seu quarto e talvez definitivo duelo de morte. As narrativas vão se cruzar e determinar o futuro de cada um destes infelizes desesperados do fim do mundo.
A história tem o estilo descosturado que caracteriza as obras de Bilal, com personagens enigmáticos e atormentados que se debatem por algo que sequer sabem ser real. Isso, somado a ausência de uma contextualização sólida, dá a história tons claustrofóbicos estranhamente reforçados pela vastidão gelada do cenário, num diálogo muito próximo ao longa-metragem Quinteto (Quintet), ficção científica dirigida por Robert Altman em 1979.
Os desenhos são um espetáculo à parte, executados com habilidade de um mestre da anatomia, usando apenas lápis pastel sobre papel tonalizado, em cores frias que não variam muito além do cinza azulado, o preto e o branco. A arte é valorizada pelo acabamento gráfico da edição brasileira, que tem 104 páginas em papel cuchê fosco de boa gramatura e encadernação costurada em capa dura.
A Nemo investiu na publicação da obra de Bilal, um dos mais importantes ilustradores surgidos nos anos 1970 nas páginas da revista Metal Hurlant. Em 2012, a editora também trouxe aos leitores brasileiros a festejada Trilogia Nikopol, obra-prima que já tem inclusive uma adaptação para o cinema, Immortel (ad vitam), dirigida em 2004 pelo próprio Bilal.
Apesar das qualidades inegáveis, Animal'z não é uma história em quadrinhos fácil. A narrativa barroca e incômoda, ideias em estado bruto, texto fragmentado e a violência fria, quase gratuita, pode chocar os leitores que não estão acostumados ao estilo do autor, às especulações da ficção científica moderna ou aos modelos pós-modernos da narrativa literária. Ainda assim, é uma experiência muito recomendável.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Anuário 2012 em áudio e vídeo

Enquanto preparamos a nova edição do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, eu e Marcello Simão Branco participamos de mais uma edição do programa Perfil Literário, apresentado por Oscar D'Ambrósio na Rádio Unesp.
Falamos, desta vez, sobre a edição referente ao ano de 2012, publicada em setembro último pela Devir Livraria. Comentamos os destaques e antecipamos algumas das atrações da edição de 2013, que deve ser publicada em alguns meses.
O saite do programa está com uma nova e elegante interface, com o programa disponível em áudio e vídeo.
O vídeo da entrevista anterior, sobre o Anuário 2011, também pode ser conferido aqui.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Conversando sobre o Anuário 2012

Está disponível para o público o 31º episódio do podcast Ghost Writer, dedicado inteiramente à literatura fantástica, com destaque para a nova edição do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2012, recentemente publicada pela Devir Livraria.
Gravado no último mês de julho, o programa reuniu o autor do Anuário, Cesar Silva, os escritores Álvaro Domingues e Roberto de Sousa Causo, mais o especialista Victor Caparica, editor do blogue Cego em Tiroteio, que conversaram longa e detalhadamente sobre o estado do gênero no país, bem como as obras e autores que foram destaque em 2012, na avaliação do periódico.
O episódio pode ser acompanhado online ou baixado, para ser ouvido offline. A produção e apresentação do Ghost Writer é de Ricardo Herdy e Raphael Modena.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Como foi o lançamento do Anuário 2012

A noite da sexta-feira, 13 de setembro de 2013, foi assombrada pelo lançamento da 9ª edição do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, publicação de pesquisa e registro editorial dedicada a acompanhar a edição dos livros de fantasia, ficção científica e horror no Brasil, neste caso, ao longo do ano de 2012.
Fruto de um ano inteiro de trabalho, o Anuário 2012 tem 184 páginas e reúne uma série de informações sobre o momento editorial, com listas de títulos recomendados, resenhas de livros nacionais e estrangeiros – algumas delas assinadas pelo resenhista convidado Álvaro Domingues –, artigos avaliativos, informações sobre os principais prêmios do segmento e uma seção de efemérides que contextualiza o ano de 2012 na tradição histórica do gênero.
A edição ainda traz uma minuciosa entrevista com a fantasista Simone Saueressig e um artigo sobre a ficção científica nos quadrinhos brasileiros, escrita pelo escritor e acadêmico Gian Danton, assinando seu nome real, Ivan Carlo Andrade de Oliveira. A capa tem uma ilustração de Silvio Ribeiro.
O evento aconteceu no piso térreo da livraria Martins Fontes, na Avenida Paulista, com direito a exibição destacada do Anuário na vitrine e um anúncio, ao estilo bistreaux, ao lado da porta de entrada. Na área de lançamentos, uma mesa sustentava um exemplar do Anuário apoiado em um suporte de acrílico.
Logo que cheguei, por volta das 18h, encontrei com Marcello Branco, meu parceiro na autoria do Anuário, que observava os livros na vitrine, e Douglas Quinta Reis, publisher da Devir Livraria, editora  do Anuário desde o volume de 2009. Ficamos no confortável café da livraria até a hora do início do evento, marcado para às 18h30, e quando finalmente nos dirigimos para o local, encontrei circulando pela livraria o lendário editor Gumercinco Rocha Dorea, acompanhado do escritor Roberto de Sousa Causo e sua esposa, a também escritora Finisia Fideli. Aproveitamos para conversar rapidamente com GRD – que foi entrevistado no Anuário em sua edição de 2011 –, pois ele teria de sair cedo para comparecer a outro compromisso.
Logo começaram a aparecer leitores com o Anuário nas mãos, para pegar nossos 'indispensáveis' autógrafos, entre eles, vários amigos que têm apoiado o projeto ao longo dos anos, como Luiz Brás, Adriano Siqueira, Alexandre Yudenitsch, bem como meus amigos pessoais Sandra Monte, Elise Garcia e Alan Flamer.
No momento mais concorrido do encontro, rolou um improvisado debate entre os presentes sobre as polêmicas que agitaram o fandom nas últimas semanas, como a proposta de instrumentalização da literatura a serviço dos resultados comerciais sugerida por um jovem escritor de fantasia, que suscitou uma série de questões relevantes ligadas a demandas coletivas específicas, mas que, infelizmente, passaram longe do ideal da busca por qualidade e autenticidade artística, discussão esta que não é nova e caracterizou, por exemplo, o surgimento da chamada 'Terceira Onda' da fcb. Se tivéssemos programado esse debate, o resultado certamente não teria sido melhor.
A Martins Fontes manteve, durante toda a atividade, um serviço de coquetel com águas e vinho branco, que foi valioso no calor daquela noite do veranico paulistano. Por volta das 21h, já com os trabalhos praticamente encerrados, aproveitamos para discutir detalhes da edição 2013, já em produção, que vai apresentar uma série de novidades.
O final do evento, na verdade, teve sabor de fim de primeiro tempo pois, em alguns dias, mas exatamente no dia 21, teremos o Fantasicon, congresso anual de escritores e editores de fc&f, no qual o Anuário também pretende comparecer. Muitos amigos de localidades mais distantes nos avisaram previamente que iriam lá procurar por ele. Então, ainda que não seja um outro 'lançamento', lá estaremos, mas uma vez, se Deus quiser, para rever e cumprimentar os amigos.
¡Hasta la vista, baby!

domingo, 18 de agosto de 2013

Anuário 2012

Está na reta final a produção do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2012.
Fruto do trabalho dos pesquisadores Marcello Simão Branco e Cesar Silva, o Anuário 2012 é o nono volume da série – o quarto pela Devir Livraria – e tem por meta registrar o estado da literatura fantástica no País, além de auxiliar leitores em busca do que há de novo, escritores que desejam destrinchar as tendências do mercado, e editores e pesquisadores à procura das perspectivas do fantástico através de um conhecimento mais sistematizado e amplo.
A edição traz notícias sobre os prêmios e as personalidades do meio, análises do mercado editorial, listas dos livros recomendados lançados em 2012 e uma seção histórica com datas e resenhas de livros importantes.
O escritor Álvaro Domingues, do Blogue do Pai Nerd, comparece como resenhador convidado, somando seus comentários aos dos autores do Anuário sobre mais de duas dezenas dos principais livros de autores brasileiros e estrangeiros publicados no ano: Além do deserto, O alienado, Contos do sul, Delenda, Descobrimentos, Estranhas invenções, Fantasias urbanas, Geração subzero, O grito do Sol sobre a cabeça, História fantástica do Brasil: Inconfidência Mineira, Kaori e o samurai sem braço, A Liga de Urântia, Os deuses do mar, Protetores, Sideral no buraco sem fundo de Parnarama, Sozinho no deserto extremo, Todos os Portais, Trilhas do tempo, A cidade e as estrelas, A Companhia Negra, A máquina diferencial e O último livro, além dos clássicos Cristoferus, Pequenas portas do eu e Sombras de reis barbudos.
Apresenta também um ensaio exclusivo do acadêmico Ivan Carlo Andrade de Oliveira, sobre a ficção científica nas histórias em quadrinhos brasileiras, e destaca, como Personalidade do Ano, a escritora Simone Saueressig, autora do romance Aurum Domini: O ouro das Missões, Livro do Ano em 2011 pela Associação Gaúcha de Escritores.
A capa da edição traz um desenho de Silvio Ribeiro – o mesmo artista da edição 2010 –, com uma imagem que tem tudo a ver com a literatura fantástica nacional, na paisagem e no tema, que é um dos mais praticados pela ficção científica nacional.
O Anuário 2012 tem 184 páginas e faz parte da coleção Enciclopédia Galáctica. O livro estará à venda em breve e, assim como as três edições anteriores, poderá ser adquirido na loja da Devir, aqui.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Todos os livros de fc&f em 2012

Está disponível, para leitura online e download, a edição especial do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2012: Lançamentos, com a lista mais completa quanto foi possível obter, dos livros de fantasia, ficção científica e horror publicados no Brasil ao longo de 2012. A edição exibe uma relação recorde, com mais de 900 títulos, entre inéditos, ebooks e relançamentos nacionais e estrangeiros.
Os números confirmam o bom momento da fc&f nacional, com um predomínio amplo da produção nativa frente às traduções, pelo menos do ponto de vista dos títulos publicados, na proporção aproximada de dois por um. Não há informações sobre as tiragens, mas desconfio que, apesar do domínio dos brasileiros nesses números, ainda circulam no mercado muito mais exemplares de autores estrangeiros mesmo.
Elaborada pelos autores Cesar Silva e Marcello Simão Branco, a lista serviu como guia para a produção do Anuário 2012 – que deve ser publicado em algumas semanas pela Devir Livraria – mas ela não será publicada integralmente na edição real, que apresentará apenas uma restrita lista de títulos recomendados, por isso este ebook se reveste de importância complementar à publicação em papel, sendo de especial interesse aos pesquisadores do gênero.
Para os mais entusiasmados, a lista de 2011 também está disponível para leitura online e download.
Será que seu livro favorito está lá? Confira, é gratuito.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Resenha: A ordem dos arquivistas: Centésimo

Geralmente não escolho um livro pela capa, mas esta novela, estreia de Ricardo Sodré Andrade na literatura, publicada em 2012 pela Editora Literata, me chamou a atenção justamente por causa dela, mas não pelos motivos que se pode imaginar a princípio. Na verdade, a bela ilustração de Yuji Schmidt me remeteu ao conto "O longo caminho de volta", de Ana Cristina Rodrigues, um dos melhores textos antologia As cidades indizíveis publicado em 2011 pela Llyr Editorial.
Motivado por esse experiência positiva, iniciei a leitura de A ordem dos arquivistas: Centésimo, cujo exemplar me foi cedido pelo próprio autor, que é graduado em Arquivologia, mestre em Ciência da Informação e doutorando em Comunicação e Culturas Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia, o que antecipava um discurso metalinguístico que, entretanto, não procede.
O trabalho apresenta influências do clássico Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, mas sem o mesmo corre-corre da série britânica. Apesar de ser situado num mundo alternativo, não se trata de um romance planetário nem de uma história alternativa.
Centésimo conta a aventura de Eli Saridem, jovem recém-formado na universidade, que busca por notícias de um tio querido, cujas cartas pararam misteriosamente de chegar. O tio desaparecido é um dos muitos filiados a Ordem dos Arquivistas, organização quase monástica dedicada a preservação de livros e documentos oficiais do reino de Astoril. O jovem empreende então uma longa viagem a sede da Ordem, onde acredita que poderá obter informações ou até mesmo encontrar o parente sumido. O lugar é um antigo castelo de medieval, como aliás o autor estruturou todo o universo da novela.
Eli tem os olhos cinzentos, uma característica rara que parece ter algo a ver com o mistério. A princípio, ele está unicamente interessado em localizar o tio, mas conforme vai se envolvendo no cotidiano da Ordem dos Arquivistas, começa a se interessar em tornar-se, ele mesmo, um membro dela.
Suas investigações o levam à um livro antigo escrito num alfabeto estranho, que parece ter relação com sua família e com os mistérios que cercam a Ordem, além de lendas sobre uma ilha mitológica onde se encontraria um portal para uma outra realidade de perfeição utópica.
A novela é despretensiosa, pausada, sem muitas reviravoltas e brutalismos, e sustenta bem o mistério, embora ele seja resolvido de uma forma um tanto rápida. O autor demonstra boa técnica na construção trama, seguindo a risca a premissa que todos os detalhes apresentados ao leitor devem ser úteis em algum momento, mas faltou uma revisão mais apurada ao texto, que apresenta repetições incômodas que poderiam ter sido corrigidas antes da publicação. Isto feito, qualificaria à novela aos leitores em idade escolar, devido a boa fluidez e acessibilidade que já estão presentes na narrativa. O volume é decorado com algumas gravuras belíssimas que não são creditadas, mas parecem ter origens diversas por conta do estilo variado.
Não há um gancho explícito para uma sequência, mas está claro que o universo de A Ordem dos Arquivistas: Centésimo tem potencial para ser explorado com mais profundidade.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Essencial 2012: Quadrinhos

2012 foi bom para os quadrinhos estrangeiros de fc&f no Brasil. O destaque, vai para o memorável O Eternauta, de Héctor G. Oesterheld e Solano Lopez (Martins Fontes), obra-prima da ficção científica portenha que chegou ao Brasil mais de 50 anos depois de sua publicação original.
Também merecem destaque Pínóquio, de Winshluss (Globo), O incrível Cabeça de Parafuso e outros objetos curiosos, de Mike Mignola (Nemo), e Animal'z, de Enki Bilal (Nemo). Honra ao mérito para os encadernados Incal Integral, de Moebius (Devir) e Trilogia Nikopol, de Bilal (Nemo).
Quanto aos quadrinhos nacionais, a produção de 2012 foi apenas razoável. Mas vale comemorar o lançamento de Noites na taverna, de Reinaldo Seriacopi (Ática), ilustrado por um ótimo time de veteranos, adaptando o clássico romance de Alvares de Azevedo. E Astronauta: Magnetar, de Danilo Beyruth (Panini), com uma releitura dramática do conhecido personagem de Maurício de Sousa.
No finalzinho do ano, veio a notícia da publicação de V.I.S.H.N.U., novela de fc repleta de intenções, com roteiro do jornalista Ronaldo Bressane e desenhos de Fábio Cobiaco (Quadrinhos na Cia), que vale a pena ser destacada.
A medalha de Honra ao Mérito vai para o primeiro volume encadernado do 'mangaijin' Holy Avenger, de Marcelo Cassaro e Érika Awano (Jambô), compilação de uma série de histórias publicadas em revista própria nos anos 1990.
Percebe-se, nesta amostragem, que os quadrinhos deixaram definitivamente de ser um produto popular. Quase não há mais publicações voltadas às bancas e, quando o material é de qualidade reconhecida, a publicação é luxuosa e elitista. É possível afirmar que o mercado editorial de fc&f reduziu de tamanho em 2012, registrando uma queda de cerca de 50% na quantidade de lançamentos em relação a 2011, tanto no que se refere aos quadrinhos quando na literatura. Contudo, ainda é cedo para afirmar que isso seja uma tendência, pois é natural que ocorra um certo movimento de maré nos números de um ano para outro. 2013 já faz promessas e, como o mundo não acabou no temido apocalipse maia, podemos ter esperanças. Quem viver, verá.

Essencial 2012: Literatura

2012 terminando, acredito que dificilmente vai aparecer algum novo grande lançamento antes da virada do ano. Então, arrisco o balanço do que se publicou de essencial no Brasil em matéria de fc&f neste ano.
No que se refere à literatura estrangeira, relevância para A Companhia Negra, de Glen Cook (Record), com uma versão barra-pesada para a geralmente solene fantasia heróica a qual estamos habituados, e A máquina diferencial, de Willian Gibson & Bruce Sterling (Aleph), obra seminal da ficção científica que inaugurou a estética steampunk.
Também vale destacar 1Q84, de Haruki Murakami (Alfaguara), e Contra o dia, de Thomas Pynchon (Companhia das Letras), fantasias científicas pós-modernas com muitos apreciadores dentro e fora do fandom.
O ano foi fraco para as antologias estrangeiras mas, para não dizer que não falei delas, Ruas estranhas, de George Martin & Gardner Dozois (Casa da Palavra), que fica a meio caminho da chiclit, e ainda Realidades adaptadas, de Philip K. Dick (Aleph), que reúne os contos do autor que foram transpostos para o cinema, todos já vistos em outras traduções mas, ainda assim, bacanudos.
Na literatura brasileira, a lista essencial de 2012 tem os romances O alienado, de Cirilo Lemos (Draco) e Sozinho no deserto extremo, de Luiz Bras (Prumo), dois grandes livros de ficção científica com o melhor que o gênero tem a oferecer, de narrativas movimentadas e estilos maduros e incomuns.
Entre os romances de horror aparece Kaori e o samurai sem braço, de Giulia Moon (Giz), terceiro volume com a vampira preferida de uma escritora que tem provado ser a maior revelação do gênero no pais neste século. E entre os muitos romances de fantasia, gênero que predomina no ambiente editorial de fc&f, destaque para Além do deserto, de Erica Bombardi, trabalho de estreia publicado pela própria autora com recursos do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo – Proac.
Entre as coletâneas, Trilhas do tempo, de Jorge Calife (Devir) coletânea de contos de ficção científica  publicados em revistas masculinas nos anos 1990, bem como a abrangente e provocativa Geração subzero, organizada por Filipe Pena (Record), reunindo contos de jovens autores brasileiros que agrega o mérito de ter veiculado o melhor conto publicado no ano: "A invenção do cânone", de autoria do próprio organizador.
Em não-ficção, vale dar uma olhada em Edgard Alan Poe: O mago do terror, de Jaenette Rozsas (Melhoramentos), uma biografia romanceada do poeta de "O Corvo", repleta de atrativos.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Boas festas!

O blogue Mensagens do Hiperespaço deseja a todos os leitores e amigos um Feliz Natal, com muita paz, saúde e vida! 
E um 2013 pleno de sucesso e realizações.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Fanzines 2012


Passado o carnaval, os fanzineiros começam a mostrar suas caras em 2012.

Depois de quase um ano de ausência, está disponível para download gratuito a nova edição do TerrorZine, fanzine de contos de ficção fantástica editado pelo escritor Ademir Pascale. Este número é dedicado às viagens no tempo e apresenta contos ultracurtos de autoria de Álvaro Domingues, Cesar Silva (conheço esse cara), Claudio Parreira, Daniel Borba, Estevan Lutz, Gian Danton, Gus Rimoli, Marcelo Bighetti, Maria Helena Bandeira, Mariana Albuquerque, Mauricio Montenegro, Miguel Carqueija e Renato A. Azevedo. Também traz indicações de leitura e curiosas imagens de publicidades antigas. A edição de 25 páginas é apresentada em formato pdf e pode ser baixada aqui.
Também está disponível com o editor Renato Rosatti a primeira edição do ano do fanzine de horror e ficção científica Juvenatrix. Em suas 26 páginas, o fanzine destaca as bandas de metal Dying Fetus (EUA), Extreme Noise Terror (Inglaterra) e Aborted (Bélgica), publica contos de Miguel Carqueija, Ronald Rahal, Emanuel R. Marques e Dalila Rocha Sousa, resenha os livros Medo, mistério e morte, de Carlos Orsi Martinho, e Jarbas, de André Bozzetto Junior, e ainda apresenta artigos do editor sobre os filmes O cérebro (1988) e O terrível Dr. Orloff (1962), e as séries de TV Jornada nas estrelas: A série animada e Os invasores, com direito a valiosos guias de episódios. A capa é de Rafael Tavares. Para solicitar uma cópia em formato PDF, basta enviar email para renatorosatti@yahoo.com.br.