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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Resenha do Almanaque: Vitrais e As ilhas imaginárias, Jose Ronaldo Viega Alves

Vitrais, Jose Ronaldo Viega Alves. 60 páginas. Porto Alegre: Opção 2, 2005.
As ilhas imaginárias, Jose Ronaldo Viega Alves. 58 páginas. Porto Alegre: Opção 2, 2005.

Não há dúvidas quando ao tipo de abordagem que os leitores brasileiros de fantástico mais apreciam. Ray Bradbury é uma unanimidade porque é mestre em elaborar personagens e cenários líricos. Mesmo os leitores de ficção científica hard aceitam bem os seus textos porque sua poesia compensa totalmente a falta de rigor científico.
Da mesma forma, os textos fantásticos brasileiros que mais agradam aos leitores são justamente aqueles nos quais os autores conseguiram inserir mais lirismo. Porém, essa prática não está atualmente na moda por aqui. Ao contrário, há uma supervalorização estilística da agressividade e da violência crua, talvez reflexo direto dos tempos duros que vivemos.
Não que inexistam poetas em atividade, ao contrário, o movimento poético brasileiro é intenso e tão marginal quanto a fc&f brasileira.
Mas parece ser uma impossibilidade teórica tanto para os poetas quanto para os escritores combinarem poesia e ficção científica em especial, com raríssimas exceções como o caso do saudoso André Carneiro (1922-2014). Outro exemplo é Jose Ronaldo Viega Alves que produz não somente uma poesia sensível e criativa, mas também impõe em seu repertório uma dose generosa de fantasia e ficção científica.
Viega Alves nasceu em Sant'Ana do Livramento (RS) em 1955. É bancário, também produz contos e crônicas e participou do fandom brasileiro, embora tenha sido pouco publicado nos fanzines. Sua produção foi dirigida para concursos – em muitos dos quais foi premiado –­ e para as mais de cinquenta antologias poéticas das quais participou. Também apresenta seus trabalhos em coletâneas individuais, com dezenas de títulos publicados.
Em 2005, o autor lançou, pela Editora Opção 2 de Porto Alegreas, as coletâneas poéticas Vitrais e As ilhas imaginárias, formadas em sua maior parte por textos curtos de um estilo que, se não chega a ser tradicional, tampouco pode ser classificado como experimental. Alguns tomam até duas páginas, mas a maioria não passa de poucas linhas.
Ambos os títulos têm trabalhos assemelhados e não há uma abordagem diferenciada entre eles, que bem poderiam formar um volume único.
A leitura é rápida e agradável com muitos momentos expressivos. Nem tudo é fantasia, é claro, há um bocado de realismo romântico, mas tudo acaba alinhavado pela continuidade dos poemas que ora falam de robôs, teletransporte e viagens no tempo, ora de memórias da infância, sonhos, amor etc.
Não é possível fazer uma resenha convencional dos livros de Jose Ronaldo Viega Alves. Quando se trata de poesia, o melhor mesmo é lê-la.

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Resenha do Almanaque: A cidade invisível, José Ronaldo Viega Alves

A cidade invisível, José Ronaldo Viega Alves. 58 páginas. Porto Alegre: Opção2, 2006.

A cidade invisível é uma coletânea de crônicas inspiradas na história, nas paisagens e nos personagens da cidade de Sant´Ana do Livramento, onde Viega Alves reside desde o nascimento.
Crônicas são peças raras na produção de ficção fantástica brasileira e é surpreendente a quantidade de boas ideias que o autor encontra em seus devaneios, muitas delas perfeitamente funcionais em qualquer outra cidade do Brasil ou do mundo. São trinta textos, todos entre 50 e 250 palavras, cada um discorrendo sobre um aspecto da cidade e do valor que imprimiu no imaginário do autor.
Algumas dessas crônicas também tratam do fascínio que Viega Alves nutre pelo cinema, seja pelos filmes como pelas salas exibidoras e as pessoas por detrás delas, tanto das películas quanto as que trabalham nas salas de cinema.
A edição artesanal é simples, mas revela muito carinho por parte do editor.
Um trabalho necessário num ambiente que, ao optar pela prosa mais convencional da pulp age, ignora formatos literários igualmente legítimos, como a poesia e a crônica que podem ser vistas aqui.

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Resenha do Almanaque: Natureza móbile, José Ronaldo Viega Alves

Natureza móbile
, José Ronaldo Viega Alves. 54 páginas. Ilustrações de José Ronaldo e Arthur Filho. Porto Alegre: Opção 2, 2006.

Natureza móbile é uma coletânea poética do escritor gaúcho José Ronaldo Viega Alves, publicada em 2006 pela editora portoalegrense Opção 2, num acabamento artesanal simples e intimista.
Traz 28 poemas curtos, construções concretistas e haikais. Este formato já garante, por si, uma variação importante aos trabalhos de ficção fantástica publicados no Brasil, em que predomina a prosa. Mas não é apenas o aspecto formal que destaca Viega Alves, mas a sutileza que ele demonstra ao observar os detalhes do cotidiano à luz do maravilhamento próprio de quem aprendeu a se emocionar com as batalhas espaciais das histórias de ficção científica.
As poesias não são todas classificáveis como fantásticas, mas o conceito que as sustenta é muito identificado com aquele que se percebe nas histórias de fc&f. Como, por exemplo, neste pequeno poema chamado “Viajantes no tempo”: Quantos desses seres humanos / Com quem cruzamos / nas ruas diariamente / vivem no presente? Ou nesta frase, retirada de “O livro das 1001 perguntas”: Máquina do tempo enferruja?
Assim, de surpresa em surpresa, Viega Alves nos presenta em Natueza móbile sua visão de um mundo que mostra o maravilhoso no cotidiano.
O volume se une a outros títulos do autor, formando um mosaico multicolorido de impressões emocionantes de se contemplar.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Crônicas da tela mágica

Todos os anos, sem falta, o escritor gaúcho José Ronaldo Viega Alves lança um livro inédito com poemas e crônicas. Este ano não poderia ser diferente, e recebi dele a antologia de crônicas Da tela mágica: Escritos sobre a Sétima Arte que, de certa forma, dá continuidade ao trabalho iniciado no volume anterior, Em busca do templo perdido (2011), que também falava sobre o cinema, porém na forma de poemas.
Diz o autor na apresentação do volume: "...quando o assunto é cinema, não dá para passear nesse universo sem estar carregando sonhos recorrentes... numa linha de fronteira entre a ficção e o real, a mentira e a verdade. Faz parte. Será que isso cria uma espécie de 'Cinema Paradiso' só meu?"
O livro reúne 19 crônicas sobre as lembranças do autor a respeito do cinema de antigamente. Algumas delas são muito sugestivas e o título parece revelar conteúdos de ficção fantástica, tais como "Exercícios de viagens no tempo disponíveis aos fãs de cinema", "O homem das estrelas", "Os primeiros andróides", "Fay Wray que amava King Kong", mas pode haver surpresas: nem sempre o desenvolvimento do texto segue aquilo que seu título faz supor.
Viega Alves nasceu, vive e trabalha em Santana do Livramento, é bancário aposentado e membro da Academia Santanense de Letras, com mais de 30 livros publicados.
Da tela mágica tem 68 páginas e é uma publicação da Editora Opção2. Mais informações diretamente com o autor, pelo email ronaldoviega@hotmail.com.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Em busca do templo perdido

Chegou há poucos dias a nova antologia poética do poeta e cronista José Ronaldo Viega Alves, de Sant'Ana do Livramento/RS. Em busca do templo perdido é uma homenagem do autor à sétima arte, especialmente aos espaços onde ela acontece: as salas de cinema. A maior parte dos textos é nostálgica, sobre como eram esses locais de entretenimento no século 20, com grandes teatros, galerias, telas gigantes e detalhes que não fazem mais parte das salas modernas. Também fala sobre filmes, personagens, atores, atrizes e muitas outras coisas ligadas ao cinema.
Diz o autor no prólogo: "Desde a primeira sessão de cinema acontecida em Paris no distante ano de 1895, o encantamento ainda permanece. Dos meus recortes de jornais amarelecidos pelo tempo versando sobre Cinema, das minhas lembranças das tardes edulcoradas das matinês de antigamente, da verdadeira adoração aos ídolos e monstros sagrados da Sétima Arte, e até das pálidas imagens das cópias desgastadas do Cinema Mudo, é que faço verter a minha poesia nesta pequena obra. Na realidade, o Cinema é pura invenção. Na invenção, o Cinema é pura realidade. E magia, sempre".
Sendo o autor um apreciador de FC&F, a fantasia transpira pelos versos, que devem agradar os fãs do gênero.
Publicado pela Editora Opção2, o volume tem 66 páginas e pode ser adquirido com o autor. Mais informações pelo email ronaldoviega@hotmail.com.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Contribuições para o conhecimento do microcosmo

Recebi há pouco o novo livro de José Ronaldo Viega Alves, Contribuições para o conhecimento do microcosmo, publicado pela Editora Opção 2, de Porto Alegre. Trata-se de uma antologia com 51 poemas divididos em três capítulos: "Das metamorfoses", "Das curiosidades" e "Haikais", sempre versando sobre os pequenos animais dos jardins – os insetos – que, apesar de tão miúdos, superam em massa biológica toda a humanidade, por exemplo. Nada mais justo, portanto, que mereçam pelo menos um livro de poemas.
Este é o primeiro livro de Viega Alves em 2011 e, desta vez, não há aqui uma interpretação explícita de fantasia ou ficção científica, como é o costume do autor. Mas, ainda assim, a cor da FC&F parece nele representada.
Para obter uma cópia, é preciso escrever ao autor em seu endereço postal, à Rua Hugolino Andrade, 941, Centro, Sant'Anna do Livramento/RS, 97574-010. A edição é simples, mas muito caprichada, e a capa é de Arthur Filho.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Novas especulações sobre a criação & Os golens

Acabei de receber a antologia poética Novas especulações sobre a criação & Os golens, de autoria de José Ronaldo Viega Alves, gaúcho de Sant'Anna do Livramento que mantém uma produção bastante regular, publicando pelo menos um livro por ano, às vezes até dois, e já reunindo em seu currículo mais de duas dezenas de volumes publicados.
Viega Alves gosta de trabalhar com temas inusitados, como a fantasia e a ficção científica, e embora não seja um poeta gótico, as vezes avança também no terror.
O volume, de 68 páginas, está dividido em três partes: "A criação", "Os golens" e "Outras poesias", esta a mais longa da coletânea. A maior parte dos poemas ocupa apenas uma página, de modo que é um livro que se lê rapidamente.
Ao longo do tempo, Viega Alves desenvolveu um estilo lírico e enxuto, de leitura fácil e imagens vibrantes. Como, por exemplo, em "Quando os relógios não tinham ponteiros":
O tempo lá na infância/ fluía bem mais devagar? / Por que essa consciência / de que aqueles dias / eram mais inteiros? / Brincar, brincar e brincar... / O que eu não consigo lembrar / é se os relógios tinham ponteiros.
O livro tem acabamento artesanal e foi publicado pela editora alternativa Opção2. Mais informações sobre este e outros livros do autor pelo email da editora: arthur.goju@bol.com.br, ou diretamente com o autor, pelo correio: Rua Hugolino Andrade, 741, Centro, Sant'Anna do Livramento/RS, 97574-010.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

As moradas da utopia


Já me disseram que toda a ficção científica é poesia, mas o formato em si é coisa rara na literatura fantástica. São poucos os autores que se arriscam nele e, quando o fazem, é de maneira rápida, a serviço de algum efeito dramático em sua prosa, ou então como uma prática à parte, sem envolvimento com a FC&F. Mas isso tem mudado.
Especialmente em 2009, foram publicados várias coletâneas poéticas de FC&F, tais como Bicho de sete cabeças e outros seres fantásticos, de Eucanaã Ferraz, Antropophagya, de Marius Arthorius, Sete sombras e uma vela, Alexandre de Souza e Momentos noturnos, de Adriano Siqueira. Mas estava sentido falta de um lançamento em 2009 do meu amigo José Ronaldo Viega Alves, poeta e contista de Sant'Ana do Livramento, que há tempos vem publicando, sem falta, pelo menos um título ao ano, sempre pela editora Opção2. São 18 títulos no total e já tenho uma pequena coleção deles, a maior parte com poesias do autor, eventualmente crônicas.
E José Ronaldo não me decepcionou: recebi há pouco As moradas da utopia, coletânea poética com 58 páginas publicada em 2009, na qual o autor explora, como nas edições anteriores, suas memórias, os espaços de sua cidade natal, referências da cultura pop etc. Nem todas são explicitamante fantásticas, mas sempre há alguma referência. Por exemplo:

Cidade-universo
por José Ronaldo Viega Alves

Toda cidade é um universo
onde a cidade do passado
vive se entrelaçando
com a cidade do presente.
Sobretudo aquela
que cada vez mais
se perde na distância,
a cidade encantada
da nossa infância.

As poesias são cândidas, positivistas e construtivas, sem experimentalismos gráficos, brutalismo e outras pós-modernidades. Poesias ingênuas e saudosistas que se lê com prazer, completadas com alguns haikais nas últimas páginas.
O autor não está na internet, mas pode ser encontrado na Rua Hugolino Andrade, 941, Centro, Sant'Ana do Livramento/RS, CEP 97574-010. A editora Opção2 pode ser contatada pelo e-mail arthur.goju@bol.com.br.