quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Flores do Lado de Cima 11


Em pleno recesso de festas, desandou a saírem novos fanzines e, como ainda faltam algumas horas para a virada, não é impossível que apareçam mais surpresas em dezembro. E aqui está uma delas. Trata-se da 11ª edição de Flores do Lado de Cima, fanzine de musica, poesia e literatura de horror cujo editorial vem assinado por Liartemis. Neste número, entrevista com o escritor Giovani Coelho, biografia do escritor e poeta inglês Lord Byron (1788-1824), com direito a alguns poemas, contos de André Bozzetto Junior, poemas de Lisa Stér Cöy e Sr. Arcano, um artigo de Iam Godoy sobre o 1º Subway Rock Fest, acontecido novembro na cidade de Osasco, na Grande São Paulo, e divulgação de bandas. Clique aqui para baixar gratuitamente o arquivo pdf.
E, embora não seja exatamente a ideia deste fanzine, Feliz Ano Novo!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Crepúsculo vermelho

Esta me surpreendeu.
Estou trabalhando no fechamento da lista de livros de ficção fantástica publicados em 2009 e, há algumas semanas, durante minhas andanças, encontrei nas bancas o sugestivo romance Crepúsculo vermelho, de Laura Elias, publicado pela editora Mythos, que é obviamente uma historia de vampiros na esteira dos bestsellers de Stephanie Meyer.
O acabamento profissional do volume, que se apresenta nos moldes das coleções de histórias populares para mulheres, como as coleções da Harlequim e da Nova Cultural, levou-me a acreditar que se tratava de uma tradução, praxe nos títulos dessas duas editoras. Afinal, elas também costumam lançar histórias com vampiros, lobisomens e até viagens no tempo, sim senhor!
Geralmente, os fãs de literatura fantástica não dão muita bola para esses livrinhos que, apesar disso - ou talvez exatamente por isso -, vendem muito bem. Conheço muitas mulheres que leem essas histórias com avidez e os sebos mantêm uma seção bem organizada para elas, porque a procura é intensa.
Não é por acaso que a série Crepúsculo e outras do mesmo calibre estão fazendo tanto sucesso. Nada de novo sob o sol, esse tipo de história faz sucesso há décadas nos livrinhos de banca.
Bom, relacionei o título e a autora e, há pouco, fui a internet pesquisar o título original, coisa que nem sempre é fácil de identificar. E qual não foi minha surpresa ao me deparar com o blog da autora, que é brasileira, está publicando seus trabalhos desde 2005 pela Mythos e já emplacou nada menos que 26 títulos, mais quatro e-books. O blog relaciona todos eles, muitos publicados sob pseudônimos. A maior parte dos romances é realista, mas há dramas históricos e um bocado de fantasia, tudo regado com muito glamour e erotismo.
O Anuário sempre teve dificuldade em identificar esses títulos porque eles têm uma rotatividade muito alta e são republicados muitas vezes, mas desta vez conseguimos pescar alguns. E esse peixão acabou caindo na rede. Sorte nossa!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Mais fanzines para encerrar o ano


Há alguns dias eu havia fechado minha contabilidade dos fanzines virtuais de 2009 e, pouco depois, fui surpreendido com mais dois lançamentos, já em plena época natalina. As comemorações não permitiram que eu atualizasse a informação com a devida rapidez, mas acho que ainda dá para salvar a pátria.
O primeiro a desembarcar por aqui foi a terceira edição de Black Rocket, fanzine de ficção científica editado por Charles Dias que contribuiu para aumentar em 100% o número de publicações do gênero em 2009. Pois é, agora somam duas.
Apesar de ter sido a única edição do ano, Black Rocket 3 vestiu a temporada e dedicou suas páginas para apresentar meia dúzia de contos sobre o Natal, divididos igualmente entre o passado, o presente e o futuro. A semelhança com Charles Dickens não deve ter sido mera coincidência, assim como com a antologia Enquanto houver Natal, organizada por Gumercindo Rocha Dorea para a Editora GRD em 1989. Coincidência ou não, o que importa é que o tema é rico e sempre oportuno.
Os contos são assinados por por Leonardo Carrion, Ubiratan Peleteiro, Aguinaldo Peres, Charles Dias, Carlos Relva e Joshua Falken. A bela ilustração da capa é do francês Jacques Parnel.
O outro fanzine veio reforçar o já amplo leque de opções em horror no ano. Trata-se da 33ª edição do Adorável Noite, editado por Adriano Siqueira e distribuído pelo selo Overmundo.
Siqueira vem se tornando uma personalidade de destaque no meio alternativo do horror, encabeçando várias iniciativas. Adorável Noite é historicamente sua contribuição mais significativa, sendo que em 2009 lançou cinco edições.
Este número 33 traz contos e poemas de Dvorá-ke, Dayana Rodrigues, Pedro Tennaxx, Maria Tereza Santos Bezerra, Huevillyn Cipriano Romão, Michelle Mian e Bárbara Júlia. A expressiva ilustração da capa é assinada por Dayana Rodrigues.
Apesar de ser distribuído de forma eletrônica, o pdf de Adorável Noite está formatado para ser impresso em papel, dobrado e montado no formato A5, mas permite a leitura no monitor pois cada uma das peças publicadas encerra-se em sua própria página. O fanzine ainda mantém um site e um blog que valem a pena conhecer.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Tempos modernos


Apesar de não ser sempre, não é novidade que as telenovelas brasileiras flertam com o fantástico, eventualmente com resultados razoáveis. Exemplos dessa prática vêm desde os primeiros tempos da televisão no Brasil.
Alguns títulos interessantes são as novelas de terrir O beijo do vampiro e Vamp, as comédias de fantasia Deus nos acuda, Um anjo caiu do céu e Sete pecados, e os grandes sucessos Pantanal, O clone, e A viagem, entre outras, para ficar nas bem sucedidas. Os maus exemplos ficam para outra oportunidade.
Boa parte dos trabalhos aborda a fantasia de forma periférica, investindo nos dramas de relacionamento, tratados de maneira realista, de modo que os conteúdos especulativos não chegam a assumir um papel preponderante. Talvez seja por isso que a maior parte dos exemplos registrados evita a ficção científica, que é um gênero que não facilita ser colocado em segundo plano. Dos exemplos acima, apenas O clone é FC e imagino que a autora, Glória Peres, deve ter cortado um dobrado para manter as questões científicas a uma distância razoável.
Agora será a vez do dramaturgo Bosco Brasil arriscar-se num panorama de FC para a próxima novela das sete da Globo, que estreia no dia 11 de janeiro.
Tempos modernos vai mostrar os conflitos sociais em um condomínio instalado num edifício de última geração, controlado por um computador com inteligência artificial. A personalidade da máquina terá papel importante, pois será ela quem vai "contar" as histórias. Tendo acesso a todos os ambientes do edifício, terá uma visão privilegiada do que acontece dentro e fora de cada unidade. E, sendo um personagem inumano, deve dar uma conotação cômica a esses dramas, nos moldes de inúmeros seriados americanos, como Meu adorável marciano e Alf.
Ainda que não seja de todo original, a ideia é ótima. Mas como o autor não tem em seu currículo nenhuma obra dentro do gênero, vamos ter de esperar a estreia para ver se a promessa se cumpre.
Enquanto isso, algumas cenas podem ser vistas nos comerciais de divulgação. Além do nome da novela, que faz referência ao longa metragem de Charles Chaplin e/ou à canção de Lulu Santos, fica óbvia a citação ao filme 2001, uma odisseia no espaço, na aparência dos terminais do dito computador, com aquela grande lente vermelha idêntica à de HAL9000.
No elenco, Antônio Fagundes, Eliane Giardini, Priscila Fantin, Guilherme Weber, Grazi Massafera, Viviane Pasmanter, Alessandra Maestrini, Regiane Alves, Thiago Rodrigues, Fernanda Vasconcellos, Felipe Camargo, entre outros. A direção é de José Luiz Villamarim.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Biblioteca Mal Assombrada

Biblioteca Mal Assombrada é um blog dedicado à divulgação e discussão da literatura de horror, editado pelo jovem escritor curitibano Mario Carlos Carneiro Jr.
Fiquei horas lendo o material ali postado e identifiquei uma grande quantidade de títulos novos e antigos que eu não conhecia, sinal que Carneiro Jr. é muito bem informado. O blog também publica entrevistas e cobertura de eventos.
Os primeiros posts, de junho e julho de 2009, são deliciosos. Abordam principalmente livros esgotados, nacionais e estrangeiros, adquiridos em sebos, que pouca gente se dá ao trabalho de comentar. Os posts mais recentes são dominados pela cena atual, que está bombando e absorve todas as atenções.
O editor estreou como autor em 2009, emplacando textos em quatro antologias: Draculea (AllPrint), Alterego (Terracota), Galeria do Sobrenatural (Terracota) e Invasão (Giz). Um belo começo.
O blog é legal e vale a pena acompanhar.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Horror dominou internet em 2009


Dezembro ainda dura duas semanas inteiras, mas eu já vou fechar a contabilidade dos fanzines de do ano.
Terrorzine, editado por Ademir Pascale e Elenir Alves para o site Cranik, chega a sua 16ª edição mantendo o padrão que o caracterizou ao longo do ano, qual seja, o corpo principal ocupado por uma seleta de 17 minicontos de diversos autores e entrevistas com escritores. Nesta edição, os eleitos foram Gerson Lodi-Ribeiro e Mário Carneiro Jr., além de muita divulgação de livros. O arquivo eletrônico de Terrorzine 16 pode ser baixado aqui.
Funhouse Xtreme, editado por Iam Godoy para a Ravens House Brasil, tornou-se um fanzine muito divertido, com ilustrações e artigos chocantes e curiosos.
Esta edição é especialmente dedicada aos zumbis, e faz um levantamento da filmografia dessa espécie bizarra de seres autônomos mas não necessariamente vivos.
Também traz uma reportagem sobre 4º Cine Fantasy, acontecido em São Paulo de 6 a 15 de novembro, com fichas dos filmes exibidos e entrevista com os organizadores do evento, Vivi Amaral e Eduardo Santana. Mais uma resenha do curta metragem nacional O livro de Jó e o resultado do concurso Casal Zumbi do Zumby Walk 2009. A edição em formato pdf pode ser baixada aqui.
No total, contabilizei 41 fanzines eletrônicos publicados em 2009, sendo que apenas um deles não é de horror. Predomínio absoluto do gênero pelo menos no ambiente virtual. Mérito dos fãs de horror, que estão se mostrando ativos e interessados.
Por outro lado, os números revelam também o desinteresse e a desmobilização dos fãs dos demais gêneros fantásticos. Isso é preocupante porque certamente terá reflexos negativos mais tarde, em outros segmentos dessa atividade cultural.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Xochiquetzal

Está divulgado, no site da editora Draco, Xochiquetzal, uma princesa asteca entre os incas, primeiro romance do veterano contista carioca Gerson Lodi-Ribeiro, um dos sobreviventes dos grupos de autores-fãs iniciados nas artes literárias no boletim do extinto CFCA – Clube de Ficção Científica Antares, de Porto Alegre, no início dos anos 1980. Então, Lodi-Ribeiro investia na ficção científica de cunho tecnológico mas, com o passar dos anos, migrou cada vez mais para os exercícios de história alternativa, no qual se especializou e é hoje o autor mais bem preparado para escrever esse tipo de histórias no país.
Sua obra prima, a noveleta "A ética da traição", publicada ainda no século passado, está entre os melhores trabalhos da ficção fantástica brasileira. Ela abriu uma nova frente na ficção brasileira e na obra do autor, que passou a usar cada vez mais os conhecimentos de náutica militar que domina muito bem. Nesse modelo, Lodi-Ribeiro tem realizado seus melhores trabalhos recentes, boa parte deles ambientados entre os séculos XVI e XIX, com grandes caravelas na imensidão do mar violento e desconhecido - imagem também usada por dez entre dez ensaistas de ficção científica para ilustrar o maravilhamento da aventura espacial.
Xochiquetzal é princesa de uma nação asteca que, no ambiente construído para o romance, não foi exterminada pelos invasores espanhóis. Ela narra, em forma de diário, suas experiências na companhia do marido, o navegante e conquistador Vasco da Gama, que roda o mundo a serviço de um poderoso império português.
O mundo de Xochiquetzal apareceu pela primeira vez em 1998, num conto da antologia Outras Copas, Outros Mundos, publicada pela Editora Ano-Luz – da qual o autor era então participante societário – e voltou a comparecer em outras antologias brasileiras e estrangeiras. O texto é reunião de parte desse material, revisto a ampliado, de forma que resulta num romance.
Apesar de toda a fantasia que define a história de Xochiquetzal, a mais pitoresca está fora do livro. Durante muitos anos, a comunidade de leitores e fãs de FC&F brasileira e estrangeira acreditou que as história da princesa asteca eram escritas pela autora carioca Carla Cristina Pereira, festejada pela comunidade brasileira desde quando se tornou "a primeira brasileira" indicada ao Sidewise, prêmio norteamericano exclusivo para trabalhos de história alternativa. Mesmo os editores da Ano-Luz, sócios de Lodi-Ribeiro, acreditavam que Carla Cristina Pereira existisse de fato. Até o lançamento deste romance, o autor nunca havia assumido que Carla Cristina era um de seus heteronômios (o autor assinou outros trabalhos com pseudônimos, embora não tenha feito o mesmo segredo).
Com uma década de mistério finalmente revelada, alguns estudos sobre FC brasileira publicada durante o período terão de ser revistos, já que essa grande representante feminina da ficção científica nacional era, de fato, um homem.
Não chegou a surpreender, entretanto. Há anos sabia-se que Carla Cristina Pereira era uma personalidade fictícia, já que ela não mostrava qualquer existência para além dos escritos a ela creditados. Além disso, Lodi-Ribeiro era o único que dizia conhecê-la pessoalmente e, para olhos atentos, não era difícil perceber que o estilo narrativo de Carla Cristina Pereira, bem como suas virtudes e vícios literários, eram idênticos aos de Lodi-Ribeiro.
Superada a fase de segredos, Gerson Lodi-Ribeiro pode afinal usufruir do reconhecimento que Carla Cristina Pereira conquistou em seu lugar. Mas a ficção científica brasileira fica, no todo, um pouco decepcionada por perder uma de suas mais expressivas escritoras. Ainda que fosse um segredo de polichinelo, foi bom enquanto durou.
Lodi-Ribeiro declarou, em recente entrevista ao site Cranik, que o romance deve ser colocado à venda ainda em 2009, mas o lançamento oficial deve acontecer somente em março de 2010.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Vertigo


Ainda deve estar nas bancas a primeira edição da revista Vertigo, com uma seleta de histórias ditas adultas, mas que não chegam a tanto. O selo Vertigo, que já peregrinou por meia dúzia de editoras no Brasil, junta-se ao restante da linha editorial da DC e espera-se que a partir de agora ganhe alguma regularidade no país.
Cinco séries foram selecionadas para compor a revista, dentre as quais chama a atenção "Lugar nenhum", baseada num livro do escritor britânico Neil Gaiman, roteirizada por Mike Carey e ilustrada por Glenn Fabry. Trata-se de uma fantasia dramática, bem ao estilo do autor, que flerta com a ficção alternativa ao tomar emprestado, já de saída, o Gato de Botas, ou Marquês de Carabás. A aventura promete, mas o episódio é curtinho e termina antes de começar a empolgar.
Outro destaque deveria ser "Hellblaser", de Mike Carey e Steve Dillon, que dá sequência as aventuras macabras de John Constantine, mas o episódio publicado está entre os mais fracos que já li desse personagem. Então o espaço de destaque da edição ficou aberto para que as outras séries aparecessem com mais ênfase, e "Escalpo", de Jason Aaron e R. M. Guéra abiscoita o título, com uma eventura policial casca grossa com índios lakota modernos, envolvidos com cassinos e bandidagem.
Completam a edição a série histórica "Vikings", de Brian Wood e Davide Gianfelice, e "A Tessalíada", de Bill Willingham e Shaw McManus, dentro do universo de Sandman, a mais fraca da edição, mas que na abertura traz uma excelente ilustração de Dave McKean que, sozinha, vale mais que a história toda.
Pena que o papel escolhido para imprimir seja inadequado para o tratamento de cores das ilustrações, que ficam escuras e mortiças. De qualquer forma, a revista tem um ótimo custo benefício, uma vez que custa apenas R$10,00. Vale a pena acompanhar.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Rumo à fantasia nas bancas.


Roberto de Sousa Causo anunciou em sua página eletrônica desta semana na revista virtual Terra Magazine, que a editora Devir distribuiu em bancas selecionadas na região sudeste a antologia Rumo à fantasia por ele organizada, com contos de Ambrose Bierce, Anna Creusa Zacharias, Braulio Tavares, Bruce Sterling, Cesar Silva, Daniel Fresnot, Eça de Queiroz, Gian Danton, Jean-Louis Trudel, Orson Scott Card, Rosana Rios e Ursula K. Le Guin (com uma história ganhadora do Prêmio Hugo).
O livro inaugurou o selo Quymera da editora, destinado exclusivamente a publicação de textos de fantasia. O preço de capa reflete a política editorial da Devir em oferecer livros por preços bem razoáveis: R$ 24,50. Nada mal para um livro de 196 páginas.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

QI 100


Há poucos dias foi distribuída a edição número 100 do prestigioso fanzine QI, editado por Edgar Guimarães, muitas vezes premiado com o Angelo Agostini.
A edição, de traz uma sugestiva capa desenhada pelo editor, artigos sobre Mauricio de Sousa, O fim do QI, divulgação e distribuição de revistas independentes, quadrinhos de Laerçon e Sapão, mais quatro páginas da novela gráfica "Fazenda de robôs", criação do próprio editor que nesta edição atingiu a expressiva marca de 104 páginas, seção de cartas, a última lista de lançamentos de fanzines e o derradeiro capítulo da série "Entendendo a linguagem das HQs". Também anexa o formulário de votação para o 26 º Prêmio Angelo Agostini, e o divertido gibizinho A saga de um fanzineiro, com uma HQ de Guimarães e Antônio Eder, que o leitor tem que desgrampear e montar. O QI em si tem apenas 24 páginas, mas com tantos "suplementos", é um verdadeiro almanaque.
Esta edição era aguardada com ansiedade e preocupação por leitores e fanzineiros, pois há algum tempo Guimarães anunciou que encerraria a publicação nesse número. Desde então, o fórum do fanzine fervilhou de cartas sugerindo alternativas e implorando a continuidade da publicação. Parece que a choradeira fez efeito.
O editor decidiu continuar o fanzines, mas vai implementar algumas mudanças para facilitar o trabalho e diminuir o investimento. Por exemplo, não publicará mais as listas de lançamentos, um hercúleo trabalho de pesquisa que estava a cargo unicamente do editor. Mas ficou uma brecha para que os editores interessados anunciem seus fanzines de graça: basta respeitar as novas regras da seção.
O editor também afrouxou as regras para publicar colaborações. A partir do QI 101, a publicação será gratuita, desde que o trabalho atenda as expectativas do editor. Anúncios, entretanto, continuarão a ser cobrados.
Todas as permutas foram suspensas e o fanzine agora só poderá ser obtido através de assinaturas. Quem quiser receber todos os seis números que QI publicará em 2010 deve efetuar a assinatura até o dia 10 de janeiro, pois a tiragem do fanzine será suficiente apenas para atender às assinaturas. Vou providenciar a minha, pois as mudanças do QI tendem a torná-lo ainda melhor do que é.
Mais informações com o editor, através do correio convencional: Rua Capitão Gomes, 168, Brasópolis, MG, CEP 37530-000.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

FCdoB volume 2


Conforme já havia comentado aqui, há alguns meses fui contatado por um dos coordenadores do concurso literário FCdoB, Pedro Rangel, interessado em usar um antigo texto meu como prefácio do livro que publicaria os ganhadores da segunda edição do concurso, realizado ao longo de 2009.
Fiquei um pouco surpreso a princípio, porque achava que o texto estava superado. Mas Rangel insistiu que ele estava perfeito e como não vi motivo para atualizá-lo, autorizei a publicação "in natura". Desde então estava na espera pelos resultados do concurso que, conforme Rangel confidenciou, recebeu perto de 250 trabalhos.
Finalmente, os ganhadores foram apresentados aqui, e o livro, cuja primeira edição foi publicada com recursos próprios, desta vez saiu pela editora Tarja, a mesma que tem publicado o Anuário Brasileiro da Literatura Fantástica, e tem realizado um surpreendente trabalho editorial ao longo dos últimos anos.
A capa da nova edição, produzida por MilaF e Verena Peres, está mais vibrante e focada no gênero do que a do primeiro volume. A antologia tem 208 páginas e traz 26 trabalhos de autores novos, entre eles alguns nomes já vistos em outras publicações, como Hugo Vera e Maria Helena Bandeira.
Uma amostra da edição, com direito aos prefácios e dois contos, pode ser obtida no site da editora, aqui, e o livro real pode ser pré-adquirido aqui.
Parabéns aos vencedores e aos organizadores do concurso, que se firma como evento do calendário do fandom brasileiro, e a editora Tarja, que demonstra não ter medo de investir no novo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Afro Samurai

Há alguns dias, achei na banca de revistas o primeiro número da novela gráfica de ficção científica Afro Samurai, de Takahashi Okazaki. Publicado pela editora Panini Comics no selo Planet Mangá, adaptado para leitura ocidental.

Afro Samurai ficou conhecido do público brasileiro em 2008, quando a MTV exibiu a sua versão em animê. Mesmo assim, a versão gráfica surpreende por conta do estilo do autor, que não segue os padrões dos ilustradores japoneses mais festejados. É um desenho estiloso, com distorções dramáticas e acabamento realista de um gekigá, cheio de sombreados e um toque especial de vermelho nas cenas mais sanguinolentas.
A história é a mesma do animê. Afro Samurai é um ronim negro que vive num futuro indefinido, mistura de alta tecnologia e medievalismo japonês. Ele participa de um esporte mortal cujo objetivo é conquistar o posto de Número 1, o mais poderoso samurai do seu mundo. Uma das regras da competição determina que apenas o samurai de número imediatamente subsequente pode desafiar o seu superior, ou seja, só o samurai número 2 pode desafiar o número 1, e assim por diante. Isso cria alguns problemas de lógica, mas o autor sabe como evitá-los e a gente nem liga muito.
Os samurais são identificados por bandanas numeradas, que eles conquistam depois de derrotar o adversário. Creio que não seria necessário matar mas, no mundo de Afro, a morte é a cereja do bolo. O adversário derrotado sempre morre, e da maneira mais violenta possível.
Afro está numa trilha de vingança. Quando criança, testemunhou quando o atual Número 1 decapitou seu pai, que era o então Número 1. Expulso do refúgio onde vivia, Afro foi abandonado a própria sorte apenas com a espada de seu falecido pai. Para sobreviver nesse mundo selvagem e violento, desenvolveu uma segunda personalidade que o acompanha como uma sombra e o fustiga com provocações o tempo todo.
Contra ele há o fato de que Número 1 não está disposto a permitir a chance de ser derrotado. Ao longo de seu reinado, cercou-se de tecnologia de ponta e de uma horda de guerreiros especialistas que impedem que qualquer um se aproxime dele. E os movimentos de Afro estão sendo cuidadosamente monitorados por sua equipe de segurança.
Mas Afro está decidido e a morte não é uma alternativa. Contudo, para desafiar o Número 1, ele terá que subir no ranquing.
Afro Samurai será apresentado em duas edições bimestrais de 168 páginas cada.
Recomendo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Trek Monsters no Art Attack

Uma das brincadeiras modernas mais divertidas é a toyart, que consite na criação ou costumização de brinquedos, geralmente com um tema absurdo ou humorístico.
Algumas empresas internacionais já se especializaram na fabricação de bonecos padronizados para que os consumidores os personalizem conforme sua vontade. Mas boa parte dos praticantes dessa arte controem seus próprios bonecos a partir de materiais comuns, como tecido, madeira, biscuit etc. O acabamento pode reproduzir um artista famoso, um personagem dos quadrinhos, da TV ou do
cinema, pode ainda ser um monstro, um animal maluco etc.

Há até uma coleção de miniaturas de plástico muito popular entre as crianças, os Gogos, que podem ser comprados com algumas moedas em qualquer banca de revistas. Mas algumas peças exclusivas de toyart já estão no acervo de galerias de arte e podem custar pequenas fortunas.
Na internet, a toyart mais comum é feita em papel, disponibilizado em arquivo digital para imprimir, recortar, montar e pintar. Também há esquemas já pintados, para os colecionadores menos criativos. Os bonecos costumam tem um estilo geométrico nada realista e são geralmente muito simples de montar. O que dá o tom mesmo é o acabamento.

Agora é a vez da toyart em papel chegar às crianças através da coleção Trek Monsters da revista Art Attack, publicação da editora Panini que dá suporte ao programa de arte e criatividade homônimo, exibido no Disney Channel.
A edição número 15, de novembro, apresentou o primeiro de três bonecos utilitários, já pintados e recortados, que podem ser montados sem o uso de tesoura ou cola. Trata-se do sugestivo Caramujo Babão que, depois de montado, além de resultar nom toy muito maneiro, é também um cofrinho de moedas.
Nas edições 16 e 17, a serem publicadas nos próximos meses, virão a Cigarra Gulosa (um portatrecos) e a Lagarta Escabelada (portalápis). Os bichinhos são criações do artista plástico Carlo Giovani, que também dá dícas para os leitores criarem seus próprios bonecos.
A Revista Art Attack custa R$9,90 e pode ser encontrada nas bancas de revistas.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Surface


Durante algumas semanas de novembro, a Rede Brasil, emissora de televisão que tem em sua grade diversas séries antigas, como Perdidos no espaço, Arquivo X e Lois and Clark, exibiu uma série que para mim era uma completa novidade. Trata-se de Surface, produção de 2005 – não tão antiga portanto – que passou batida pela TV brasileira. Há notícias que seus 15 episódios tenham sido exibidos pela Record e pela Universal, mas confesso que eu nunca tinha ouvido falar. A história é curiosa e bem desenvolvida, com efeitos especiais eficientes.
Conta o que acontece com a oceanógrafa Dra. Laura Daughtery que, num mergulho de pesquisa, observa um novo tipo de animal marinho de grande porte. Mas, quando divulga a descoberta, é ridicularizada pelos demais pesquisadores e perde sua graduação acadêmica. Isolada, Laura alia-se ao vendedor de seguros Rich Connelly, que testemunhou a morte do irmão num ataque do mesmo monstro e quer certificar-se de que não está louco. Juntos, partem em busca de provas irrefutáveis da existência do animal.

Enquanto isso, o jovem estudante secundarista Miles Barbett encontra um estranho ovo na beira do mar e resolve chocá-lo. Nasce um tipo de réptil marinho que ele decide criar em segredo, como animal de estimação. O bicho, ao qual ele dá o nome de Nimrod, tem a capacidade de emitir descargas elétricas fortes e é bastante inteligente, mas também muito agressivo. Atacado na praia por um grupo de animais semelhantes a Nimrod, Miles tem seu organismo contaminado com o DNA das criaturas e começa e desenvolver poderes esquisitos.

Com Miles esforçando-se na difícil missão de manter Nimrod longe dos olhos da família e dos cientistas do instituto oceanográfico, Laura e Rich realizam uma nova incursão de pesquisa submarina num batiscafo experimental, mas o barco que comanda o mergulho é atacado por supostos agentes do governo e o aparelho despenca para 4000 metros de profundidade, sem possibilidade de resgate. Encalhados em meio a um berçário dos monstros abissais, Laura e Rich aproveitam para filmar as criaturas. Quando o ar está para acabar, são acidentalmente arremessados para a superfície por um dos monstros.
Recolhidos por um helicóptero de resgate depois de alguns dias a deriva no mar, Laura divulga o filme em um programa de TV, mas é novamente ridicularizada. Não obstante, agentes secretos perseguem-na aparentemente interessados em ocultar algum grande segredo relacionado à descoberta. Os motivos, só podemos especular: o seriado ficou apenas na primeira temporada e termina quando um tsunami gigante faz submergir a costa leste dos EUA, espalhando as gigantescas criaturas pelo território inundado.
O destaque do seriado é a linda atriz Lake Bell, que interpreta a Dra. Laura Daughtery, expressiva e segura nas cenas dramáticas, em contraste ao ator Jay Ferguson, no papel de Rich Connelly, de interpretação afetada e irritante. Carter Jenkins faz Miles Barbett, o garoto mutante que, em vários momentos, eu desejei que fosse devorado pelos monstrengos. Num papel secundário, mas de importância para a trama, aparece ainda a conhecida atriz Marta Plimpton, a Stef de Os Goonies.

Enquanto assistia o seriado, ficava imaginando como não seria legal se fosse uma versão moderna para A guerra das salamandras (War with the newts, 1936), clássico da ficção científica de autoria do escritor checo Karel Capek, considerado em muitas listas como um dos dez melhores romances de FC já escritos.
Vale a pena procurar pelos episódios de Surface na internet ou em DVD, pois a história é boa e dialoga com uma série de referências da literatura e da cultura pop, ainda que eu passasse muito bem sem o chatonildo do Miles.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Barroco tropical

Ao longo de 2009, recebi periodicamente a newsletter da editora Companhia das Letras que ultimamente tem publicado alguns bons livros de FC&F. Este mês, um título interessante se apresenta: Barroco tropical, romance do escritor angolano José Eduardo Agualusa, um exemplo da ficção científica luso-africana, originalmente redigido em português, que fala aos brasileiros de forma muito próxima.
A história acontece em Luanda, em 2020, num enredo ligeiramente autobiográfico e, por isso mesmo, algo metalinguístico. Conta o que acontece com um escritor e sua amante depois que eles testemunham a queda de uma mulher que literalmente despencou do céu, uma ex-miss que foi amante de políticos poderosos.
Diz o relise da editora: "Numa narrativa que avança e recua livremente no tempo e que se desloca entre a África, a Europa e o Brasil, Agualusa traça um retrato vivo e pulsante da sociedade angolana atual, onde as tradições ancestrais convivem de modo nem sempre pacífico com uma modernidade mal assimilada. Essas contradições estão sintetizadas no prédio onde mora o escritor Falcato, a Termiteira, futurística torre de sessenta andares, o maior edifício do continente, que não terminou de ser construído e já está em ruínas, abrigando os ricos nos andares superiores e a ralé social e criminal no subsolo. Mães de santo e curandeiros convivem nestas páginas com figurinistas de fama internacional, empresários da aviação, militares golpistas e traficantes de drogas e de armas. O insólito está sempre presente, mas intimamente entrelaçado ao prosaico e ao cotidiano, pois, como declarou o autor, referindo-se a Angola, Portugal e Brasil, 'nos nossos países a realidade tende a ser muito mais inverossímil do que a ficção' ".
Isso já é mais que suficiente para me interessar. Além disso, não é todos os dias que nos deparamos com a FC angolana, de fato é a primeira que tenho notícia, o que por si só é um atrativo e tanto.
Agualusa estreou na literatura em 1988 e seus livros já foram traduzidos para diversos idiomas. Seu livro O vendedor de passados ganhou o prêmio de ficção estrangeira do jornal inglês The Independent.
Não vale a pena dar uma olhada nesse autor?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Anno Dracula

Em 1997, quando eu e meus colegas estávamos estruturando o projeto da editora Ano-Luz, discutimos quais seriam os títulos estrangeiros pelos quais pretendíamos batalhar. O primeiro título sempre fora Starship Troopers, de Robert Heinlein que inaugurou nossos trabalhos no início do ano seguinte, mas naquele momento ainda não sabíamos o tamanho da encrenca que é publicar um livro estrangeiro, o que só aprenderíamos a duras penas meses depois.
Como sonhar era de graça, estávamos dispostos então a adquirir pelo menos dois outros títulos: The postman, de David Brin, autor que havia construído alguma fama devido aos contos que apareceram na Isaac Asimov Magazine, e Anno Dracula, de Kim Newman, um escritor britânico então completamente desconhecido que desenvolvera um trabalho interessante de ficção fantástica.
O primeiro caiu da pauta assim que o filme estreou nos EUA e faturou meia dúzia de imerecidas Framboesas de Ouro, e o segundo depois que descobrimos que não sabíamos vender livros. Desde então, todos nós esperamos que alguma editora de porte descobrisse esses títulos e os disponibilizasse aos leitores brasileiros.

Finalmente, a editora Aleph, que nos últimos anos tem reforçado seu catálogo com diversos títulos de FC&F, especialmente republicações como os clássicos A laranja mecânica, de Antony Burgess, O homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick e Fundação, de Issac Asimov, atendeu aos constantes pedidos de uma legião de fãs de horror e FC e colocou nas livrarias brasileiras a tradução de Anno Dracula, um romance icônico da moderna FC britânica, sequência direta do clássico de Bram Stocker, que conta a história intrigante de uma realidade em que o Conde Drácula realmente existe e, através de sua influência poderosa, assume o poder na Grã Bretanha do final do século XIX ao desposar a Rainha Vitória. Daí parte uma grande quantidade de alterações históricas que levam os fatos desse universo alternativo a uma escalada de dramas bizarros surpreendentes, que envolvem ainda o famoso assassino serial Jack o Estripador.
Devido ao seu formato incomparável, Anno Dracula é um romance difícil de classificar, não porque não se possa descobrir o que ele é, mas porque é difícil definir o que ele não é. Trata-se de ficção científica na medida em que se insere no espaço de influência da história alternativa, com o qual se identifica de imediato devido aos muitos personagens reais que utiliza. Pode ainda ser visto como um trabalho steampunk, devido a sua ambientação vitoriana. Também é uma ficção alternativa, já que apresenta como protagonista um personagem de ficção reinterpretado e que, não por acaso, é um vampiro, o que permite ao texto a legítima classificação no gênero horror, como aliás a editora o está apresentando aos leitores. Alguns ainda podem ousar classificá-lo com o indevassável rótulo de new weird, que muita gente gosta mas ninguém consegue explicar direito o que é.
Mas tudo isso não importa, desde que a história empolgue os leitores brasileiros da mesma forma que encantou os leitores britânicos.
Anno Dracula já está a venda no site da editora Aleph, pela singela quantia de R$49,90. Bela opção para um auto-presente de Natal.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Fanzines de horror do mês


Novembro está chegando ao fim e os fanzines de arte fantástica lançados na internet continuam sendo predominantemente dedicados ao horror. Nas última semanas foi disponibilizado para download o número 15 de Terrorzine, editado por Ademir Pascale e Elenir Alves pela Cranik.
A edição mantém a linha editorial de apresentar uma seleta de microcontos de autores brasileiros, entrevistas com escritores, no caso Jorge Ribeiro e Jocir Prandi, e divulgação de quadrinhos, romances e antologias. Também saiu o Terrorzine Suplemento nº3, com os contos vencedores do Concurso Cultural Estronho.
No ultimo final de semana, foi lançado o Juvenatrix 119, tradicional fanzine de terror e ficção científica publicada pelo engenheiro Renato Rosatti desde 1990, sendo provavelmente o mais antigo fanzine brasileiro em publicação. Também é o único que, depois de muitos anos sendo editado em formato real, virtualizou-se e manteve periodicidade consistente.
Isso deve-se unicamente a iniciativa e disposição de seu editor, que gosta do que faz e não tem nenhuma intenção de parar.
Juvenatrix investe na cena alternativa, com divulgação de bandas de rock pesado, produções de vídeo e cinema independentes, fanzines, livros, sites e blogs (até o Mensagens do Hiperespaço apareceu nesta edição, obrigado, Renato!). Também publica contos, artigos e resenhas, principalmente de cinema. O destaque da edição é a resenha do filme Saló, de Pier Paolo Pasolini, assinado por Matheus Ferraz, e a overdose de FC bagaceira resenhada pelo editor, com nada menos que doze filmes categoria "Z". O fanzine mantém ainda uma comunidade no Orkut. Peça sua cópia em renatorosatti@yahoo.com.br.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Celularidades

Desde 2000 que a Editora Virgo investe suas fichas na publicação cooperativa, num formato estruturado a princípio para a antologia de cartuns Humor Brasil 500 Anos, dedicada aos cinco séculos da nação tupiniquim.
A ideia era tão boa que a brincadeira continuou nos livros 2001 - Uma odisséia no humor e Humor pela paz. A série de antologia de tiras de quadrinhos Tiras de letra já vai pelo oitavo número, entremeada por outros títulos de ocasião, como Fome de ver estrelas, Isto é um absurdo e Internet@humor. Agora chegou a vez de Celularidades, um projeto antigo que custou a sair da prancheta.
Celularidades vai ter o lançamento oficial dia 21 de novembro, a partir das 21 horas na Livraria HQMix, Praça Roosevelt, 142, São Paulo. O evento pretende reunir a maior quantidade possível dentre os 26 artistas publicados, que são: Airon, Alecrim, André, Amorim, Bira Dantas, Biratan, Claudio, Ed Sarro, Eder Santos, Edra, Érico San Juan, F. Pontes, Gilmar de Godoy, Humberto Pessoa, J. Bosco, Julinho Sertão, Luigi Rocco, Mastrotti, Mayrink, Rei, Rice Araújo, Ronaldo Cunha Dias, Spacca, Spett, Waldez e Willian Medeiros.
O editor da Virgo é Mario Mastrotti, cartunista bem conhecido no meio, que a partir de São Caetano do Sul espalha aos quatro ventos seu humor gráfico. Diz Mastrotti sobre o volume: "O celular é uma realidade sem volta por tudo que significa de avanços, benefícios e bem-estar para o ser humano. No Brasil, país apaixonado por falar, e fala-se até demais, ele é parte integrante da vida de todos aproximando e vez por outra afastando muita gente.
Otimiza os negócios, agiliza as soluções e o faz de forma tão eficaz da mesma maneira que seu uso é aplicado para lesar e prejudicar o outro. O celular é um faz tudo e prova que também faz humor dos bons no traço de cartunistas de todo o país que nunca deixam cair a linha, sempre ocupada, ora com uma gargalhada imensa, ora com um sorriso esperto, melhorando a ligação entre as pessoas."
Celularidades apresenta 100 cartuns em 64 páginas, e custa R$15,00.
Mais informações sobre o evento pelos telefones (11) 3258-7740 e (11) 70324902.

Noticias... do Fim do Nada


Há alguns dias, rolou na lista de Literatura Fantástica do CLFC informações sobre a descontinuação, no número 82 (julho a setembro de 2009), de um dos últimos fanzines brasileiros de ficção científica em papel, o Notícias... do Fim do Nada, editado pelo médico aposentado e colecionador de livros de ficção científica Dr. Ruby Felisbino de Medeiros, de Porto Alegre.
O fanzine surgiu por volta de 1990 como órgão oficial da Laboratório Escola de Ficção Científica Robert Heinlein coordenada por Medeiros e manteve uma invejável regularidade, publicando quatro volumes por ano, sem falhas.
Nos primeiros tempos do fanzine, Medeiros costumava apresentar amplas listas de pesquisa, a partir do que publicou em fascículos o ousado Acervo Bibliográfico em Língua Portuguesa de Ficção Científica que pretendia relacionar, em ordem alfabética por autor, todos os contos do gênero publicados em português. Mais tarde, Medeiros os reuniu em um único volume e, mesmo incompleto e desatualizado, ainda é uma ferramenta valiosa e sem paralelo para os pesquisadores do gênero. O NFN também abriu um espaço enorme para autores novos e muitos trabalhos significativos foram publicados em suas páginas.
O editor fazia questão de uma apresentação limpa e organizada, meticulosa nos detalhes, mantendo sempre o mesmo formato em cópias perfeitamente legíveis. O fanzine também era rigoroso no conteúdo, de modo que as edições apresentavam sempre a mesma aparência geral. A linha editorial era conservadora e apegada a FC golden age, com uma generosa dose de tecnofobia: Medeiros recusou-se terminantemente a adotar a tecnologia digital. Nunca montou um site ou em blog e sequer teve um endereço eletrônico.
A certa altura, depois de uma consulta aos leitores, o fanzine reduziu a publicação de notícias e resenhas, privilegiando ficção e artigos de pesquisa. Aos poucos, deixou de publicar também as famosas listas, restringiu o corpo de colaboradores e ocupou a maior parte das páginas com reproduções de textos obscuros vistos revistas antigas e cópias de recortes de jornais. Nos últimos tempos, a divulgação e as resenhas de livros haviam retornado timidamente.
Um dos mais frequentes colaboradores do NFN foi o escritor carioca Miguel Carqueija. Eis aqui um trecho de sua mensagem na lista acima referida: "Num lacônico editorial, Ruby Felisbino Medeiros dá vagamente as razões: 'Várias causas obrigam-me a encerrar diversas tarefas'. O que provavelmente está pesando é a idade do editor (85 anos). E embora ele diga 'Procura-se outro editor', acho pouco provável que alguém mais assuma... Quem acompanha, como eu, a FCB desde os anos 80, pode constatar como os tempos mudaram e como a internet mudou os hábitos de autores e editores, no plano amador."
Dr. Ruby dedicou-se também a ajudar os colecionadores amigos a conseguirem livros raros de FC&F, e foi o criador da expressão "Cemitério da FC", o lugar para onde iriam as extintas publicações brasileiras de FC . Lamentavelmente, o NFN também para lá agora se encaminha.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Festão do Baraldão 2009


O multipremiado cartunista Márcio Baraldi preparou uma festa para receber amigos e leitores para o lançamento de seu novo álbum de quadrinhos.
Hey-ho... let´s go, o 12º de sua carreira e quarto volume de Roko Loko e Adrina Lina, personagens publicados ininterruptamente há 14 anos na revista Rock Brigade. Os álbuns são compilações das histórias lá publicadas.
Hey-ho... let´s go traz prefácios de Franco de Rosa e Sidney Gusman, pin-ups de Getúlio Delphim e Mozart Couto, e textos de personalidades da HQ e do rock nacional. A edição é da Opera Graphica para o selo "GRRR!... Gibi Raivoso, Radical e Revolucionário!", exclusivo de Baraldi.
A festança vai rolar no dia 5 de dezembro, das 14 às 19 horas, no Bar Blackmore (Alameda dos Maracatins, 1317, São Paulo), com salgadinhos, vinho e refrigerante na faixa, shows das bandas Exxótica e Cracker Blues, mágico, caricaturistas, discotecagem de Adriano Coelho e "otras cositas mas". O evento abrigará também a entrega da segunda edição do Troféu Bigorna para os melhores dos quadrinhos brasileiros. A entrada é franca e todos estão convidados.
Dê uma olhada neste "reclame" do Marcião, que está impagável. Para quem morria de vergonha de falar em público, foi evolução e tanto.
É isso aí, Baraldão. Sucesso!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Novos fanzines de Roberto Hollanda


Há alguns dias recebi a edição 17 do fanzine Arlequim, de Roberto Hollanda, com mais um capítulo da curiosa história de Emília, Narizinho e Pedrinho depois que ficaram adolescentes, quase adultos. Emília agora é Arlequina, uma entidade mágica poderosa que trafega pelos mundos da literatura, convivendo com personagens e ambientes de fantasia de diversas procedências. Narizinho, agora chamada simplesmente de Lúcia, tornou-se uma bela jovem também iniciada nas artes da magia, e Pedrinho, agora Pedro Malazartes, é um delinquente juvenil que deseja apenas satisfazer seu próprio ego.
Nos últimos episódios, acompanhamos a queda de Arlequina que, acusada de adultério por seu marido legal, o Marquês de Rabicó, foi atirada numa espécie de prisão, um limbo onde são lançadas as ideias abandonadas. Neste episódio, Lúcia e Pedro voltam ao Sítio do Picapau Amarelo em busca de ajuda para resgatar a amiga, e conseguem cooptar quatro super-heróis mirins, os filhos de Dorothy, de O mágico de Oz. O grupo invade a prisão e luta com os guardas, mas as coisas não saem muito bem e Dorothy decide interceder para salvar seus filhos.
Hollanda mantém o projeto de concluir este arco de histórias na edição 20, mas no editorial já deu a entender que suas ideias voltaram a fervilhar e, ainda que vá definir a aventura dessa forma, deve publicar mais edições futuramente.

Juntamente com Arlequim 17, recebi o primeiro e único número publicado até o momento do fanzine Nouvelle Magique, igualmente produzido por Roberto Hollanda. Desta vez, Hollanda homenageia os pioneiros dos quadrinhos, numa história que também envolve uma boa dose de fantasia. Ela acontece no início do século XX. A jovem Lívia, apaixonada pelos avanços da arte e da tecnologia, está entusiasmada com a nova arte das Histórias em Quadrinhos. Ela faz aulas de desenho e produz suas histórias, mas seu professor rejeita os trabalhos e a alerta para que não as faça mais. Um pouco desorientada, a menina acompanha Miele, sua colega de classe, para ver Madame Jollit, uma artista que percebe nela um grande talento e a inicia na verdadeira arte secreta dos Quadrinhos, que tem o poder de manipular a realidade.
O desenho de Hollanda, que não é nada realista, pode desagradar os leitores que pensam que o realismo é componente imprescindível nas HQs. Quem pensa assim, infelizmente vai perder um grande trabalho. Não consigo imaginar uma imagem melhor para as histórias que o Hollanda cria, pois os desenhos combinam perfeitamente com o clima de irrealidade do enredo. É possível que o realismo até prejudicasse esse clima.
Para conhecer o trabalho de Roberto Hollanda, leia este post que disponibiliza links para baixar as primeiras edições de Arlequim. Mas quem realmente valoriza o trabalho, não vai se incomodar em escrever para o editor e comprar o fanzine em papel: Rua Sousa Aguiar, 322, casa 5, Rio de Janeiro, RJ. CEP 20720-035.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Anjo de dor


No dia 5 de novembro, enquanto esperava o início da mesa redonda da antologia Rumo a fantasia, fui surpreendido por um exemplar do esperado romance Anjo de dor, de Roberto de Sousa Causo, publicado há pouco pela Devir e apresentado no evento pelo próprio autor. A introdução do livro é assinada pelo saudoso Rubens Teixeira Scavone e a ótima ilustração da capa é de Vagner Vargas. O título inaugura o selo Pentagrama da Devir, dedicado à literatura de horror.
Finalmente é possível ao público apreciar esta que é uma das mais impactantes obras desse escritor de ficção fantástica, num formato dramático que lhe é raro, o de quase realismo autobiográfico, visto em apenas em uns poucos contos.
Anjo de dor é uma história de fantasia sombria (dark fantasy em inglês) que conta os dramas de um jovem habitante de Sumaré, município do interior de São Paulo onde o autor passou boa parte de sua juventude. A sinopse do livro no site da editora diz:
"A chegada da excepcional cantora Sheila Fernandes a uma pequena cidade do interior de São Paulo dispara uma série de acontecimentos fantásticos, vividos por Ricardo Conte, um pintor que trabalha como barman na mesma boate em que ela irá se apresentar. Um misterioso espectro se apresenta — antecipando a violência, quando o passado de Sheila finalmente a alcança, para um derradeiro acerto de contas."
Trechos da história, que envolve pugilismo, assassinatos e fantasmas, foram apresentados há alguns anos na edição número 50 do fanzine Juvenatrix e, desde então, aguardava-se que alguma editora desse-lhe existência física.
A publicação de Anjo de dor acena com a possibilidade de, em breve, a Devir dar corpo também ao inédito Mistério de Deus, outro poderoso romance dark fantasy do autor, passado no mesmo ambiente e do qual tive a sorte de ser leitor beta há alguns anos.
Anjo de dor está a venda no site da editora e na livraria Comix.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O jogo no tabuleiro chega ao fim


Amanhã, dia 11 de novembro, o romance virtual O jogo no tabuleiro da escritora gaúcha Simone Saueressig, chega ao seu termo com a publicação de "A casa de Lícora", episódio final de Nemthru, o terceiro livro da saga, em que tudo se resolve, mas nem tudo se explica.
Junto aos livros O afilhado das fadas e A falcoeira, O jogo no tabuleiro conta a história de um grupo de jovens que são capturados numa superrealidade de fantasia medieval, que é o próprio Tabuleiro, e para sair de lá tem de reunir um conjunto de artefatos raros e misteriosos. Lá eles encontram todo um mundo de cenários exóticos, repleto de criaturas fabulosas e de um povo de história tão antiga quanto heróica.
Jogadores de partidas anteriores, que não conseguiram cumprir a tarefa, têm agora naquele mundo a sua única e verdadeira realidade. Um desses infelizes vai acompanhá-los, na intenção de finalmente vencer o Tabuleiro e voltar para o mundo real. Mas o efeito das tragédias do Tabuleiro são um mistério para todos. O que acontece com aqueles que se feriram ou morreram no jogo? Voltarão ao normal? O tabuleiro é apenas simulação ou trata-se de um portal para um universo paralelo?
Este capítulo final tem a mesma força avassaladora das grandes sagas da fantasia, por que nem tudo resulta como esperamos e ao final deixa uma saudade melancólica de algo que nunca devia ter se acabado. Tanto que a autora criou uma área do seu site Porteira da Fantasia, o "Jogadas Apócrifas", para que os leitores publiquem suas próprias criações no mundo do Tabuleiro: desenhos, poemas, fanfics etc.
A autora contou-me que muita gente a tem abordado, nos diversos eventos literários em que ela participa, para comentar a história, que é de fato envolvente, e sugerem que ela providencie uma versão impressa. Alguns confessam que imprimiram os arquivos para poderem ler com mais conforto e compartilhar com os amigos. Desde antes da publicação, eu já havia dito a Simone que a história merecia um tratamento mais ortodoxo de edição, que o romance clama por isso. Tomara que alguma editora perceba o potencial de O jogo no tabuleiro e o publique em forma real. Eu serei um comprador certo. Por enquanto, estão disponíveis os dois primeiros volumes fechados. Cada um dos capítulos do terceiro podem ser baixados gratuitamente aqui. Creio que em breve Nemthru também estará disponível em forma de arquivo unificado.
Ainda que não seja um livro real, O jogo no tabuleiro é sem duvida um dos grandes lançamentos de FC&F de 2009.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Batepapo na Vila Mariana


Ontem, dia 5 de novembro, em meio a um calor africano regado por uma chuva fina e morna, compareci à Biblioteca Viriato Corrêa, na Vila Mariana, São Paulo, para formar a mesa do batepapo sobre o livro Rumo à fantasia, recentemente publicado pela editora Devir em seu selo Quymera. Lá estiveram também Vagner Vargas, autor da ilustração da capa da antologia, Braulio Tavares, escritor conceituado no fandom que acabou de receber o prêmio Jabuti, e o organizador da antologia, o escritor Roberto de Sousa Causo.

Roberto de Sousa Causo

Enquanto esperávamos todos os convidados chegarem, ficamos no hall conversando com alguns dos visitantes, como os escritores Tibor Moricz, Adriano Siqueira e Finisia Fideli, o jornalista Marcello Simão Branco, o editor Silvio Alexandre, o bem informado blogueiro Álvaro Domingues, do Homem Nerd, e o representante comercial da Devir, Geraldo Saldanha.

Vagner Vargas

A mesa foi formada por volta das 20 horas, Causo apresentou os convidados e depois de uma rápida e esclarecedora análise sobre a ilustração da capa da antologia, que tem sido muito elogiada pelos leitores e livreiros, passou a palavra para Vagner Vargas contar sobre sua experiência como ilustrador editorial.

Cesar Silva

Depois foi a minha vez de falar sobre o meu conto na antologia, "Mensagem na garrafa". Braulio completou em seguida, falando muito bem sobre seu projeto de fantasia ibérica. As fotos da palestra foram realizadas por Silvio Alexandre.

Braulio Tavares

A audiência pequena, por volta de vinte pessoas que ficaram muito à vontade no ar condicionado perfeito da nova e remodelada biblioteca, mostrou-se participativa, com várias perguntas e observações interessantes.
Terminada a palestra, por volta das 21 horas, fomos todos para a área de convivência autografar livros, tomar suco de uva e trocar figurinhas. O evento encerrou-se por volta das 21h45, e encarei um trânsito pesado para retornar à minha residência, em São Bernardo do Campo. Missão cumprida. Agora é trabalhar pelo sucesso na venda da antologia.

Para o álbum de memórias


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Soturna 3


Abrindo a temporada dos e-zines de horror do mês de novembro, está disponível para download aqui a terceira edição de Soturna, revista eletrônica publicada sob o selo Sombrias Escrituras, dedicada a divulgar a produção artística de horror.
Na edição, poemas de diversos autores contemporâneos brasileiros, matéria sobre a banda Lacrimosa, com discografia completa, artigos sobre depressão, ansiedade, tribo dos góticos, lixo tóxico, Edgar Allan Poe e uma entrevista com Dennis 80's, músico e diretor da 80's Records. Antene-se.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

S.P.A.C.E.




Em 1983, a Editora Rio Gráfica – atual Editora Globo – lançou nas bancas uma interessantíssima coleção de figurinhas chamada S.P.A.C.E. - Sistemas e Planos de Ataque a Comandos Estelares, provavelmente traduzido do original italiano da Piero Dami Editore, pelo que eu consegui levantar numa pesquisa na internet. Tratava-se de um álbum com 128 cromos coloridos reproduzindo cenas de uma guerra espacial extragaláctica.
As figuras traziam imagens de espaçonaves, soldados e armas dos dois sistemas planetários envolvidos nessa guerra de proporções cósmicas: a Estrela Negra e o Sol Vermelho. Cada um deles dotado de vários mundos habitados, diversas raças de guerreiros, muito armamento pesado, naves gigantes e até animais bizarros e fascinantes.
O álbum explica cada imagem e vai assim contando a história dessa guerra, como um livro ilustrado. As imagens, belíssimas, não trazem os créditos, mas dá para notar que vários ilustradores emprestaram seus talentos para construir essa space-opera exótica, que até onde eu saiba não tem paralelo no Brasil.

O escritor e editor Roberto de Sousa Causo alertou-me sobre as muitas semelhanças do design das naves e armas desse álbum com aquele que George Lucas usou nos novos episódios de sua saga espacial: A ameaça fantasma, O ataque dos clones e a Vingança dos Sith. De fato, há alguma semelhança e como se sabe que a produção da Lucasfilm usou e abusou de referências, não seria de se estranhar se esses desenhos tivessem também entrado no rol de "homenagens" não creditadas pela trilogia.
O álbum é bastante raro e há alguma procura por ele entre os fãs de ficção científica. Já recebi propostas para vendê-lo, mas achei mais interessante compartilhá-lo através de um arquivo eletrônico, que eu hospedei aqui. As imagens foram obtidas a partir do álbum e não foram tratadas: estão exatamente como o meu álbum, que já tem mais de 25 anos e os fungos já cobram algum preço. Mas estão em resolução suficiente para serem lidas. Por isso, o arquivo é grande: cerca de 56Mb.
Espero não estar cometendo nenhum tipo de contravenção ao divulgar esse material. O caso é que eu realmente acredito que esse é um dos mais belos álbuns de figurinhas já publicado no Brasil e o material merece ser recuperado.
Se alguém tiver mais alguma informação sobre essa publicação, mande aí um comentário, pois tenho muita curiosidade sobre o autor do texto e os artistas envolvidos na produção dessas imagens.

OBS: O leitor David McDonald, da Irlanda, informou que os autores nunca creditados na edição brasileira são o ilustrador Ian Kennedy (que trabalhou em Dan Dare) e o escritor Kelvin Gosnell, autor da famosa série Storm, e também o editor da revista britânica em 2000 AD. Obrigado, David!

Fun House Xtreme 13


No finalzinho de outubro saiu mais uma edição do Funhouse Xtreme, ezine editado por Iam Godoy. dedicado a divulgação da cena alternativa do horror no Brasil.
Nesta edição, destaque para uma longa entrevista com Edgar Franco, que fala de sua experiência como ilustrador quadrinhista e músico, adiante da banda de rock experimental Posthuman Tantra.
O zine também dedica algum espaço ao trashvídeo Ninguém deve morrer, de Peter Baiestrorf, e resenha álbuns de bandas gore.
O zine pode ser baixado aqui. Bons sustos!

2009 é o ano das antologias


Organizador de diversas antologias recentes de literatura fantástica, das quais já foram publicadas Draculea: O livro secreto dos vampiros e Invasão, Ademir Pascale anunciou a montagem de um novo título, deste vez de fantasia: No mundo dos cavaleiros e dragões. A publicação deve acontecer através da editora All Print, que tem sido muito receptiva ao gênero. A ótima escritora Regina Drumond (Receitas práticas de magia, O destino de uma jovem maga, Amor vampiro, Rumo à Alemanha) foi convidada para escrever o prefácio, e os escritores Leandro Reis (Filhos de Galagh) e Rober Pinheiro (Lordes de Thargor, o vale de Eldor) já estão pré-selecionados. Quem quiser submeter algum trabalho, pode se informar aqui. Boa sorte.
Ao mesmo tempo, Pascale anunciou a data do lançamento da antologia Metamorfose - A fúria dos lobisomens: dia 19 de dezembro, a partir das 18h30 no Bardo Batata (R. Bela Cintra, 1333, São Paulo).

domingo, 1 de novembro de 2009

VELTA 2010 - Uma aventura nos anos 30


Emir Ribeiro é um dos mais entusiasmados editores independentes que conheço e seus primeiros trabalhos tiveram alguma influência quando de minha decisão de publicar o Hiperespaço.
Lá pelos idos de 1980, conheci o fanzine 10abafo, publicado por ele, que estava entre as muitas revistinhas independentes que encontrei em um sebo no bairro do Butantã, em São Paulo. Eu havia ido até lá em busca de números novos de outras revistas que eu já conhecia, como a Garatuja, publicada por um grupo de quadrinhistas de São Paulo, e Historieta, publicado pelo saudoso Oscar Kern, mas acabei encontrando os zines do Emir e neles as histórias da Velta (que então se escrevia Welta). Foi uma revelação para mim, porque até então eu só tivera acesso a fanzines feitos em off-set, sofisticados, como os já citados Garatuja e Historieta, e 10abafo era praticamente feito com cópias em xerox, o que significava que eu também podia fazer um.
Até hoje, todas as vezes que encontro uma nova edição com Velta, revivo a sensação de maravilhamento que me acompanhou naquele dia e em muitos dias que vieram depois. Eu arrisco dizer que isso é felicidade.
Pois esta semana pude reviver isso tudo ao receber pelo correio a edição VELTA 2010 - Uma aventura nos anos 30.
A revista dá sequência ao projeto de Emir em recriar sua personagem mais importante, a gigante loura que solta cargas elétricas pelo corpo. Desta vez ele instala Velta nos anos 1930, um período difícil para a humanidade, vinda da crise econômica causada pela quebra da bolsa de Nova York e aguardando a explosão de violência e morte que cairia sobre todas as nações, inclusive o Brasil. A origem da personagem também é recontada. Agora Velta – diminutivo de Herivelta! – é Catarina, que ganha seus poderes depois de um tratamento heterodoxo para a paralisia que a acometeu depois que foi agredida pelo marido. E ela vai ter que enfrentar toda a ira de seu agressor para ajudar o Homem de Preto, um vingador mascarado que morreu por obra da Irmandade do Canhão, a qual ele pertence.
A trabalho é bem produzido, com impressão de qualidade, capas em cores cartonadas e plastificadas e 64 páginas de miolo em preto e branco, com um bom acabamento em meios tons. Emir fez a lição de casa e incorporou várias cenas históricas a narrativa, que são explicadas num anexo.
A revista deve ser oficialmente lançada somente em 2010, como diz o título, mas já está em pré-venda. Os primeiros cinquenta compradores ganharão como brinde um cartão tamanho útil de 5 x 7 cm, com um desenho original de Emir retratando qualquer personagem escolhido.
Para comprar, entre em contato com o editor aqui, ou pelos emails emir_ribeiro@yahoo.com.br e emir.ribeiro@gmail.com.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Warehouse 13


Segunda-feira, dia 26 de outubro, a Warner levou ao ar o primeiro episódio do seriado Warehouse 13, que me pegou de surpresa. Eu estava assistindo a estreia da segunda temporada de The mentalist e assim que este acabou, fui capturado por monte de explosões de luz que me fizeram ficar ligado até a uma da madrugada. Eram as cenas de presentação do novo seriado, que eu classificaria como um híbrido de Arquivo X e Os caçafantasmas.
A história de Warehouse 13 começa numa exposição de arte asteca num museu na capital norte-americana, na noite em que o presidente dos EUA vai visitá-la. Um forte esquema de segurança é instalado, mas o agente Peter Lattimer sente que algo não vai bem. Uma peça em exposição está emanando vibrações estranhas, que influenciam um dos funcionários do museu que nessa condição tenta assassinar o presidente. Enquanto a agente Myka Bering, responsável pelo esquema de segurança, detém o agressor, o agente "sensitivo" remove a peça da exposição, mas acaba rendido por um homem estranho que, utilizando-se de um equipamento misterioso, desaparece do local com o artefato.
Mais tarde, sob pressão do FBI que exige informações sobre o destino da escultura roubada, o agente Lattimer recebe a visita de uma estranha mulher que se identifica como sendo a Sra. Frederick da Segurança Nacional, que lhe entrega uma ordem federal para que ele se apresente no dia seguinte num certo lugar da Dakota do Sul. Quando ele chega lá, encontra um galpão enorme, aparentemente abandonado no meio do nada. Enquanto espera à porta que alguém o atenda, um outro carro chega, trazendo a agente Bering. Eles não se dão muito bem a princípio e nenhum deles imagina o que vão fazer ali. Surge então por detrás deles o mesmo homem que havia desaparecido com o artefato asteca, vestido de forma extravagante e carregando um equipamento desconhecido e de função misteriosa. Ele se apresenta como o encarregado do depósito Arthur "Artie" Nielsen e, enquanto os leva para dentro, explica que agora eles fazem parte de uma equipe secreta especial encarregada de recolher e armazenar artefatos que possam colocar a segurança nacional em risco. O depósito está repleto desses artefatos, alguns tecnológicos, outros mágicos, e talvez até alienígenas.
A imagem geral do interior do gigantesco galpão, que tem diversos níveis, é a do grande depósito visto no final de Os caçadores da arca perdida, onde foi armazenada a Arca da Aliança. Ele explica que esta é a 13ª encarnação do depósito, que existe desde tempos antigos. A 12ª versão teria sido instalada nos EUA por Nicola Tesla, M.C. Escher e Thomas Edison, mas como um incêndio a destruiu, foi construída a nova instalação. Finalmente, ele encarrega os relutantes agentes de sua primeira missão, que é investigar um estranho caso de demência de um jovem, que agrediu a namorada.
A premissa é interessante e pressupõe possibilidades criativas para futuros enredos, com histórias de terror, fantasia e ficção científica, viagens no tempo, realidade alternativa e uma bem vinda dose de steampunk. Porém, o desenvolvimento da primeira missão dos dois agentes não é muito animador. Há um constante clima de farsa que não se decide entre o dramático e o cômico. Por exemplo, os agentes têm que carregar para lá e para cá, um balde cheio de um estranho líquido que, só porque o autor do seriado quer, tem a capacidade de anular o poder de todo e qualquer artefato, seja lá qual for. A natureza do tal departamento super-secreto que sequer tem um nome reporta ao seriado satírico The Middleman, e a própria interpretação dos atores pressupõe uma comicidade contida.
Não há muito mais o que avaliar sobre o seriado neste momento. Episódios de estreia são geralmente introdutórios, servem para contextualizar e apresentar os personagens. Algumas vezes eles vão além e também contam uma boa história, que não foi o caso de Warehouse 13, que tem um jeitão de Buffy, a caçavampiros. Mas isso não quer dizer que o seriado não fique legal mais adiante, porque afinal de contas a ideia é muito boa. Informações na internet dão conta de uma grande audiência nos EUA para o seriado, especialmente do público feminino. Talvez os próximos episódios insiram alguma tensão romântica no casal de agentes.
Tudo muito legal, mas bem que poderia passar um pouquinho mais cedo, né?