segunda-feira, 25 de junho de 2012

As crônicas marcianas em quadrinhos

Depois de escrever e publicar uma porção de contos ambientados em Marte, em 1950, Ray Bradbury (1920-2012) teve esses trabalhos reunidos no livro As crônicas marcianas, naquilo que se convencionou chamar de romance fix-up, ou seja, um livro formado pela junção de um conjunto de textos independentes porém articulados entre si. A história conta diversos dramas humanos sobre a colonização do planeta vermelho, porém de um ponto de vista pessoal, no restrito universo das personagem, que levam em si as alegrias e tristezas de viver num lugar estranho ao qual não pertencem. Devido a sensibilidade e sutileza próprias de Bradbury, As crônicas marcianas tornou-se um dos mais importantes romances da  literatura norte americana moderna. 
Outra coisa que sempre caracterizou o autor foi seu entusiasmo pelas histórias em quadrinhos, que lia e colecionava desde a infância. Ainda nos anos 1950, muitos de seus contos foram adaptados para a Nona Arte, e continuaram a ser ao longo das décadas seguintes.
Este é também o caso de As crônicas marcianas: Uma grafic novel autorizada por Ray Bradbury, com ilustrações de Dennis Calero, lançado há poucas semanas pela editora Globo Livros, em seu selo Graphics, originalmente publicado nos EUA em 2011 pela pequena editora Hill and Wang.
O álbum, que traz uma introdução escrita pelo próprio Ray Bradbury, acompanha as 15 histórias histórias do livro, sendo que em cada uma delas Calero altera ligeiramente o estilo do desenho, dando-lhes personalidade próprias.
O álbum faz parte de uma coleção dedicada a adaptar os trabalhos de Bradbury, dos quais tivemos publicado em 2011, também pela Globo Livros, a adaptação de Fahrenheit 451, outro importante romance do mestre, ilustrado por Tim Hamilton.
Por isso, é bom saber que a editora americana já publicou o terceiro volume, com a adaptação do maravilhoso Algo sinistro vem por aí (Something wicked this way comes), com ilustrações de Ron Wimberly. 
As crônicas marcianas: Uma grafic novel autorizada por Ray Bradbury, tem 160 páginas e custa R$39,90. Algumas amostras destes trabalhos podem sere vistos aqui.

Antares digitalizado

Depois do Hiperespaço, agora é a vez do histórico Boletim Antares retornar a luz pelas graças do blogue Gabinete do Dr. Lucchese, editado por Alexandre Lucchese. Publicado pelo saudoso CFCA, Clube de Ficção Científica Antares, de Porto Alegre, foi o primeiro periódico da segunda onda do fandom brasileiro, tendo 58 números publicados entre 1982 e 1992, quase sempre editado por Jane Terezinha Mondello de Souza, que acumulava a função de presidente do Clube. 
A edição digitalizada é a de número 14, publicada em agosto de 1985, que traz contos de Elara Reis Sanderson, José Luiz S. Nóbrega e Antônio Cesar Chuquer, todos participantes do 1º Prêmio Fausto Cunha, um concurso de contos realizado pela entidade. Também apresenta um artigo sobre Orson Welles, assinado por Warta Nurdin, e a transcrição de um conto de Enrique Muzzolón, bem como informações sobre a segunda edição do Prêmio Fausto Cunha, além de cartas dos leitores. Dizem as más línguas que muitos dos desconhecidos autores publicados no Boletim Antares, principalmente os participantes dos concursos, eram pseudônimos da própria Jane Terezinha, para engrossar as fileiras, mas isso nunca foi confirmado. De qualquer forma, muitos autores importantes começaram suas carreiras no Antares, como Jorge Luiz Calife, Miguel Carqueija, Gerson Lodi-Ribeiro e Simone Saueressig. Alguns deles, inclusive este que vos fala, estão entre os inscritos no 2º Prêmio Fausto Cunha, cuja relação está também publicada nesta edição.
Sem dúvida, uma emocionante viagem no tempo.

terça-feira, 19 de junho de 2012

QI 115

Chegou aos assinantes o número 115 do fanzine Quadrinhos Independentes, editado por Edgard Guimarães. A edição de 24 páginas tem na capa uma bela ilustração de Lancelott retratando dois importantes super-heróis da hq brasileira. Traz também diversos artigos interessantes sobre quadrinhos, assinados por Henrique Magalhães, Antonio Barros, Worney Almeida Souza e o próprio editor, um depoimento do fanzineiro  José Valcir (Prismarte), quadrinhos e ilustrações de Guimarães, Dennis R. Oliveira, Luiz Cláudio Faria e Thiago PHZ, além das seções fixas de cartas e divulgação de fanzines.
Mais informações podem ser obtidas com o editor pelo email edgard@ita.br.

Os números da FCF&H no Brasil em 2011

Lançamentos de autores brasileiros
Romances: 187 de fantasia, 60 de fc e 57 de horror.
Antologias de contos: 19 de fantasia, 12 de fc e 18 de horror.
Antologias poéticas : 3 de fantasia e 2 de horror.
Não ficção: 4 de fantasia e 4 de fc.
Romances digitais: 12 de fantasia, 5 de fc e 7 de horror.
Antologias digitais: 5 de fantasia e 3 de horror.

Lançamentos de autores estrangeiros
Romances: 156 de fantasia, 19 de fc e 56 de horror.
Antologias: 7 de fantasia, 1 de fc 6 de horror. Não ficção: 6 de fantasia.
Ainda entre os estrangeiros, foram publicadas 1 novelização de fc e 1 de Horror, 1 romance digital de FC e 1 antologia digital de fantasia.

Republicações
Republicações nacionais: 1 romance de fantasia, 1 romance de horror e 1 antologia de horror.
Romances estrangeiros: 9 de fantasia, 25 de fc e 17 de horror.
Antologias estrangeiras : 4 de fantasia, 4 de fc e 3 de horror.

Uma breve análise
Entre inéditos e republicações, foram 401 títulos brasileiros e 317 estrangeiros, perfazendo o total geral de 718 títulos em 2011, o que indica o recuo do mercado em relação a 2010, quando foram publicados 889 livros, conforme dados publicados no Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2010.
Os números também revelam que os autores brasileiros lograram publicar mais que os estrangeiros em 2011, o que não é usual. Mesmo no total parcial de inéditos, os autores brasileiros levaram vantagem, com 398 títulos contra 255 estrangeiros. Contudo, no que se refere às republicações, a ficção estrangeira deu um banho, com 62 títulos publicados, frente a apenas 3 nacionais. Mesmo levando-se em conta que essa marca elástica se deve a ação de uma única série (Coleção Júlio Verne da RBA), é histórico o desinteresse de leitores e editores pelo material não inédito brasileiro, e raramente ocorrem republicações.
Manteve-se também o predomínio do gênero da fantasia sobre os demais, sendo que a ficção científica continua a ser o gênero menos praticado em quase todos os segmentos. As exceções foram entre os romances inéditos, no qual a fc ficou em segundo lugar, ligeiramente adiante do horror, e em entre os livros de não ficção, que não tiveram nenhum título de horror em 2011.
Outra observação interessante é o recuo dos livros exclusivamente digitais. A maior parte dos títulos oferecidos em formato digital foi também apresentada em formato real e, por isso, listada como livros reais, o que demonstra a insegurança das editoras em investir nesse mercado.

Essencial
Finalmente, destaco a minha relação de publicações essenciais de 2011:
Brasileiros
Romances: B9, de Simone Saueressig; O caso Laura, de André Vianco.
Antologias: As melhores novelas brasileiras de fc; Páginas do futuro; As cidades indizíveis; Dieselpunk.
Não ficção: Muitas peles, de Luiz Bras.
Estrangeiros
Romances: Conan o bárbaro, de Robert E. Howard; Pequeno irmão, de Cory Doctorow; Rei Rato, de China Miéville; A situação de Jeff VanderMeer; A bondade dos estranhos de João Barreiros.
Antologia: Assembleia Estelar.
Não ficção: O zen e a arte da escrita, de Ray Bradbury.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Para ler FC e fantasia brasileira

Seguindo sua prática favorita, os autores brasileiros de ficção fantástica apresentam duas novas seletas temáticas com contos de FC e fantasia.
Estranhas invenções, antologia organizada por Ademir Pascale, foca a obra do artista, arquiteto, cientista e engenheiro renascentista Leonardo da Vinci para falar sobre inventos ainda mais malucos desse famoso e genial personagem histórico, alguns bons, outros nem tanto.
Além do próprio organizador, os autores selecionados para a esse desafio foram Tibor Moricz, Ana Lúcia Merege, Miguel Carqueija,  Maurício Montenegro, Marcelo Bighetti, Alícia Azevedo, Cesar Alcázar, Jorge Luiz Calife e Daniel Borba, que também assina o prefácio. O volume tem 120 páginas e é uma publicação da Editora Ornitorrinco. Mais sobre este coletânea pode ser lido aqui.
A conferir também a coletânea Bazar pulp, com sete contos de fantasia, aventura e horror, todos de autoria de Cezar Alcázar, na linha de Robert E. Howard e H. P. Lovecraft. O volume tem formato de bolso, 96 páginas e traz na capa uma ilustração de Fred Macêdo. É uma publicação da Editora Argonautas.

sábado, 16 de junho de 2012

Megalon 2

Mais uma edição do histórico fanzine de ficção científica e horror Megalon chega ao formato virtual. Agora é a vez da segunda edição, publicada em janeiro de 1989, digitalizada e distribuída pelo seu próprio idealizador e editor, Marcello Simão Branco. Esta e muitas das próximas edições que Branco promete distribuir em breve, foram originalmente editadas em parceria com Renato Rosatti, antes que este criasse seu próprio fanzine, o Juvenatrix, ainda em publicação.
A digitalização foi feita a partir de um dos exemplares originais, por isso a qualidade gráfica não é das melhores. Naqueles tempos, os fanzines eram feitos a mão, com colagens a partir de textos compostos em máquinas de escrever e imagens fotocopiadas. Mas vale a pena o esforço na leitura, pois trata-se de um documento histórico e o conteúdo é muito bom. Esta edição, por exemplo, traz o ótimo artigo de Roberto Schima sobre  as HQs de terror no Brasil, além de muitas outras coisas bacanas em suas 17 páginas. A capa traz uma ilustração de Nélson Passos Filho, inspirada na banda de rock Destruction.
O Megalon foi ininterruptamente editado até 2004, tendo publicado 71 edições de alta relevância para o desenvolvimento da FC&F brasileira.
Para obter uma cópia do arquivo, basta solicitar ao editor no email marcellobranco@ig.com.br.

Mega Disney

Depois surpreender o mercado com o almanaque Disney Jumbo, a Editora Abril foi além distribuiu nas bancas de São Paulo o maior gibi do mundo. Trata-se do extremo Mega Disney, com nada menos que 44 histórias raríssimas do universo Disney, feitas por artistas brasileiros e estrangeiros, algumas que não eram republicadas há décadas.
O conteúdo é variado, com histórias de Zé Carioca, Pato Donald, Margarida, Morcego Vermelho, Tio Patinhas, Professor Pardal, Mickey, Pateta e muitos outros personagens do universo Disney, produzidas de feras como Sérgio Lima, Ivan Saidenberg, Primaggio Mantovi, Rodolfo Zalla, Paul Murry, Carl Barks e Don Rosa, entre outros.
A edição tem 804 páginas, e custa a pechincha de R$19,95. Imperdível!