quinta-feira, 3 de maio de 2012

Usagi Yojimbo: O limiar da vida e da morte

Depois de quatro anos sem dar as caras, o coelho mais samurai do mundo está de volta em uma nova edição. O limiar da vida e da morte é o terceiro volume de Usagi Yojimbo pela Devir Livraria, personagem criado por Stan Sakai em 1984 que é sucesso no mundo inteiro. Os volumes anteriores foram Sombras da Morte (2007) e Daisho (2008). Em 2000, o personagem ainda teve três edições publicadas pela editora Via Lettera: Ronin, Samurai e Bushido.
O multipremiado Stan Sakai cresceu no Havaí e reside hoje com sua família na Califórnia, mas é natural do Japão, mais exatamente da cidade de Kyoto, o que faz de Usagi Yojimbo uma espécie de meio-mangá. O tema da história, sobre um guerreiro desempregado no Japão medieval, reforça a definição, embora o estilo de desenho de Sakai o distancie bastante daquele com que os leitores estão acostumados, o que não deixa de ser uma ótima alternativa aos rigores editoriais dos mangás.
A edição é robusta, com 216 páginas em papel de qualidade, e traz várias histórias que contam sobre uma vila de cultivadores de alga marinha; um inocente vendedor de macarrão; uma mulher possuída pelo demônio; um implacável clã de ninjas morcegos; uma guilda de assassinos; um misterioso vendedor de remédios; e Inazuma, uma samurai introvertida.
Completam o volume uma apresentação escrita pelo roteirista Kurt Busiek e um artigo do próprio Sakai com curiosidades de bastidores. Usagi Yojimbo: O limiar da vida e da morte é, sem dúvida, um livro que vale a pena ler.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Coleção de Miniaturas Marvel

Finalmente chegou às bancas de São Paulo a esperada Coleção de Miniaturas Marvel, anunciada há cerca de um ano. Trata-se de uma série de fascículos da Panini Comics, detentora dos direitos dos personagens no Brasil. O fato da Panini não ser uma editora acostumada à publicação de fascículos talvez tenha sido o motivo dessa demora no lançamento.
O saite brasileiro da coleção está incompleto e não informa o plano da obra: apresenta apenas seus contornos iniciais e as imagens dos primeiros modelos, mas o saite inglês prevê um total de 170 figuras. Cada entrega quinzenal promete uma miniatura em metal pintada a mão, de aproximadamente 10 cm de altura, numerada e acondicionada numa caixa plástica transparente, retratando algum personagem – herói ou vilão – do universo Marvel, acompanhada de uma dispensável revista de 16 páginas com informações sobre o mesmo.
O número 1 traz a miniatura do Homem Aranha, o personagem mais popular da editora, pelo preço promocional de R$17,90, o que deve garantir uma venda razoável. Poderia ser melhor se a Panini fizesse como as demais editoras de fascículos e aplicasse um preço ainda mais baixo no lançamento. Mas o que incomoda mesmo é a falta de inspiração dos modelos. O Homem Aranha, por exemplo, é um personagem caracterizado por suas poses dramáticas e flexíveis, mas o modelo não explora essa potencialidade.
As miniaturas das próximas entregas devem ser de Wolverine, Dr. Octopus e Coisa, e a julgar pelos valores anunciados das assinaturas, o preço normal dos fascículos deverá ser substancialmente mais elevado, como é praxe nesse tipo de publicação.
Para aqueles que esperam comprar apenas uma ou outra miniatura, atenção: o sistema de distribuição de fascículos nas bancas entrega a quantidade exata de exemplares para atender apenas aos compradores habituais que fizeram reservas. Os primeiro números até devem ser fáceis de achar mas, conforme a coleção avançar, será cada vez mais difícil encontrar edições avulsas. Para garantir, a editora oferece um serviço de assinatura que ainda entrega alguns modelos exclusivos.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

QI 114

Chegou esta semana aos assinantes a 114ª edição do fanzine QI - Quadrinhos Independentes, editado por Edgard Guimarães. QI é um dos mais tradicionais fanzines brasileiros, em publicação dede os anos 1990 e, ao longo dos anos, tornou-se um verdadeiro compêndio sobre as publicações independentes nacionais, especialmente aquelas ligadas às histórias em quadrinhos.
Depois de chegar ao número 100, o editor implementou algumas mudanças no estilo editorial, que investe mais em textos históricos e analíticos, mas ainda guarda muito do que caraterizou a publicação em seus anos iniciais.
Este número apresenta a terceira parte do artigo "Tintim em Portugal" de Carlos Gonçalvez, os artigos "Quadros em sequência", "28º Angelo Agostini" e "Projetos da AQC-ESP", depoimento do fanzineiro Denilson Rosa dos Reis, além das colunas "Mistérios do colecionismo", "Fórum" e "Edições independentes". Complementam a edição, ilustrações de Flávia Andrade e Chagas Lima, tiras de Luiz Cláudio Lopes Faria e mais um capítulo do folhetim "Fazenda de Robôs", de Guimarães. As capas trazem ilustrações do próprio editor.
Para adquirir um exemplar é preciso formalizar a assinatura das seis edições do ano, que sai por R$20,00. Mais informações com o Edgard Guimarães, no email edgard@ita.br.

Odisseia já!

Finalmente, depois de muita expectativa, será inaugurada em Porto Alegre, nesta sexta-feira, a 1ª Odisseia de Literatura Fantástica, evento dedicado ao encontro de leitores, autores e editores de fantasia, ficção científica e horror. Estão programadas as presenças de 80 escritores de oito estados brasileiros e da Argentina, realizando palestras, debates e sessões de autógrafos.
Também está programada a presença de 17 editoras comercializando seus livros diretamente ao consumidor, muitas delas promovendo o lançamento de novos títulos.
O evento foi idealizado pela editora porto-alegrense Argonautas, criada por Duda Falcão e César Alcázar, e pelo escritor norte-americano Christopher Kastensmidt, com apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul.
A abertura será às 19h do dia 27 de abril (sexta-feira) com a palestra "Simões Lopes Neto e o fantástico em Lendas do Sul", com o mestre e doutor em história Cesar Augusto Barcellos Guazelli. O grosso da programação, contudo, rola ao longo de todo o dia 28 (sábado), a partir da 10h30min.
A 1ª Odisseia de Literatura Fantástica e acontece no Memorial do Rio Grande do Sul, Rua Sete de Setembro, 1020, em Porto Alegre. A entrada é franca e a programação completa pode ser obtida aqui.

Fanzinada 2012

Em 2011, aconteceu em Santo André a primeira Fanzinada, encontro de editores alternativos idealizado pela editora Thina Curtis (Spellwork), em homenagem ao Dia Internacional do Fanzine, que se comemora em 29 de abril. Compareci ao evento e conheci toda uma nova geração de fanzines ativos, numa produtividade e variedade que eu não imaginava ainda existir após o advento da internet. Dos editores do século 20, são poucos os que ainda se dedicam à publicar suas revistas em papel, mas a atividade não desapareceu, pelo contrário.
Ao longo de 2011, o evento foi levado a Goiânia e Porto Alegre e, um ano depois, mais exatamente no próximo dia 28 de abril, às 15 horas, acontece mais uma Fanzinada agora sediada em São Paulo, no ateliê Letra Corrida (Rua Vitor Dubugras, 44, Vila Mariana, São Paulo). Haverá exposições, lançamentos e distribuição de fanzines, gibizines e publicações independentes, exibições de vídeos e teatro, e muito mais. Estará à venda o II Anuário de Fanzines produzido pela Ugrapress, e o segundo volume do documentário Fanzineiros do Século Passado, de Márcio Sno. Também é proposta do encontro a instauração do Dia Nacional do Fanzine.
Mais informações poderão ser obtidas no saite da Fanzinada, aqui.

Noite na taverna

2011 foi um ano memorável para os quadrinhos brasileiros. Ainda que as tiragens estejam longe do ideal – o que talvez nunca mais seja possível experimentar – muita coisa excelente foi publicada. A quantidade foi tão grande que ainda hoje continuam surgindo publicações novas daquele ano.
Um desses casos é a adaptação para os quadrinhos de um dos mais emblemáticos textos do romantismo brasileiro, o excelente Noite na taverna, de Álvares de Azevedo (1831-1852). Trata-se de um dos mais bem acabados exemplos daquilo que o quadrinho brasileiro tem de melhor para oferecer.
Apesar da sofisticação gráfica e dos estilos pós-modernos de ilustração que caracterizam as recentes publicações da HQB, Noite na taverna se destaca por ser um trabalho tradicional, em preto e branco e no estilo realista dos quadrinho de horror dos anos 1960 e 1970. Toda a qualidade plástica emana exclusivamente do talento dos artistas envolvidos na produção, sem truques de maquiagem.
Tal como no romance de Azevedo, o álbum é formado por vários episódios independentes, cada um deles ilustrado por uma fera dos quadrinhos brasileiros: Franco de Rosa, Rubens Cordeiro, Arthur Garcia, Sebastião Seabra e Walmir Amaral. Os episódios são amarrados por um arco de fundo ilustrado pelo mestre Rodolfo Zalla, um especialista em histórias sombrias. O roteiro é assinado por Reinaldo Seriacopi e a capa traz uma ilustração do artista mineiro Mozart Couto.
O trabalho levou três anos para ficar pronto e é obviamente dirigido ao mercado didático, mas merecia estar em todas as gibiterias. Apelo comercial é o que não lhe falta.
Noite na taverna é uma publicação da Editora Ática, tem 96 páginas e custa R$28,50.

domingo, 22 de abril de 2012

TerrorZine 26

Ademir Pascale e Elenir Alves retomaram o embalo e lançaram mais uma nova edição de TerrorZine, desta vez com contos curtos sobre discos voadores, um dos temas mais característicos da ficção fantástica brasileira. A produção das capas ficou mais elaborada, com ilustrações que acrescentam personalidade à publicação. A desta edição é assinada por Evandro Guerra.
Os autores publicados são Christian David, Daniel Borba, Daniel Lima, Danny Marks, Estevan Lutz, Gian Danton, Leonardo Brum, Marcelo Bighetti, Maria Helena Bandeira, Mariana Albuquerque, Márson Alquati, Mauricio Montenegro, Miriam Santiago, Octavio Aragão, Renato A. Azevedo, Renato Alves, Ronaldo Luiz Souza, Thiago Luiz Ticchetti e Waldick Garrett. A edição é completada com recomendações de leitura no tema.
TerrorZine 26 tem 28 páginas e está disponível para download gratuito, aqui.