terça-feira, 17 de abril de 2012

Ralph McQuarrie (1929-2012)

Enquanto pesquisava os obituários da FC&F para o Anuário 2011, esbarrei a notícia triste do passamento do talentosíssimo ilustrador americano Raph McQuarrie, o idealizador da linguagem visual da saga espacial Star Wars, de George Lucas, que teve grande influências obre mim.
McQuarrie trabalhou intensamente na trilogia original e foi responsável pela criação de alguns dos mais icônicos personagens da história do cinema, como Darth Vader, R2D2, C3P0 e Chewbacca, além da concepção da maior parte das naves e veículos vistos nos filmes.
Ralph Angus McQuarrie nasceu em 13 de junho de 1929, em Gary, no estado norte-americano de Indiana. Motivado por seu avô e sua mãe, estudou desenho e pintura durante o colégio e trabalhou para a Kaiser Grafics nos anos 1950. Prestou serviço militar durante a guerra da Coréia, trabalhou como desenhista na indústria de aviação Boing e, em 1965, mudou-se para a Califórnia, onde passou a fazer ilustrações para cartazes de cinema. Seu trabalho tornou-se conhecido nos EUA nos anos 1970 por conta das lindas concepções artísticas que ele produziu para as missões lunares Apolo, da Nasa.
Já era um ilustrador prestigiado quando foi chamado por Lucas em 1975, para desenvolver a concepção de cenas de Star Wars, O Império contra-ataca e O retorno de Jedi. O artista também trabalhou na pré-produção de E.T., Jurassic Park e Cocoon, filme pelo qual recebeu um Oscar de efeitos visuais.
Entre as publicações mais desejadas pelos colecionadores estão os lindos portfólios da saga Star Wars publicados pela Ballantine Books, com pôsteres enormes reproduzindo as pinturas de concepção por ele criadas.
McQuarrie faleceu em Berkeley, na Califórnia, no dia 3 de março de 2012, aos 82 anos, em decorrência de complicações do Mal de Parkinson.

Trilogia Nikopol

A editora Nemo que, desde 2011, tem distribuído alguns dos mais elegantes álbuns de quadrinhos no Brasil, recupera agora para os leitores brasileiros A trilogia Nikopol, obra prima do quadrinhista sérvio Enki Bilal.
O volume reúne a saga completa com A feira dos imortais (La foire aux immortels, 1980), A mulher armadilha (La femme piège, 1986) e a até agora inédita no Brasil, Frio Equador (Froid Équateur, 1992). As duas primeiras partes foram anteriormente vistas no final dos anos 1980 pela editora Martins Fontes, sob os títulos Os imortais e A mulher enigma.
A história mostra uma Europa futurista formada por uma decadente sociedade de pós-humanos e alienígenas, dominada por um governo fascista e corrupto. No céu de Paris, uma pirâmide que é a astronave de alienígenas imortais que já foram tidos como deuses no antigo Egito. Apesar de poderosos, esses seres com corpos de homens e cabeças de animais, precisam da colaboração do governo humano para reabastecer o seu veículo estelar. Enquanto isso, uma antiga cápsula espacial que estava em órbita da Terra há décadas, cai no subúrbio da cidade. Dentro dela está o corpo congelado de Alcide Nikopol, condenado a trinta anos de exílio por desafiar o governo. O corpo é capturado por um dos alienígenas, o sociopata Horus, que tem um plano para mudar as coisas na estagnada hierarquia alienígena. As ações de Horus e Nikopol desencadeiam uma crise que vai revolucionar a situação política da Europa, não necessariamente para melhor.
Bilal desenvolveu o trabalho também para o cinema, dirigindo a adaptação da história de Nikopol no longa metragem Imortal [Immortel (ad vitam), 2004], um cult entre os fãs. E em 2008, a saga também chegou aos videogames com Nikopol: Secrets of the immortals, com roteiro do próprio Bilal, baseado no filme.
A trilogia Nikopol tem 184 páginas totalmente em cores, capas duras e custa R$69,00.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Juvenatrix 134

Está circulando a edição 134 do Juvenatrix, o mais antigo fanzine de FC&F em publicação no Brasil. Em suas 31 páginas, o zine traz contos de Miguel Carqueija, Ronald Rahal, Rynaldo Papoy, Rita Maria Felix da Silva e Dalila Rocha Sousa, e resenhas dos filmes Tropas Estelares (1997), Degraus Para o Passado (1976), Carrasco de Pedra (1967).
A edição é complementada por divulgação das bandas de rock extremo Inquisition (Colômbia/EUA), Sodom (Alemanha), Aborted (Bélgica) e Marduk (Suécia), além de notícias sobre a cena cultural alternativa. A capa é ilustrada por Rafael Tavares.
Para obter uma cópia, em formato pdf, é preciso solicitar ao editor, Renato Rosatti, pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

sábado, 7 de abril de 2012

Brasil do Bem

Está circulando o livro Brasil do Bem: A Arte da Caricatura Mostrando a Cara da Nação que Faz!, recém-lançada antologia de caricaturas publicada pela Editora Virgo, consequência gráfica de uma exposição homônima realizada no final de 2009, na cidade de São Caetano do Sul/SP.
O livro reúne 27 artistas e cada um deles mostra três caricaturas de personalidades brasileiras, incluindo breve biografia, detalhes das técnicas utilizadas e os motivos para a escolha dos caricaturados.
Os caricaturistas publicados são: Emerson Ferrandini, Alecrim, Renato Stegun, Sandro Melo, Ezê, Rice Araújo, Ricardo Soares, Eder Santos, Fernandes, Humberto Pessoa, Laudo Ferreira Jr., Seri, J.Bosco, Xavi, Hals, Bira Dantas, Jean Pires, DaCosta, Spacca, Gil de Godoy, Siqueira, Antonio Carlos Pires, Zitto, William Medeiros, Mastrotti, Ulisses e Fred. O prefácio é assinado pelo caricaturista Gonzalo Cárcamo e Rice finalizou a capa.
A antologia teve edição cooperada, ou seja, foi financiada pelos próprios artistas, como geralmente são os livros da Virgo, selo que pertence ao ativo cartunista sulcaetanense Mario Mastrotti.
Brasil do Bempode ser adquirido na Livraria HQMix, Rua Tinhorão, 124, São Paulo ou diretamente com os artistas publicados.

Bang! Bang!

Isso é que é uma surpresa agradável.
Estão disponíveis, em download gratuito, duas novas edições da excelente revista digital portuguesa Bang!, publicada pela editora Saída de Emergência.
Esta é a melhor revista periódica de ficção fantástica publicado em língua portuguesa e merece ser lida com toda a satisfação. E nem é preciso fazer força para curtir. Ela publica artigos, resenhas, ensaios e críticas sobre literatura, quadrinhos e cinema fantásticos, e está bem atualizada, uma vez que o mercado lusitano é muito mais bem fornido que o brasileiro.
Além disso, publica ficção, tanto de autores lusófonos quanto de estrangeiros. Na edição 10 (41 páginas), há contos de João Barreiros, Matt Ruff, Philip K. Dick e Kurt Vonnegut; enquanto na edição 11 (45 páginas) encontramos Kelly Link, Luiz Corte Real, Pedro Vicente Pedroso e Cordwainer Smith.
E para quem é fã da saga de fantasia A guerra dos tronos, de George R. R Martin, Bang! dedica amplo espaço, nas duas edições.
Já estou babando nas minhas.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Bombardeiros nas bancas

Como se já não estivesse complicado acompanhar as coleções de fascículos que estão em curso nas bancas, a Editora Planeta De Agostini lançou mais uma de fazer brilhar os olhos de qualquer fã da História e da tecnologia. Trata-se da coleção Bombardeiros das Segunda Guerra Mundial, série em fascículos sobre as maiores fortalezas voadoras já vistas em ação, de todas as procedências e estilos.
Serão 70 edições quinzenais, cada uma com um caderno de informações sobre um avião, acompanhado de uma miniatura em metal e plástico em escala 1:144, bem detalhada, pintada e com expositor.
A primeira edição trouxe o conhecido bombardeiro americano Boing B-17G Flying Fortress, e a segunda o britânico Avro Lancaster B III, ambos com preços promocionais. A terceira edição acaba de chegar às bancas, trazendo o gigante alemão Blohm & Voss BV 222 V-2, de seis motores, agora já no preço regular da coleção. As três edições ainda podem ser encontradas nas bancas.
Para os que preferirem fazer uma assinatura, a editora promete entregar dois modelos exclusivos: o helicóptero Apache e o bombardeiro Arado, que não fazem parte da edição regular.
Maiores informações sobre a obra, com fotos e conteúdos exclusivos, podem ser obtidas no saite da coleção, aqui.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Resenha: O paraíso de Zahra

Publicado em 2011 pela Editora Leya em seu selo de quadrinhos Barba Negra, O paraíso de Zahra, de Amir e Khalil, é um drama político que se insere no mesmo segmento de algumas obras primas da arte sequencial, como Persépolis de Marjane Satrapi, Maus, de Art Spiegelman, Palestina, de Joe Sacco, e Gen: Pés Descalços, de Keiji Nakazawa.
Trata-se de uma história de ficção, mas que se insere num fato verídico, angustiante e assustador, muito familiar aos brasileiros: as manifestações populares que ocorreram em Teerã logo após as suspeitas eleições que elegeram Mahmoud Ahmadinejad presidente do Irã. Fortemente reprimidas pela polícia política iraniana, muitos jovens iranianos foram presos, torturados e mortos nos porões do regime teocrático dos aiatolás.
Há quem goste de usar a situação como argumento anti-religioso, mas o fato é que tudo o que aconteceu e ainda acontece no Irã nada mais é que a nossa muito conhecida ganância humana. É apenas uma questão de poder e dinheiro, como se pode ver no angustiante relado sobre Zahra Alavi, que busca por seu jovem filho Mehdi depois que ele desaparece durante a maior das manifestações acontecidas em Teerã, que reuniu mais de três milhões de pessoas. A história é contada por seu irmão Hassan que, através de um blogue, tenta denunciar ao mundo as arbitrariedades do regime de seu país. A propósito, O paraíso de Zahra foi primeiramente publicado na internet, traduzido para doze línguas e lido por milhões de pessoas no mundo inteiro.
Um trecho curioso é quando um mecânico elogia uma chave de fenda fabricada na Turquia, a que Hassan comenta: "O Irã não consegue nem fazer uma chave de fenda que preste, e o mundo tem medo do programa nuclear iraniano?"
Além do explosivo conteúdo político, O Paraíso de Zahra é uma maravilhosa peça de arte. As ilustrações de Khalil são elegantes e mostram em detalhes as ruas de Teerã e o modo de vida de seu povo.
O livro ainda traz apêndices valiosos, entre os quais um glossário de termos e nomes árabes, muito útil para entender os conceitos políticos, históricos e culturais citados na história, um posfácio sobre as origens da obra, um relato sobre as eleições presidenciais iranianas em 2009, artigos sobre a morte de Neda Agha Soltan – assassinada nas ruas de Teerã pela milícia Basij durante as manifestações de 2009 – e sobre a prisão de Kahrizak, e o "Omid", relação de treze páginas com nomes de milhares de vítimas do governo revolucionário iraniano.
Se metade do que diz O paraíso de Zahra for verdade, o presidente do Irã é um sociopata perigoso do mesmo nível de Pinochet. E eu não tenho dúvida que é verdade.
O paraíso de Zahra tem 272 páginas e é leitura obrigatória para quem quer saber sobre a questão sócio-política iraniana recente.