segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Em campanha: Vampiros, John Steakley

Estreou há poucos dias, uma campanha de financiamento direto para viabilizar a publicação de Vampiro$ (Vampire$), romance de horror do escritor texano John Steakley (1951–2010), originalmente publicado em 1990 e que serviu de base para a produção cinematográfica Vampiros (1998), de John Carpenter. 
Steakley teve uma carreira significativa no campo da ficção científica, com diversos contos publicados na revista Amazing Stories.
Diz o texto de apresentação: "Misturando ritmo de faroeste, brutalidade de histórias de guerra e o fascínio imortal dos vampiros, a narrativa acompanha Jack Crow, líder de caçadores contratados pelo Vaticano, no combate inglório para erradicar colônias de vampiros. Armados com tecnologia moderna e métodos impiedosos, eles enfrentam criaturas letais, formidáveis e capazes de estratagemas dos mais nefastos."
O livro terá aproximadamente trezentas páginas, capas duras, tradução de L. F. Lunardello e publicação pela editora Diário Macabro, dentro da Coleção John Carpenter, que reúne textos nos quais o famoso diretor de cinema se inspirou para alguns de seus filmes. Já foram publicados nessa coleção O enigma de outro mundo, de John W. Campbell, A cidade dos amaldiçoados, de John Wyndham e Eles Vivem: contos de ficção científica, de Ray Nelson.
Entre as recompensas da campanha, marcadores de páginas, pôsteres e os livros da coleção, entre outros itens exclusivos. O projeto receberá apoios aqui até o dia 15 de outubro de 2025.

sábado, 6 de setembro de 2025

Resenha: Boneshaker, Cherie Priest

Boneshaker (Boneshaker), Cherie Priest. Tradução não identificada. 404 páginas. Baependi: Underworld, 2012.

Há anos aguardando na minha fila de leitura, Boneshaker é um romance retrofuturista steampunk de autoria da escritora americana Cherie Priest, publicado em 2012 pela extinta Editora Underworld. Originalmente publicado em 2009, foi indicado aos prêmios Hugo e Nebula, e venceu o Prêmio Locus de Melhor Romance de Ficção Científica.
A personagem principal é Briar Wilkes, uma mulher de meia idade, neta de um falecido líder carismático da cidade de Seattle, e viúva de Leviticus Blue, gênio da mecânica que criou um veículo perfurador – o Boneshaker do título – que, por acidente, devastou a cidade e rompeu algum tipo de bolsão de gás natural mortal que torna algumas das pessoas tocadas por ele em zumbis. Desde então, parte de Seattle foi segregada com uma muralha altíssima, que contém tanto o miasma quanto os zumbis. 
Briar vive do lado externo da muralha, estigmatizada pela tragédia causado pelo marido, que morreu no acidente, e sofrendo todo tipo de bulling dos demais sobreviventes, que a corresponsabilizam por seus prejuízos. E não se entende bem com o filho adolescente, Zeke, que acha que o pai era um herói e que as pessoas que os maltratam estão erradas a seu respeito. Ele fica sabendo que há pessoas vivendo dentro da muralha e, depois de uma discussão especialmente acalorada com a mãe, decide entrar na área segregada para buscar provas da retidão do pai no antigo casarão de família, que parece guardar muitos segredos incomuns. Para isso, usa um túnel secreto através do qual contrabandistas transportam a "Seiva de Limão", beberragem alucinógena destilada do próprio miasma. Ele pretende retornar antes que sua mãe dê por sua falta, mas ocorre um terremoto, os túneis desabam e Zeke fica preso dentro da área proibida. Desesperada com o desaparecimento do filho, Briar se lança a uma perigosa missão para resgatar Zeke de dentro das muralhas e evitar que ele venha a descobrir o mais sinistro segredo da sua vida. 
Boneshaker tem um texto excelente. Bom de ler e muito saboroso. Os personagens são fortes e interessantes, como o vilão Dr. Minnericht, a lutadora Princesa Angeline, o Capitão Cly e toda a tripulação do dirigível Naamah Darling, o malandro Rudy, o guerreiro Jeremiah Swalhammer e sua armadura de mil e uma utilidades, a barwoman Lucy O'Gunning, e muitos outros. 
O romance segue a risca a regra sagrada do steampunk, fundada pelos escritores americanos Willian Gibson e Bruce Sterling em A máquina diferencial: em algum momento, tem que acontecer uma revolução popular. E ela vai acontecer, é claro, no clímax da história. Também há muitas máquinas a vapor, dirigíveis, máscaras de solda e tudo mais que caracteriza este subgênero, que conta com seguidores ardorosos no Brasil. 
Boneshaker é o primeiro de uma série de sete romances que formam o Universo Clockwork Century:  Boneshaker(2009), Clementine (2010), Dreadnough (2010), Ganymede (2011), The Inexplicables (2012), Fiddlehead (2013) e Jacaranda (2015); nenhum outro saiu aqui. 
O mais curioso é que a autora não seja mais popular, pois não foi à toa que ganhou o Locus. Há, contudo, um segundo romance de Priest em português: Ela está em todo lugar (I am Princess X), história de fantasia urbana que une prosa e quadrinhos, publicada aqui em 2015 pela Editora Gutenberg, mas que não tem qualquer relação como universo de Boneshaker.
Vale a pena buscar nos sebos por um dos raros exemplares desse romance, pois é uma leitura intensa, emocionante e agradável. Tomara que outra editora republique esse título, bem como os demais da série, pois Cherie Priest é uma escritora excelente que merece ser mais lida.

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Lançamento: Odisseia estelar, Kim Bo-Young

"Em duas histórias independentes, mas interligadas – 'Estou esperando você' e 'Estou indo até você' –, Kim Bo-Young narra, com maestria, o amor atemporal de um par que tenta, através da relatividade, retornar à Terra simultaneamente para, enfim, se casarem. No entanto, imprevistos no espaço-tempo adiam cada vez mais a data da cerimônia e, no transcorrer dos séculos na Terra, os noivos se deparam com um cenário irreconhecível. Diante de toda a desesperança que os desafios das longas jornadas espaciais e as mudanças no planeta despertam, a única coisa que persiste e permanece imutável entre eles é o anseio de estarem juntos. Já em 'Pessoas a caminho do futuro', Selene vive sozinha na residência espacial que há anos é comandada pelas mulheres da sua família. Num ambiente em que não é possível distinguir entre o dia e a noite, ela passa o tempo trabalhando, cuidando da casa e lendo os livros que pertenceram a suas ancestrais. Isso até ser surpreendida por um jovem cuja aparente linguagem grosseira revela um dispositivo-tradutor antiquado. Afinal, por qual motivo, senão uma confusão idiomática, ele teria dito que planeja ir aos 'confins do universo'?"
Esta é a apresentação da coletânea Odisseia estelar, da premiada escritora sul-coreana Kim Bo-Young, primeira obra da autora a desembarcar aqui pela editora Companhia das Letras em seu selo Suma. Nos EUA, os traballhos reunidos nesta edição apareceram na coletânea I'm waiting for you and other stories, em 2021, publicadas na Coreia do Sul no ano anterior.
O volume tem 264 páginas, tradução de Luis Girão, e está em pré-venda aqui, com lançamento previsto para 30 de setembro próximo.

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Pré-lançamento: Tênebra: narrativas brasileiras de horror [1900-1949]

Está em pré-venda o segundo volume da série Tênebra, Narrativas brasileira de horror, organizada por Júlio França e Oscar Nestarez , desta feita reunindo contos brasieliros publicados entre 1900 e 1949. O primeiro volume (com a capa em tom amarelo), foi publicado em 2022 com uma seleta contos publicados entre 1839-1899.
Esta nova edição traz quase quatro dezenas de contos, incluindo alguns de autoria de grandes nomes da literatura brasileira. Diz o texto de apresentação: "A fim de reparar o apagamento que o gênero sofreu ao longo da história, tendo sido excluído do cânone literário, o livro reúne 38 histórias escritas por que, embora tenham sido classificados como realistas, naturalistas ou modernistas, também desfiaram a pena nas vertentes sombrias da escrita. São histórias góticas, fantásticas, de suspense ou de crimes que mostram como as poéticas negativas captavam os humores brasileiros no período das Guerras Mundiais. Para além de delinear a realidade grotesca da época, os contos de Tênebra demonstram que o gênero do horror é entretenimento garantido. E bastante presente no gosto popular, haja vista a quantidade de produções literárias que nele se enquadram. Com vampiros, femmes fatales, monstros e outros personagens, esta publicação retira o terror brasileiro das sombras e o leva direto ao seu ávido público."
Os escritores selecionados são Adelpho Monjardim, Afonso Arinos, Alberto Rangel, Alcides Maia, Amélia Beviláqua, Carlos de Vasconcelos, Carmem Dolores, Chrysanthème, Clarice Lispector, Coelho Neto, Cornélio Penna, Delminda Silveira de Sousa, Dinah Silveira de Queiroz, Erico Verissimo, Euclides da Cunha, Francisca S. Queiroz, Gastão Cruls, Gomes Netto, Gonzaga Duque, Graciliano Ramos, Herman Lima, Hugo de Carvalho Ramos, Humberto de Campos, João Alphonsus de Guimaraens, João do Rio, João Simões Lopes Neto, Júlia Lopes de Almeida, Lima Barreto, Lúcio Cardoso, Lygia Fagundes Telles, Mário de Andrade, Medeiros e Albuquerque, Monteiro Lobato, Papi Júnior, Patrícia Galvão (King Shelter), Rachel de Queiroz, Rodrigo Octávio e Xavier Marques. Também oferece um ensaio, de autoria dos organizadores, sobre as vanguardas artísticas do século 20 e como se relacionaram com o gênero no Brasil."  
Tênebra, Narrativas brasileira de horror tem 432 páginas, é publicação da Editora Fósforo e pode ser adquirida aqui, com data de lançamento marcada para o dia 10 de outubro próximo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Os contos brasileiros do Apocalipse

Aluísio de Azevedo começou sua carreira na imprensa do Rio de Janeiro como caricaturista. Tendo que retornar a São Luís (MA) após a morte do seu pai, passou a dedicar-se com afinco à literatura, logo publicando O mulato, livro que causou controvérsias pelo modo como retrata a escravidão e a questão racial. Foi um dos primeiros escritores no Brasil a viver de seu trabalho literário, colhendo os dissabores desta decisão, como a dificuldade econômica constante. O conto “Demônio” poderia ser considerado o testamento literário de um escritor republicano e naturalista já que, depois de sua publicação, Aluísio Azevedo decidiu dedicar-se totalmente à carreira diplomática.


O conto de Joaquim Manuel de Macedo apresentado em Apocalipse, “O fim do mundo” (1857), é o primeiro exemplo de literatura de ficção científica tropical em língua portuguesa. O fim do mundo seria causado por um cometa cuja passagem mortal estava marcada para 13 de junho, dia em que Macedo começou a publicar essa história, em episódios, no Jornal do Comércio (RJ). 
Joaquim Manuel de Macedo alcançou formidável sucesso com seu romance de estreia, A moreninha (1844), considerado o primeiro romance urbano na literatura romântica brasileira.

Não deixe de apoiar a publicação de Apocalipse, aqui.

terça-feira, 2 de setembro de 2025

Lançamento: Fábulas de Laniakea

Está disponível a antologia Fábulas de Laniakea, organizada por Lu Evans e Liana Zilber Vivekananda para o selo Nebula, reunindo contos fantásticos do Japão, China e Brasil, com destaque especial para os textos escritos por mulheres.
Diz Vivekananda em seu texto de apresentação: "Nosso propósito, além de elaborar um conteúdo interessante reunindo culturas diversas e propostas diferentes – temos contos de fantasia, ficção científica, fábulas medievais, mundos fora da Terra e na Terra – é também o de valorizar a participação feminina. Buscamos dar voz às escritoras, tanto do Brasil quanto da China e do Japão. Às vezes, parece que temas tecnológicos ou fantásticos se reduzem mais ao público masculino. Porém, vivemos tempos diferentes. Mulheres astronautas, pilotando aviões, grandes cinetistas, matemáticas e físicas começam a surgir. Sempre com mais dificuldades, pois nossa cultura ainda mantém valores antiquados. Assim, estamos trazendo escritores e escritoras de igual patamar, para o deleite dos leitores". 
A seleta inclui trabalhos da China: Su Min, Luo Xia, Lu Hang, Arthur Liu, Mu Hai; do Japão: Eisuke Aikawa, Eiko Seodora Ozaki, Unno Jūza, Ryūnosuke Akutagawa; e do Brasil: Finisia Fideli, Ney Alencar, Ana Lúcia Merege, Rubens Angelo, Alessandra Dossena, Osvaldo Meza, Liana Zilber Vivekananda, Lu Evans, Dione M. S. da Rosa, Eduardo Brindizi, Romy Schinzare, Valter Cardoso, Rozz Messias, Rafael Bertozzo Duarte. Também publica artigos analíticos de Kanata Inoue (Japão), RiverFlow (China) e Cesar Silva (Brasil), tratando da publicação de fcf em seus respectivos países, cada uma em um recorte específico. 
O volume tem 357 páginas, prefácio de Rodrigo Ortiz Vinholo e pode ser lido gratuitamente online nas plataformas Heyzine e Google Livros.

Lançamento: Alguém em Guernica olha para mim, Octavio Aragão

Está em pré-venda aqui a coletânea Alguém em Guernica olha para mim, do escritor e roteirista carioca Octavio Aragão, que já tem em sua bibliografia os romances de ficção alternativa A mão que cria (Mercuryo, 2006) e A mão que pune (Caligari, 2020), sendo também criador da franquia Intempol, que já conta com diversas antologias de contos e vários álbuns em quadrinhos.
Este novo trabalho reúne vinte e dois contos do autor, compilados de seus quase trinta anos de trabalho com os gêneros fantásticos, especialmente a ficção científica. 
Diz o texto de apresentação: "Aragão conta histórias de futuros que vão da luta de um Brasil alternativo contra uma ditadura extraterrena até uma realidade na qual o mundo acaba diante dos boêmios cariocas na década de 1930, passando por símios arqueólogos e santas arquetípicas. Eis um livro que não se contenta em criar mundos, mas também os reconstrói e revoluciona."
O volume tem 176 páginas e é uma publicação da Editora Avec.