domingo, 10 de março de 2013

Juvenatrix e Boca do Inferno

O editor Renato Rosatti entra o mês de março com novas edições de seus fanzines de horror.
O virtual Juvenatrix chega ao número 145 com o vigor invejável da periodicidade mensal. Em suas 15 páginas apresenta contos de Emanuel R. Marques e Michael Kiss, muitas resenhas de filmes de horror, e notícias quentes do ambiente alternativo do gênero e de bandas de metal extremo. A capa traz uma ilustração de Erik Muller Thurm.
Já Boca do Inferno 2 é uma publicação em papel, um fanzine simples de apenas 4 páginas em formato A5, copiado em xerox, mas com um conteúdo divertido e valioso especialmente para os fãs dos filmes de zumbis. A edição resenha as três versões do clássico A noite dos mortos vivos, de 1968, 1990 e 2012.
Para obter cópias tanto do Juvenatrix quanto do Boca do Inferno, é preciso solicitar ao editor através do email renatorosatti@yahoo.com.br.

sábado, 9 de março de 2013

Café com caricatura

No calor da tarde do último dia 3 de março, cartunistas e caricaturistas reuniram-se em Santo André para festejarem o quadrinho nacional, na décima primeira edição do Encontro de Cartunistas do ABC e São Paulo, iniciativa da Editora Virgo, empresa do cartunista sulsancaetanense Mario Mastrotti.
Durante o encontro, além de homenagearem o patrono do quadrinho brasileiro, Ângelo Agostini, com uma exposição de caricaturas do mestre feitas na hora, os cartunistas presentes também festejaram o Dia da Mulher, com outra exposição-relâmpago sobre o tema. Além disso, realizaram uma história em quadrinhos coletiva e diversas outras dinâmicas, todas elas envolvendo o ato de desenhar.
O evento ainda recebeu a visita de uma equipe da revista O ABC da Comunicação, que realizou gravações de entrevistas com os presentes, e contou, pela primeira vez, com palestras rápidas sobre assuntos de interesse para os cartunistas. Toda essa programação foi fruto da parceria da Virgo com uma equipe de estudantes do curso de Relações Públicas da Umesp, que caprichou na organização de cada detalhe. E, como sempre, o evento também contou com o apoio do Fran's Café da Avenida Portugal, que abrigou o encontro em seu luxuoso e agradável salão de festas.
Nas fotos a seguir desfilam alguns dos artistas que participaram do evento:
Mais fotos do evento podem ser vistas nos perfis de Cerito e Thina Curtis (é preciso estra logado no Facebook).

sexta-feira, 8 de março de 2013

Odisseia 2013

Estão bem adiantados os trabalhos de organização para a II Odisseia de Literatura Fantástica de Porto Alegre, evento promovido pelos escritores Duda Falcão, Cesar Alcázar e Christopher Kastensmidt que, em 2012, galvanizou as atenções do fandom e afirmou a capital gaúcha como importante ponto de referência da literatura fantástica nacional.
A primeira edição do evento recebeu cerca de quinhentas pessoas em dois dias de atividades, reunindo mais de oitenta profissionais das letras fantásticas, entre escritores e editores de várias partes do país e até do exterior, funcionando ainda como plataforma de lançamento de dezenas de títulos, muito bem recebidos pelos leitores locais.
A aventura vai se repetir este ano nos dias 12 e 13 de abril, novamente abrigada no Memorial do Rio Grande do Sul, localizado na Rua Sete de Setembro nº 1020, Praça da Alfândega, Centro Histórico, Porto Alegre. A programação, repleta de painéis, palestras e debates interessantes, pode ser conferida no blogue do evento, aqui.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Megalon 18

Está disponível mais uma edição histórica do fanzine de ficção científica e horror Megalon, que digitalizou agora o número 18, originalmente publicado em em dezembro de 1991.
A essa altura já com dois Prêmios Nova, a edição de 54 páginas, editada por Marcello Simão Branco, Marcelo Pirani Vieira e Renato Rosatti, traz contos de Jorge Luiz Calife, Roberto Schima, José Fernades e Braulio Tavares, uma história em quadrinhos de José Carlos Neves, artigos sobre cinema, literatura e ciência assinados por Gilberto Schoereder, Cesar Silva, Marcello Simão Branco, Roberto de Sousa Causo e Calife, e resenhas de diversos livros de fc&f por Orson Scott Card, Miguel Carqueija, Cesar Silva, Marcello Simão Branco e Álvaro Souza Jr.
A novidade da edição é o lançamento do Prêmio Tapirai, promoção interna do fanzine para identificar os melhores da ficção fantástica na esfera não-profissional, com categorias para conto, escritor, ilustrador e resenhador. Para ajudar os leitores a votar, o fanzine publicou listas de indicações que funcionam como verdadeiros registros da produção de fc&f naquele ano. A capa tem uma ilustração de Maurício Tavares, e a contracapa é do norte americano Steven Fox.
A edição em pdf pode ser baixada gratuitamente aqui, e também pode ser baixado aqui um bônus de sete páginas com farta documentação da visita que o escritor norte americano Thomas Dish fez ao Brasil naquele ano. Eu estava lá!

terça-feira, 5 de março de 2013

Humor nos quadrinhos de ficção científica

Nos quadrinhos, o humor poucas vezes caminhou ao lado da fc. O exemplo mais clássico dessa rara união está na tira Brucutu (Alley Oop) de Vincente T. Hamlim, criada em 1932. Brucutu é um troglodita que vive entre os dinossauros e viaja pelo tempo através de uma máquina inventada por um cientista maluco do futuro, o professor Papanatas.
Em 1947, o cartunista Carl Barks criou para a Disney, inspirado no Pato Donald e seus sobrinhos, uma série de histórias com Patópolis, uma cidade habitada por patos e outros bichos.
Sua principal criação foi o Tio Patinhas (Scrooge McDuck), empresário multimilionário que sempre se mete em encrencas por causa de sua ganância desmedida. Muitas dessas aventuras tiveram cenários de ficção científica, com os patos indo à Lua, ao fundo do mar e a cidades imaginárias, em histórias inteligentes e divertidas.
Em 1967 surgiu a série francobelga Valérian, agente espaço-temporal (Valérian), da dupla Pierre Christin e Jean-Claude Mézières, que usa de bom humor em doses equilibradas mesclado com muita ação para contar as aventuras de um agente do futuro encarregado de impedir que disfunções espaço-temporais, naturais ou não, prejudiquem o contínuo espaço-tempo. As histórias de Valérian e sua acompanhante Laureline são muito criativas e de alta qualidade artística, uma característica do quadrinho europeu.
Nas franjas do gênero, está um dos maiores sucessos dos quadrinhos em tiras modernos: Calvin e Haroldo (Calvin and Hobbes). A série, publicada entre 1985 e 1995, tem legiões de fãs em todo o mundo, inclusive no Brasil. Seu autor, Bill Watterson, muitas vezes coloca o garotinho traquinas e seu tigre de pelúcia em situações típicas da fc, como viagens no tempo, por exemplo. São invariavelmente tiradas excelentes e de um humor finíssimo.
Também com contatos eventuais com a fc, merece ser registrada uma série dos irmãos Gilbert e Jaime Hernandez, com uma turma de garotas muito divertidas que se envolvem em todo tipo de aventuras. Mais conhecida como Love & Rockets ou Locas, a série criada em 1982 não se preocupava muito com a verossimilhança, apenas situava as garotas em algum ambiente exótico, as vezes futurista, outras em meio aos dinossauros e, desse modo, discutia temas ligados ao universo e ao imaginário feminino.
Pouco mais há que se lembrar. O que determina que fazer humor na fc não é apenas um caminho difícil, como sempre é fazer humor de qualidade, mas uma boa oportunidade de desenvolver um modo novo e diferenciado de tratar o gênero. Quem sabe não esteja justamente aí um caminho favorável para uma bem sucedida ficção científica brasileira, que escape dos lugares comuns e modismos importados tão replicados pelos fãs.

Humor nas séries de tv de ficção científica

Na televisão, nem sempre o humor chegou a tanto refinamento quanto no cinema. Tal não é muito próprio da mídia mais popular de todas e, por isso, o que mais se vê nos shows de tv é o humor grosseiro e apelativo. Parafraseando uma máxima empresarial: o humor refinado ri das ideias; o humor comum ri das coisas, e o humor grosseiro ri das pessoas. Com esta régua, o leitor pode montar sua própria escala de qualidade naquilo que vê por aí.
Mas vale destacar alguns seriados que conseguiram apresentar algo mais em matéria de humor na fc.
O exemplo mais conhecido, e que dispensa maiores comentários, é o seriado Perdidos no espaço (Lost in space), que teve três temporadas entre 1965 e 1968, sempre com a presença hilária do desprezível Dr. Smith e sua escada preferida, o Robô "Lata-de-Sardinha", como ele carinhosamente o chamava.
Entre os desenhos animados, o melhor exemplo desde sempre é Os Jetsons (The Jetsons), produzido entre 1962 e 1963 pelos estúdios Hanna-Barbera. Conta as trapalhadas de uma típica família do futuro e os problemas que ela enfrenta diante dos avanços da tecnologia, que nunca são acompanhados por uma proporcional evolução do ser humano, de forma que concluímos que, quanto mais as coisas mudam, mais ficam iguais. Similaridades com a nossa própria vida não são meras coincidências.
Outro seriado clássico é Meu marciano favorito (My favorite martian), comédia de costumes exibida nas tvs americanas entre 1963 e 1965, que usa a presença de um alienígena humanoide entre a sociedade classe média americana para fazer graça com o comportamento dela.
Outro seriado com o mesmo perfil é Alf, o ETeimoso (Alf), produzido entre 1986 e 1990. Neste caso, o alienígena não é humano, mas sim um estranho bicho peludo, último sobrevivente de um planeta que foi destruído pela estupidez de seus próprios habitantes. O seriado teve também uma excelente versão em desenho animado, contando como Alf vivia em seu planeta natal.
Mais um seriado que navegou as mesmas águas foi 3rd rock from the Sun, produzido entre 1996 e 2001, com a presença ilustre e premiada de John Lithgow. Nele, um grupo de alienígenas assume a forma de uma família humana para estudar o comportamento da espécie local. Porém, nem todas as transformações foram bem sucedidas... na verdade, nenhuma delas.
Inédito na tv brasileira, mas possivelmente disponível em canais a cabo e por satélite, o seriado britânico Red Dwarf, produzido entre 1988 e 1993, conta a história do último sobrevivente da Terra viajando pelo que restou da galáxia numa enorme espaçonave, acompanhado de mutantes e alienígenas muito suspeitos. Seu humor advém principalmente da sátira e do pastiche de outros seriados e filmes de fc.
Também da Inglaterra vem a nova série do clássico seriado Doctor Who, cuja primeira temporada foi produzida em 1963. Esta nova série, que estreou em 2005 e ainda está em produção, conta a história do último dos Senhores do Tempo que, por algum motivo misterioso, sente uma atração irresistível pela Terra. A bordo da Tardis, uma poderosa máquina do tempo em forma de cabine telefônica azul ultramar, este Doutor sem nome combate invasões alienígenas e distorções temporais sempre na companhia de uma beldade terrestre que muda de tempos em tempos. Algumas vezes, as aventuras são bastante dramáticas, mas sempre contadas com muito bom humor e repletas de piadas inteligentes que exigem a atenção do expectador.
Outro exemplo recente do humor na fc televisiva é a multipremiada The big bang theory, sitcom focada em um disfuncional grupo de pesquisadores acadêmicos de uma universidade americana e as dificuldades que eles têm em se relacionar entre si e com as pessoas a sua volta. A fc aparece principalmente em citações, uma vez que o gênero é considerado um dos pratos favoritos dos nerds em geral. O seriado estreou em 2007 e é um grande sucesso no mundo todo.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Humor no cinema de ficção científica

O humor de ficção científica que chegou às mídias audiovisuais nem sempre foi de igual qualidade ao da literatura, mas algumas obras valem a pena ser lembradas.
No cinema, Apertem os cintos, o piloto sumiu 2 (Airplane II: The sequel, 1982), de David Zucker, aborda o gênero satirizando os filmes-catástrofe em versão espacial. A história conta as situações absurdas de um ônibus espacial de turismo que se acidenta durante uma viagem à Lua. Entre o grande elenco estão atores veteranos como Lloyd Bridges, Peter Graves, Chuck Connors e a participação muito especial de William Shatner, o icônico Capitão Kirk de Star Trek.
S.O.S.: Tem um louco no espaço (Spaceballs, 1987), de Mel Brooks, tira um sarro das modernas sagas de fc, mais exatamente a franquia Star Wars, com muitas citações que fazem a alegria dos fãs, além de ótimas situações de metalinguagem que são a especialidade desse diretor norte-americano.
Outro longa muito interessante é Galaxy quest (1999), que satiriza as séries de tv e o universo dos fãs de fc. Entre os atores, Sigourney Weaver, a eterna Tenente Rippley da franquia Alien, ao lado de um elenco de comediantes de primeira linha em uma produção caprichadíssima, sobre o elenco de atores de uma série de tv que, durante a participação em uma convenção de fãs, é abduzido por alienígenas pacíficos que, depois de assistirem o seriado, acreditam que eles são heróis de verdade e podem salvá-los do ataque de um perigosíssimo vilão intergaláctico.
Também temos a sutileza mordaz de Brazil (1985), de Terry Gillian, que nos apresenta a visão de um futuro absurdo no qual a burocracia tornou a vida uma impossibilidade prática. O título faz referência a canção Aquarela do Brasil que, naquele ambiente opressivo, leva um burocrata inseguro e insatisfeito, a sonhar com um lugar melhor para viver.
Dr. Fantástico (Dr. Strangelove, 1964), de Stanley Kubrick, com a excelente multi-interpretação de Peter Sellers, jogou a primeira pá-de-cal sobre a Guerra Fria. Neste clássico, um problema de comunicação entre um bombardeio americano e a sua base de operações provoca o risco do lançamento de uma bomba nuclear sobre o solo soviético. Em um crescendo de confusão, as duas nações se vêm às voltas com a ameaça cada vez mais concreta de uma guerra nuclear total, enquanto um cientista maluco tece as mais absurdas teorias sobre o fim da humanidade, e em diversos outros pontos do país, a violência explode alimentada pela ridícula paranoia de uma invasão comunista na América.
Uma fc por excelência, que usa o humor limpo e sem apelações, é a série De volta para o futuro (Back to the future, 1985), de Robert Zemmekis. Foram ao todo três filmes, sendo que o primeiro é um primor de roteiro, direção, cenografia e interpretação, narrando a história de um adolescente envolvido num experimento revolucionário que o joga trinta anos no passado. Preso num paradoxo temporal – um dos mais interessantes temas da fc –, ele vai aos poucos desaparecendo, pois sua presença no passado desencadeia fatos que não deveriam acontecer, alterando o futuro. Um dos melhores filmes de fc de todos os tempos.
Outro filme no mesmo tema, que vale a pena ser lembrado, é O feitiço do tempo (Groundhog Day, 1993), de Harold Ramis, fantasia urbana que, por envolver uma curiosa teoria sobre o tempo, pode ser classificado como fc. Nele, um insuportável apresentador de televisão, interpretado por Bill Murray, ao fazer a cobertura anual do Dia da Marmota, fica preso nele indefinidamente. Por mais que se esforce, sempre acaba acordando no mesmo dia e passando pelas mesmas coisas novamente. Apenas ele sabe que tudo se repete e, desse modo, vai sendo confrontado pouco a pouco com a sua própria incapacidade como ser humano.
Mais ou menos no mesmo estilo temos O show de Truman (The Truman show, 1998), de Peter Weir, estrelando o famoso comediante Jim Carrey. A história mostra a vida de um homem que, sem saber, vive numa cidade cenográfica, sendo continuamente filmado, desde antes de seu nascimento, para um reality show de grande sucesso. O filme se destaca na filmografia de Carey por ser sutil e delicado, muito diferente do estilo geralmente apelativo e debochado do ator.