segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mega Feras

Na minha época de criança, no início dos anos 1970, a revista Recreio, da Editora Abril, era uma bem vinda novidade nas bancas. Além dos conteúdos geniais produzidos por gente de gabarito como a escritora Ana Maria Machado, trazia modelos de papel para montar, como um barco pirata com direito a um baú de tesouros, um zoológico, uma cidade etc. Até hoje curto esses badulaques de papel por influência dessa publicação.
Hoje, os brinquedos que a nova geração da revista entrega estão bem mais sofisticados, mas a proposta continua tão empolgante quanto naquele tempo. O periódico infantil acaba de distribuir nas bancas as primeiras edições de uma nova coleção muito interessante.
Trata-se de Mega Feras, um conjunto de 24 brinquedos de plástico articulados inspirados nos animais pré-históricos, como magatério, mamute, gastornis, tigre de dentes de sabre etc, além de três personagens humanos.
A coleção ainda traz fascículos colecionáveis e minigibis com as aventuras de três jovens que viajam para o tempo em que viviam esses animais.
Que criança que nada. Uma coleção dessas, até eu quero.

Como foi o lançamento de Assembleia estelar

Fiz questão de prestigiar meu parceiro de Anuário, Marcello Branco, comparecendo ao lançamento da antologia internacional que ele organizou com tanto cuidado para a Devir Livraria. O livro já estava circulando, é verdade, mas carecia de um evento que registrasse o lançamento, que foi realizado no último dia 31 de março nas dependência da livraria Fnac, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Da esquerda para a direita: Fresnot, Tartari, Orsi, Branco e Causo.

Cheguei por volta das 19h e algumas pessoas já circulavam pelo simpático auditório improvisado ao lado do café, no segundo piso da livraria. Lá estavam, além de Marcello e sua namorada Rossana, Roberto de Sousa Causo acompanhado da esposa Finisia Fideli e do filho Robertinho, o fanzineiro Rudyard Leão, meu amigo Alexandre Yudenitch, os escritores Tibor Moricz e Ataíde Tartari, além de Daniel Fresnot e Carlos Orsi com as respectivas esposas. Enquanto garçons serviam vinho branco, uma mesa foi montada com Fresnot, Tartari, Orsi, Branco e Causo.
Por volta das 19h30, deu-se início ao painel, com Marcello fazendo considerações sobre o dia 31 de março, data na qual, em 1964, aconteceu o golpe militar que lançou o Brasil num famigerado período de ditadura. Depois dele, cada um dos autores comentaram seus contos, exceto Causo, que se portou como moderador da mesa.


O auditório ficou repleto de gente importante, como o ilustrador Vagner Vargas - autor da capa da antologia -, o escritor Nelson de Oliveira, o tradutor Carlos Ângelo, os editores Gumercindo Rocha Dórea e Douglas Quintas Reis, o ex-presidente do CLFC Alfredo Kepler e muitos outros.
A palestra encerrou-se por volta da 20h30, depois de uma bateria de perguntas do público presente. Fiquei ainda por ali algum tempo, trocando figurinhas e cumprimentando os amigos que não via há tempos. Deixei o pessoal que ainda conversava com animação e, relutantemente, saí às 21h, porque São Bernardo do Campo fica um tanto longe da Paulista; mais de uma hora de transporte coletivo me aguardava.

terça-feira, 29 de março de 2011

Resenha: O peregrino


Um homem sem memória desperta no interior de uma caverna de um deserto desconhecido. Ao seu lado, uma pistola Colt do século XIX. Com um tiro certeiro dela, o homem esfarrapado e sedento mata o primeiro cavaleiro que vê a distância, para dele roubar as roupas, as botas e, principalmente, o cavalo.
Sonhos enigmáticos povoam a mente do pistoleiro, reconstruindo aos poucos as memórias perdidas, nos quais ele se vê ora como prisioneiro dos índios, ora como um rico investidor de uma ferrovia.
Depois de uma breve refrega num posto comercial a beira do deserto, John Doe, um jovem de 12 anos, passa a seguir o desconhecido, num misto de admiração, medo e ódio. A cada parada, tiros e mortes. E a cada partida, um crescente contingente de seguidores, esperançosos das mudanças que a jornada do peregrino anuncia.
Esta é a história de O peregrino: Em busca das crianças perdidas, novela inédita escrita pelo paulistano Tibor Moricz, autor de Síndrome de Cérbero (2007) e Fome (2008).
Imediatamente salta aos olhos a identificação com a saga de A Torre Negra, de Stephen King, que parece ter realmente inspirado o autor. Mas os objetivos de Moricz são mais modestos que os do escritor americano. Contudo, o formato de jornada também está presente, uma espécie de road novel, típico do gênero. O peregrino ainda reporta ao longa metragem O estranho sem nome (High plains drifter, 1973), o faroeste mais lynchiano da filmografia de Clint Eastwood.
Ainda que não seja intencional, O peregrino dialoga de várias formas com outro romance de faroeste da FC&F brasileira recente: Areia nos dentes, de Antônio Xerxenesky, publicado em 2008 pela Não Editora, e republicado em 2010 pela Editora Rocco. Porém, enquanto os zumbis de Xerxenesky voltam-se para os leitores de horror, os ciborgues de Moricz escolhem especificamente os fãs de ficção científica.
O mundo enlouquecido de O peregrino apresenta apenas três cidades: Downtown, o vilarejo decadente dos explorados, Middletown, a cidade da tecnologia e da escravidão operária, e Uptown, que parece ser a fonte de toda a opressão. A primeira parte da história é centrada em Downtown, e a narrativa predominante é de faroeste clássico. Depois, em Middletown, assume aspecto steampunk, em um cenário cosmopolita com muita atividade industrial e máquinas a vapor.
Coisas estranhas como as balas do Colt que nunca se acabam, homens e animais ciborgues e uma montanha consciente que caminha pelo deserto, tornam aceitável a dieta minimalista do pistoleiro, que só ingere bourbon e adora tomar banho.
Apesar de um ambiente de faroeste convencional, com saloons, índios, xerifes e tiroteios, Tibor não fez uma história previsível. O desfecho surpreende, com a narrativa deslocando-se para um plano onírico em que as leis naturais deixam de se aplicar e tudo pode acontecer. A estrutura técnica do trabalho é muito boa, mais acessível que o escatológico Fome, romance anterior de Moricz.
O peregrino é um bom entretenimento com um leve toque existencial, mas seu maior mérito é deixar várias interpretações abertas ao leitor. E isso é muito mais do que a maioria da ficção fantástica brasileira tem oferecido.
O peregrino: Em busca das crianças perdidas, Tibor Moricz. Editora Draco, 2011. 196 páginas. OBS.: Esta resenha é fruto de um pedido pessoal de Tibor Moricz que, para esse fim, cedeu-me uma cópia identificada do arquivo de pré-impressão da Editora Draco, a publicadora do livro.

domingo, 27 de março de 2011

Daniel Borba resenha o Hiperespaço

Há algumas semanas, durante o encontro dos autores da antologia Portal Farenheit, em São Paulo, encontrei com o amigo Daniel Borba e passei a ele, em troca de uns livrinhos muito simpáticos de Ray Bradbury, um exemplar da antologia Vinte anos no hiperespaço, que publiquei em 2003 pela Editora Virgo, em comemoração aos vinte anos de publicações do então fanzine Hiperespaço. E agora fui surpreendido por uma resenha assinada por ele, avaliando a antologia de forma muito generosa.
Uma coisa que Daniel não disse é que a própria capa do livro também é um conto, e eu arrisco dizer que tem uma proposta concreta, uma vez que sua aparência é tão importante quanto o texto em si. A capa toda é uma "piada interna" para os antigos leitores do Hiperespaço, e o verso mostra algumas citações que o fanzine obteve na imprensa, daí a aparência de um jornal. De fato, este é o único conto que já escrevi com o pirata espacial Tripanossoma, criado Mario Mastrotti nas edições iniciais do fanzine e que se tornou seu símbolo durante algum tempo.
A resenha está no blogue Além das Estrelas, editado por Daniel Borba, aqui. Muito obrigado pelas palavras amáveis, Daniel.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Lançamento de Assembleia estelar

A antologia internacional de contos políticos de ficção científica Assembleia estelar, publicada há algumas semanas pela Devir Livraria e já a venda no saite da editora, terá enfim um lançamento oficial. O evento acontece dia 31 de março, a partir das 19 horas, na livraria Fnac, na Av. Paulista, 901, em São Paulo.Está garantida a presença do organizador, o doutor em ciências políticas Marcello Simão Branco, e certamente alguns dos autores brasileiros publicados: Ataíde Tartari, Carlos Orsi, Daniel Fresnot, Fernando Bonassi, Roberto de Sousa Causo, Flávio Medeiros, Henrique Flory, Miguel Carqueija, Roberval Barcellos e André Carneiro. Muitos deles não são de São Paulo, mas é uma ótima oportunidade para conhecer parte essa turma inteligente e talentosa, e dado o tema do livro, não é difícil que role algum comício. No lançamento do Anuário 2009, em outubro último, quase rolou...

terça-feira, 22 de março de 2011

O primeiro selo

O fim dos tempos está mesmo chegando, pois o primeiro selo acaba de ser rompido. Ele me foi oferecido pelo blogueiro José Geraldo Golvêa, do Letras Elétricas, a quem agradeço pelo delicado elogio, e a regra do jogo me obriga a responder um pequeno questionário. Vamos lá, então:
Nome: Cesar Silva
Uma música: "Burn", do Deep Purple. Não tem rock mais legal do que esse.
Humor: Ranzinza, no ponto ideal para fazer cartuns.
Uma cor: Azul.
Estação: Outono, uma época que convida à reflexão.
Como prefiro viajar: Sentado, de preferência, e lendo um livro. Mas se for para eu dirigir, prefiro que seja de moto.
Um lugar: Lar doce lar.
Um filme: Nunca te vi, sempre te amei.
Um livro: Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica
Um prazer: Ler.
Um seriado: Lost.
Time do coração: Santos.
Frase mais usada: Tudo é ilusão.
Porque tem um blog: Para divulgar a FC&F.
Sobre o que escreve: Sobre o maravilhoso que às vezes se manifesta na nossa vida.
Escreva a primeira coisa que vier a cabeça: Toca Raul!
O que achou do selo: O primeiro selo a gente nunca esquece.
A segunda regra do jogo pede para reencaminhar o selo para outros blogues bacanas. Então estou mandando para este povo aqui:
São todos blogues que eu acompanho e recomendo. Podem experimentar, sem medo e sem contraindicações.

sábado, 19 de março de 2011

Pastel para viagem

Neste sábado, dia 19 de março, o meu amigo de longa data Mario Mastrotti inaugura a exposição de arte postal "Mulheres", com uma série obras em pastel sobre envelopes em homenagem ao mês internacional da mulher.
Mastrotti é mais conhecido por seu trabalho com cartuns e quadrinhos, mas ele também é artista plástico e está é sua primeira incursão neste curioso estilo de arte, que já teve espaços exclusivos nas Bienais de São Paulo. Diz o relise: "O artista surpreende com desenhos originais de mulheres imaginárias em retratos de amplas influências."
A exposição acontece no Espaço Cultural Ibérica, na Rua Taipas, 645, em São Caetano do Sul, com abertura às 16 horas. A entrada é franca e vai rolar um coquetel. Todos são bem vindos.