Nos terríveis anos 1980, quando a catástrofe da distribuição cartelizada demoliu para sempre o mercado de quadrinhos nacionais nas bancas, a arte nativa refugiou-se nas edições independentes, os conhecidos fanzines. O ambiente alternativo fez muito bem ao quadrinho nacional, que encontrou identidade e linguagem próprias num caldeirão de criatividade que até hoje serve de fonte para os caça-talentos estrangeiros. Ainda que os artistas brasileiros ganhem prêmios e prestígio de superstars trabalhando para o mercado estrangeiro, não conseguem publicar uma única página autoral no próprio país, que ainda parece fazer questão de humilhá-los promovendo grandes festivais para festejar o predomínio absoluto do quadrinho estrangeiro em terras tupiniquins. Mas, em meio a essa enorme tristeza e escuridão, sempre há de existir alguma luz. Sim, são eles novamente: os fanzines estão de volta.

Mas, de fato, os fanzines nunca deixaram de circular. Durante a virada do milênio, as edições independentes migraram com força para a internet, aproveitando o apelo irresistível da publicação barata mas, no caso dos quadrinhos, as autores não ficaram satisfeitos com o resultado virtual. Sendo uma linguagem criada e desenvolvida na mídia impressa, o quadrinho soa estranho fora dela, por isso muitos voltaram ao papel, investindo na variedade de temas e estilos, e especialmente na qualidade gráfica.
Faço questão de prestigiar essa galera cheia de disposição, que enfrenta a maratona cansativa de um festival voltado para um público que não a valoriza, com esperança de tornar seus sonhos reais. Nos próximos posts, comentarei os títulos que adquiri na oportunidade.
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