O escritor norte-americano Jack Vance foi outro gigante da ficção fantástica que nos deixou neste ano, mais exatamente no dia 26 de maio. Desde então, estou devendo aqui a sua biografia. Vou agora pagar essa dívida.
John Holbrook Vance nasceu em 28 de agosto de 1916, em São Francisco, no estado da Califórnia, mas logo mudou-se com sua mãe e irmãos para a fazenda de seus avós, próxima a Oakley, depois que seus pais se separaram. Com a morte dos avós, Vance teve que deixar os estudos para trabalhar e ajudar nas despesas da casa. Mais tarde, estudou engenharia, física e jornalismo na Universidade da Califórnia, quando escreveu sua primeira história de ficção científica para um trabalho no curso de Inglês, e recebeu do professor a sua primeira crítica preconceituosa.

Vance trabalhou como eletricista em Pearl Harbour e deixou o emprego pouco antes do ataque japonês. Não foi aceito nas forças armadas devido a problemas na visão, mas tornou-se marinheiro mercante, profissão da qual herdou o gosto pela navegação marítima, que praticou por toda a vida. Vance também era músico de jazz, tocava banjo, trompete, gaita e muitos outros instrumentos. Tanto a música quanto o mar foram temas constantes em suas histórias.

Vance era amigo pessoal de Frank Herbert e Poul Anderson, a ponto de terem juntos construído um barco, com o qual navegavam nos rios e lagos da região onde moravam. Um pouco por influência desses importantes autores de fc foi que Vance passou a também escrever e publicar no gênero. Sua primeira história foi "The world-thinker", publicada em 1945 na revista
Thrilling Wonder Stories, mas ele também escreveu histórias de mistério e fantasia, inclusive três livros sob o famigerado pseudônimo coletivo Ellery Queen. Vance era membro da Swordsmen and Sorcerers' Guild, comunidade de escritores comandada por Lyn Carter, dedicada a promover o gênero Espada & Feitiçaria.

Seus maiores sucessos foram as séries de fantasia
The dying Earth, e de ficção científica
The demon princes. Foi premiado pelos romances
The dragon masters (1963; Hugo) e
The last castle (1967; Hugo e Nebula). Também ganhou um Edgar (o Nebula do mistério) por
The man in the cage (1961), bem como dois World Fantasy, um em 1963, por
Lyonesse: Madouc, e outro, em 1984, pelo conjunto da obra. Entrou para o Science Fiction Hall of Fame em 2001 e ainda ganhou mais um Hugo, em 2010, por sua autobiografia
This is me, Jack Vance!

Muitos de seus livros foram publicados no Brasil, entre eles o premiado
The dragon masters (
O planeta dos dragões). Também foram traduzidos três dos cinco títulos da série
The demon princes:
Star king (
The star king),
A máquina de matar (
The killing machine) e
O palácio do amor (
The palace of love). Da série
The dying Earth foi editado apenas um,
A agonia da Terra (
The dying Earth); e da série
Alastor foi traduzido apenas o segundo volume,
Marune: Alastor 933 (
Marune: Alastor 933). E ainda, os romances independentes
O planeta duplo (
Maske: Tahery) e o divertidíssimo
Ópera interplanetária (
Space opera), bem como uns poucos contos em antologias. Outros títulos também podem ser encontrados em edições portuguesas.
Cego desde 1980, Vance não parou de escrever, sendo seus últimos trabalhos o romance de ficção cientifica
Lurulu, publicado em 2004, e a já citada autobiografia, publicada em 2009.
Vance morreu de causas naturais em sua residência, em Oakland, no dia 26 de maio de 2013, aos 96 anos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário