Mas no caso de um filme de Spielberg, todos esses apelos são secundários. O que realmente faz a diferença é a qualidade do trabalho do diretor, suficiente para sustentar qualquer filme, mesmo numa tela pequena.
Tintim conta uma história movimentadíssima estrelando o famoso personagem dos quadrinhos, um jornalista adolescente criado pelo quadrinhista belga Hergé – ou Georges Prosper Remi (1907-1983) –, que viaja pelo mundo investigando mistérios para um jornal de Bruxelas.
Desde 1981, Spielberg sonhava em fazer um filme com Tintim, pois muita gente havia comentado com ele as inúmeras similaridades entre o personagem belga e a sua criação, o arqueólogo Indiana Jones. Spielberg até havia negociado alguma coisa diretamente com Hergé, antes da sua morte em 1983, mas o licenciamento final só foi obtido em 2007. Com o apoio do neozelandês Peter Jackson, diretor da premiada trilogia O senhor dos anéis, Spielberg preparou roteiros para três filmes com o personagem e, desde então, vinha produzindo o primeiro longa metragem com grande expectativa do público.
As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne foi lançado em outubro de 2011, na Bélgica, inaugurando um novo conceito em animação que eleva a arte a um patamar inédito de realismo e deve indicar um novo rumo para as adaptações dos quadrinhos no cinema.
Apesar de uma textura "live action", Tintim é de fato um filme de animação, produzido através de uma tecnologia de captação de movimentos reais, conhecida como "motion capture", com movimentos extremamente naturais somados a uma produção de arte hiper realista, na qual apenas as fisionomias propositalmente caricatas dos personagens revelam tratar-se de uma animação.

A partir daqui, a história segue o roteiro de O caranguejo das pinças de ouro. Seqüestrado pelos asseclas de Saccarin e aprisionados no cargueiro Karabudjan, Tintim e seu cachorrinho Milu conhecem Haddock, o alcoólatra porém inocente capitão do navio. Juntos, eles vão lutar para impedir a concretização dos planos nefastos do vilão. A aventura os levará do meio do Oceano Atlântico ao deserto do Saara, de uma perseguição alucinante pelas ruas de uma cidade árabe no melhor estilo Indiana Jones – que parece ter sido inspirada num trecho de O cetro de Ottokar –, ao duelo final entre Haddock e Saccarin esgrimindo com guindastes enormes no porto de Bruxelas, uma cena que não me lembro de ter visto em nenhuma das aventuras originais. O desfecho da história utiliza a conclusão de O tesouro de Rackham o Terrível.
Um gancho óbvio antecipa a seqüência que, desde o início, está prometida para Peter Jackson e será baseada nas histórias As sete bolas de cristal e O templo do sol. A terceira e última parte será dirigida pelos dois cineastas, contando as histórias de Rumo à Lua e Explorando a Lua, o maior clássico da carreira do personagem.
Mesmo quem nunca ouviu falar de Tintim não terá dificuldade para aproveitar o filme, que se sustenta por si, mas aqueles que já o conhecem vão encontrar inúmeras referências espalhadas pelas cenas, que tornam a experiência cinematográfica ainda mais divertida.
As Aventuras de Tintim: O segredo do Licorne é um delicioso filme de ação, mas também é uma homenagem emocionante ao gênio de Hergé, recuperando legitimamente para as novas gerações uma das obras primas da arte dos quadrinhos.
Mais informações sobre Tintim no Um Blog! no Planeta Mongo.
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