quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Nós não gostamos de gente

Está novamente aberta a exposição A Arte da Animação Stop Motion, que apresenta ao público a técnica empregada na produção do longa de animação Bob Cuspe: Nós não gostamos de gente, dirigido por Cesar Cabral. 
Produzida pela Coala Filmes e lançada em 2021, a produção coleciona prêmios por todo o mundo, tendo sido reconhecida nos festivais de Havana, Annecy, Ottawa, Tokio Anime, Quirino, Cinanima, entre outros
O filme conta uma história absurdista na qual as mais célebres personagens de Angeli, capitaneadas por um envelhecido Bob Cuspe, se digladiam num cenário pós apocaliptico que, na verdade, é a mente em crise criativa do velho cartunista. 
Angeli também participa da história, com cenas que reproduzem seus estúdio e residência, sendo a própria voz do artista que dubla o personagem. O filme ainda conta com participações especiais, como por exemplo a cartunista Laerte, que também empresta a voz a si mesma. Também podem ser ouvidas as vozes de Paulo Miklos, Grace Gianoukas, André Abujamra, Milhem Cortaz, Hogo Passolo, Carol Guaycuru e Beto Hora nas bocas das demais personagens. 
A exposição apresenta toda a parafernália que, por trás das câmeras, simula a magia do movimento, incluindo os bonecos articulados de todos os personagens e os cenários originais e utilizados nas filmagens. 
A exposição pode ser visitada até o dia 15 de setembro, das 14h30 às 20h30, no Cine Sesc (Rua Augusta, 2075), em São Paulo.

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Lançamento: A face no abismo, A. Merritt

Clube Andarilhos é o selo de assinaturas da Editora Andarilho, inaugurado em 2022 e dedicado à publicação de ficção fantástica clássica e inédita de autores consagrados e pouco conhecidos. 
Em agosto, a coleção chegou a sua nona edição com A face no abismo (The face in the abyss), novela de 1923 do escritor americano A. Merritt (1884-1943), que sustentou sua carreira nas revistas pulp, tendo sido influenciador de autores como H. P. Lovecraft. 
A novela é o relato aterrorizante do sobrevivente de uma trágica expedição aos Andes peruanos, onde diz ter encontrado uma civilização perdida que vivia em meio a dinossauros e poderosos deuses pré-humanos.
Os livros do Clube Andarilhos têm um dos menores formatos de bolso do mercado, no tamanho A5 (um quarto de ofício), com as capas em cartão laminado e miolo em papel pólem. A face no abismo tem 200 páginas e tradução de Gustavo Terranova Aversa. 
O assinante recebe mensalmente um livro acompanhado de mimos como marcadores de páginas personalizados, placas decorativas, cartões de visita, cartões postais, livretos com contos extras etc. Mais informações no saite da editora, aqui.

terça-feira, 29 de agosto de 2023

A completude da vida, Edith Wharton

 
A Sociedade das Relíquias Literárias é um projeto da Editora Wish para viabilizar a tradução e publicação em ebook de textos raros de ficção fantástica internacional, resgatando assim obras desconhecidas de autores em domínio público, quase sempre inéditas em português. 
A relíquia de agosto é a novela A completude da vida (The fullness of life), da escritora novaiorquina Edith Wharton, publicada originalmente em 1893. O volume tem 69 páginas e ocupa o número 41 da coleção.  A novela vem acompanhada de uma biografia de Wharton e sustenta o objetivo da coleção de publicar em 2023 somente textos de escritoras mulheres.
Diz o texto de apresentação: "Em uma experiência pós-morte, uma mulher reflete sobre sua vida e suas decepções. Ao conversar com o Espírito da Vida, ela é recompensada com o direito de passar a eternidade com sua verdadeira alma gêmea. Entretanto, seu marido continua vivo e ela precisa escolher com quem quer viver para sempre". A tradução é de Giulia Vasovino.
Para setembro, a Wish promete um conto de fadas de Madame Leprince de Beaumont, mesma autora do clássico A bela e a fera.
A assinatura, a partir de R$8,00 por mês, dá ao apoiador o direito de um novo ebook a cada mês, entre outras recompensas aditivas. Para fazer parte da Sociedade, basta formalizar o apoio na página do projeto, aqui.

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Lançamento: O passado esquecido, Miguel Carqueija & Ronald Rahal

O passado esquecido
é uma novela de terror e mistério dos escritores Miguel Carqueija e Ronald Rahal, publicada pelos autores no início de 2023, parceria que já rendeu outros trabalhos, como a ficção distópica Prisioneiros do passado (que pode ser baixada ratuitamente aqui).
Diz o texto de divulgação de O passado esquecido: "Mariana e Clara são duas crianças normais, irmãs de nove e doze anos respectivamente, que moram com os pais e o avô. Seriam crianças despreocupadas se não houvesse um mistério caseiro a intrigá-las e assustá-las: o que havia no sótão da casa, cuja porta estava sempre fechada a cadeado? E por que os adultos se recusavam a deixar que elas fossem ao sótão ou a dizer o que havia lá? Por que esse tabu?"
A novela está disponível aqui para download gratuito, em formato de arquivo de texto.

Imagem: Haris27, Pixabay.

domingo, 27 de agosto de 2023

Resenha do Almanaque: Aliança dos povos, Helena Gomes

A caverna de cristais, Volume 2: Aliança dos povos, Helena Gomes. 592 páginas. Bauru: Idea, 2007.

Romance de fantasia heróica com conceitos de ficção científica, segundo volume de uma série cujo primeiro episódio, O arqueiro e a feiticeira, foi primeiro publicado em 2003 pela Devir Livraria.
A autora, Helena Gomes, natural de Santos (SP), é jornalista e professora universitária. Estreou com o livro Memórias da hotelaria santista (1997), não ficção em coautoria com Viviane Pereira e Laire José Giraud, e também publicou em 2006 o romance de horror Lobo Alpha (Rocco).
Aliança dos Povos divide-se em três partes, cada uma com cerca de duzentas páginas: “Herdeiro”, “Mudu-Za” e “Terceiro guerreiro”. Inicia com os jovens irmãos Gothilan e Caleb, e como eles foram tocados pelos cristais mágicos conhecidos como Parenthis. Gothilan viria se tornar um grande líder militar e espiritual, e seria traído por seu irmão. Mas isso é apenas o primeiro capítulo dessa primeira parte: a história começa mesmo milhares de anos depois, quando vivem os irmãos Thomas e Vince, reencarnações de Gothilan e Caleb que mantêm, ao longo de todo o romance, um triângulo amoroso com a garota Erin.
A Terra está praticamente desabitada, exceto por tribos isoladas vivendo em organização feudal. O reino dos protagonistas chama-se, com efeito, Britanya. Thomas e Vince têm poderes especiais, concedidos pelas parenthis e herdados de suas vidas passadas. As parenthis também permitem alguma comunicação com os bondosos seres extradimensionais chamados eloras.
Para dar combate à Mudu-Za, líder dos anjos negros conhecidos como nergals – poderosa força alienígena enfrentada no primeiro volume da série –, os três jovens vão ao planta Gaia, capital da Aliança dos Povos – uma espécie de federação interplanetária –, para encontrar o mago Tolkien, o último guardião do universo. Para isso, tomam posse de uma espaçonave abandonada, envolvem-se com piratas espaciais e, finalmente, chegam ao destino auxiliados pelos amigos de Vince, que vêm em seu resgate.
Vince sente-se em casa, pois já vivera em Gaia, mas Thomas e Erin deparam-se com uma realidade muito diferente da que conheceram em Britanya. Gaia é um planeta moderno, tecnologicamente similar à Terra dos nosso dias, porém, com espaçonaves e um governo mundial que acaba de sair de uma ditadura, mas ainda guarda aspectos de um estado policial.
A busca por Tolkien é facilitada pelos poderes das parenthis, sendo ele, na verdade, o escritor de best sellers conhecido como Nicolas Sheridan. Entretanto, o encontro não passa despercebido da polícia de Gaia que, influenciada pelos nergals, tenta eliminar tanto Tolkien quanto os jovens heróis medievais. Os garotos conseguem escapar e, acompanhados do mago escritor, fogem de Gaia num cargueiro espacial.
Durante a viagem, ficam sabendo de um iminente ataque nergal à Gaia, e decidem sacrificar sua missão principal contra Mudu-Za para trabalhar na defesa da capital da Aliança dos Povos antes que seja tarde demais. Durante a aventura, os jovens isolam-se uns dos outros, cada um acreditando que os demais estão mortos.
A segunda parte do romance conta o que acontece a cada um deles enquanto estão separados, como se lhes revelam as identidades de Mudu-Za e dos eloras, e como despertam a totalidade de seus poderes.
Na terceira parte, todos reencontram-se em Britanya, para onde a batalha contra os nergals se desloca. Ali se prepara o confronto final entre as forças sombrias de Mudu-Za e as forças do bem dos eloras, com muitos conflitos de consciência entre os personagens, traições e superação frente a forças irresistíveis.
As quase 600 páginas do romance impressionam a primeira vista. Ainda mais quando percebemos que é apenas o segundo volume de sete previstos pela autora, uma das mais ambiciosas séries da ficção fantástica brasileira.
Não há dúvida que Helena Gomes sabe escrever. Seu texto é limpo e fácil de entender, não soa grandiloquente nem infantil, situando-se adequadamente naquele agradável modelo que caracteriza a ficção fantástica juvenil. Mas a narrativa é lenta, mesmo com as incontáveis cenas de ação que a autora espalhou pela história. As batalhas são caracterizadas por uma violência caricata, com longos diálogos em que os adversários se provocam mutuamente com piadas infames e citações da cultura pop da nossa época. A autora nem tenta disfarçar as inúmeras citações e homenagens a franquias populares como Guerra nas estrelas, Galactica, Babilon 5, O senhor dos anéis e muitas outras, recurso comum entre os autores-fãs brasileiros que nos faz pensar que o futuro da humanidade não acrescentará mais nada à história da cultura popular interplanetária, com prejuízos à delicada suspensão da incredulidade na qual a ficção fantástica brasileira tem deficiências históricas. Além do mais, há um evidente discurso proselitista religioso por detrás da história. Não que isso seja um pecado mortal: muita da boa ficção fantástica mundial é proselitista, seja religiosa, seja política, eventualmente ambas. Mas esse proselitismo só é justificável quando suscita a continuidade das discussões depois da última página, como acontece com Os despossuídos (The dispossessed), de Ursula K. LeGuin, Tropas estelares (Starship troopers), de Robert Heinlein, ou Além do planeta silencioso (Out of the silent planet), de C. S. Lewis.
Para os leitores que superarem as partes mais lentas do romance, há a promessa de uma movimentada e bem articulada terceira parte, que retoma o modelo de fantasia medieval visto no primeiro volume. Os personagens ganham corpo e os seus dramas pessoais vêm à tona, com ações firmes e definitivas. Mas o cansaço cobra um alto preço: a ideia de ler mais cinco volumes para chegar ao fim dessa história não é muito animadora.*

* A Idea publicou, em 2008, o terceiro volume de A caverna dos cristais: Despertar do dragão, e, no ano seguinte, republicou o primeiro volume, O arqueiro e a feiticeira. Em 2015, a editora Rocco lançou o quarto volume, A tríade, além de A herança da bruxa (2014) e O primeiro guerreiro (2014) A adaga mágica (2015), ebooks com aventuras no mesmo universo da série.

sábado, 26 de agosto de 2023

Lançamento: O dente do iguanodonte, A. Z. Cordenonsi

O dente do iguanodonte: Uma aventura de Mary Ann Woodhouse
é o primeiro volume da série Vitorianas: Um século de aventuras, de autoria do professor André Zanki Cordenonsi, escritor radicado em Santa Maria, RS, que tem se dedicado ao subgênero da ficção científica steampunk, com diversos títulos já publicado, tais como Le Chevalier e a Exposição Universal (2015) e As crias de Hastur (2021). Também insere elementos de ficção alternativa e ficção histórica, emprestando personagens de obras clássicas e da história real, dando-lhes novas interpretações. Neste novo livro, Cordenonsi foi buscar inspiração no romance O mundo perdido (1912), de Arthur Conan Doyle, e na personagem histórica de Mary Ann Woodhouse (1795-1869), esposa do geólogo Gideon Mantell, cujo relato da descoberta do dente fossilizado é real, embora sua viagem à Amazônia não seja.
Diz o texto de divulgação: "Mary Ann Woodhouse resolve abandonar o marido após ele roubar a sua descoberta de um dente de dinossauro. Disposta a provar-se para si mesma, ela segue até Londres em busca de uma oportunidade e embarca no Barracuda em direção à Amazônia. Sua missão: procurar a expedição desaparecida do Professor Challenger. Viaje de Londres até Manaus e embarque para os recônditos mais inóspitos da floresta, seguindo a trilha de Mary Ann até o Inferno Verde. Pilote o dirigível experimental de Santos Dumont e enfrente a ira de um empresário inescrupuloso e seus assassinos. Sobreviva aos perigos de uma caverna misteriosa e maravilhe-se com os segredos da floresta virgem."
O volume está disponível aqui, unicamente em formato ebook para dispositivo Kindle.

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

A batalha do poder, Miguel Carqueija

A batalha do poder é uma novela de ficção científica bélica de autoria do escritor carioca Miguel Carqueija, escrita na década de 1970 e publicada pelo próprio autor no início de 2023, depois de passar por uma leitura crítica do também escritor Ronald Rahal, que lhe assina o prefácio. O volume ainda traz um posfácio do pesquisador Edgar Smaniotto.
Diz o próprio autor sobre a obra: "Num país e tempo imaginários, o povo sofre com um regime de tirania absoluta e cruel. Um grupo de rebeldes busca restaurar a liberdade, mas faltam as condições necessárias. Até o dia em que surge uma misteriosa heroína mascarada, que se intitula Faisão Verde, que detém o conhecimento de tecnologias revolucionárias. Todavia o governo despótico também possui armas secretas altamente destruidoras, que mexem até com as forças da natureza. Duas tecnologias bélicas diferentes irão se enfrentar. O que resultará disso?"
A novela está disponível aqui para download gratuito, em formato de arquivo de texto.
Imagem: Danieloov, Pixabay.