sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Três recortes sobre o quadrinho brasileiro

Lendo antigos recortes do jornal O Estado de S. Paulo, encontrei três artigos que dialogam com o problema do quadrinho no Brasil de uma forma curiosa, embora um tanto trágica. O mais velho deles, publicado do Caderno 2 de 21 de maio de 1995, faz parte de uma grande reportagem sobre as histórias em quadrinhos que toma praticamente todo o caderno. Assinado por Jotabê Medeiros, o texto tem o revelador título "Brasileiros enfrentam amadorismo editorial" e ilustra essa constatação com depoimentos dos grandes Luiz Gê e Flávio Colin (1930-2002), ambos amargurados com a falta de estrutura do mercado brasileiro, que não dispunha – e ainda não dispõe – de editores competentes que deem condições aos artistas viverem das obras que deles publicam.
OK, isso é discutível. De fato, há artistas que sobrevivem de quadrinhos no País, mas são poucos e mal pagos, continuam na luta ou porque não sabem ou não querem fazer outra coisa: são mártires diletantes, à margem do mercado, recebendo irregularmente royalties ridículos ou produzindo suas próprias publicações, sem conseguir distribuir porque não há acesso ao serviço dominado por um monopólio predador.
O segundo recorte, datado de 2 de janeiro de 2016, traz o artigo "Um fantasma a menos", assinado por Guilherme Sobota, também publicado no Caderno 2, sobre o lançamento do livro O grifo de Abdera (que merece atenção) com direito a uma entrevista com o autor, um dos grandes nomes da literatura brasileira surgidos nos últimos anos, o paulistano Lourenço Mutarelli. Todos sabemos quem é Mutarelli: quadrinhista bem sucedido, autor de uma série de títulos cultuados pelos leitores, como a série de álbuns do detetive Diomedes. A certa altura, diz o autor: "O (quadrinhista) que eu era morreu. Não consigo mais fazer quadrinhos como fazia antes". E mais adiante "... é quase uma estupidez trabalhar 12 horas por dia, todos os dias, e não ter retorno. No auge, conseguia o dinheiro para pagar o aluguel".  Ou seja, de Colin a Mutarelli, nada mudou.
Finalmente, o artigo "Brasileiros criam site de streaming de quadrinhos", assinado por Matheus Mans, publicado em 27 de julho de 2015 no caderno Economia. Trata do lançamento da plataforma Cosmic Reader, criada pelos cearenses Ramon Cavalcante e George Pedrosa. Inspirados no Netflix, que está desbancando a tv a cabo, a ideia é abandonar de vez o mercado real e focar no digital. E é aí que está o erro. Abandonar o mercado real é assumir que o produto fracassou definitivamente.
As histórias em quadrinhos são cria do formato real. Sua linguagem evoluiu a partir das limitações gráficas do produto impresso, que não tem eficiência no formato digital. O sucesso de um produto virtual só tem valor se a ele estiver associado um produto real, que é com o que se vai ganhar dinheiro de verdade. O talento do produto virtual é divulgar o autor e sua arte, com objetivo de se chegar ao mercado real onde se pode vender revistas, livros, álbuns, figurinhas, jogos, brinquedos, licenciamentos para produtos de consumo e adaptação para cinema e tv. Ainda que se esteja tentando muito, o quadrinho digital não mostra potência comercial para sustentar um mercado por si só.
A esperança no digital parece ser apenas mais um capítulo do engodo do quadrinho no Brasil, uma tragédia anunciada há décadas, porque somente o quadrinho que dá certo nas bancas é que vai dar certo no espaço digital.
Não será possível criar no País um mercado de quadrinhos saudável e vigoroso abdicando-se da banca e das livrarias. Não existe atalho. É preciso que artistas e editores enfrentem o criminoso monopólio da distribuição que aí está, pois, sem a vitória nessa frente, tudo o mais é inútil.
Somente amor e talento não bastam: continua sendo fundamental tratar o produto editorial em seu espaço comercial dominante, com competência e seriedade. Ou continuaremos vítimas do vaticínio de Jotabê Medeiros no longínquo 1995, com os quadrinhistas brasileiros para sempre enfrentando a maldição do amadorismo editorial.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Somnium 71

Originalmente publicado em março de 1999, o número 71 do boletim Somnium, do Clube de Leitores de Ficção Científica-CLFC, tem 32 páginas e traz contos de António de Macedo (Portugal), Carlos Orsi e Lucio Manfredi, artigos Gerson Lodi-Ribeiro e Hindemberg Alves da Frota, e a seção "FC em notícias", com um panorama do fandom naquele ano. A capa traz uma ilustração de Alex Coimbra.
A edição está disponível para leitura online e download em dois links: Issuu e 4shared.

Juvenatrix 175

Está disponível o número 175 do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti. A edição tem 11 páginas e traz resenhas dos filmes O soldado do futuro (Soldier, 1998), A caverna (The cave, 2005) e A bolha assassina (The blob, 1988). Divulgação de fanzines, livros, filmes e bandas independentes de rock extremo completam a edição, que traz na capa a arte de Erik Muller Thurm.
Para obter uma cópia, basta solicitar pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

O homem da biosfera XIII

O escritor Ronald Rahal publicou há poucos dias, pela editora Agbook/Clube de Autores, o romance de ficção científica O homem da Biosfera XIII. Depois de destruir toda a natureza do planeta, os últimos homens sobrevivem aprisionados em gigantescos domos. Para impedir o que parece ser o fim inevitável da humanidade, um homem empreende uma ousada viagem ao passado.
O livro também está disponível em formato virtual nos saites Amazon e Saraiva.

O clube da Luluzinha

Miguel Carqueija mostra que está disposto a passar por cima da crise e lança mais um ebook, o terceiro neste início de ano. Trata-se de O clube da Luluzinha, publicado em formato de texto no saite Recanto das Letras, sequência imediata à novela O fantasma do apito (Coleção Scarium Fantástica nº2, 2007) dentro da série Liga Mundial, história policial passada numa realidade alternativa menos tecnológica que a nossa. Depois de conseguirem escapar das tramas sórdidas do Conde Bruxelas, as universitárias Andréia, Carol e Fátima, estudantes da Faculdade Modelo da Serra dos Órgãos, auxiliadas pela delegada Irina, partem em perseguição do vilão através uma São Paulo anacrônica e, em decorrência de uma forte tempestade, precisam se deter numa estalagem de beira de estrada onde acontecimentos sinistros irão se verificar.
O texto, já visto no livro Tempo das caçadoras (Coleção Scarium Fantástica nº4, 2009), conta agora com prefácios de Leti Ribeiro e Ísis Dumont, e posfácio da jornalista Glaucia Ribeiro.
O autor promete disponibilizar em breve as sequências O olho mortal e O castelo dos homens mecânicos.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Sobrenatural

Publicada em 2015, a coletânea de contos de fantasia Sobrenatural é a estreia literária do tradutor lisboeta Samir Karimo.
Diz o texto de divulgação: "Será que D. Juan vai para o paraíso ou para o inferno? Quem é Valquíria? A morte sente-se só ou se dá bem com a Vida? O que são pré textos? O que são as incongruências? Qual é a verdadeira história do Capuchinho Vermelho? Quem é Ranhokitus? Para saber leiam os contos deste livro, onde a realidade e a ficção se misturam".
Com capa de Juan Miguel Aguilera, o volume está disponível em formato digital nas versões português e espanhol.

Somnium 70

Originalmente publicado em dezembro de 1998, o número 70 do boletim Somnium, do Clube de Leitores de Ficção Científica-CLFC, tem 24 páginas e traz contos de Simone Saueressig e Norton Coll, artigo Gerson Lodi-Ribeiro, e as seções "FC em notícias" e "Listserver". A capa traz uma ilustração de Angelo Ribeiro.
A edição está disponível para leitura online e download em dois links: Issuu e 4shared.