quarta-feira, 11 de maio de 2016

Fc&f e Companhia... das Letras

Há poucas semanas, a Companhia das Letras renovou a parceria com o Hiperespaço e, desta forma, este blogue continuará resenhando livros dos selos da editora. Somente em 2016, a editora publicou nada menos que 14 títulos de fc&f, que podem ser conferidos na lista a seguir.
O selo Seguinte é o que reúne a maior quantidade de publicações. A rebelde do deserto, de Alwyn Hamilton, é o primeiro de uma trilogia que mistura mitologia árabe e faroeste que conta a história de uma garota que, para fugir de uma vida que não deseja, tem que se associar aos lendários djins do deserto e enfrentar o exército do sultão.
Echo, vol. 1: A profecia do pássaro de fogo, de Melissa Grey, instala-se na mitologia russa, com uma jovem em uma busca impossível para acabar com a guerra milenar entre duas raças mágicas.
A série A rainha vermelha, de Victoria Aveyard, chega ao seu segundo volume: Espada de vidro. Nesta sequência, os nobres de sangue prateado agora têm uma adversária a altura, uma sangue vermelho tão poderosa quanto eles mesmos. Já Coroa cruel é uma coletânea com dois contos no mesmo universo de A rainha vermelha. Duas mulheres – uma vermelha e uma prateada – contam sua história e revelam seus segredos.
Outras séries que receberam sequência em 2016 são A queda dos reinos, vol. 4: Maré congelada, de Morgan Rhodes; A sereia, de Kiera Cass; Só perguntas erradas, Volume 4: Por que esta noite é diferente das outras?, de Lemony Snicket; e a ficção científica Encruzilhada, volume 2: Fração de segundo, de Kasie West, sobre viagens no tempo.
O selo Suma das Letras, que abriga os livros do mestre do horror Stephen King, lançou recentemente o romance Mr. Mercedes, primeiro de uma série sobre a busca de um detetive por um assassino a bordo de um carro Mercedes Benz.
Pelo mesmo selo também temos Os sete reinos: A coroa escarlate, de Cinda Williams Chima, quarto volume de série fantasia de contornos medievais com muitos conflitos políticos e violência. E ainda, De volta ao jogo, único livro desta lista escrito por um brasileiro, Pedro Afonso, mais conhecido como Rezende Evil, estrela de um dos mais vistos canais do Youtube, que conta suas aventuras no mundo do jogo online Minecraft. Trata-se de uma novelização portanto, segundo da série cujo primeiro volume foi bestseller em 2015.
Pela Companhia das Letrinhas temos o simpático As improváveis aventuras de Mabel Jones, de Ross Collins e Will Mabbitt, sobre uma garotinha destemida que se vê forçada a servir num barco pirata prá lá de estranho.
Dois figurões da literatura fecham esta relação: pelo selo Alfaguara, O barco das crianças, de Mario Vargas Llosa, escritor vencedor do Nobel que aqui envereda pela literatura infantil para falar de um barco cheio de crianças a navegar pelos oceanos do mundo.
E, pela própria Companhia das Letras, Dois anos, oito meses e 28 noites, de Salman Rushdie, autor indiano que tem o hábito de escrever fantasias extremamente instigantes.
Neste romance, são os djins que, vivendo incógnitos entre os homens, repentinamente despertam para mais 1001 noites de embate com a humanidade (próximo livro a ser resenhado aqui).
Ainda se percebe um amplo predomínio da fantasia no catálogo da editora mas, conforme vão caindo no gosto dos leitores, a ficção científica e o horror por certo encontrarão mais espaço.

domingo, 8 de maio de 2016

QI 138

Está circulando o número 138 do fanzine Quadrinhos Independentes-QI, editado por Edgard Guimarães, dedicado ao estudo dos quadrinhos, destacando a produção independente e os fanzines brasileiros.
Esta edição vem com 28 páginas e traz mais uma sequência do depoimento de José Ruy sobre o periódico português O Papagaio, artigo do editor sobre a rara revista Física com Martins e eu (ilustrada por Henfil), texto de Carlos Gonçalves sobre o Clube Português da Banda Desenhada, e uma interessante entrevista com Marcio Sidnei, transcrita de material da distribuidora ECAB (1978), com comentários sobre a esquecida lei de nacionalização dos quadrinhos, de 1963.
Também publica artes de Rafael Grasel, Assis Lima, Luiz Claudio Lopes Faria, Chagas Lima e do próprio editor, as seções "Fórum", "Mantendo contato" (com uma breve entrevista com o saudoso mestre Eugênio Colonnese) e o catálogo "Edições independentes", com os lançamentos do bimestre.
A capa tem uma ilustração do editor, com detalhes coloridos aplicados à mão.
O QI é distribuído exclusivamente por assinaturas, mas uma versão digital poderá ser em breve encontrada no saite da editora Marca de Fantasia. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.

Números e listas da fcf&h em 2015

Está disponível para download gratuito a primeira edição do Almanaque da Arte Fantástica Brasileira, que dá sequência ao trabalho realizado até 2014 pelo Anuário Brasileiro de Arte Fantástica, com uma ampla lista de livros de literatura de ficção científica, fantasia e horror publicados no Brasil em 2015.
A proposta é a mesma do Anuário, de catalogar os lançamentos e relançamentos de fcf&h de autores nacionais e estrangeiros, albergando também as edições virtuais. A edição tem 34 páginas e relaciona 696 títulos, sendo 282 nacionais e 414 estrangeiros.
Apesar de ampla, a pesquisa não é absoluta, pois é praticamente impossível relacionar tudo o que se publica no país, uma vez que muitas edições são lançadas regionalmente e sua divulgação não alcança a pesquisa, mas o levantamento cumpre seus objetivos na medida em que, seguindo os mesmos critérios do Anuário, monta um panorama bastante confiável da publicação do gênero por aqui.
Podemos observar a evolução do mercado na figura abaixo, na qual foram computados, ano a ano desde 2004, os números da publicação de autores brasileiros (em azul), estrangeiros (em vermelho) e o total geral (em verde). Houve um crescimento contínuo e explosivo até 2010, quando a crise começou a se manifestar derrubando fortemente a quantidade de lançamentos do ano seguinte e, ainda que 2012 tenha sido o melhor ano do período estudado, desde então os números têm sofrido quedas sucessivas, especialmente no que se refere a publicação de autores locais, colocando o mercado de 2015 no pior patamar desde 2009.
Também percebemos que a publicação de autores nacionais, que havia superados a de estrangeiros traduzidos entre 2010 e 2013, em 2015 voltou a ficar bem abaixo, como também aconteceu em 2014. Isso é decorrente da recuperação da credibilidade do gênero entre as grandes editoras que, contudo, não se reflete positivamente para os autores nacionais porque elas preferem traduzir estrangeiros.
Mas as notícias não são ruins de todo, pois os lançamentos de 2015 mostram-se estáveis em relação ao ano anterior.
Para os mais curiosos, a última página do Almanaque relata todos os números de 2015, não apenas os totais, mas também os subtotais por formato e gênero. Os levantamentos dos anos anteriores podem ser obtidos nas edições do Anuário, algumas delas disponíveis gratuitamente aqui.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Conexão Literatura 11

Está circulando o número 11 da revista eletrônica Conexão Literatura, editada por Ademir Pascale pela Fábrica de Ebooks.
A edição de 43 páginas destaca o mestre do horror Stephen King, com artigos sobre autor e resenhas de alguns de seus livros. Em matéria de ficção, contos de Ademir Pascale, Misa Ferreira, Míriam Santiago, Dione Souto Rosa e Ricardo de Lohem. As escritoras Valentine Cirano, Marisa Rezende e Adriana Rodrigues são entrevistadas, bem como o artista Leandro Liporage, que produz incríveis miniaturas de escritores, músicos e personagens do cinema, quadrinhos e videogames.
A revista é gratuita e pode ser baixada aqui. As edições anteriores também estão disponíveis.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Resenha: Nova ordem, de Chris Weitz

Mundo novo 2: Nova ordem (The new order), Chris Weitz. 266 páginas, tradução de Álvaro Hattnher. Editora Companhia das Letras, selo Seguinte. 2015.
O odisseia dos adolescentes em um mundo devastado por uma praga continua neste que é o segundo volume da saga iniciada em Mundo novo, publicado em 2014 pela mesma editora Companhia das Letras em seu selo Seguinte, cuja resenha pode ser lida aqui.
Jefferson é um nipoamericano novaiorquino que, depois de testemunhar seu mundo desmoronar e seu irmão mais velho sucumbir à doença, se vê na obrigação de assumir a liderança de seu pequeno mas determinado grupo de sobreviventes. Acompanhado de alguns garotos e garotas bons de briga, além do estranho e cerebral Crânio, partem para a missão de identificar o vírus mortal e encontrar uma cura, sem a qual estão todos condenados. Mas, para isso, têm de atravessar uma Nova York anarquizada, dividida em feudos em guerra, além de monstros antropófagos de quatro e de duas pernas. O primeiro volume se encerra quando, depois de enfrentar o bando de psicopatas liderado pelo último adulto vivo – que foi justamente o criador do vírus – a cura é obtida a partir do sangue de Jeff. Quando uma solução redentora parece próxima, os garotos são surpreendidos por um helicóptero da marinha, repleto de soldados que os capturam e levam para o alto mar. É justamente aqui que se inicia Nova ordem.
Jefferson, Crânio, Donna – que depois de muitos desencontros tinha iniciado um ardente idílio com Jefferson – e os demais sobreviventes já imunizados contra a doença, são aprisionados num porta-aviões fundeado ao largo da costa da cidade. A nave é americana, mas parece estar sendo controlada por oficiais britânicos. Ali, os meninos são submetidos a longos e intermináveis interrogatórios, e logo percebem que o mundo não sofreu com o vírus tanto quanto os Estados Unidos. Ainda há muitos adultos na Europa e em outros continentes, também imunizados contra o vírus, mas a ordem mundial está perturbada e instável. Muitos países desapareceram completamente, mas os que subsistem travam uma espécie de guerra fria, disputando os recursos deixados pelos que se foram. Para facilitar o trabalho, os sobreviventes decidiram abandonar a população dos EUA a própria sorte, esperando até que todos os seus habitantes morram para, depois, tomar seus recursos sem resistência. A cura encontrada por Jefferson é, assim, um grande problema para os planos dos novos senhores do mundo.
Quando os jovens começam a se adaptar a nova realidade de suas vidas, depois que o comandante do porta-aviões relaxa um pouco as suas prisões, os garotos são contatados por um grupo secreto de soldados americanos que querem retomar o controle dos EUA e levar para lá a cura de Jefferson. Depois de um rápido entrevero, os jovens embarcam num helicóptero para voltar para o continente, mas um deles fica para trás: Donna não consegue embarcar e é levada para Londres, onde outra fase de interrogatórios a aguarda. Lá, seus tutores dizem-lhe que todos no helicóptero morreram, e ela terá de superar a tristeza da perda de seus amigos e de seu grande amor. Mas o que Donna não sabe é que tudo o que lhe disseram é mentira.
De volta à Nova York, agora com a ajuda de alguns mariners, Jefferson e seus companheiros iniciam uma campanha de coalizão entre as diversas tribos de sobreviventes, usando a cura como um argumento incontestável. A princípio, as coisa parecem progredir de forma satisfatória, apesar de muitos riscos pelos quais o grupo tem de se sujeitar, mas o que nem Jefferson, nem o inteligentíssimo Crânio imaginam é que eles estão sendo manipulados e que um perigo ainda maior que a doença pode ser liberado no planeta.
Chris Weitz mais uma vez demonstra que sabe muito mais além de dirigir filmes. Seu texto é fluido, de descrições detalhadas e precisas que ajudam a construir as impressionantes imagens de uma Nova York em ruínas. Além disso, usa criativamente diversos recursos estilísticos e gráficos para dar voz individual a cada um dos personagens. Assim como no primeiro volume, o autor narra os acontecimentos através de depoimentos dos personagens, como se estivessem escrevendo um diário pessoal. Cada um deles tem seu próprio estilo narrativo e usa um linguajar diferenciado, com gramática e jargões próprios. Além disso, cada um deles tem sua própria tipologia, que também revela características de suas personalidades. Neste livro, outros além de Jefferson e Donna participam com depoimentos próprios, como o homossexual Peter, valoroso membro da equipe original, a agressiva Kath da tribo de Uptown, que ainda não sabe se ama ou odeia Jefferson, e principalmente o cerebral Crânio, cujo texto sem pontuações e parágrafos reproduz seu confuso fluxo de pensamento. A variedade de tipos e etnias também contribui para fazer a história ser mais que um romance para adolescentes, com muitas discussões sobre ética e intolerância em pauta.
Mundo novo revela ainda que teremos pelo menos mais uma sequência, uma vez que a história não tem uma conclusão, com ganchos poderosos que deixam o leitor ansioso pelo que há de vir. E nestes tempos em que as mídias audiovisuais estão em alta, fazer um leitor ansiar pela publicação de um livro é, sem dúvida, um feito admirável.

Juvenatrix 177

Está disponível o número 177 do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti.
A edição tem 12 páginas e traz um conto de Rita Maria Felix da Silva e resenhas dos filmes Dracano (Dracano/Dragon Apocalypse, 2013), O incrível homem que encolheu (The incredible shrinking man,1957), A mosca da cabeça branca (The fly, 1958) e O monstro de mil olhos (Return of the fly, 1959). Divulgação de fanzines, livros, filmes e bandas independentes de rock extremo completam a edição, que traz na capa a arte de Angelo Junior.
Para obter uma cópia, basta solicitar pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

Trasgo 10

Está disponível o número 10 da revista eletrônica de ficção fantástica Trasgo, editada por Rodrigo van Kampen, totalmente dedicada à produção nacional.
A edição tem 125 páginas e traz textos de ficção científica, fantasia e terror escritos por Claudia Dugim, Marco Rigobelli, Rafael Dias Canhestro, Caroline Policarpo Veloso, Vilson Gonçalves e Rodrigo Rahmati, que também são entrevistados na edição. A ilustração de capa é de autoria de Fabio Alencar, também destacado com uma ampla galeria de trabalhos e entrevista.
Trasgo pode ser lida e baixada gratuitamente aqui, nos formatos epub, mobi e pdf. Edições anteriores também estão disponíveis.
A revista aceita submissões e os trabalhos publicados são remunerados.