quinta-feira, 30 de outubro de 2025

67º Jabuti

O Prêmio Jabuti é a mais prestigiosa premiação do ambiente editorial brasileiro. Promovido pela Câmara Brasileira do Livro, inaugurou em 2020 a categoria: "Romance de Entretenimento", que contempla livros de  ficção científica, fantasia e horror, entre outros gêneros. Os finalistas de cada categoria são escolhidos dentre uma lista de inscritos para o certame, por um juri de três especialistas na área. Além do vencedor, vale citar todos os finalistas da categoria, pois o reconhecimento da CBL muito significativo. São eles:
1º Lugar: As fronteiras de Oline, Rafael Zoehler, Patuá.                                      
Demais finalistas: 
A Casa da Opera de Manoel Luiz, Celso Taddei, Mondru; Boas meninas se afogam em silêncio, Andressa Tabaczinski, Rocco; O amor e sua fome, Lorena Portela, Todavia; Uma família feliz, Raphael Montes, Companhia das Letras.
A relação completa dos vencedores de todas as categorias do 67º Prêmio Jabuti pode ser conferida aqui.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Resenha: Bestiário, Júlio Cortázar

Bestiário
(Bestiario), Júlio Cortázar, 112 páginas, tradução de Remy Corga Filho. São Paulo: Edibolso, 1977. Publicado originalmente em 1951.

Bestiário é uma coletânea com oito contos do escritor argentino Júlio Cortazar (1914-1984), publicada originalmente em 1951. O autor é vinculado ao fantástico latinoamericano, ao lado de Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares e Gabriel Garcia Marques, mas apresenta um estilo muito particular que o identifica perante seus colegas. 
Cortázar nasceu na Bélgica, mas foi criado na Argentina desde os três anos de idade. Mais tarde, naturalizou-se francês, em protesto contra a ditadura na Argentina. Seus textos muitas vezes se aproximam do surrealismo, escola com a qual também é identificado. 
Os contos desta coletânea são todos curtos, mas a leitura não é fácil nem divertida: são textos perturbadores e dolorosos. Realistas, quase sempre poderiam ser instalados no mundo real sem muito mistério mas, mesmo assim, carregam estranhamento suficiente para torná-los eventos incomuns; cada um proporciona ao leitor uma experiência estética profunda e singular. 
O conto de abertura é "Casa tomada": um casal de irmãos habita uma mansão que, aos poucos, vai sendo invadida por estranhos. "Carta a uma senhora em Paris" é um relato epistolar em que a missivista acredita vomitar coelhos. "A distante" mostra um trecho do diário íntimo de uma mulher que tem vislumbres trágicos de uma outra vida, não necessariamente dela. "Ônibus" relata o início do passeio de uma doméstica em seu dia de folga. Ela embarca em um ônibus metropolitano em que acontecem coisas muito estranhas. "Cefaleia" narra o dia a dia de um casal numa granja de mancuspias (um animal imaginário). Contudo, os granjeiros são regidos por uma fixação em doenças. "Circe" é o conto mais simples, sobre um rapaz que flerta uma garota cujos  noivos anteriores morreram em condições misteriosas. O nome do conto meio que entrega, mas o final não é tão previsível. Em "As portas do céu", dois jovens de luto vão espairecer em um barzinho e lá tem uma experiência algo metafísica. "Bestiário", que encerra e dá nome a seleta, é uma espécie de Sítio do Picapau Amarelo à moda portenha, ou seja, não é para crianças. Uma garotinha vai passar as férias na fazenda dos tios que estão com problemas no casamento, mas todos sempre têm de estar muito atentos para evitar um tigre que vaga entre os aposentos da residência.
A edição deste resenha é de 1977, publicada pela Edibolso; tem 112 páginas e tradução de Remy Corga Filho. Mas há edições mais recentes disponíveis nas livrarias, inclusive uma de 2025 pela Companhia das Letras. Leitura obrigatória para todos que pretendem conhecer os traços identitários da ficção latinoamenricana e brasileira. 
Parafraseando o ditado, com Cortázar não se aprende pelo amor, mas pela dor.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Finalistas do Odisseia 2025

Criado em 2019, o Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica é extensão do Congresso de Ficção Fantástica Odisseia e homenageia autores e obras publicadas no ano anterior especificamente inscritas para o certame. Há algumas semanas, a organização do evento divulgou as listas tríplices dos finalistas da edição 2025. São eles: 
PROJETO GRÁFICO
Douglas MCT – A batalha das feras – Avec.
L. F. Lunardello, Daniela Salamão e Larissa Prado (Org.) – As muitas cores que caíram do espaço – Mão Esquerda.
Ricardo Celestino – O vazio e sei lá o que mais… – Necrose.
QUADRINHOS FANTÁSTICOS
A. Z.  Cordenonsi e Fred Rubim – Le Chevalier e a volta ao mundo em 80 horas – Avec.
Julio Wong, Kiko Garcia e Ser Cabral – À moda da casa – Kikomics e Antenor.
P.H. Gomes, Rafael Dantas, Rodrigo Matos e Zé Wellington – Cangaço Overdrive: Além das raízes – Draco.
NARRATIVA LONGA LITERATURA JUVENIL
Larissa Brasil – Mau Noronha e a Onça Cabocla – Independente.
Paola Siviero – A torre do Pântano dos Ossos – Gutenberg.
Yasmin Callado – A quarta pessoa – Independente.
NARRATIVA CURTA FANTASIA
Heitor Serpa – Show do Prata Preta – Independente.
Roberto Cassano – Como cozinhar humanos – Independente.
R. M. Albuquerque – Pocalina e os mortos que sonham – Independente.
NARRATIVA CURTA FICÇÃO CIENTÍFICA
Danilo Heitor – Retirante em Tóngbù – Folheando.
Luis Felipe Mayorga – "Predações da Harpia-Açu" – Literatura Fantástica vol.15.
Sabine Mendes – Releituras Afrofuturistas: O imortal – Kitembô.
NARRATIVA CURTA HORROR
João Mendes – "Vento morto" –  Independente.
Juliana Cunha – "O falo" – O Grifo.
Raquel Setz – "Magic help" – Oito e Meio.
NARRATIVA LONGA FANTASIA
Giu Domingues – Canção dos ossos – Galera Record.
Laís Napoli – A Sociedade das Ilhas Submersas  – Qualis.
R. M. Albuquerque – A larva das sombras – Cabana Vermelha.
NARRATIVA LONGA FICÇÃO CIENTÍFICA
Daniela Funez – Máscaras de pele, tecido e titânio  – Impressões de Minas.
Fábio Fernandes – O Torneio de Sombras: As aventuras de January Purcell – Avec.
Juliane Vicente – Sentinela – Malê.
NARRATIVA LONGA HORROR
Iza Artagão – Legítima defesa – Rocket.
Lizandra Silveira  –  A lenda da noiva fantasma – Independente.
Vanessa Musial – Herdeiros do abismo: Gênesis –  Palavra & Verso.
ARTIGOS FANTÁSTICOS
L. F. Lunardello  – "A máscara do pseudônimo: Francis Stevens e Gertrude Barrows Bennet" – As muitas cores que caíram do espaço – Mão Esquerda.
Nathalia Xavier Thomaz – "Histórias em quadrinhos: Uma arte antropofágica" – Quadrinhos famintos: A 9.a arte como linguagem do limiar – FFLCH/USP.
Oscar Nestarez – "Autoria de mulheres na literatura de horror: Denúncia e acerto de contas em obras do Brasil e da Espanha" – Opiniães: Revista dos  Alunos de Literatura Brasileira – FFLCH/USP.
CONTOS INÉDITOS (a serem oublicados na revista do evento)
Carlos Castelo – "Eu sou Providence";
Felipe Pyhus Julius –  "Olá";
Patrícia Baikal – "Os lírios também têm memórias";
Silvio Junior –  "Ecos de um passado esquecido";
Titi Bayarri – "Ênio e o bicho".
Jurados do Prêmio em 2025 foram Adriana Maschmann, Diego Mendonça, Duda Falcão, Gustavo Czkester, Irka Barrios, Ismael Chaves, Lu Aranha e Mario Pool Gomes.
Os vencedores serão divulgados oportunamente no saite do Odisseia, aqui.

Lançamento: euforya xique-xique, Olyveira Daemon

euforya xique-xique { vidaas : mortees : sonhoos }
é o novo livro experimento literário de Olyveira Daemon, heterônimo do escritor paulista Nelson de Oliveira, que segue ousando na forma e nas ideias, como pode ser experimentado já no texto de divulgação a seguir: "Alguns cientistas afirmam que a atividade neural, durante a passagem da vida para a morte, produz uma longa seqüência de sonhos & pesadelos. Ocorre então um intenso disparo de sinapses, uma sucessão de alucinações que expande os últimos minutos de nossa existência, estendendo o tempo psicológico por semanas, anos, milênios. Euforya Xique-Xique está morrendo e os últimos minutos de sua existência desenham uma longa seqüência de sonhos & pesadelos, visões & viagens, arquétipos & simulacros, lugares reais & imaginários, criaturas amorosas & perigosas, dimensões conhecidas & desconhecidas. Uma longa seqüência principalmente de falecimentos & renascimentos. Quantas vidas, quantas mortes, quantos sonhos cabem no epílogo delirante de uma pessoa e suas personas?"
euforya xique-xique { vidaas : mortees : sonhoos } é difinido por seu autor como um romance-vertigem mas, para descobrir o que exatamente isso significa, só mesmo tendo um contato imediato de terceiro grau com a obra. Difícil afirmar em que gênero se poderia classificar este delírio literário, mas talvez seja possível dizer que se trata de uma ficção científica, já que o mote é uma teoria proposta por cientistas. Mas, mais que a história, o que impacta aqui é mesmo a estrutura formal alternativa que o autor imprime em sua literatura, buscando novas regras de sintaxe e semântica que não previlegiam a suspensão da incredulidade típica da ficção mas, ao contrário, evidenciam o caráter literário da peça, objetivo que caracteriza a arte de Olyveira.
O volume tem 228 páginas e está disponivel aqui, unicamente em versão digital.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Resenha: Manual de sobrevivência na escrita

Manual de sobrevivência na escrita
, Ana Rüsche e George Amaral. 112 páginas. São Paulo: Bandeirola, 2024. 
Recebi há algumas semanas, da própria Editora Bandeirola, um exemplar de Manual de sobrevivência na escrita, de autoria dos escritores e pesquisadores Ana Rüsche (A telepatia são os outros, 2019) e George Amaral (Um estranho tão familiar, 2023), que me comprometi a ler e comentar. 
É um livro curioso. Não é um manual de escrita, pois não dá dicas de métodos e modelos narrativos, nem de modelagem de personagens e universos, e não dá exemplos para melhorar a criatividade nem históricos e definições de gêneros literários. Trata-se, isto sim, de um guia para escritores iniciantes que querem escrever de forma profissional mas não sabem como se organizar para isso. 
O trabalho está dividido em três partes principais: "Antes de colocar a mão na massa", "Mãos à obra" e "Terminei, e agora?", cada uma delas subdivididas em capítulos curtos que procuram dar ao leitor uma panorâmica ampla do processo da escrita, especialmente em relação à disposição do autor, ambiente de trabalho, rotinas e objetivos, e outros detalhes tão intuitivos que a maioria dos escritores nem chega a pensar a respeito.
O resultado é um compêndio de práticas para tornar o ato da escrita mais produtivo e eficiente, com conselhos do tipo: por que escrever, o que se pretende alcançar escrevendo, como montar uma rotina produtiva, o que comer e o que não comer antes e durante o trabalho, quais recursos técnicos, materiais e psicológicos utilizar, como não se deixar vencer pela preguiça etc. Alguns desses conselhos são especialmente úteis como, por exemplo, não beber enquanto se usa um notebook, e realizar backups constantes do material produzido, coisas que todo mundo sabe que deve fazer, mas não faz até se dar mal. E, mesmo depois, continua não fazendo.
Cada capítulo traz ainda depoimentos dos autores falando, de modo bastante intimista, sobre a forma como agem para seguir escrevendo mesmo em momentos de desânimo e pane criativa.  
Manual de sobrevivência na escrita tem 112 páginas, é uma publicação de 2024 e está disponível nos formatos digital e impresso.

sábado, 25 de outubro de 2025

Juvenatrix 276

Está disponível a edição de novembro do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti. 
Em catorze páginas, traz um conto de Caio Alexandre Bezarias, resenha do romance A hora do vampiro, de Stephen King, por Marcello Simão Branco, e resenhas aos filmes O submarino atômico (1959), O grito do lobo (1974), O único sobrevivente (1984), Volte Ammie, volte! (1970) e Para onde foram todos? (1974), todas asinadas pelo editor. 
A edição é completada com notícias e divulgação de livros e publicações alternativas, e de bandas de metal extremo. A capa traz uma ilustração de Angelo Junior.
Cópias em formato pdf podem ser obtidas pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Lançamento: Ficção completa de H. P. Lovecraft

Muitos tentaram mas, até este momento, ninguém conseguiu colocar toda a produção literária do escritor americano H. P. Lovecraft (1890-1937) numa única edição. Isso porque o autor, além de ter sido muito prolífico na prosa de ficção e não ficção, ainda produziu poemas e muita coisa assinada sob pseudônimos. 
Mas é exatamente isso que a Editora Companhia das Letras promete em Ficção completa, uma caixa com dois volumes com nada menos que 1640 páginas reunindo toda a produção do autor, mundialmente reconhecido como o grande mestre do horror cósmico. E quem já leu, sabe: os textos de Lovecraft são efetivamente perturbadores, como poucos outros autores lograram escrever. 
Diz o texto de apresentação: "Criaturas capazes de transtornar a mente são invocadas em um canto de um quarto de pensão, ou se encontram dormentes no gelo da Antártida, ou no além-mar. Os monstros de Lovecraft desafiam a geometria e a lógica, insinuando um mundo onde humanos são dispensáveis. Considerado o nome mais importante da literatura de terror ao lado de Edgar Allan Poe, a obra de H. P. Lovecraft disseminou o gênero do 'horror cósmico'. Nele, o medo e o pavor parecem oriundos de uma angústia existencial profunda."
A tradução é assinada por Guilherme da Silva Braga, também responsável pela organização da coletânea, publicada dentro do selo Clássicos Penguin-Companhia. 
Se é completa como promete, ainda é preciso conferir. Mas que é um item de desejo para qualquer fã de Lovecraft, isso é inegável.