terça-feira, 7 de novembro de 2023

Lançamento: Terra mágica

Terra mágica
é uma antologia incomum de contos de fantasia que reúne escritores brasileiros e indianos. 
Diz a abertura do prefácio, assinado pelo escritor Saulo Adami: "Brasil e Índia podem ser definidas como nações mágicas, considerando alguns episódios de sua história, personagens folclóricos e algumas lendas que remontam às origens dos seus territórios e à autodeterminação de seus povos. Quinze contos originais de fantasia e realismo mágico de nove autores do Brasil e de seis autores da Índia, reunidos sob o título de Terra Mágica, estão contidos nesta que é uma das mais exóticas e criativas publicações criadas e organizadas pela escritora e editora Lu Evans, que tem suas raízes no Brasil, vive e trabalha nos Estados Unidos."
Publicada em ebook por iniciativa da organizadora, sob a chancela do selo Nebula, a coletânea traz contos de Kiran Kaur Saini, Ana Lucia Merege, Diego Guerra, Vikram Kapur, Heidi Gisele Borges, Clinton Davisson, Neethu Krishnan, Divanize Carbonieri, Jaime de Andruart, Subi Taba, Liana Zilber Vivekananda, Vinicius Barreto de Oliveira, Binod Dawadi, Oghan N’Thanda e Aashmika, sendo os textos indianos traduzidos pela organizadora.
O volume tem 190 páginas e pode ser adquirido aqui.

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Lançamento: Filhos da Lua, o legado esquecido, de Marcella Rossetti

Está em pré-venda o novo romance de Marcella Rossetti, O legado esquecido, terceiro volume da série de fantasia urbana com lobisomens Filhos da Lua, iniciada com O legado, publicado em 2015, e O legado sombrio, de 2020, além da novela gráfica Noites da aniquilação, também de 2020. 
Diz o texto de divulgação: "As revelações sobre a Noite da Aniquilação fazem desaparecer a linha entre heróis e vilões, provocando consequências perigosas não apenas para Bianca Bley, mas para toda a sociedade Karibaki. Para completar, uma perigosa linhagem se ergue, determinada a reivindicar não apenas o seu espaço, mas a sua verdadeira herança. Enquanto isso, Bianca e seus companheiros precisam tomar medidas desesperadas a fim de salvar aqueles que amam, antes que um antigo mal desperte e destrua o mundo que conhecem".
O volume tem 296 páginas e é um lançamento da Editora Avec.

domingo, 5 de novembro de 2023

Resenha do Almanaque: A fantástica viagem imaginária de Augusto Emílio Zaluar, Edgar Indalecio Smaniotto

A fantástica viagem imaginária de Augusto Emílio Zaluar: Ensaio sobre a representação do outro na antropologia e na ficção científica brasileira
, Edgar Indalecio Smaniotto. 196 páginas. Rio de Janeiro:  Corifeu, 2007.

Um dos filões editoriais que tem sido atacado com entusiasmo pelos fãs brasileiros de ficção científica e fantasia é o dos estudos acadêmicos. Há até pouco tempo, contavam-se nos dedos de uma única mão os livros de não-ficção disponíveis em língua portuguesa sobre o gênero.
Os títulos históricos, publicados ao longo do século 20, geralmente tratavam da produção estrangeira, sendo que o mais importante texto sobre a ficção científica produzida no Brasil foi, por muito tempo, o prefácio escrito por Fausto Cunha para a edição brasileira de No mundo da ficção científica (Science fiction reader's guide), de L. David Allen (Summus Editorial, SD).
Em 2007, os leitores interessados nesse tipo de literatura puderam compartilhar das conclusões de A fantástica viagem imaginária de Augusto Emílio Zaluar, publicado pela Editora Corifeu, dissertação de mestrado de Edgar Indalecio Smaniotto sobre a vida e a obra do escritor luso-brasileiro Augusto Emílio Zaluar que, em 1875, teve publicado em dois volumes o romance O Doutor Benignus, obra considerada como um dos primeiros exemplos da ficção científica brasileira. A dissertação foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Unesp de Marília, orientada pela Professora Doutora Christina de Rezende Rubim, que também assina o prefácio do volume.
Smaniotto atua no ensino fundamental da cidade de Marília, onde nasceu e reside. Também é colaborador frequente das publicações do fandom brasileiro, geralmente com textos de análise literária, e mantém um produtivo canal com vídeos dedicados à literatura fantástica, chamado Filosofia da Astronáutica e da Ficção Científica.
O trabalho está dividido em seis partes. As duas primeiras são “Augusto Emílio Zaluar: Esboço de uma trajetória” e “Entre o relato de viagem e a moderna antropologia”, e dizem mais respeito ao homem Zaluar, sua biografia e sua participação da vida político-cultural na capital do Império Brasileiro. Neles, sabemos que Zaluar nasceu em Lisboa em 1826 e não completou os estudos em medicina para dedicar-se ao ofício de escrever, principalmente na área jornalística. Porém, como não havia possibilidade de se sustentar exclusivamente da escrita em seu país natal, em 1850 Zaluar migrou para o Brasil e aqui se estabeleceu como jornalista. Seus interesses nas ciências, especialmente na antropologia, o levaram a se dedicar aos estudos sobre o homem brasileiro e o seu lugar no mundo. Zaluar acompanhava atentamente os trabalhos das missões científicas no Brasil e isso fica claro na leitura de O Doutor Benignus, pois Zaluar faz questão de citar cada um dos seus inspiradores, inaugurando junto com o gênero uma mania que está cada vez mais em destaque entre os autores brasileiros de ficção científica e fantasia. O conhecimento de Zaluar a respeito do trabalho de campo dos antropólogos está retratado no romance na figura de William River, personagem sequestrado por uma tribo de índios caiapós na Ilha do Bananal, destino final da expedição de Benignus.
Na terceira parte, “A origem do homem: monogenismo e poligenismo”, descobrimos que Zaluar compartilhava da teoria de que o homem teria se originado na América – especialmente no Brasil – e que tinha confiança que mais cedo ou mais tarde essa teoria seria confirmada. Por isso seu personagem em O Doutor Benignus vai encontrar um crânio humano fossilizado, preservado numa providencial caverna no planalto central.
Até aqui, a leitura da dissertação de Smaniotto é conquistada a duras penas. O texto é truncado e repleto de citações e notas de rodapé, algumas bastante longas. Embora o tema não seja enfadonho, não parece ao leitor que se trata de um trabalho sobre ficção fantástica pois o que se falou esteve principalmente associado à pessoa de Zaluar. Entretanto, na segunda metade, o texto ganha contornos pungentes na medida em que Smaniotto aborda os temas que levaram os estudiosos a classificarem o romance de Zaluar com ficção científica de fato.
A teoria da habitabilidade dos mundos é o tema  da quarta parte do estudo, “Seres imaginários do espaço”. Aqui aparece a fascinação de Zaluar pelas teorias do cientista francês Camille Flammarion sobre a habitabilidade dos outros planetas dos Sistema Solar e até mesmo do Sol e das estrelas, misturando ciência com doutrinas espiritualistas numa real antecipação do que viria a ser a popular ideia dos discos voadores, muitas décadas depois. Mas o trecho em que Benignus trava contato com um habitante do Sol – um ser feito de luz e energia radiante – acontece durante um sonho do sábio, depois de adormecer sobre os restos calcinados de um meteorito recém-precipitado. É curioso notar que a expedição de Benignus foi proposta principalmente para comprovar que o Sol seria habitado, e Zaluar argumenta que seu personagem teria essa certeza apenas por observar as manchas solares através de seu telescópio. Sendo essas manchas, na interpretação do autor, fenômenos similares ao olho de um furacão, na sua lógica, a superfície do Sol seria fria e, portanto, habitada. Simples assim. Comprovada a habitabilidade do Sol, fica também comprovada a habitabilidade de qualquer outro astro.
A ficção de Zaluar frente a seus contemporâneos Júlio Verne e H. G. Wells é tema em “Estabelecendo comparações: o Doutor Benignus diante do romance científico europeu”. Nesta parte encontra-se o melhor do estudo para o leitor interessado em ficção científica. Smaniotto faz um relato rápido sobre a influência explícita de Júlio Verne na prosa de Zaluar, especialmente quando este insere um balão na sua história, a moda de Cinco semanas em balão, de Verne. Smaniotto observa ali a antecipação da dirigibilidade dos balões, tecnologia que só seria conquistada no início do século 20 por Alberto Santos Dumont. Apesar de ser uma interpretação romântica e uma forma de dar a Zaluar um arremedo da autoridade verniana, é um exagero. Zaluar definitivamente não deu dirigibilidade alguma ao seu balão em O Doutor Benignus, que só chegou aonde chegou – e no momento mais que oportuno diga-se de passagem – por conta de uma tempestade que o carregou na direção certa. Pelo menos neste caso, Zaluar não antecipou nada.
Mas as melhores sacadas de Smaniotto estão nas comparações com Wells, especialmente na análise das diferenças culturais na representação do alienígena. Para Wells, o alienígena é um agressor, uma força de ocupação que humilha a arrogância britânica, enquanto que para Zaluar o alienígena é um ser espiritualmente evoluído que traz uma mensagem pacífica e edificante, e reconhece a promessa de um futuro glorioso para o país.
Smaniotto prepara o fechamento de seu trabalho na sexta e última parte, intitulada “A formação de um mito cultural: o alienígena na literatura brasileira”. Aqui, o autor cita principalmente Ficção científica brasileira: Mitos culturais e nacionalidade no país do futuro, da brasilianista Elisabeth Ginway (Devir, 2005) e Ficção científica, fantasia e horror no Brasil: 1875 a 1950, de Roberto de Sousa Causo (UFMG, 2003), como referências para concluir que o mito do alienígena é uma característica da ficção científica brasileira na medida em que valida todos os demais componentes da mítica nacional, colocando O Doutor Benignus numa posição de importância nas Letras e, especialmente, para os estudiosos da ficção científica no Brasil.

sábado, 4 de novembro de 2023

Conexão Literatura 101

Está disponível a edição de novembro do periódico eletrônico Conexão Literatura, editado por Ademir Pascale, dedicado à divulgação de novos autores e obras da literatura brasileira. 
A edição tem 169 páginas e destaca o personagem Arsène Lupin, o ladrão elegante criado pelo escritor francês Maurice Leblanc, que ganhou muita visibilidade recente devido à série de tv que é o tema da matéria de abertura, completada por entrevistas com Ronaldo Júlio – um dos dubladores da edição brasileira da série – e também com a escritora Simone Saueressig que, em 2022, publicou o romance O jovem Arsène Lupin e a dança macabra, pela editora Avec.
Também são entrevistados na edição os escritores Fauno Mendonça, Heider Broisler, Israel Dantas, Magda Medeiros, Maria Denise de França, Tiago Magalhães Ribeiro e Carlos Carvalho. Na ficção, textos de Iraci Marin, Idicampos, Mónica Palacios, Ney Alencar, Roberto Schima e Sellma Luanny, além de poemas, crônicas, resenhas e artigos de assuntos variados.
A revista tem distribuição gratuita e esta edição pode ser baixada aqui. Números anteriores também estão disponíveis.

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Lançamento: Colapso, Roberto Denser

Está em pré-venda Colapso, primeiro romance do escritor paraibano Roberto Denser que, anteriormente, publicou diversos contos de horror e mistério em edições digitais de autor. Neste livro, Denser envereda pela ficção científica pós apocalíptica, sem se afastar contudo do gênero do horror. 
Diz o texto de apresentação: "No rescaldo de um desastre global, pequenos grupos de sobreviventes enfrentam uma luta desesperada pela vida nesse ambiente estéril e hostil que se tornou nosso planeta. As cidades vívidas e imponentes são agora ruínas vazias, fantasmas de concreto onde a busca por comida — por carne humana — se transformou em uma batalha de sobrevivência diária. Tudo e todos estão em colapso, vísceras aparentes de uma moralidade perdida, a confiança se torna uma moeda rara, e a empatia um sentimento distante de quando o céu ainda era azul".
Para os leitores veteranos de ficção científica esse cenário não é novidade e conta inclusive com um cânone próprio. Todos os tributos devem ser prestados a Só a terra permanece (Earth abides), de George R. Stewart, Estrada para o amanhecer (Road to nightfall), de Robert Silverberg e A estrada (The road) de Cormac McCarthy. Pouco há a dizer no ambiente para além destes três monumentos mas, ainda assim, a ficção pós-apocalíptica é um subgênero popular, que conta com centenas de títulos, inclusive de autores consagrados. Mesmo entre os autores brasileiros temos boas histórias contadas, como Sozinho no deserto extremo, de Luiz Brás, Fome, de Tibor Moricz e, mais recentemente, O apocalipse amarelo, de Diego Aguiar Vieira, entre outros. Um diálogo bastante vivo e relevante em tempos em que se matam crianças com mísseis de longo alcance. 
O livro tem 448 páginas e encadernação com capas duras. O lançamento está prometido para o dia 28 de novembro.

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Lançamento: Vespeiro, de Irka Barrios

Está em pré-venda a coletânea de contos de horror e mistério Vespeiro, da escritora gaúcha Irka Barrios que, com o romance Lauren, foi finalista do Prêmio Jabuti em 2020.
Diz o texto de divulgação: "Vespeiro apresenta trinta narrativas ferozes, violentas e perturbadoras. Imagens insólitas como os dedos mastigados de uma jovem, assassinatos, sequestros e paisagens devastadas encontram a harmonia predadora de um livro costurado com ferocidade. Vespeiro transita entre os horrores cotidianos, e apresenta os prazeres e dissabores da alma humana, especialmente a feminina. Maternidade, sexualidade, o fel dos relacionamentos mais intempestivos são matéria-prima para suas criações. Em suas histórias, vivenciamos o andar apressado por ruas mal iluminadas, o apetite descontrolado dos homens e o horror do confinamento. O resultado é a fúria das palavras, uma ferroada brutal diante da loucura controlada de seus personagens. Dilemas pulsam e encontram uma redenção ferina a cada novo desfecho". 
O livro, que é sua primeira publicação pela Darkside Books, tem 240 páginas e acabamento com capas duras, padrão das caprichadas publicações da editora. O lançamento está prometido para o dia 28 de novembro.

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Escambanáutica 2, Ano 3

Está circulando o segundo número do terceiro ano de publicação da revista Escambanáutica, editada por Wilson Júnior para o Coletivo Escambau. 
A publicação é inteiramente dedicada à literatura fantástica brasileira produzida por novos autores, e é  realização da Secretaria de Cultura do Ceará com apoio do XII Edital Ceará de Incentivo às Artes.
Este número tem 62 páginas e traz contos de Elissa R. Neves, Iariny Carvalho e Bruno Vial. A ilustração da capa é de Nathália Pimentel. 
A revista está disponível para venda aqui; com alguma sorte, é até possível encontrá-la de graça. 
Também existe aqui um projeto de financiamento coletivo para ajudar a sustentar a Escabanaútica, bem como outras publicações do Coletivo Escambau.