quarta-feira, 27 de abril de 2011

Juvenatrix 127

Os lançamentos de fanzines digitais em 2011 andam meio sonolentos. O único que mantém o ritmo é o sempre confiável Juvenatrix, editado por Renato Rosatti, que acaba de lançar a edição 127, a segunda do ano.
Com capa ilustrada por Rafael Tavares, traz em suas 22 páginas notícias e divulgação de produções alternativas e Metal Extremo, contos de Mario Carlos Carneiro Junior e Emanuel R. Marques, e artigos de Marcello Simão Branco, Wagner Teixeira e do próprio Rosatti sobre literatura e cinema fantásticos. Destaque para o artigo sobre o escritor francês Stefan Wul e sobre o clássico longa metragem Things to come (Daqui a cem anos), dirigido por William Cameron Menzies em 1936, baseado numa história de H. G. Wells.
Para conseguir uma cópia basta solicitar ao editor em renatorosatti@yahoo.com.br.

Supernatural em quadrinhos

Mais um seriado de TV chega aos quadrinhos. Agora é a vez dos caçadores de demônios Sam e Dean Winchester, do seriado Supernatural (Sobrenatural, no Brasil), produzido pela Warner.
Geralmente, os seriados de TV não vão muito longe em suas versões quadrinhizadas. Talvez seja por isso que desta vez, já na versão original do selo Wildstorm da editora americana DC, as histórias foram publicadas em álbuns volumosos ao invés de revistinhas, de forma a ter um destino comercial claramente dirigido ao leitor adulto. Não que Supernatural seja, em tese, um seriado adulto, até porque não é mesmo, mas porque os leitores de quadrinhos hoje são veteranos em sua grande maioria e não se importam em desembolsar uns trocados a mais para dispor de seus fetiches ilustrados. Os dois álbuns chegaram a o Brasil pela editora New Pop por módicos R$39,00 o exemplar, uma bagatela para quem afinal já está pagando a faculdade dos filhos.
O volume 1, chamado Supernatural - Origem, desembarcou em outubro de 2010, e o volume 2, subtitulado Ascenção, chegou agora em abril de 2011. Ambos têm 144 páginas e contam histórias passadas antes daquelas vistas no seriado, quando os irmão Winchester ainda são crianças sendo treinadas pelo pai. Os roteiros são de Peter Johnson e os desenhos de Matthew Dow Smith. Mas não se engane com o desenho estiloso das capas: estes são assinadas por Tim Sale.
Eu até compraria, porque sou fã do seriado, mas por esse preço não dá. Minha filha ainda não está na faculdade.

sábado, 16 de abril de 2011

Pai Nerd resenha As luzes de Alice

Há algumas semanas, mais exatamente no dia 17 de fevereiro último, o Blog do Pai Nerd, editado por Álvaro Domingues, resenhou a noveleta As luzes de Alice, do escritor carioca Miguel Carqueija, publicada em 2004 pelo selo Hiperespaço.
Deixei lá o meu recado, mas eu me sentia devedor de Domingues pelo carinho com que ele avaliou a edição, por isso quero agradecer a atenção dele aqui também. Muito obrigado pela lembrança, amigo!
As luzes de Alice faz parte de um projeto iniciado com a Coleção Fantástica, em 1999. Inspirado na Coleção Argonauta, eu pretendia publicar trabalhos mais longos, impossíveis de apresentar no fanzine Hiperespaço. Além de Carqueija, publiquei textos de Gerson Lodi-Ribeiro, Carlos Orsi, Gian Danton, Jorge Luiz Calife, Roberval Barcellos, Rogério Amaral de Vasconcellos, André Carneiro e Roberto de Sousa Causo, no total de total, 14 volumes.
O sucesso foi discreto, como quase tudo o que envolve a FC&F no Brasil, mas sempre acima das minhas expectativas. Tanto que, ainda hoje, em meio às facilidades virtuais e ao crescimento explosivo das edições reais, continuo a ser procurado tanto por leitores, querendo adquirir as edições publicadas, quanto por autores, interessados em ter um volume na coleção. E o resultado disso é que já está pronta uma nova edição de Miguel Carqueija, Mistérios do Mundo Negro, justamente a sequência de As luzes de Alice.
Imprevistos de logística atrasaram o lançamento em quase um mês, infelizmente, mas dentro em breve ele será finalmente publicado. Aguardem.

QI 108

Chegou há alguns dias a nova edição do fanzine Quadrinhos Independentes, ou simplesmente QI, editado pelo quadrinhista e pesquisador de histórias em quadrinhos Edgard Guimarães.
Muitas vezes premiado com o Angelo Agostini, o fanzine está em publicação regular desde 1993 e já teve várias fases. Iniciado como um simples catálogo de fanzines, encorpou até se tornar um periódico informativo, com artigos, reportagens e quadinhos originais.
Esta edição, apresenta artigos de Edgar Indalécio Smaniotto e Worney de Souza, quadrinhos de Julio Shimamoto, Michael Kiss e Marcelo Dolabella, além da que uma belíssima capa, quadrinhos e artigos de autoria do editor sobre o Dia do Quadrinho Nacional, mistérios do colecionismo e histórias em quadrinhos de sucesso. Completa a edição a tradicional e extensa seção de cartas, repercutindo os assuntos das edições anteriores, e o catálogo de lançamentos alternativos do bimestre.
A publicação é distribuída exclusivamente para assinantes. Maiores informações pelo email edgard@ita.br.

domingo, 10 de abril de 2011

Duplo Fantasia Heróica

Uma de minhas mais recentes leituras foi o volume Duplo Fantasia Heróica da Coleção Asas do Vento, da Devir Livraria. Num verdadeiro formato de bolso, o volume traz as noveletas "O encontro fortuito de Gerad van Oost e Oludara" do americano radicado no Brasil Christopher Kastensmidt e " A travessia", de Roberto de Sousa Causo, que tive o prazer de publicar na Nova Coleção Fantástica.
A novela de Kastensmidt, que está indicada para o Nebula deste ano, conta a história de um aventureiro holandês nos tempos do Brasil colônia, prestes a ser expulso de Salvador por vadiagem, que se encontra com um negro escravo e decide libertá-lo. Sem dinheiro para pagar o alto valor do prisioneiro, ele vai apelar para os seres mágicos da floresta.
A história soa simples demais para os leitores brasileiros, já acostumados ao panteão indígena que volta e meia aparece em romances, quadrinhos, novelas e peças de teatro. Monteiro Lobato foi mais longe com o Saci Pererê e Guimarães Rosa certamente assombraria os leitores estrangeiros com o maravilhoso "Meu tio o Iuauretê". Mas acredito que Kastensmidt consegue ser suficientemente exótico para o gosto estrangeiro.
O interessante é que o protagonista não poderia ser mais politicamente incorreto, pois pretende caçar as criaturas lendárias do Brasil só por farra. Creio que um brasileiro nunca escreveria uma história assim.
Apesar de já ter lido umas dez vezes, reli novamente "A travessia", de Causo, pois o autor diz na apresentação do texto que fez mudanças nele depois que o publiquei em 2009. A história é sequência imediata do romance A sombra dos homens (Devir, 2005) e mostra como pode ser difícil para o pajé Tajarê e sua companheira islandesa, a bruxa Sjala, voltarem para casa depois de arrazar a aldeia das amazonas.
Gosto da linguagem "indígena" que o autor inventou para Tajarê, que contrasta fortemente com o texto de Kastensmidt. Só me incomoda que, apesar de toda a iniciativa e poder, Tajarê não parece ser senhor de si. Ele apenas reage, nunca assumindo o controle da própria vida. Deve ser o karma do personagem e certamente faz parte do projeto do autor para ele.
A Coleção Asas do Vento é uma grande proposta da Devir Livraria e vale muito a pena. O livro pode ser adquirido no saite da Devir, aqui.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mega Feras

Na minha época de criança, no início dos anos 1970, a revista Recreio, da Editora Abril, era uma bem vinda novidade nas bancas. Além dos conteúdos geniais produzidos por gente de gabarito como a escritora Ana Maria Machado, trazia modelos de papel para montar, como um barco pirata com direito a um baú de tesouros, um zoológico, uma cidade etc. Até hoje curto esses badulaques de papel por influência dessa publicação.
Hoje, os brinquedos que a nova geração da revista entrega estão bem mais sofisticados, mas a proposta continua tão empolgante quanto naquele tempo. O periódico infantil acaba de distribuir nas bancas as primeiras edições de uma nova coleção muito interessante.
Trata-se de Mega Feras, um conjunto de 24 brinquedos de plástico articulados inspirados nos animais pré-históricos, como magatério, mamute, gastornis, tigre de dentes de sabre etc, além de três personagens humanos.
A coleção ainda traz fascículos colecionáveis e minigibis com as aventuras de três jovens que viajam para o tempo em que viviam esses animais.
Que criança que nada. Uma coleção dessas, até eu quero.

Como foi o lançamento de Assembleia estelar

Fiz questão de prestigiar meu parceiro de Anuário, Marcello Branco, comparecendo ao lançamento da antologia internacional que ele organizou com tanto cuidado para a Devir Livraria. O livro já estava circulando, é verdade, mas carecia de um evento que registrasse o lançamento, que foi realizado no último dia 31 de março nas dependência da livraria Fnac, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Da esquerda para a direita: Fresnot, Tartari, Orsi, Branco e Causo.

Cheguei por volta das 19h e algumas pessoas já circulavam pelo simpático auditório improvisado ao lado do café, no segundo piso da livraria. Lá estavam, além de Marcello e sua namorada Rossana, Roberto de Sousa Causo acompanhado da esposa Finisia Fideli e do filho Robertinho, o fanzineiro Rudyard Leão, meu amigo Alexandre Yudenitch, os escritores Tibor Moricz e Ataíde Tartari, além de Daniel Fresnot e Carlos Orsi com as respectivas esposas. Enquanto garçons serviam vinho branco, uma mesa foi montada com Fresnot, Tartari, Orsi, Branco e Causo.
Por volta das 19h30, deu-se início ao painel, com Marcello fazendo considerações sobre o dia 31 de março, data na qual, em 1964, aconteceu o golpe militar que lançou o Brasil num famigerado período de ditadura. Depois dele, cada um dos autores comentaram seus contos, exceto Causo, que se portou como moderador da mesa.


O auditório ficou repleto de gente importante, como o ilustrador Vagner Vargas - autor da capa da antologia -, o escritor Nelson de Oliveira, o tradutor Carlos Ângelo, os editores Gumercindo Rocha Dórea e Douglas Quintas Reis, o ex-presidente do CLFC Alfredo Kepler e muitos outros.
A palestra encerrou-se por volta da 20h30, depois de uma bateria de perguntas do público presente. Fiquei ainda por ali algum tempo, trocando figurinhas e cumprimentando os amigos que não via há tempos. Deixei o pessoal que ainda conversava com animação e, relutantemente, saí às 21h, porque São Bernardo do Campo fica um tanto longe da Paulista; mais de uma hora de transporte coletivo me aguardava.