terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Resenha: As crônicas da Unifenda

As crônicas da Unifenda
, André Caniato, Jana Bianchi & AJ Oliveira. Pontes Jestal: Plutão, 2020.

As crônicas da Unifenda é uma antologia de contos de fantasia de autores brasileiros, surgida a partir de uma dinâmica realizada durante uma mesa redonda no evento literário Flipop, em 2018, voltada a falar sobre a criação de mundos. A discussão foi mediada pelos escritores Jana Bianchi e AJ Oliveira, com participações dos também escritores Eric Novello, Eduardo Cilto e todo o público presente. No ato, foi proposto o seguinte tema: "E se uma fenda temporal surgisse no céu e desse poderes estranhos às pessoas próximas?" 
A partir dessa proposição, foi se construindo um enredo geral colaborativo que se definiu pelo cenário de uma universidade localizada na Ilha de Marajó – a tal Unifenda – voltada para a formação de jovens com habilidades incomuns geradas pelos eflúveos de uma "fenda temporal" surgida sobre o local. 
Após o encerramento da mesa – cuja gravação pode ser acompanhada aqui –, ficou no ar a proposta para uma antologia de contos nesse universo, que acabou por ser publicada pela Editora Plutão dois anos depois, organizada pelos mesmos escritores que mediaram a mesa redonda em 2018, Jana Bianchi e AJ Oliveira, com a participação do editor André Caniato. Muitos contos foram submetidos aos organizadores, que selecionaram quatorze textos.
O conto que abre a seleta é "O último ponto", de Camila Loricchio, monólogo da motorista do fretado da Unifenda. O texto serve como introdução ao ambiente, preparando o leitor para os textos seguintes. 
Em "É semideus, é seminu", Ana Victória Costa conta os problemas e ansiedades de estudantes da Unifenda na realização de uma festa junina. 
"Arquipélago e outros anteparos", de Auryo Jotha, conta um drama de salvamento depois que uma estudante sensitiva antecipa o afogamento de um menino. 
"A fenda tá fechando", de Mary C. Müller, trata de um detalhe complementar ao universo da Unifenda criado ainda durante a mesa redonda, que seria o fato de tal fenda dimensional estar se fechando, o que talvez poderia suspender todas as habilidades dos jovens super-heróis. 
"A versão perfeita de mim mesmo", de Denys Schmitt, conta sobre um jovem estudante que rejeita as próprias habilidades, até encontrar alguém que pode ajudá-lo a seguir adiante. 
"Predador", de Isa Prospero, é uma história de mistério sobre alguém que estaria usando suas habilidades para estuprar garotas da universidade. 
"Monocromático", de Vitor Nassar, conta sobre os problemas de um jovem cujo poder é fazer tudo a sua volta ficar em preto e branco. 
"O nosso tempo é feito de espera" de Roberta Spindler, toma uma jovem que não pode dormir para contar sobre a preservação dos mitos da floresta.
"Uma noite no elevador", de Camila Costa, conta sobre duas jovens de poderes aparentemente inconciliáveis que se encontrarm presas dentro do elevador e acabam ficando mais que amigas. 
"O ciclo da vida", de Tau Nagy, também aborda os mitos da floresta a partir de uma irmandade, não exatamente legal, de estudantes e graduados da Unifenda.
"Quantas novalginas você já tomou hoje?", de Pedro Poeira, conta o esforço de um grupo de estudantes em um seminário, sendo que um deles tem a habilidade de voltar ao passado para melhorar a apresentação. 
"Dissonâncias", de Eric Novello, é um compilado de relatórios da psicóloga da Unifenda sobre alguns de seus pacientes mais problemáticos. 
"Edição de amanhã", de AJ Oliveira, usa de um conceito recorrente na ficção fantástica, no qual um estudante tem o poder da clarividência. 
"Tipos de pessoa", de Jana Bianchi, também faz uso da viagem no tempo para abrir um diálogo entre duas estudantes separadas por vinte anos. 
A antologia tem o mérito de ser bastante regular, nenhum texto se destaca com evidência,embora se observe exemplos de ousadia formal em alguns dos autores. A maior parte das histórias se desenvolve em torno de algum tipo de relação homoafetiva, de um ponto de vista bastante individual. Nenhum dos contos se preocupou em desenvolver as relações sócio-políticas de uma instituição como essa num país de terceiro mundo como o Brasil e como isso alteraria o equilíbrio geopolítico internacional. Também não se interessaram em explicar o que seria essa tal "fenda temporal", por que ela daria poderes às pessoas e, afinal, qual qualificação seria necessária para um professor universitário ensinar alguma coisa para estudantes dotados de superpoderes? Como seria o TCC dessa galera? Para onde esses superestudantes iriam após a formatura? Quem controlaria esse exército disfuncional? Alguma força do governo brasileiro, a ONU, o professor Charles Xavier?
Criar universos não é tão difícil nem misterioso, que o digam os jogadores de RPG. O problema é dar-lhes consistência, ainda mais quando se trata de um mundo que ainda guarda relação com a realidade em que vivemos, como é o caso do mundo de As crônicas de Unifenda. Talvez possam surgir novos trabalhos que esclareçam esses aspectos em futuras publicações da franquia, ou talvez seja só mesmo uma interessante curiosidade pedagógica.
As crônicas de Unifenda pode ser adquirida no site da Editora Plutão ou lida gratuitamente no aplicativo BibliOn.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Lançamento: O chamado de Cthulhu

O chamado de Cthulhu
é o quarto volume da série em quadrinhos do expressivo mangaká Gou Tanabe, que adapta os textos do mestre do horror cósmico H. P. Lovecraft. As edições anteriores foram O cão de caça e outras histórias, A cor que caiu do espaço e O habitante da escuridão
Diz o texto de divulgação: "Em O chamado de Cthulhu é revelada a existência de um culto maligno que adora uma criatura que vive além dos confins do espaço e do tempo. Após a morte de seu tio-avô, Francis Thurston assume a investigação dele sobre essa seita misteriosa – o que pode levá-lo a ter a sua sanidade consumida para sempre." 
A edição tem 288 páginas, tradução de Luis Libaneo e é uma publicação da editora Companhia das Letras pelo selo JBC.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Filamentos

Filamentos
é um programa de leitura coletiva crítica com foco na ecologia que, desde 2022, atua através da internet em grupos de discussão, encontros virtuais e festivais, e já rendeu o livro Filamentos: Leituras ecológicas comentadas - Diário de campo, da escritora e pesquisadora Ana Rüsche, publicado em 2025 pela Editora Bandeirola. Rüsche também assina a curadoria do programa.
Diz o texto de apresentação: "Com encontros mensais, estruturados a partir da leitura de obras clássicas e contemporâneas de ficção e não ficção, são aprofundados temas nevrálgicos sobre a questão ecológica e a crise climática. Nos últimos quatro anos estivemos em contato com uma bibliografia atualíssima e impactante, discutindo textos teóricos e literários de forma concomitante, tudo para aguçar os sentidos, provocar estranhamentos, desfocar a obviedade do olhar para atingir mais longe e com mais clareza."
Filamentos mantém um programa de arrecadação permanente, através do qual os interessados podem se juntar ao grupo e ter acesso às discussões e aos eventos promovidos. O objetivo é "conseguir o apoio necessário para manter a pesquisa, a produção do pensamento independente e reflexivo. E ampliar ao máximo o alcance da discussão de tema tão urgente quanto o da crise climática". O projeto oferece descontos para professores das redes pública e privada.
Mais informações, bem como a programação do projeto para 2026, podem ser encontradas aqui.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Em campanha: Fã-autor, Mayara Barros

Fã-autor: Experiências colaborativas e criativas no universo das fanfics
é a tese de mestrado da pesquisadora Mayara Barros que está em uma campanha de financiamento direto. Trata-se de um estudo a respeito da produção de fanfics, atividade que se expandiu explosivamente a partir do advento da internet e das redes sociais.
Não que a prática seja uma novidade: desde o início do século XX que os fãs apaixonados por alguns tipos de literatura praticam a arte de se apropriar de seus universos favoritos para criar novas histórias, usando os mesmos personagens da aventura original ou aproveitando apenas sua ambientação, criando todo um novo núcleo dramático. Talvez o caso mais significativo e longevo dessa prática sejam as fanfics de Sherlock Holmes, algumas cometidas por fãs muito famosos, como Jô Soares, por exemplo.  Depois vieram fanfics do seriado de tv Star Trek, das séries de fantasia O senhor dos Aneis e Harry Potter, e a coisa toda só tem crescido, inclusive no Brasil. E é justamente esse o foco da pesquisa. 
Diz o texto de apresentação da obra: "O livro mapeia práticas narrativas, criativas e colaborativas possíveis na cultura digital a partir da relação dos fãs com os produtos de entretenimento no universo das fanfictions brasileiras. A partir de conceitos de cultura do fã, cultura participativa, teorias literárias e cognição atuada, a autora faz uma etnografia virtual para analisar as fanfics selecionadas e entrevistar os autores, numa tentativa de demonstrar que a prática da fanfic é dialógica, criativa e intertextual por natureza. Por ser um mergulho no universo dos fãs brasileiros, mostrando como a relação com o entretenimento pode ser mais profunda do que muitos assumem, esta obra é para todos que têm interesse em entender um pouco mais sobre as relações entre fãs e criatividade."
Mayara Barros é Doutora em Comunicação Social pelo PPGCOM/UERJ, escritora, ilustradora e designer de jogos. É autora da coletânea de contos Caleidoscópio (2016, Illuminare) e integra a equipe podcast Andarilhos do Imaginário
A publicação terá 96 páginas e publicação pela Editora Appris. Apoios podem ser confirmados até o dia 19 de fevereiro, aqui.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Bandeirola para todos

A mulher e o estranho: Narrativas do insólito, antologia com contos de escritoras nacionais e internacionais, organizada e traduzida pelo pesquisador paraibano Braulio Tavares, e a coletânea Mistérios! Crimes de quarto fechado, com contos de mistério do escritor paulista Carlos Orsi, depois de uma bem sucedida campanha de financiamento direto, estão agora em pré-venda. 
A mulher e o estranho tem 144 páginas com textos de Emilia Freitas, Emilia Pardo Bazán, Kate Chopin, Katherine Mansfield, Madeline Yale Wynne, May Sinclair, Vernon Lee e Virginia Woolf, "escritoras geniais que deram voz às mulheres do final do século XIX ao início do século XX. Feministas, ativistas contra a guerra, essas autoras marcaram suas vidas com ousadias e ótimas histórias". 
Mistérios! tem 192 páginas e traz, com tradução é de Baulio Tavares, sete contos originalmente escritos em inglês, verdadeiros quebra-cabeças das histórias de crime, além de uma entrevista com Orsi.
Se você está entre os que não apoiaram a campanha, agora é a sua chance. Ambos os volumes estão disponíveis no saite da Editora Bandeirola, aqui. Trechos das obras podem ser lidos online gratuitamente.

Juvenatrix 279

Está disponível a edição de fevereiro do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti. 
Em dezesseis páginas, traz uma história em quadrinhos de Beralto e Angelo Junior, e resenhas aos filmes Interzone (1989) e O humanoide (1979), assinadas pelo editor. 
A edição é completada com notícias e divulgação de livros e publicações alternativas, e de bandas de metal extremo. A capa traz uma ilustração de Angelo Junior.
Cópias em formato pdf podem ser obtidas pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Lançamento: As crônicas de Âmbar, Tomo II, Roger Zelazny

Está em pré-venda o segundo volume da saga As crônicas de Âmbar, do escritor americano Roger Zelazny (1937-1995), mantendo o modelo usado no primeiro volume ao reunir os cinco títulos finais do Ciclo de Merlin: "Arcanos da perdição", "Sangue de Âmbar", "Sinal do caos", "Cavaleiro de sombra" e "Príncipe do caos".
Diz o texto de apresentação: "Após a jornada épica de Corwin para reivindicar seu direito ao trono, descobrir o paradeiro do rei Oberon e salvar a Ordem de Âmbar da destruição iminente das Cortes do Caos, cabe a seu filho, Merlin, trilhar o desfecho da série As crônicas de Âmbar. Herdeiro das duas realidades, Merlin deve percorrer um caminho entre sombras, segredos e feitiçaria em busca das respostas de que precisa, mas que podem abalar todo o multiverso. Vivendo na Terra de Sombra como estudante de ciência da computação, ele constrói em segredo o Roda-fantasma, um artefato senciente que une a lógica das máquinas ao poder dos arcanos de Âmbar. Mas o que começa como uma tentativa de reencontrar o pai desaparecido logo o envolve em uma teia de conspirações familiares, assassinatos, amores perdidos e conflitos entre poderes cósmicos. De embates mágicos e armadilhas oníricas a revelações sobre a própria natureza da realidade, Merlin enfrenta inimigos que mudam de rosto e aliados que nem sempre são o que parecem, tendo seu caminho entrelaçado ao do enigmático Luke, da poderosa Jasra e do imprevisível Mandor. Entre o Padrão e o Logrus, entre a Ordem e o Caos, Merlin é forçado a escolher um lado… ou a desafiá-los para moldar o próprio destino."
O volume tem 880 páginas, tradução de Leonardo Alves, publicação da Editora Intrínseca e está em pré-venda aqui, com lançamento previsto para o dia 2 de março de 2026.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Histórias Extraordinárias 11

Está disponível aqui o décimo primeiro número da revista literária de ficção científica e horror Histórias Extraordinárias, editada por Paolo Fabrizio Pugno para a Editora UICLAP, pelo selo Dicotomia.
A edição tem 68 páginas com contos de Diego C. Corrêa, Eduardo Akira, George Goldberg, Gerson Lodi-Ribeiro, Pedro Barros e Romy Schinzare, além de uma entrevista com o escritor paraibano Bráulio Tavares. A edição ainda traz resenhas e artigos de interesse. 
E mais: todas as dez edições anteriores também podem ser obtidas na página da Dicotomia, aqui.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Os trabalhos de Hércules, Simone Saueressig

"Na Paris de 1889, Arsène Raoul Lupin está focado na sua vida de estudante – mas a aventura nunca está longe. De roubo de livros raros da biblioteca do Liceu, a uma vingança anarquista, ele se depara com um espetacular roubo em cena aberta, documentos perdidos, o cenário de uma de suas mais famosas futuras aventuras, e uma perseguição bizarra em plena Exposição Universal. Um ano da vida de Lupin – já disse o cronista – vale por dez."
Este é o texto de divulgação de Os trabalhos de Hércules, terceiro volume da série de fantasia O jovem Arsène Lupin, da premiada escritora gaúcha Simone Saueressig, inspirada nos trabalhos do escritor francês Maurice Leblanc (1864-1941).
O volume tem 144 páginas e está em pré-venda no saite da Editora Avec, aqui. Os dois primeiros números da série, A dança macabra (2021) e A coroa de ferro (2024) também estão disponíveis.

sábado, 31 de janeiro de 2026

Slewfoot - A fábula das bruxas, Brom

"Connecticut, 1666. No Novo Mundo, o puritanismo cristão encontrou um terreno fértil para prosperar e crescer. Como quase tudo era considerado pecado, a vida em uma comunidade puritana podia ser bastante difícil, especialmente para as mulheres. Abitha, uma jovem inglesa recém-chegada na puritana Sutton, encontra preconceito na comunidade local. Com língua afiada e personalidade audaz, é vista como uma forasteira. Com seus amuletos e poções, remédios que sua mãe usava na Inglaterra, ela logo desperta a desconfiança dos moradores. Quando um espírito antigo desperta em um bosque sombrio, o povo nativo o chama de pai e protetor. Os colonos, porém, o chamam de Slewfoot, demônio. Para Abitha, recém-viúva, vulnerável e excluída do convívio social, ele é a única pessoa a quem ela pode pedir ajuda. Juntos, iniciam uma batalha entre pagãos e puritanos — uma peleja que ameaça destruir toda a aldeia."
Este é o texto de apresentação do romance de terror Slewfoot: A fábula das bruxas, segundo livro traduzido no Brasil de autoria do multiartista americano Gerald Brom, que tem em seu portfóplio os romances ilustrados The child thief, The plucker, The devil's rose e Krampus, este último publicado no Brasil em 2022.
Slewfoot tem 416 páginas, tradução de Vinicius Loureiro e é uma publicação da Darkside Books.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Em campanha: Rosário de carne, Puri Matsumoto

Está em ação a segunda fase da campanha de financiamento direto para viabilizar a publicação  da segunda série de romances de terror da Coleção Dragão Negro, da Editora Draco. Já foram garantidas, na primeira fase da campanha, as publicações dos romances Metal e ossos, de Carolina Mancini e Uma baleia ejacula 40 litros, de Jaime Azevedo.
A campanha agora busca recursos especificamente para o romance Rosário de carne, de Puri Matsumoto. 
Diz o texto de divulgação: "Joana está presa num convento carmelita. Mas a clausura não é sua tortura real. O verdadeiro horror pulsa nas vozes que corrompem suas orações e nas visões de uma Deusa que exige carne para renascer. Cada passo pelo claustro é um mergulho no grotesco. Cada reza, uma queda mais profunda na perdição. Enquanto os salmos sangram, Joana entende que seu destino não é a salvação da alma. É dar forma ao horror que dorme no fundo do peito. Para isso, precisa encontrar duas mulheres – a artesã Ariadne e a dançarina Nightmary – e abrir a porta para dentro. Lá onde espera Zara Tustra, a Deusa tecida com pele de mártires e sussurros de loucura.."
O volumes serão entregues entre fevereiro e novembro de 2026, e a campanha permite apoiar os títulos em bloco ou unitariamente. Para mais informações, visite a página da campanha, aqui.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Lançamento: A segunda-feira começa no sábado, Arkádi & Boris Strugátski

Os irmãos Arkádi (1925-1991) e Boris Strugatski (1933-2012) são escritores de ficção científica que ficaram muito conhecidos depois que o cineasta Andrei Tarkovski (1932-1986) dirigiu Stalker (1979), um clássico do gênero que transpôs para o cinema o romance Piquenique na estrada (1972), de autoria desses dois escritores russos, traduzido no Brasil em 2017, pela editora Aleph.
A segunda-feira começa no sábado (Понедельник начинается в субботу), originamente publicado em 1965, é o terceiro romance desses escritores que chega ao Brasil, também pela Aleph. Anteriormente, tivemos apenas Certamente, talvez, romance de 1977 publicado em 1980 pela Civilização Brasileira, sendo estes três os únicos títulos no Brasil desses escritores excepcionais (há mais alguns, de origem portuguesa).
Diz o texto de divulgação: "O jovem programador Sacha, natural de Leningrado, parte de carro rumo ao norte da Rússia para visitar alguns amigos na longínqua Soloviéts. No caminho, à beira da estrada, encontra dois sujeitos peculiares que lhe pedem uma carona até essa cidade que não é exatamente o que parece. Por obra do acaso ou do destino, o que começa com um gesto de camaradagem termina em uma inusitada oferta de emprego no misterioso Instituto de Pesquisa Científica em Magia e Bruxaria ― um lugar inusitado onde mágica, ciência e o funcionalismo público se encontram para investigar 'a felicidade humana' e 'o sentido da vida'."
O volume tem 336 páginas, tradução de Yuri Martins de Oliveira e está em pré venda no saite da Aleph, com lançamento previsto para 10 de fevereiro.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Lançamento: Bikku Matti, Zacharias Topelius

A Sociedade das Relíquias Literárias - SRL é um projeto da Editora Wish para viabilizar a tradução e publicação em ebook de textos raros de ficção fantástica internacional, resgatando assim obras desconhecidas de autores em domínio público, quase sempre inéditas em português. Uma assinatura mensal dá ao apoiador o direito de um novo ebook a cada mês, entre outras recompensas aditivas.
A primeira relíquia de 2026 é a novela de fantasia Bikku Matti, do escritor finlandês Zacharias Topelius (1818-1898) publicada postumamente em 1915. O autor é identificado especialmente com a literatura infantil.
Diz a sinopse: "Em uma cabana humilde à beira da estrada, o órfão Bikku Matti, um menino pequeno, de cabelos dourados e determinação maior do que o próprio corpo, vive com seus pobres avós pobres. Entre a vergonha de não ter calças, a crueldade das zombarias da comunidade e o orgulho de vestir, pela primeira vez, o velho uniforme do avô, Bikku Matti enfrenta o mundo com inocência e coragem. Quando um encontro inesperado com um homem poderoso pode mudar o destino da família, o menino precisa fazer uma escolha que colocará seu coração à prova."
Bikku Matti ocupa o número 70 da coleção SRL; tem 61 páginas, tradução de Camila Fernandes Carmocini e traz ainda uma biografia do autor. A capa tem uma ilustração de Bruno Felix. 
Para fazer parte da Sociedade, basta formalizar o apoio na página do projeto, aqui.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

QI 198

Está circulando o número 198 fanzine Quadrinhos Independentes-QI, editado por Edgard Guimarães, inteiramente dedicado ao estudo das histórias em quadrinhos, destacando a produção independente e os fanzines brasileiros. 
A edição tem 48 páginas com vinhetas em quadrinhos e ilustrações de Luiz Iório, Manoel Dama, Henrique Magalhães, Angelo Júnior, Mário Labate Santiago, Luiz Cláudio Lopes de Faria e de Guimarães, artigos de E. Figueiredo, Alex Sampaio e Rod Tigre, e as colunas "Fórum" com as cartas dos leitores,"Edições independentes" divulgando lançamentos de fanzines do bimestre anterior e "Mantendo contato", de Worney Almeida de Souza, com tiras de Fernando Gonsales, Maurício de Sousa, Laerte e Galvão Bertazzi.  A capa traz uma ilustração de Guimarães, que traz um efeito de transparência com o verso. 
Junto a esta edição, os assinantes recebem o número 8 de Os primeiros super-heróis do mundo, com uma pesquisa de 32 páginas de Leonardo Albuquerque sobre personagens do suplemento O Tico-Tico; o número 33 da série Reflexões sobre Imagem e Cultura, com uma pesquisa de Quiof Thrul sobre "A saga de Pecos Bill, O furacão do Texas"; o número 4 de A liga dos Quadrinhistas Independentes, com uma entrevista de Rod Tigre e Edgard Guimarães com o quadrinhistas Lincoln Nery; e o númerto 12 de Papos Tais, com uma troca de ideias de Guimarães com seu publisher, Henrique Magalhães.
Exemplares impressos do QI e seus encartes podem ser adquiridos mediante assinatura. Mais informações, diretamente com o editor pelo email edgard.faria.guimaraes@gmail.com. Versões digitais de todas as edições, desde o primeiro número, bem como de todos os encartes, estão disponíveis no saite da editora Marca de Fantasia, aqui, além de muitas outras publicações que valem a pena conhecer.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Resenha: O Mundo Resplandecente, Margaret Cavendish

O Mundo Resplandecente
(The Blazing World), Margaret Cavendish. Tradução de Milene Cristina da Silva Baldo. 151 páginas. São Paulo: Plutão, 2019. Originalmente publicado em 1666.

Cento e cinquenta anos antes do Frankenstein, de May Shelley, uma outra mulher, também britânica, ousou enveredar pela ficção fantástica em busca de uma utopia. Margaret Cavendish (1623-1673), também conhecida como Duquesa de Newcastle-upon-Tyne, foi uma filósofa e cientista muito respeitada, tendo sido a primeira mulher recebida na Royal Society of London, em 1667. Em sua época, Cavendish travou debates com contemporâneos importantes como Thomas Hobbes e René Descartes. 
Sua contribuição ao desenvolvimento da ficção científica se deu com o romance O Mundo Resplandecente, um texto incomum que reúne ensaio filosófico, feminismo, construção de mundos e aventura de ação a partir da descrição de um mundo ideal, aos moldes da Utopia de Thomas More (publicado em 1516) com contornos mais fantásticos, o que remete ainda a As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, publicado muito depois, em 1726.
A história conta como uma jovem inglesa é raptada por piratas e levada para longe num navio. Atingido por um inverno especialmente rigoroso no Círculo Polar Ártico, apenas ela sobrevive devido ao vigor de sua juventude. À deriva, o navio é arrastado por uma corrente marinha e chega ao Mundo Resplandecente, um lugar habitado por seres híbridos de homens e animais que vivem em paz e riqueza abundantes. 
No Mundo Resplandecente, que leva esse nome devido as estrelas especialmente luminosas que tornam suas noites tão claras quanto o dia, a beleza da jovem atrai a atenção do Imperador daquela terra, com quem acaba por se casar. Dotada de poderes de governança absolutos, a jovem Imperatriz implementa uma administração com resultados ainda mais fabulosos para seu povo. Amada pelo Imperador e por todos os súditos, requisita os conselhos de uma Duquesa de um outro mundo, que vem visitá-la em espírito e com ela empreende longos debates e uma missão de guerra contra o mundo dos homens, no qual as nações se uniram para destruir a Inglaterra. Dotada das tecnologias mais avançadas do Mundo Resplandecente, a Imperatriz subjuga todo o planeta com o uso de uma frota invencível de submarinos de ouro, fazendo do Rei da Inglaterra o governante plenipotenciário do mundo inteiro. 
O livro está dividido em duas partes, mas tem de fato três movimentos principais. Depois de poucas páginas explicando como a jovem dama se tornou a Imperatriz do Mundo Resplandecente, temos um longo trecho no qual a Imperatriz interroga todas as castas de homens-animais do reino a respeito de seus conhecimentos filosóficos, sendo cada uma especialista em uma área do conhecimento. Similar a um ensaio dialógico platônico, o texto expõe as ideias filosóficas de Cavendish, no qual ela defende o platonismo e ridiculariza a lógica aristotélica. A segunda parte conta como a Imperatriz convoca o espírito da Duquesa, que com ela chega a dividir o próprio corpo – bem como o marido da Duquesa – e as muitas viagens que fizeram juntas. A terceira parte narra a bem sucedida campanha militar da Imperatriz contra o mundo dos homens. 
Salta aos olhos a nulidade da ação masculina nas três realidades descritas no enredo. No Mundo Resplandecente, o Imperador é uma figura acessória e despersonalizada, uma vez que todo o poder está depositado nas mãos da Imperatriz. No mundo da Duquesa, o Duque é um homem endividado que só pode ser salvo da ruína com a ajuda da riqueza da Imperatriz. E, no nosso mundo, o Rei da Inglaterra só pode manter-se no poder com a ajuda militar das forças comandadas pela Imperatriz. 
Por conta de suas ideias inusitadas, muitos consideram O Mundo Resplandecente como o primeiro exemplo evidente de ficção científica na literatura, embora não estejam ali ainda as técnicas narrativas do romance moderno que podem ser aprecisadas em Frankenstein de Mary Shelley. Mas temos que reconhecer a primazia de Cavendish em muitos temas caros ao gênero, bem como a evidente proposta feminista muito antes de Mary Wollstonecraft (1759-1797) – mãe de Mary Shelley e filósofa respeitada, que primeiro desenvolveu textos em defesa dos direitos das mulheres. 
A edição da Plutão, em versão digital, é de alta qualidade, como também o é nos demais livros por ela publicados. Traz os prefácios das duas primeiras edições (1666 e 1668) e mantém o texto em sua forma original, sem divisões entre capítulos. As notas da tradutora Milene Cristina da Silva Baldo auxiliam no entendimento das muitas referências históricas do texto, que ficaria hermético sem elas. 
O Mundo Resplandecente recebeu outras edições no Brasil, como a da Rinocerote (2019, com tradução de María Fe González Fernández) e da Novo Século (2021, com tradução de Alcebíades Diniz). Talvez existam outras que não consegui identificar. 
Ainda que não seja uma leitura convencional, O Mundo Resplandecente não é difícil de ler, mesmo em seus trechos mais filosóficos. A autora certamente queria torná-lo um livro popular e obteve relativo sucesso nisso. Tanto que aqui estamos, quase quatrocentos anos depois, ainda a falar dele. Um livro que obriga a refletir nossas certezas a respeito das origens da ficção científica.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O apocalipse amarelo 2: Os imundos de Shub-Niggurath, Diego Aguiar Vieira

Os imundos de Shub-Niggurath
é o segundo volume da série neolovecraftiana O apocalipse amarelo, do escritor carioca Diego Aguiar Vieira, iniciada com o romance Uma torre para Cthulhu, vencedor do Prêmio ABERST de Melhor Narrativa Longa de Terror, publicado pela editora Avec em 2023.
Diz o texto de apresentação: "Rafa está marcada pelo trauma de um amor perdido e pela dificuldade de lidar com um presente em ruínas. Ícaro, seu irmão, luta para manter a sanidade e o senso de realidade enquanto os dias se tornam mais fluidos e violentos. Lúcia, criada dentro de um culto religioso, tenta sobreviver entre visões, imposições e o que ainda resta de si. Malaquias tenta manter o grupo unido e proteger as pessoas ao seu redor, mesmo sem compreender totalmente o que está acontecendo – guiado não pela certeza, mas pela necessidade de cuidar. Juca enfrenta o horror à sua maneira – com lógica, lucidez e inteligência – num mundo que parece rejeitar tudo isso. E Kamog, uma presença antiga e inquieta, move-se entre corpos e tempos, sempre à espreita."
Os imundos de Shub-Niggurath tem 264 páginas e está em pré-venda no saite da editora Avec, aqui.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

4x Fanzine

Depois de tratar dos fanzines Megalon e Hiperespaço, o canal Café Especulativo, do pesquisador Edgar Smaniotto, recebeu, no último dia 18 de janeiro, o pesquisador e escritor Roberto de Sousa Causo para contar um pouco de sua longa trajetória como editor de fanzines. 
Causo editou diversos títulos dedicados a fantasia e a ficção científica, como O Rhodaniano, Papêra Uirandê, The Brazuca Review, Borduna & Feitiçaria, entre outros, publicados ao longo dos anos 1980 e 1990. 
O vídeo da entrevista, que durou três horas, está integralmente disponível aqui.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

HQ Memories 27

HQ Memories
é um fanzine de e sobre quadrinhos editado pelo cartunista Luigi Rocco sob a chancela do selo Inumanos Agrupados, dedicado a lembrar trabalhos e autores esquecidos dos quadrinhos brasileiros e estrangeiros.
A edição 27 resgata as seguintes histórias: "Só... corro" (1967), de Victor Forde (também cohecido como Luis Sátiro); "O diário do Dr. Hayward" (1938), de Will Eisner e Jerry Iger; "Fogaça" (1966), de Vilmar Rodrigues; "A aposta" (1955), de Doug Wildey; "Monstros" (1986), de Gary Brookins e Bob Gorrell; "Desidratação", de Maurício de Sousa; e "O Caçador: Cuidado com o Sr. Meek" (1942), de Joe Simon & Jack Kirby.
A edição tem 44 páginas formato magazine com capa colorida em cartão, que traz uma ilustração de Sebastião Seabra com uma imagem do Homem Lua, personagem criado por Gedeone Malagola. Imagens e detalhes de cada um dos trabalhos apresentados podem ser conferidos no blogue da publicação, aqui.
Rocco também está republicando os primeiros números do fanzine, agora no mesmo formato grande, e já alcança o número 11. 
HQ Memories pode ser encomendado diretamente com o autor, pelo email luigirocco29@gmail.com.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Resenha: Seres mágicos & histórias sombrias

Seres mágicos & histórias sombrias
(Stories), Neil Gaiman & Al Sarrantonio, orgs. 448 páginas. Tradução de Regiane Winarski. São Paulo: Darkside, 2019. Publicada originalmente em 2011.

Seres mágicos & histórias sombrias é uma antologia de contos e noveletas dark fantasy organizada pelo escritor britânico Neil Gaiman e o escritor americano Al Sarrantonio, que reúne nada menos que vinte e sete ficções de diversos autores de língua inglesa, sempre ligados ao que se convencionou chamar de ficção fantástica. Mas até isso é difícil de dizer após a leitura da seleta, pois muitos contos escapam de uma classificação inequívoca. Trata-se de um conjunto muito regular, sempre surpreendente, que lembra, em alguns aspectos, a ficção de Julio Cortázar e a de Tomas Ligotti, trafegando pelos gêneros da fantasia e do horror mas nem sempre sendo o que parece a princípio. 
Na lista de créditos, percebe-se que todos os textos selecionados foram publicados no ano de 2010 antes de serem reunidos nesta antologia. São os seguintes os escritores selecionados: Roddy Doyle (Irlanda), Joyce Carol Oates (EUA), Joanne Harris (Reino Unido), Neil Gaiman (Inglaterra), Michael Marsh Smith (EUA), Joe R. Lansdale (EUA), Walter Mosley (EUA), Richard Adams (Inglaterra, 1920-2016), Jodi Picoult (EUA), Michael Swanwick (EUA), Peter Straub (EUA, 1943-2022), Laurence Block (EUA), Jeffery Ford (EUA), Chuck Palahniuk (EUA), Diana Wynne Jones (Reino Unido, 1934-2011), Stewart O'Nan (EUA), Gene Wolfe (EUA, 1931-2019), Carolyn Parkhurst (EUA), Kate Howard (EUA), Jonathan Carroll (EUA), Jeffery Deaver (EUA), Tim Powers (EUA), Al Sarrantonio (EUA, 1952-2025), Kurt Andersen (EUA), Michael Moorcock (Inglaterra), Elizabeth Hand (USA) e Joe Hill (USA). 
Alguns contos já são conhecidos dos leitores brasileiros por terem sido publicados antes em coletâneas dos próprios autores, como "A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras", de Neil Gaiman, que já teve inclusive uma edição própria no Brasil, e "O diabo na escada", de Joe Hill, mas a grande maioria estava inédita no Brasil. 
Não vou comentar cada conto porque seria exaustivo, mas vale registar o "O voo de Belerofonte', de Elizabeth Hand, que conta o projeto emocional de alguns historiadores que tentam repetir o mítico voo realizado por uma máquina mais pesada que o ar no ano de 1901, antes dos irmãos Wright e, é claro, de Santos Dumont (que não é citado no conto). É claro que isso nunca aconteceu pois nunca houve uma máquina chamada Belerofonte. Mas seria incrível se fosse verdade. Eu até queria que fosse.
"O terapeuta", de Jeffrey Deaver, também merece ser citado aqui. Conta a história algo macabra de um psicólogo determinado a curar uma mulher que, ele acredita, é um perigo para si mesma. O que torna a história intrigante é a tese do "neme", ou meme negativo. Real ou uma criação do autor? 
Outro texto curiosíssimo é "Histórias", de Michael Moorcock, festeja autor do clássico da fantasia Elric de Melniboné que, neste conto, faz o depoimento pessoal e íntimo da relação escnadalosa de um certo escritor de ficção fantástica e seus colegas de ofício ao longo de algumas décadas. 
Mas é claro que todos os demais contos têm algo a acrescentar ao conjunto e, apesar de ser um volume de mais de quatrocentas páginas, lê-se com facilidade e prazer. E, para o leitor brasileiro, funciona como um "atualizador" – ainda que os textos sejam de 2010 – para o que se pratica contemporaneamente no campo da ficção fantástica em língua inglesa. Antigos leitores da saudosa Isaac Asimov Magazine certamente sentirão familiaridade com a maneira que ideias tão variadas e incomuns emergem ali sem aviso prévio. 
Se você, por acaso, é um dos que acha que não deve ler mais nada que tenha passado pelas mãos de Neil Gaiman, por qualquer motivo que seja, só posso dizer que estará perdendo um grande livro. 
Leitura altamente recomendada. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Resenha: Fluam minhas lágrimas, disse o policial, Philip K. Dick

Fluam minhas lágrimas, disse o policial
(Flow my tears, the policeman said), Philip K. Dick. Tradução Ludimila Hashimoto. 256 páginas, São Paulo: Alpeh, 2013. Originalmente publicado em 1974.

Philip Kindred Dick (1928-1982), ou PKD, é uma dessas sumidades lembradas de imediato quando se fala em ficção científica. Não tanto pela ampla produção literária, que é realmente monumental, mas principalmente pelas adaptações de seus textos para o cinema e para a tv. Filmes como Blade Runner, O vingador do futuro, Screamers, Minority report, Agentes do destino, O pagamento e O homem duplo, e as série de televisão O homem do castelo alto e Sonhos elétricos, para ficar só nos mais conhecidos, são grandes sucessos e é qimprovável que alguém nunca tenha ouvido falar deles. Mas o trabalho original de PKD é conhecido apenas de uma restrita comunidade de leitores especializados em ficção científica.
Dick vem sendo publicado no Brasil desde os anos 1970, por editoras como a Bruguera, a José Olympio, Cedibra, Tecnoprint, etc. Mas o grosso do autor em língua portuguesa saiu mesmo na Coleção Argonauta, da editora portuguesa Livros do Brasil, cujos exemplares eram facilmente encontrados no Brasil e, assim, formou-se desde então uma legião de fãs. Chegou até mesmo a editoras do porte da Companhia das Letras, pois os sucessos audiovisusais nele inspirados são um motivador bastante convincente. Mas a casa editorial que mais publicou PKD nos últimos vinte anos no Brasil foi a Editora Aleph, que tem mantido em catálogo praticamente todos os títulos que publicou do autor. Entre eles está Fluam minhas lágrimas, disse o policial, romance de 1974, ganhador do Prêmio John W. Campbell, que teve edição anterior, em 1986, pela Brasiliense sob o título de Identidade perdida
Dick é conhecido por tratar de temas filosóficos complexos como a natureza da realidade, simulacros, identidades múltiplas, distopias políticas e outras questões metafísicas com proposições instigantes sempre regadas a muita especulação tecnológica, especialmente sobre drogas e outros indutores de estados alterados de consciência, todos de alguma forma presentes neste romance. Por isso, PKD é um dos escritores de ficção científica mais influentes do nosso tempo.
Fluam minhas lágrimas, disse o policial acompanha a odisseia de Jason Taverner, cantor popular de meia idade, apresentador de tv de grande sucesso, mulherengo, milionário, bonitão e "seis", ou seja, um dos poucos seres humanos dotados, por manipulação genética, de capacidades intelectuais superiores. Após um de seus shows semanais, sempre com mais de trinta milhões de espectadores, Taverner acorda na manhã seguinte em um hotel fuleiro, ainda vestindo o caríssimo terno de seda que usou no último show. Ele não está com amnésia, pois sabe muito bem quem é, mas não faz ideia de como foi parar ali. Sua primeira reação é telefonar para sua amante, uma seis chamada Heather Hart, mas ela o esnoba e diz não o conhecer. Liga então para seu advogado, que também não se lembra dele. Sem documentos – embora com algum dinheiro no bolso –, Taverner sabe que precisa de documentos válidos para sair a rua, pois a realidade política dos EUA em que vive é de um estado totalitário policial militarizado em guerra contra os estudantes universitários que se escondem nos subterrâneos das antigas universidades em ruínas. Qualquer um pego na rua sem documentos, se não for morto no ato, é preso e enviado para campos de trabalhos forçados para o resto da vida. 
O recepcionista do pardieiro, muito bem pago por Taverner, dá-lhe carona até a casa de Kathy, uma excelente falsificadora de documentos mas que, ele logo percebe, tem algum tipo de distúrbio intelectual. Por causa de suas capacidade seis e de sua aparência exuberante, Taverner sempre exerce  fascínio nas mulheres e se aproveita disso com Kathy. Mas ela também é informante da polícia, e quando o Inspetor McNulty, para quem ela trabalha, aparece de surpresa, acaba pegando Taverner. Como não consegue provar quem é, McNulty abre uma investigação sobre Taverner e descobre que não existe nenhum registro em qualquer lugar do planeta sobre ele. O mistério chama a atenção do maioral do departamento de polícia, o General Buckman, que acredita que esse desconhecido deve ser ligações importantes com poderes insupeitos, e os problemas de Taverner entram numa crescente escala de dificuldades. 
A narrativa lembra uma novela rocambolesca, em que um novo problema se acrescenta ao anterior e vai se complicando cada vez mais, principalmente porque Taverner não sabe, em momento algum, realmente o que está acontecendo. A resposta virá, mas não vou contar aqui. Só vou dizer que Taverner não é, como parece, o personagem principal nessa história. 
Outra característica das histórias dickianas é a recorrência ao gênero policial. Tal como os personagens que não sabem direito em que realidade vivem, também não sabemos bem, os leitores, se o que estamos lendo é uma história de crime ou de ficção científica, e esse é um dos charmes do estilo alucinado de PKD. Mas é bom que se diga que, assim como nas grandes histórias de crime, haverá uma solução racional no final, nem sempre fácil de entender, mas certamente de grande perspicácia. 
Tão importante quanto a história em si, são os personagens de PKD, de uma riqueza construtiva absurda, cada um deles um universo em si. E mais importante que tudo é a sensação de irrealidade que escapa do romance e invade a nossa própria realidade. Ao fecharmos a última página de uma história de PKD, precisamos olhar bem ao redor e conferir se tudo ainda está ali. Porque, eventualmente, pode ser que não esteja mesmo.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Juvenatrix 278

Está disponível a edição de janeiro do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti. 
Em treze páginas, traz conto de Caio Alexandre Bezarias e resenhas aos filmes O dia em que a Terra parou (1951), O monstro que desafiou o mundo (1957), Força diabólica (1959) e Continente perdido (1951), todas assinadas pelo editor. 
A edição é completada com notícias e divulgação de livros e publicações alternativas, e de bandas de metal extremo. A capa traz uma ilustração de Angelo Junior.
Cópias em formato pdf podem ser obtidas pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Resenha: Quarta Asa, Rebecca Yarros

Quarta Asa
(Fourth Wing), Rebecca Yarros. 544 páginas. Tradução de Laura Pohl. São Paulo: Planeta Minotauro, 2024. Originalmente publicado em 2023.

Violet Sorrengail é uma jovem em idade de serviço militar, atividade que lhe parece inevitável, uma vez que sua mãe, Lilith Sorrengail, é general e seus dois irmãos, Mira e o falecido Brennan, cavaleiros das forças de defesa do reino de Navarre, que mantém um conflito ancestral contra o reino de Poromiel. Porém Violet é uma garota com um baixo potencial físico, estatura pequena, facilidade para sofrer dores e lesões nas articulações, músculos e ossos, o que não parece nada adequado para que ela se torne uma cavaleira como seus irmãos. 
De fato, seu falecido pai, que era escriba, a preparou para que seguisse a sua própria carreira na ordem, mas a inflexibilidade da mãe a obriga a se alistar no Instituto Militar Basgiath, uma academia que forma os cavaleiros do reino. Não cavaleiros comuns, mas cavaleiros de dragões, o que exige uma alta dose de força física e resistência. Por isso, o processo de seleção dos cadetes é cruel, levando a maioria deles à morte ao longo dos três anos de preparação, com inúmeras chances para perder a vida que, de resto, vale muito pouco em Navarre. 
Violet vai ser levada ao limite de suas forças, mas é claro que irá sobreviver para ter não apenas um, mais dois dragões, animais gigantescos e violentos, com sua própria cultura, linguagem e poderes mentais, dotados ainda de capacidades mágicas que são transferidas aos cavaleiros depois de serem ligados a eles em uma disputa mortal em meados do primeiro ano em Basgiath. 
Mas os perigos não terminam aí. Quando mais o curso avança, mais cadetes perdem a vida num processo de depuração que só permitirá a formatura dos efetivamente mais capazes. Tudo para serem, depois, colocados na frente de batalha onde terão de enfrentar os Paladinos de Poromiel, que cavalgam nada menos que os ferozes grifos. 
Devido à personalidade autoritária e impiedosa da General Sorrengail, Violet será caçada na academia pelos estudantes que veem de famílias que sofreram nas mãos dela. O mais feroz deles é um "gigante" chamado Xaden, terceiro anista da Basgiath cujo pai foi assassinado pela própria General. Ele tem um dragão sanguinário, é o melhor aluno da academia e um hábil manipulador das sombras. E mais: ele é o comandante da Quarta Asa, divisão dos cavaleiros de dragões para a qual Violet acaba designada. Mas não existe apenas ódio em Xaden. Muitos segredos rondam o seu coração, e também, ao que parece, todas as demais relações entre cadetes, guerreiros e comandantes de Basgiath.
Este é o ambiente no qual se desenrola a história de Quarta Asa (Fourth Wing), romance de alta fantasia da escritora americana Rebecca Yarros, originalmente publicado em 2023, que se tornou um fenômeno no Tik Tok e grande sucesso editorial. O livro inaugura a série O Empyriano, que também conta com os romances Chama de ferro (Iron flame, 2023); Tempestade de ônix (Onix storm, 2025), ambos também já publicados no Brasil. 
É um livro longo, repleto de detalhes e reviravoltas, e de uma narrativa competente que estofa muito bem o modelo recorrente dos chamados livros de romantasia. Lembra, na estrutura geral, a série Divergente, ficção científica de Veronica Roth, com uma protagonista inadequada que tem que sobreviver a um treinamento brutal para encontrar seu lugar numa sociedade distópica e, enfim, descobrir que tudo aquilo em que acreditava não passava de mentiras. 
É um livro de leitura ágil, com persongens bem construídos e cenas de ação intensa, mas que tem um defeito grave: dois capítulos eróticos – quase pronográficos – que tornam o livro absolutamente contra-indicado para leitores jovens. Sua gratuidade faz concluir que foram colocados ali à força, provavelmente para atender a alguma exigência editorial uma vez que, se não forem lidos, não fazem falta na trama. Até o estilo do texto muda, quase como se esses trechos tivessem sido elaborados por outro escritor, piorados pelo fato de quem quer os tenha escrito, seja Yarros ou outro qualquer, evidentemente não dispunha de domínio sobre as narrativas eróticas.
Quarta Asa chegou às livrarias brasileiras em 2024 no selo Minotauro da Editora Planeta, com tradução de Laura Pohl, 544 páginas, capa dura e um preço bastante salgado no lançamento mas, agora, já está mais acessível e pode até ser lido gratuitamente na plataforma pública BibliOn, aqui.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Resenha: Rei Rato, China Miéville

Rei Rato
(King Rat), China Miéville. 400 páginas. Tradução Alexandre Mandarino; São Paulo, Tarja, 2011.

Saul é um jovem com problemas de relacionamento com o pai, com quem vive em um apartamento na periferia de Londres. Ao voltar de uma viagem, Saul vai direto para o seu quarto sem falar com o pai que, pelo som da tv ligada, estava na sala, provavelmente cochilando. 
Depois de um sono atribulado, Saul é acordado com o barulho de socos na porta da casa: é a polícia. Aturdido, Saul abre a porta e é imediatamente imobilizado pelos policiais, que o levam para a delegacia sob custódia: seu pai está morto no jardim, arremessado da varanda do prédio. O delegado encarregado da investigação acredita que Saul é o culpado, mas o garoto, em estado de choque, não entende nada do que está acontecendo. 
Enquanto aguarda a definição do caso, Saul fica detido em uma cela da delegacia. Mas algo bizarro acontece: um estranho de aparência assustadora, que se apresenta como seu tio, o tira de lá, passando imperceptível pelos policiais. O estranho o apresenta ao submundo de Londres, entre becos, lixo e esgotos. A vida de Saul vai mudar para sempre e as revelações que ele descobrirá serão terríveis não somente para ele, mas também para seus amigos. 
Rei Rato, romance de autoria do escritor britânico China Miéville, é um livro raro hoje em dia no Brasil. Publicado em 2011 pela extinta editora Tarja – de propriedade dos fãs e escritores de literatura fantástica Richad Diegues e Gianpaolo Celli –, teve tiragem pequena e nunca foi reeditado. Miéville, contudo, ganhou notoriedade desde então e o título hoje atrai o interesse de seus muitos leitores. 
Rei Rato foi o romance de estreia de Miéville, que hoje conta com livros premiados como A cidade e a cidade (2009), Estação Perdido (2000) e A cicatriz (2002), todos publicados no Brasil pela editora Boitempo. Por isso, Rei Rato pode soar como um trabalho menor na obra do autor, mas essa é uma percepção anacrônica. De fato, Rei Rato não apresenta o mesmo ritmo frenético, nem a ousadia na construção de mundo dos demais títulos, mas pode-se perceber nele muitas das marcas de estilo do autor, como um alto nível de escatologia e violência,  personagens ambíguos e cativantes, questões políticas evidenciadas, e muita dor. Também há diversos temas dentro da história que ecoam nas obras posteriores. Miéville foi mais ortodoxo na contação da história, que é uma aventura juvenil hard core, regada a música drum and bass e grande quantidade de gírias londrinas explicadas em muitas notas.
A história narra o caminho de descoberta e amadurecimento de um adolescente que se vê envolvido em uma guerra ancestral entre as nações dos ratos, das aranhas e dos pássaros, contra o misterioso e enlouquecido Flautista de Hamellin, que quer exterminar todas elas.
Embora a fantasia do horror estejam muito imbricadas, não é tão óbvio classificar Rei Rato como um romance New Weird (como seus outros livros) porque não há absolutamente nada de ficção científica na história. Mas podemos dizer, sem receio de erro, que se trata de uma fantasia urbana sombria na qual os subterrâneos londrinos são tão importantes quanto os personagens da trama, talvez mais. 
Rei Rato talvez seja mais palatável, apesar da escatologia, para a leitura de quem achou Miéville um escritor difícil de acompanhar, pois trata-se de uma narrativa simples e sem muitas reviravoltas. Contudo, sua leitura prévia não vai ajudar a acompanhar melhor os livros seguintes, porque a velocidade só aumenta e a vertigem é inevitável. Aliás, já dá para sentir um pouco dela aqui, especialmente nas sequências de ação intensa, que beiram o gore
Se for possível obter um exemplar, não deixe de ler Rei Rato, e entenda por que o New Weird causou tanto rebuliço na ficção especulativa mundial, inclusive entre os leitores e escritores brasileiros.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Braulio Tavares e Carlos Orsi falam sobre literatura

 Carol Mancini entrevista Braulio Tavares: Utopia feminista em Emília Freitas:


L.F. Lunardello entrevista Carlos Orsi: Afinidades entre a ficção científica, o horror e histórias de quarto fechado:

Estes e outros vídeos interessantes podem ser vistos no canal da Editora Bandeirola, aqui

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Psiu Psiu Psiu

Piscou e já estão disponíveis três novas edições do Psiu, tradicional fanzine de quadrinhos editado por Edgard Guimarães, através do selo EGO da Editora Marca de Fantasia, em formato exclusivamente digital. A publicação recupera trabalhos antigos nunca vistos pelos leitores desta geração, além de algum material inédito.
O número 19 foi publicado em julho de 2025 e tem 68 páginas; o número 20, de setembro, com 74 páginas; e o número 21, publicado em novembro, com 68 páginas. Cada edição traz trabalhos de Luiz Iório, Henrique Magalhães, Franquin, Glen Gravith, Joselito, Geny Marcondes, Jota Carlos, Marcatti, Alfredo Storni e do próprio editor. 
Todas as edições do Psiu, além de outras publicações do selo Ego, podem ser baixadas gratuitamente aqui.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Lançamento: Jardim noturno, Shirley Jackson

A escritora americana Shirley Jackson (1916-1965), conhecida por sua literatura gótica repleta de mistério, que tem no romance A assombração da Casa da Colina seu texto mais conhecido e diversas vezes adaptado para o cinema, também escreveu muitos contos embora não sejam tão conhecidos no Brasil. Até agora, porque a editora Darkside está lançando Jardim noturno, coletânea de contos da autora com um apanhado de sua extensa ficção curta. 
Diz o texto de apresentação: "Um diabo inquieto, uma velha maliciosa e um Jack, o Estripador do pós-guerra; uma perseguição por uma paisagem urbana sinistra e uma cidadezinha onde o mal espreita por trás de roseiras impecáveis. Em cada conto de Jardim noturno, Shirley Jackson atesta por que é considerada uma das grandes mestres da narrativa curta, capaz de extrair o extraordinário da rotina, o absurdo do familiar, o horror do que se apresenta como inofensivo. Publicada postumamente a partir de manuscritos encontrados por seus filhos, Laurence Jackson Hyman e Sarah Hyman DeWitt, esta antologia reúne contos inéditos ou esquecidos da autora. Aqui estão tanto os textos macabros e perturbadores que consagraram Jackson quanto cenas de humor doméstico, sempre com uma dose de ironia que desnuda a natureza humana em seus gestos mais triviais."
O volume tem 576 páginas, tradução de Sonia Moreira, e pode ser adquirido no saite da editora, aqui.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Lançamento: Voltas ao redor do Sol 2025

A série de antologias anuais Voltas ao redor do Sol, que estreou em 2023, chega a terceira edição mais uma vez organizada por Rubens Angelo. Publicada pelo Clube de Leitores de Ficção Científica - CLFC, o volume também assinala os quarenta anos de fundação do clube, apresentando em 173 páginas contos de autores brasileiros convidados especialmente para a publicação. São eles: Gian Danton, Maira M. Moura, David Machado, Liana Zilber Vivekananda, Gerson Lodi-Ribeiro, Ale Santos, Fábio Fernandes, Ivan Carlos Regina, João Barreiros e Roberto Causo.
Diz o texto de apresentação: "Nestas páginas você poderá saborear histórias de alguns dos grandes nomes da ficção científica nacional, narrativas essencialmente fantásticas que extravasam as fronteiras da ciência, explorando com humor, horror ou ironia os mais diversos temas: distopia, New Weird, inteligência artificial, história alternativa, horror cósmico, multiverso, exploração espacial, space opera… Voltas ao redor do Sol vai agradar todos aqueles que gostam de boa literatura fantástica."
O livro tem edição unicamente digital e pode ser encontrado aqui.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A política da fantasia: Entrevista exclusiva com China Miélville

Para registrar o lançamento do romance A cicatriz, A TV Boitempo, canal do Youtube da Editora Boitempo, promoveu uma extensa entrevista com o escritor britânico China Miéville, com as participações dos entrevistadores brasileiros Pétala e Isa Souza (as afrofuturas), Fábio Kabral, Felipe Castilho e Thiago Guimarães e a mediação da pesquisadora Ana Rüsche, todos eles também escritores dedicados à ficção fantástica. 
A proposta da entrevista, que pode ser acompanhada aqui, é tratar de assuntos relacionados a obra do autor, sua técnica, suas ideias sobre literatura, arte, política, internet e temas correlatos. As respostas de Miéville, sempre muito densas e profundas, têm tradução de Kim Doria.
Vale muito a pena ouvir com atenção os noventa e dois minutos da entrevista, pois as perguntas e as respostas são todas muito interessantes e didáticas.